Adolescência do bebê: você sabe o que é a fase do “terrible twos”?

A psicopedagoga e psicóloga Melina Blanco Amarins esclarece as principais dúvidas sobre a “terrível crise dos dois anos” infantil

Manha ou birra. Qual mãe ou pai nunca passou por uma situação dessas com o/a filho/a?  Mas você sabia que em crianças entre um ano e meio até três anos de idade isso pode ter relação com a “adolescência do bebê”?  A psicóloga e psicopedagoga Melina Blanco Amarins, da Materno-Infantil do Einstein esclarece algumas dúvidas sobre o tema, também conhecido como terrible twos.

O que é a adolescência do bebê?
É quando a criança apresenta comportamento opositor às solicitações dos pais. A criança percebe que consegue ter alguma autonomia e desejos diferentes dos pais e pode apresentar comportamentos de birra diante de tarefas que não quer fazer. Chamamos também como terrible twos.
O termo terrible twos tem ligação com o período no qual a criança pode apresentar o “fenômeno” – perto dos dois anos?
Sim.  Este período pode ocorrer entre um ano e meio até 3 anos.
Qual a importância desta fase?
É uma fase em que há muitas mudanças na criança e faz parte do desenvolvimento.  Bebês são muito dependentes, porém nesta idade (terrible twos) já conseguem fazer algumas tarefas sozinhas.
É neste momento que a criança consegue ter uma percepção melhor de seus desejos e realizar escolhas que muitas vezes são diferentes dos pais. Neste momento que os conflitos aparecem com comportamentos de birras, como jogar objetos no chão, gritar e chorar. Podemos considerar importante esta fase, pois é uma fase inerente ao seu desenvolvimento global infantil.
Como os pais podem ajudar/ lidar?
Esta fase não é fácil para os pais, pois precisam ter muita paciência com a criança. Bater ou gritar são atitudes disfuncionais e pioram o comportamento.  É importante que os pais tenham calma e mostrem para a criança que esse tipo de comportamento não tem benefícios.
Conversar com a criança é importante, porém não no momento da birra. Aguarde o momento em que todos estiverem calmos e possam dialogar. É importante lembrar que o papel dos pais é educar e é nesta fase que este processo se intensifica – na qual ensinam o que é certo e o que é errado.
Outro ponto importante é tentar manter uma rotina com a criança, pois as chances são menores de ficarem estressados com mudanças.  A criança nessa idade não tem maturidade cognitiva e emocional para entender todo esse processo sozinha e precisa de um adulto para molda-la e orienta-la.
É possível evita-la?
Não. O importante é não pensar em evitar, mas saber manejar determinadas situações e ajudar a criança a passar por essa fase.
Toda criança passa por essa fase?
Toda criança passa por essa fase do desenvolvimento, porém cada uma pode reagir de forma diferente e com intensidade diferente. Não há uma regra para que todas as crianças com dois anos tenham comportamentos opositores.
Fonte: Hospital Albert Einstein

Como sair do sedentarismo?

Como sair do sedentarismo? Dicas simples que vão te ajudar a tomar essa iniciativa e movimentar-se
Treinar com amigos, relaxar ou se desafiar a cada nova conquista. Essas são algumas das experiências que a pratica da atividade física proporciona. Confira dicas para quem quer sair do sedentarismo. Saiba mais

​O sedentarismo está na lista dos principais fatores de risco que prejudicam a sua saúde. Um estudo recente (Lancet Glob Health. 2018, Sep 4), somando mais de 1,9 milhões de indivíduos entrevistados, mostrou que o Brasil tem o quinto pior índice de sedentarismo do mundo! Especialmente entre as mulheres. É normal que com a correria do dia a dia as pessoas sintam-se desmotivadas para começar a praticar uma atividade física. Entretanto, os benefícios do exercício físico vão além da disposição física. Melhor qualidade de sono, maior controle do estresse, redução do risco de doenças cardiovasculares, menor risco de câncer e melhor qualidade de vida são alguns dos muitos benefícios proporcionados pelo exercício.

