Você sabe o que é Síndrome da Apnéia obstrutiva do sono?

Você sabe o que é Síndrome da Apnéia obstrutiva do sono?

O que é Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono? Este assunto foi abordado pela Dra. Ana Célia Faria, cirurgiã bucomaxilo integrante do CIEDEF USP vinculado à Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP)Ela também integra o Ambulatório de ronco e apneia da UNICAMP. Segundo ela, até pouco tempo atrás, o ronco não era tratado como uma doença, mas sim como motivo de piada entre familiares e amigos dos pacientes afetados com essa doença. O ronco é considerado um evento normal do sono desde que este não atrapalhe o descanso do paciente ou tampouco cause episódios de parada da respiração conhecidos como apneia.

Mas o que de fato é a apneia obstrutiva do sono (SAOS)? De modo geral, essa síndrome é definida como a parada da respiração, seguida pela sensação de sufocamento durante o sono. Ela também produz microdespertares noturnos que ocasionam a diminuição do rendimento nas atividades diárias pelo cansaço acumulado, além de sonolência e irritabilidade em alguns casos, acometendo em sua maioria homens, com incidência de aproximadamente 25% dos adultos, sendo que destes, 10% apresentam grau moderado a grave. O ronco é o sintoma mais frequente, mas podem estar presentes ruídos intensos, de caráter inspiratório, seguidos por engasgos, sonolência diurna, fadiga e cansaço, podendo ocasionar comprometimento cognitivo e distúrbios de aprendizado nos casos mais graves, se tornando incapacitante.

Alguns indivíduos relatam ainda outros sintomas como a diminuição da libido, noctúria (aumento da necessidade de levantar a noite para fazer xixi), cefaleia matinal por diminuição da saturação de oxigênio durante a noite, além de refluxo gastroesofágico, complicações cardiovasculares e predisposição quadros de comorbidades como AVC, hipertensão arterial sistêmica, isquemia cardíaca e arritmia noturna.

É importante que seja feito o diagnóstico precoce deste problema, para evitar problemas maiores. Muitas vezes, é possível diagnosticar através de características presentes nos pacientes jovens se estes possuem ou não um padrão tendencioso a desenvolver esse quadro, como por exemplo, a característica de serem respiradores bucais, Classe II, entre outros.

Dentre os fatores predisponentes podem ser citados a obesidade, pelo fato de diminuir os volumes pulmonares, estreitando o lúmen das vias aéreas superiores, além do fato de que em pacientes obesos ocorre o maior acúmulo de tecido gorduroso infiltrado nos espaços parafaríngeos, aumentado o diâmetro do pescoço desses pacientes. Outros fatores predisponentes são as alterações músculo-esqueléticas que podem predispor a obstrução das vias aéreas quando o paciente se encontra em posição de decúbito (deitado).

Alguns sinais identificados facilmente são face alongada, aumento da área de palato mole e úvula, excesso de tecido faríngeo, aumento das tonsilas palatinas, macroglossia, palato ogival, retro e micrognatia.

O diagnóstico preciso dessa desordem é feito através do exame de polissonografia, que é o conhecido exame do sono, onde o paciente passa a noite em clínicas específicas ligado a vários sensores que quantificam quantos eventos respiratórios anormais ocorreram durante a noite, a repercussão destes sobre a frequência e ritmo cardíaco, assim como sobre a saturação de hemoglobina e relaciona esses episódios com os estágios do sono, fornecendo um diagnóstico mais apurado sobre a quantidade de eventos de apneia que ocorreram durante a noite de sono e a interferência destes com a homeostasia do paciente.

Considera-se apneia leve, a ocorrência de 5 a 15 episódios de apneia por hora; Quando este número aumenta para uma faixa entre 15 e 30, o paciente é classificado como gravidade moderada. Acima de 30 episódios por hora, o quadro é considerado como severo.

São diversos os tratamentos indicados para essa doença, dentre eles atitudes simples como a higiene do sono, ou seja, deitar sempre no mesmo horário, ou somente quando estiver com sono, não indo dormir tarde e evitando bebidas cafeinadas e fumar antes de deitar-se. Um tratamento muito comum é a utilização do CPAP (Continous Positive Airway Pressure), que são aqueles aparelhos semelhantes a inaladores, compostos de uma máscara nasal que mantém a pressão positiva contínua nas vias aéreas superiores, permitindo a desobstrução da passagem de ar durante o sono. Entretanto, a adesão dos pacientes a esse tipo de tratamento tem diminuído com o tempo, além de serem indicados para os casos moderados a graves, podendo custar entre 2 e 15 mil reais, dependendo do aparelho.

Outras alternativas mais relacionadas a odontologia são a utilização de aparelhos intra-orais, que prometem aumentar o espaço aéreo posterior orofaríngeo, diminuindo a possibilidade de colapso das vias aéreas superiores durante o sono, buscando reestabelecer a anatomia da faringe, evitando seu colapso, sendo indicados para quadros de ronco primário, promovendo o avanço mandibular

De modo geral são bem aceitos pelos pacientes. De maneira mais invasiva, também existe a possibilidade de realizar o avanço maxilo-mandibular em pacientes com apneia severa, assim como em pacientes jovens com alterações craniofaciais. É um tratamento mais efetivo, porém não deixa de ser uma intervenção irreversível pelo seu caráter cirúrgico. O procedimento muda a tensão da musculatura e tecidos moles da região orofaríngea, alterando o espaço e melhorando a circulação de ar, evitando a ocorrência dos episódios de apneia.Via Vida de dentista