Em busca do sorriso perfeito

Em busca do sorriso perfeito

Até 2020 cinco milhões de brasileiros farão implantes dentários, opção mais confortável e natural que as tradicionais dentaduras
O aumento da expectativa de vida e renda do brasileiro provocou uma mudança no sorriso das pessoas. Nos últimos 20 anos, o número mensal de implantes aumentou de 10 mil para 200 mil, segundo dados do setor. Hoje, 2,5 milhões de brasileiros usam implantes dentários, número que deve aumentar para cinco milhões até 2020, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e Laboratórios (Abimo). A necessidade de dentaduras (ou próteses removíveis, como também são chamadas) ainda existe, mas está cada vez mais restrita às camadas mais pobres: até o fim do ano, o Programa Brasil Sorridente, coordenado pelo Ministério da Saúde, quer chegar à meta de 400 mil próteses removíveis, quantidade 12,5 maior que há oito anos, quando começou.
— O custo diminuiu e o acesso aumentou. Quem usava uma prótese removível, hoje implanta um dente, que é mais seguro e confortável. A pessoa sabe que vai comer e sorrir sem ter problema — diz o presidente do Conselho Regional de Odontologia do Rio (CRO-RJ), Afonso Fernandes Rocha.
O crescimento das empresas nacionais e o desenvolvimento de pesquisas também contribuíram para esse boom de implantes. Materiais biocompatíveis como o titânio e a zircônia substituíram o aço inox, que não aderia ao osso. E produzir aqui o que antes era importado também ajudou.
— Hoje uma pessoa de 80 anos com uma boa qualidade de vida procura este tipo de tratamento, porque o grau de exigência e competitividade é grande e tem impacto na imagem — acredita Geninho Thomé, responsável científico da Neodent, que detém 42% do segmento de fabricação de implantes e próteses do país.
Para o dentista Egberto França, especialista em reabilitação oral da clínica Beauty Dental, o medo sempre foi o grande inimigo do dentista, mas atualmente a segurança do procedimento e, é claro, a anestesia, são aliados que permitem o realinhamento do sorriso e a redistribuição do peso da mordida.
— O importante é visualizar o sistema mastigatório para devolver a curva e o posicionamento certos aos dentes. Para cada milímetro quadrado de dente tocando no outro, há um aumento de três vezes do peso do organismo na mordida, ou seja: uma pessoa de 70 kg pode ter um peso de 210 kg na mordida se os dentes estiverem numa posição errada. Isso muitas vezes causa outros problemas, como dor de cabeça, de coluna e labirintite. Não podemos esquecer que a mandíbula está alojada no crânio e essa força começa a comprimir por ali — explica.
Perda óssea é comum
O implante é necessário quando se perde a raiz do dente. O paciente tem que estar com a saúde em dia, não pode sofrer de diabetes ou ter perda de cálcio. O desgaste dos dentes por causa de doenças periodontais, como a gengivite, muitas vezes traz junto uma perda óssea, e aí é preciso fazer enxerto, com osso bovino ou humano — da costela de cadáver ou da mandíbula, canela ou calota craniana do próprio paciente.
— Quando a pessoa perdeu o dente há muito tempo, o seio maxilar (do pré-molar para trás) aumenta, e há necessidade de preenchimento para ganhar volume de osso — explica França, que aposta no protocolo nucleado para devolver o conforto aos seus pacientes.
Por esta técnica, primeiro uma máquina escaneia a boca da pessoa, faz um molde personalizado em zircônia e o acabamento em cerâmica (que dura uns 30 anos) ou em resina (com durabilidade de cinco anos). A vantagem é a naturalidade e, se o dente quebrar, basta substituir um em vez da barra inteira.
Hoje salvamos tudo. Ainda se perdem muitos dentes por cáries sem tratamento, doenças periodontais e pessoas vítimas de acidentes de trânsito. A melhor alternativa, mais segura e higiênica, é a prótese. Mas ainda assim é uma prótese, requer cuidado constante — diz.
Isso quer dizer que no primeiro ano o paciente tem que voltar ao consultório a cada três meses e, a partir do segundo ano, de seis em seis meses. Em geral, segundo ele, não são necessários implantes individuais na boca inteira, bastam quatro pinos para sustentar 12 dentes, por exemplo, desde que haja harmonia no resultado final.
— O implante é como um quadro na parede: a parede é o osso, a bucha é o implante, o prego é o núcleo e o quadro é o dente — analisa.
Via Globo saúde
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/em-busca-do-sorriso-perfeito-6617918#ixzz2VUNpjmhk
© 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.