Conversamos com o nosso especialista, o Dr. Gabriel Ferreira Rozin e preparamos uma lista com dicas para sair do sedentarismo.

1 – Decidi que quero sair do sedentarismo. Devo fazer um check-up para eu saber se realmente posso fazer atividade física?
Normalmente pessoas sadias, sem histórico de doenças cardiovasculares, não precisam de exames para iniciar a prática de atividades físicas. Para indivíduos com condições como hipertensão arterial, diabetes ou elevação do colesterol é prudente uma avaliação clínica para excluir a presença de doença cardiovascular assintomática que possa se manifestar subitamente no exercício.

2 – Quais as dicas para escolher a melhor atividade física para o meu objetivo?
A melhor atividade física é aquela que efetivamente é feita! Por isso a melhor atividade física é aquela que traz o benefício do exercício com algum nível de prazer e diversão, convidando assim a ser feita novamente. Para a saúde do coração tanto faz se você está dançando, caminhando, nadando ou pedalando. Mas se o objetivo não é apenas saúde e sim alguma meta estética ou desempenho esportivo, a orientação de um educador físico é fundamental para alcançar os objetivos.

Muitas pessoas procuram fazer atividade física para perder peso. Neste caso é importante saber que, especialmente para os sedentários que vão começar a prática esportiva, que o pequeno gasto calórico da atividade física pode ser facilmente anulado com excessos na alimentação. Isto é, não é efetivo “correr atrás do garfo”! Para perder peso a atividade física deve estar alinhada com um trabalho de reeducação alimentar.

3 – Posso fazer atividade física em casa?
Com certeza. O espaço livre de uma sala de estar, quarto ou varanda pode ser suficiente para muitos exercícios efetivos, como abdominais, flexões de braço, agachamentos ou até treinos com pesos. Alguns treinadores desenvolveram soluções criativas usando objetos presentes em casa para fazer exercícios, portanto a falta de uma academia não é um problema.

4 – Como administrar a falta de tempo com a prática de uma atividade física?
Se colocarmos a atividade física como um compromisso do nosso dia, com um grau de importância semelhante ao trabalho ou alimentação saudável, então mesmo um intervalo pequeno de tempo, pode ser usado para treinar. Existem estratégias de treinos curtos de alta intensidade chamados HIIT (High Intensity Interval Training – do inglês treino intervalado de alta intensidade) oferecidos por muitas academias. Este treino combina exercícios de alta intensidade em intervalos curtos, alguns segundos e são feitos em uma série curta. Em alguns programas de HIIT os treinos têm 15 minutos de duração. E muitas publicações científicas já demonstraram benefícios com treinos curtos, sem maior incidência de lesões.

5 – Fazer uma caminhada já é um bom começo?
Caminhar é um exercício acessível a praticamente todos. É o movimento natural de deslocamento do corpo humano e basta intensificar levemente o passo para se ter uma atividade física que é suficiente para aumentar o gasto energético diário. Uma dica fácil para avaliar a intensidade da caminhada é perceber o ritmo da respiração: se caminhando com alguém, a conversa estiver fluindo fácil, então, há espaço para intensificar o ritmo. A caminhada deve ser intensa o suficiente para permitir que você fale algumas palavras, mas não uma frase longa.

6 – Qual a frequência que uma pessoa pode dizer que não é sedentária? Qual a frequência ideal para quem esta começando?
Para ser considerado fisicamente ativo a recomendação é de pelo menos 150 minutos semanais (por exemplo, 30 minutos , 5 vezes por semana) de atividade física leve a moderada. Por atividade leve a moderada, podemos citar a caminhada num ritmo que torne a respiração mais ofegante, ou uma pedalada leve. Se for possível uma atividade mais intensa, como correr ou nadar, a recomendação é metade disso, pelo menos 75 minutos semanais.

