Doenças bucais comprometem rendimento esportivo

Doenças bucais comprometem rendimento esportivo

Não são raros os casos em que os atletas de alto rendimento – ou até mesmo aquele atleta de final de semana – parecem mais cansados, indispostos ou com dores. Resultado: acabam não dando o melhor de si fisicamente e não obtêm o retorno que desejam nas práticas esportivas, seja dentro de campo, na corrida, nas quadras ou na piscina.
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O cirurgião-dentista, Fernando Aparecido Kawaguchi, especialista em dentística, explica que os problemas mais comuns que acometem os atletas a ponto de prejudicar o rendimento são a cárie, doença periodontal, disfunções da articulação temporomandibular (ATM) e respiração bucal. “A cárie por conta da dor que pode causar. A doença periodontal avançada, pelo quadro infeccioso, diminui a resistência do organismo e pode debilitar um atleta. A disfunção da articulação pode originar cefaleias insuportáveis”, diz.

Ele explica que, como em toda infecção bucal, há queda da resistência do organismo. “Quando as defesas do corpo estão comprometidas, surge um círculo vicioso, pois a pessoa com infecção bucal se alimenta mal, dorme mal, perde a concentração e esses são fatores determinantes para bons resultados nos esportes”, salienta. Segundo Kawaguchi , existem estudos, inclusive, que apontam que doenças periodontais muito severas podem levar a maiores riscos de infartos e derrames pela alteração de taxas de triglicérides no sangue.

Além disso, respirar pela boca durante a atividade traz uma ineficiência do aproveitamento do oxigênio pelo organismo e, por isso, atletas com essa deficiência não alcançam o pleno estágio físico que certas modalidades esportivas exigem. “Dessa forma é fundamental que o atleta tenha também uma boa saúde bucal para não interferir no seu desempenho esportivo”, aponta.

Alexandre Barberini, membro da Comissão de Odontologia do Esporte da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), diz que os pacientes acometidos por infecções à distância, possuidores de válvulas cardíacas defeituosas ou com doenças cardiovasculares podem adquirir uma doença chamada ‘endocardite bacteriana’, que é a infecção mais grave que acomete a cavidade oral e o coração. “Caracteriza-se pela formação de uma massa de bactérias e coágulos sanguíneos, que se alojam nas válvulas cardíacas podendo levar à morte. Cerca de 40% dos casos são ataque cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC)”, diz.

Um exemplo disso é do atleta do basquete Laurence Scott Young que jogava pela equipe de Santos e faleceu em virtude de uma infecção generalizada, iniciada devido a um problema dentário. A causa da morte foi uma endocardite bacteriana, que teve origem em uma infecção bucal.

Testando limites
Levar o corpo a extremos sempre traz riscos. Como os atletas estão sempre em busca de superação, as lesões decorrentes da queda da resistência corporal são frequentes. Também é comum que, em práticas esportivas, as pessoas tenham mais bruxismo (ranger ou apertar dos dentes) que pode piorar com má oclusão – quando não há o encaixe correto das arcadas superior e inferior.

Barberini completa que alguns problemas de postura são potencializados quando o atleta possui disfunção da articulação temporomandibular (ATM). “Os casos de apertamento dental em esportes como levantamento de peso, musculação, atletismo e lutas podem causar fraturas dentárias, dores nas articulações e musculares, até problemas ósseos, gengivais e de canal”, acrescenta.
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Outros riscos ocorrem nos esportes de impacto que podem causar traumas e para os nadadores, que estão passíveis de sofrer erosão dental pela quantidade de agentes químicos utilizados nas piscinas.

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fonte:Beta Terra