SAÚDE BUCAL NA TERCEIRA IDADE !!

Stock Images/Divulgação
Após 60 anos, os procedimentos principais de prevenção – escovação e uso de fio dental – precisam ser intensificados

Chegar à terceira idade não é sinônimo de descuidar da saúde bucal, mas a falta de atenção com o sorriso ainda é uma realidade bem evidente no Brasil. Um levantamento do programa Brasil Sorridente, do Ministério da Saúde, mostra que a perda dos dentes nos idosos é o principal problema desse grupo, com uma média de 25 dentes extraídos em cada um.

Essa estatística nacional também diz que a cada quatro idosos, três não têm nenhum dente funcional e, destes, 36% precisam de pelo menos uma dentadura. Além do descuido, os idosos tendem a não se importar tanto com uma boca sem dentes.

Um forte motivo seria a questão financeira para custear visitas periódicas ao dentista e os tratamentos necessários. Essa causa, porém, é amenizada pela disponibilidade de unidades públicas de atendimento dentário. Para o dentista Maurício Miyazaki, de Rio Preto, outro fator é o desconhecimento das consequên-cias que a ausência dos dentes provocam.

“Podem aparecer problemas na digestão dos alimentos e alterações na dinâmica da mastigação que causam disfunções na articulação temporomandibular (ATM).”
Uma boca com menos dentes, o idoso tende a evitar alimentos que necessitam de mastigação. Sem eles, a ingestão de muitos nutrientes e vitaminas fica comprometida, o que acaba repercutindo na saúde de todo o organismo. Quando já estão debilitados pelo tratamento de alguma doença, o quadro pode piorar.

Por isso, após os 60 anos, os procedimentos principais de prevenção – a escovação e o uso de fio dental – precisam ser intensificados, principalmente porque algumas mudanças acontecem dentro da boca. Uma delas é a diminuição da saliva.

Uso de medicamento

A alteração no fluxo salivar é comum aos idosos devido ao uso de medicamentos contínuos para tratamento e controle de doenças crônicas nessa fase da vida. Com menos salivação, há um estímulo maior para o aparecimento de cáries, surgem alterações no paladar, na voz e lesões na mucosa provocadas pelo contato com as próteses.

Miyazaki diz também que há a alteração hormonal, como a descamação do epitélio da boca. “Muitos dos dentes estão desgastados e, por isso, precisam ser restaurados para compensar a perda da altura, além de muitos problemas sistêmi-cos que causam alterações na boca, como o diabetes”.

A busca por atendimento acontece, principalmente, estimulada pela manifestação da dor, como pela adequação de próteses que estão machucando ou se movimentando muito na boca. A melhora da mastigação também é um dos problemas que os idosos apresentam quando resolvem cuidar da saúde bucal. Os desgastes parciais ou totais dos dentes e o incômodo pelo mau hálito são outros fatores.

Perda dos dentes

O avanço da idade sem a prevenção e cuidados necessários podem causar a periodontite (inflamação que compromete as estruturas ao redor dos dentes), um trauma oclusal (danos nos tecidos periodontais), abscesso, infecções, fraturas e apertamento dental, entre outras doenças. Esses problemas acabam condicionando à perda definitiva dos dentes.

A perda óssea que dá a sustentação aos dentes é um dos motivos. “Tem como causas um trauma no dente, um acúmulo de alimentos entre os dentes, uma infecção no osso adjacente ao dente, entre outros. Outra razão é em decorrência de problemas periodontais, como inflamação e infecção das estruturas, que é a periodontite”, informa o dentista Maurício Miyazaki.

Resgate do sorriso

A perda dos dentes pode ser resolvida com a confecção de próteses dentárias. Elas podem ser removíveis ou fixas e variam conforme a indicação e melhor adaptação na boca. Devido aos avanços na área da implantodontia, as próteses tornaram-se mais confortáveis, favorecendo a mastigação e qualidade de vida do idoso e diminuindo a rejeição.

Algumas técnicas proporcionam próteses personalizadas que partem do estudo da dentição de parentes próximos ao interessado em resgatar a aparência antes da perda de seus dentes. Esse método chama-se morfogenética e tem como objetivo reconstruir uma estética facial quando não há referências do formato antigo dos dentes perdidos do paciente.

“Na prática, pessoas que já perderam os dentes podem procurar um parente próximo que ainda possua dentes naturais para ser o ‘doador’ da forma dos dentes. Esse conceito (da morfogenética) pode ser utilizado para qualquer tipo de próteses, fixa ou móvel, porém, a maioria dos pacientes procura por implantes, mais semelhantes tanto na estética quanto à função dos dentes naturais”, explica o cirurgião-dentista Heitor Cosenza, especialista em implantologia.

Quando esse procedimento é escolhido, as características principais dos dentes naturais precisam ser destacadas, como o uso de fotos de parentes que são parecidos com o paciente. Cosenza informa que com várias fotos em mãos do ‘doador’, a prótese começa a ser desenvolvida. “O estudo e a aplicação estética podem ser feitos em uma semana, mas o tempo de tratamento varia de acordo com a necessidade do paciente”, diz.

Diárioweb.com.br/TEPE