Geralmente um intervalo de 2 a 4 dias entre sessões de treino são ideais para induzir ganho de condicionamento e melhor qualidade muscular e cardiovascular. Ou seja, duas ou três sessões por semana são ideais para começar a desenvolver o condicionamento. Treinar apenas uma vez por semana também pode trazer benefício, mas o ganho em termos de condicionamento provavelmente será menor.

7 – Jogar futebol com os amigos no final de semana é uma prática saudável?
Certamente! Muitos estudos reforçam a importância de sair do sedentarismo, mesmo que somente aos finais de semana, demonstrando benefícios em relação a quem não pratica nada. Entretanto quem se exercita apenas aos finais de semana (especialmente futebol, que é um esporte de impacto) corre maior risco de lesões, como estiramentos musculares, lesões articulares ou ligamentares.

8 – Podemos dizer que fazer atividade física é uma obrigação?
Assim como alimentação saudável, atividade física não deve ser uma obrigação, atribuindo a ela um caráter impositivo. Como já foi demonstrado em alguns estudos sobre alimentação, a proibição de certos alimentos como uma prescrição médica pode ter o efeito reverso, de aumentar o seu consumo! Sendo assim a obrigatoriedade da atividade física pode aumentar a frustração de quem tem dificuldades em praticar. Devemos estimular conhecimento sobre os benefícios da atividade física e seu potencial em promover bem estar, prevenção e tratamento de doenças. Neste sentido a prática regular de atividade física faz parte de uma rotina saudável, e a motivação para o exercício virá naturalmente uma vez que o indivíduo sente os benefícios da sua prática.

9 – Fazer atividade física ajuda na saúde mental?
Uma lição aprendida das disciplinas orientais: atividade física pode ser uma forma de meditação! Yoga, Tai-Chi e outras formas de exercícios são usadas para treinar o corpo e o tornar mais apto para atingir estados elevados de concentração e desenvolvimento espiritual. Mesmo que não façamos exercício para este fim, inúmeros estudos científicos já demonstraram o benefício de atividade física para o manejo de condições como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, insônia, transtornos de hiperatividade e inatenção.

Além disso, exercícios físicos são atualmente considerados a medida de estilo de vida mais efetiva, mais até do que muitas medicações, para reduzir a progressão de demências, como a doença de Alzheimer.

Encontre algo que você goste de fazer e aproveite as mudanças positivas que um exercício físico pode trazer para a sua vida.

Fonte: dr. Gabriel Ferreira Rozin​, médico especialista do Hospital Israelita Albert Einstein

Primeiro Molar Permanente

✨Até que todos os dentes permanentes estejam presentes em nossa boca, uma série de mudanças acontecem e nem sempre é necessário que um dentinho de leite caia para dar lugar a um dente permanente. A exemplo disto temos

OS PRIMEIROS MOLARES PERMANENTES.
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🦷 Os primeiros molares permanentes são, geralmente, um dos primeiros dentes permanentes a aparecerem na cavidade oral. Este conjunto de quatro dentes (um superior direito, um inferior direito, um superior esquerdo e um inferior esquerdo), aparecem lá atrás, no fundo da boca👄, e talvez pela sua localização posterior e por não induzirem a queda de nenhum dente de leite, seu aparecimento 👀 acaba passando desapercebido pelos pais e/ou responsáveis. .
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👉🏻Estes dentes, por possuírem características únicas no que diz respeito a sua anatomia (forma) estão mais propensos ao acúmulo de biofilme (sujeira) e ao desenvolvimento de lesão de cárie👾, principalmente nos dois primeiros anos após a sua erupção . .
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⚠Neste período, o acompanhamento com o Odontopediatra é fundamental e deve ser ainda mais rigoroso para que se implementem medidas de prevenção a cárie dental, tal como mudanças na técnica de escovação e até mesmo aplicação de selantes quando estas se fizerem necessárias, portanto, estejam sempre atentos às consultas de revisão dos pequenos,

#odontopediatriabrasil 🇧🇷

BRUXISMO DO SONO-SAIBA MAIS

Bruxismo do sono na criança merece atenção! Não é “fisiológico” e não tem origem nos dentes!

