Dois Projetos de lei buscam tornar obrigatório Teste da Linguinha nas Maternidades.

Dois Projetos de lei buscam tornar obrigatório Teste da Linguinha nas Maternidades.

Crianças tímidas, que não interagem muito, podem ter um problema simples, mas que afeta todo o seu desenvolvimento social: a língua presa. Dificuldades de articulação e fala são os sinais mais aparentes, e o Teste da Linguinha consegue identificar esse problema nas primeiras horas do bebê. Dois projetos de lei em tramitação buscam torná-lo obrigatório em todas as maternidades do Brasil.

A língua presa é um defeito no frênulo, quando uma pequena porção de pele embaixo da língua que deveria ter desaparecido durante a gestação “prende” a sua ponta. “Por causa disso, os bebês têm dificuldade em engolir e sugar, principalmente no seio materno, o que causa o desmame precoce”, explica Roberta Martinelli, uma das idealizadoras do chamado Teste da Linguinha. O problema voltou para a discussão nos anos de 1990, quando o governo começou a realizar campanhas de incentivo à amamentação materna e muitas mães relatavam dificuldades em amamentar.

Hoje os médicos fazem um teste visual para saber se o bebê tem a língua presa, no qual analisam se apresenta um formato de coração quando levantada – sinal de que a ponta da língua está presa. Mas só esse exame não é o suficiente. “É apenas uma inspeção visual, mas nem toda língua presa tem o formato de coração. Existem vários graus de língua presa e, para identificar com exatidão, o melhor é fazer o Teste da Linguinha”, diz Roberta.

Cinco minutos

O teste dura cinco minutos, é indolor e analisa tanto a parte anatômica (observa os lados da língua) quanto a funcional (como ele mama). Se for identificada a língua presa, o recém-nascido é logo encaminhado a um procedimento chamado de frenotomia. Com um gel anestésico, um pequeno corte é feito sob a língua para liberar seus movimentos. Importante lembrar que, apesar de simples, ele requer a habilidade de um profissional.

A língua presa restringe movimentos essenciais para a amamentação e a fala. “Para falar, a gente precisa de movimentos precisos da língua, principalmente da ponta. A criança com língua presa fala, mas usa compensações”, explica Roberta. A articulação fica comprometida. Alguns problemas de fala ainda permanecem se o procedimento é realizado depois que a criança já está mais grandinha. “O que a gente tem visto é que crianças com problemas de fala são motivo de chacota, não querem mais falar. Isso causa problemas sociais e até profissionais no futuro”, diz Roberta
Via Cartola Agência de conteúdo-Terra