Vamos conversar sobre alguns conceitos que ainda são falados quando ao assunto é bruxismo do sono?  Minha lista de crenças sobre o assunto é enorme! Mas hoje vamos focar em apenas alguns tópicos para entender um pouco sobre a crença (ainda vigente!!) de que dentes desempenham papel importante na origem do bruxismo…

Bruxismo do sono está relacionado com troca de dentes? Não!  

– Isso é uma crença que se perpetuou e por isso fica a impressão para muitos que o bruxismo ocorre nessa fase.
– Não existe nenhum embasamento para isso!
– O bruxismo do sono se inicia por um comando de sistema nervoso central e os dentes não participam em nenhum momento da fisiopatologia!
Que tal ler esse artigo aqui => clique aqui e aqui nessa revisão do Prof Lavigne e cols.

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Aparelhos ortopédicos, ortodônticos e/ou ajustes oclusais são condutas válidas para bruxismo? Não!
Vamos seguir o raciocínio da fisiopatologia?
– A origem é… Central!!! OK! Isso está bem sedimentado por pesquisas sérias!
Então, porque utilizar técnicas de alteração da oclusão (ortodontia e/ou ortopedia) nesses casos? Não faz o menor sentido. :/
– O contato dentário é o final de toda cadeia do processo de bruxismo do sono.
Vamos ler mais sobre o assunto? clique aqui  e aqui também 😉

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Atenção para os outros fatores causais!
– Outros fatores têm sido mais estudados e entendidos como causal no caso de bruxismo do sono.
Precisamos avaliar cada paciente.  Para sabermos como tratar uma criança com bruxismo é necessária uma investigação complexa.Não podemos subestimar a importância dessa condição tão complexa !!

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Bruxismo e stress

Bruxismo do sono e criança estressada. Essa dobradinha está sempre presente?

FONTE: Dra Adriana Lira Ortega

Será que a associação causal entre estresse e bruxismo do sono (BS) é direta e sempre frequente? É muuuitooooo comum ouvir mães e colegas sempre justificando a presença do BS porque a criança tem ou está com algum foco de estresse: trocou de escola, os pais brigaram, nasceu um irmãozinho, o peixinho morreu e por aí vai… Mas sem dúvidas, é muito fácil achar um foco de ansiedade em qualquer pessoa, inclusive em crianças! Procura que acha.

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Bem, apesar da associação estar bem descrita na literatura, algumas considerações podem ser feitas. Vamos lá:

1.   A Associação é causal ?

Poderíamos encontrar uma justificativa biológica no movimento mandibular durante o sono frente a presença de um fator estressante ou ainda, uma personalidade ansiosa? Não vejo “motivo”… :/

O Bruxismo do Sono pode ser justificado na presença de refluxo ou na diminuição do fluxo de ar, porque nesses casos o movimento mandibular tem função. No caso de ansiedade e estresse não existe função para o movimento. A pessoa tensa contraí músculos e aperta os dentes, não range…

2.       Nem toda pesquisa encontra a associação… Ou seja, não existe “consistência”, que é um dos critérios de Hill para identificar associação causal. Leia sobre associação causal!!

Recentemente a Nélia Medeiros Sampaio, uma profissional comprometida e competente,  que tive o prazer de orientar no Doutorado, publicou o resultado de uma pesquisa onde investigamos estresse e BS em 246 indivíduos: crianças e suas mães. A avaliação psicológica foi feita por um psicólogo, especialista e professor universitário na área.

Resumidamente, o que encontramos?

  • Aumento na chance de ocorrência de BS nas crianças foi observado quando as mães também apresentavam (olha a genética aí!!!! 🙂 )
  • Stress psicológico não estabeleceu associação significante com BS, nem nas crianças nem nas mães, mesmo quando o instrumento de diagnóstico identificou níveis aumentados de stress.
  • Estresse materno, como um possível fator ambiental, não influenciou na ocorrência de BS na criança.
  • criança cobrindo rosto

Assim, os achados desse estudo dão uma dica…  É necessário procurarmos também causas orgânicas ao invés de focarmos a atenção apenas no aspecto psicológico. Obviamente é extremamente importante prestar atenção nos aspectos psicológicos. Mas não fazendo a associação imediata e sem investigar outros fatores etiológicos presentes!

Quer ler o artigo completo? Ele está disponível na íntegra no site da Sleep ScienceSampaio NM, Oliveira MC, Andrade AC, Santos LB, Sampaio M, Ortega AL. Relationship between stress and sleep bruxism in children and their mothers: A case control study . Sleep Sci. 2018;11(4):239-244.

Ortodontia preventiva: quando reconhecer problemas precoces?

Ortodontia preventiva: quando reconhecer problemas precoces?

Hoje a nossa conversa será sobre a ortodontia preventiva! Este é um assunto bem delicado e muito atual. Muitos pacientes e, principalmente, pais de pacientes odontopediátricos, têm dúvidas sobre quando levar o filho ao ortodontista pela primeira vez. Também podem existir dúvidas sobre quais problemas são mais prevalentes nas crianças nesta fase.

Vamos à primeira pergunta: quando levar o filho pela primeira vez ao Ortodontista?

Associação Americana de Ortodontia recomenda que as crianças façam seu primeiro check-up com um ortodontista no máximo aos 7 anos. Com essa idade, a criança provavelmente terá uma mistura de dentes permanentes e decíduos e o ortodontista será capaz de reconhecer problemas ortodônticos em seus estágios iniciais. É importante saber quais são os resultados possíveis de um check-up inicial no ortodontista:

• Nenhum tratamento será necessário;
• O tratamento pode ser necessário no futuro, sendo importante que a criança seja acompanhada periodicamente, enquanto a face e os ossos continuam a crescer;
• Existe um problema que necessita de tratamento precoce.

No caso da última opção, são várias as possibilidades. O objetivo do tratamento ortodôntico precoce é interceptar o problema em desenvolvimento, eliminar a causa. Orientar o crescimento dos ossos faciais e fornecer espaço adequado para os dentes permanentes que faltam erupcionar.

A primeira etapa não exclui a necessidade de uma segunda fase de tratamento, após a erupção dos dentes permanentes.

Quais os problemas mais prevalentes em idades precoces?

Os principais problemas desta fase podem ser resumidos nos tópicos abaixo, é importante estar atento. O tratamento interceptor na dentição mista inicial deve ser dirigido a:

• Presença de hábitos bucais deletérios; (Ex.chupar dedo, mamadeira , chupeta)
• Falta de espaços para erupção normal dos dentes na arcada;
• Incisivos apinhados fora do contorno do rebordo gengival;
• Presença de molares e os incisivos ectópicos;
• Mordidas cruzadas;
• Displasias ósseas de Classe III;
• Mordidas abertas anteriores.

Fonte:Cremer

Referências:
Associação Americana de Ortodontia
Manual de Referência – Associação Brasileira de Odontopediatria

Meditação para crianças

Os benefícios da Meditação para Crianças

Confira as dicas desta equipe de especialistas e ensine essa nova atividade aos seus filhos

Escola, cursos, aulas esportivas, brincadeiras, celulares, tecnologia… A rotina de uma criança hoje em dia é agitada e muitas vezes sobrecarregada de informações. Mas como “desacelerar” as crianças e estimular a reflexão e o relaxamento​? A meditação pode ser uma opção!

Primeiros passos
De acordo com Ester Azevedo Massola, terapeuta corporal da equipe de Medicina Integrativa do Einstein, a prática de meditação pode proporcionar às crianças experiências de calma e relaxamento, melhorar a concentração, a percepção de bem-estar e de suas emoções.  “Para apresentar a atividade as crianças, comece primeiramente por você a experienciar práticas de meditação, para que assim possa compartilhar com as crianças suas experiências”.

O segundo passo é convidar a criança para a prática, de modo suave e alegre, sem precisar obrigá-las ou falar em tom autoritário nos momentos que estiverem juntos para praticar. É preciso criar momentos de calma juntos. Estimule a criança a prestar atenção aos detalhes da natureza, como uma flor, um bicho, as cores do céu, os aromas e os sons. Esse contato com a natureza busca estimular o relaxamento e controlar a ansiedade da criança com os afazeres e atividades da rotina.

Aproveite para olhar nos olhos da criança, não a interrompa enquanto estiver falando, procure deixar que ela também lhe ensine algo. “Essas atitudes demonstram que você está disponível para a criança. Incentive-as a falar sobre suas emoções e sensações, esteja presente ouvindo com atenção e acolhimento”, afirma Márcia Prieto, terapeuta corporal que também faz parte da equipe de Medicina Integrativa do Einstein.

Em toda prática meditativa, procure sentar-se ereto, relaxado e imóvel. Crianças pequenas preferem ficar deitadas. Procure manter a atenção num único foco, o “objeto de meditação” que pode ser a respiração, uma imagem, um som, uma palavra, um sentimento. O importante é manter-se concentrado no “objeto” escolhido durante um período de tempo, que pode variar de um a dez minutos para crianças. “Importante ressaltar que muitas vezes a mente se distrai e isto é normal” pontua a terapeuta Ester. Quando perceber que a atenção da criança foi para outro lugar, auxilie-a a retornar gentilmente ao objeto de meditação.

Como inserir a atividade na rotina
Encontre momentos mais tranquilos para praticar, um bom horário é antes de dormir. Leia ou conte uma pequena história que traga relaxamento. Convide a criança a respirar profundamente, fechando os olhos, a visualizar um lugar bonito que traga alegria e bem-estar.

A prática também pode ser feita antes das lições de casa. Criar um ritual de preparação para fazer as lições pode auxiliar as crianças mais dispersas.  Preparar o lugar e a postura corporal, respirar mais profundo algumas vezes.

Márcia Prieto orienta, “participar com a criança é importante, pois ela assimilará mais suas atitudes do que suas palavras. Se você parecer calmo, a criança se acalmará. Se estiver ansioso, a criança se agitará. Tenha paciência, respeite o ritmo e o tempo dela”. No início, o tempo de prática deve ser curto. Sugestão: 1 minuto, uma ou duas vezes ao dia e aumentar o tempo conforme a criança demonstrar interesse.

A afetividade está intimamente ligada com todo aprendizado. É a partir de uma identificação com o outro que criamos disposição para compartilhar ideias, experiências e saberes, como sujeitos no processo de aprendizagem. (1)

Para o educador Rubem Alves (2013), “A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades […] sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido”. (2) Educar as sensibilidades requer observação, atenção e reflexão e essas qualidades podem ser desenvolvidas por meios de práticas que, de alguma forma, registrem a experiência no ser (corpo e mente) de forma consciente. (3)

Benefícios
A prática da meditação pode aumentar a capacidade de atenção da criança, de percepção de si. Uma criança mais consciente de suas emoções e sentimentos tem maior possibilidade de identificar suas necessidades, potencialidades e limitações.

A habilidade de saber relaxar resulta no equilíbrio do sistema nervoso. Nestas práticas, o sistema nervoso parassimpático é ativado, o metabolismo corporal se acalma, baixando a frequência cardíaca e respiratória, aumentando a capacidade de aprender e se concentrar. Assim, práticas como o Yoga, relaxamento e a meditação, também podem auxiliar no desenvolvimento da aprendizagem ao longo da vida. (4)

Apesar dos efeitos significativos que envolvem os sintomas do TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) com práticas meditativas ou yoga, não há evidências suficientes para apoiar tais terapias para a prevenção do TDAH (5). Revisões que envolvem a prática da atenção plena, meditação ou yoga para crianças, sugerem que tais modalidades parecem ser eficazes para auxiliar as crianças a lidarem com o estresse e a ansiedade, porém é necessário estudos mais consistentes.

Que tal iniciar essa atividade com seus filhos ainda hoje? Aproveite as dicas , dê os primeiros passos e Boa meditação!

 
Fontes:
Márcia Prieto e Ester Azevedo Massola, terapeutas corporais da equipe de Medicina Integrativa do Einstein

 

Referências:
(1) La Taille, Yves de; Oliveira, Marta Kohl; Dantas, Heloísa Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo, p ed 15, Summus, 1992.
(2) Alves Rubem. Educação do olhar. Revista Pais e Filhos , São Paulo, 16, mar. 2010. Disponível em www.paisefilhos.pt/index.php/opiniao/rubemalves/2324-educaçao-do-olhar.
(3)Morin, E. A Cabeça Bem Feita – Repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro, Bertrand, 8ª Ed., 121 págs., 2003 p. 74.
(4)Nanthakumar C.J Integr Med. 2018 Jan;16(1):14-19. doi: 10.1016/j.joim.2017.12.008. Epub 2017 Dec 14. Review.
(5) Zhang J, Díaz-Román A, Cortese SMeditation-based therapies for attention-deficit/hyperactivity disorder in children, adolescents and adults: a systematic review and meta-analysis
Evidence-Based Mental Health 2018;21:87-94

Primeiro dentinhos

É normal o bebê ter febre e mudar de humor quando os dentes estão nascendo?

Criança sorrindo e mostrando os dentes (Foto: Shutterstock)                                                                 

O nascimento dos dentes causa aumento de temperatura e mudança no humor dos bebês?

O nascimento dos dentes começa, em geral, aos 6 meses, com os dois dentinhos centrais e inferiores, e termina aos 2 anos. Nesse período, há momentos de irritabilidade, que acontecem quando os dentes estão “rasgando” as gengivas. Esse processo é acompanhado de inflamação local, que pode ser maior ou menor, dependendo da intensidade e da quantidade de dentes que surgem ao mesmo tempo. Quando nosso organismo sofre esse tipo de alteração, libera substâncias que podem elevar a temperatura , acompanhado de mudanças de humor, claro. Por isso, esse momento tende, sim, a gerar transtornos na rotina dos bebês e, por consequência, de toda a família.

Nascimento dos dentes do bebê causa febre?

Estudo diz que, apesar de a crença ser comum, irrupção dos dentes não está relacionada à febre em bebês

A irrupção dos dentes não causa febre: é uma coincidência (Foto: Thinkstock)

“Meu filho não para de chorar e está com  febre. Ah, deve ser algum dente nascendo.” Se você nunca disse isso, provavelmente já ouviu frases parecidas de alguma outra mãe. Essa ideia, no entanto, pode não ser verdadeira e ainda mascarar outras infecções que precisam ser investigadas  mais a  fundo.            É essa a conclusão de uma nova análise, publicada na revista médica Pediatrics. “Se uma criança está com febre alta, sente um grande desconforto ou  não     quer comer, nem  beber nada por dias, isso deve levantar o sinal    vermelho      de preocupação”, diz Paul Casamassimo, diretor do Centro de Políticas, Saúde e Pesquisa em Pediatria Oral e Odontológica da Academia Americana de Pediatria.

“A irrupção dos dentes pode causar desconforto e irritação, mas não febre alta, com temperatura maior que 38ºC”, diz Marcelo Bönecker, professor titular de Odontopediatria da Universidade de São Paulo (USP). Para o especialista, a sensação das crianças é parecida com o que sentem os adultos quando nasce o dente do siso. “É um incômodo”, resume.

Tudo na conta do dente

Mas, então, de onde vem a ideia de que a febre está relacionada ao nascimento dos dentes? Para Bönecker, trata-se de uma série de coincidências. “O início da dentição geralmente acontece quando a criança tem mais ou menos 6 ou 7 meses. É a mesma fase em que elas começam a pegar objetos com as mãos e colocar na boca, o que pode levar a infecções e, aí sim, à febre”, exemplifica.

Esse período, muitas vezes, também coincide com o fim da licença-maternidade da mãe, quando a criança pode ir para o berçário. “A época da erupção dentária é justamente quando o bebê começa a ter contato com outras crianças em casa ou na creche e, assim, fica suscetível a contrair mais doenças virais, que têm como principal sintoma a febre. Quando não se encontra nenhum foco infeccioso, procura-se algo de  diferente na criança e encontra o  dente nascendo”, lembra o pediatra Tadeu Fernando Fernandes, presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Outros sintomas

As infecções por vírus e bactérias, adquiridas nessa idade, em que a criança ainda não está com a imunidade totalmente fortalecida, podem levar a outro sintoma comumente relacionado à dentição: a  diarréia. “Também é por volta dessa faixa etária que os bebês deixam de tomar o leite materno e passam a ter alimentos sólidos incluídos na dieta”, lembra o professor. Enquanto o sistema digestivo se adapta à novidade, pode haver alterações na consistência e na regularidade das fezes – o que, de novo, nada tem a ver com os dentes.

Nem o fato de a criança começar a babar mais que o normal nessa fase está diretamente ligado ao início da dentição. “É outra coincidência. Apesar de os bebês já nascerem com as glândulas salivares prontas, elas só amadurecem quando a criança tem cerca de 5 ou 6 meses de idade. Isso muda a viscosidade da saliva e aumenta a produção, mas não é algo ligado à irrupção dos dentes”, afirma o professor. Além disso, por conta da  introdução alimentar, a mastigação aumenta e, por conta do estímulo, há um aumento do fluxo salivar.

O que fazer para eliminar o incômodo?

Quando  os dentes nascem, a sensação traz desconforto mesmo. Para aliviar, os mordedores são ótimas opções, já que que ajudam a criança a coçar a gengiva. Alguns modelos podem ser colocados na geladeira. A baixa temperatura ajuda a amenizar a dor. Embora a concentração de anestésicos em pomadas tópicas, vendidas em farmácias, seja baixa, a Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda o uso. “Anestésicos tópicos com lidocaína e outros tipos podem causar efeitos adversos. Funcionam por alguns minutos para uma irritação que dura de três a cinco dias. São produtos químicos que podem ter absorção para o sangue e causar efeitos adversos”, ressalta Fernandes.

O que NÃO fazer

“Os pais não devem deixar de escovar os dentes da criança ”, destaca Bönecker. Por conta do incômodo e da irritação do bebê, existe uma tendência para que os adultos “pulem” a escovação, evitando o choro. A falta de limpeza pode levar a infecções e problemas ainda maiores. “Você estará encobrindo um problema e descobrindo outro”, lembra.

Passeios com recém-nascido.Quando iniciar?

Passeios com o recém-nascido

O ideal é que todo recém-nascido seja resguardado de ambientes tumultuados, barulhentos e aquelas onde há grande circulação de pessoas durante o primeiro mês de vida

​O ideal é que todo recém-nascido seja resguardado de ambientes tumultuados, barulhentos e aquelas onde há grande circulação de pessoas durante o primeiro mês de vida. O mais indicado é que permaneça em casa  porque ele ainda é muito frágil. A mãe ainda está se recuperando e se adaptando à uma nova rotina e  horários das mamadas. A única saída indicada é a visita ao pediatra.​​​

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​Passados as primeiras semanas, a família poderá passear com seu bebê, evitando locais cheios ou aqueles com aparelhos de ar-condicionado muito frios (restaurantes, por exemplo). Os locais mais indicados para passear são ao ar livre, preferencialmente no p​​eríodo entre oito e dez horas e após as 16 horas. Nunca deixe seu bebê sozinho em locais públicos. Não solicite ou aceite auxílio de estranhos, nem permita que estranhos toquem em seu bebê, por questões de higiene e de segurança.​​