Piercing bucal

Piercing bucal

1. O que é o piercing bucal?

Contemporaneamente, o piercing é um tipo de adorno que pode ser “colocado” na cavidade bucal, como em qualquer outra parte do corpo, usualmente, nas orelhas, nariz, região peri-umbilical (umbigo), genitálias masculina e feminina. Historicamente, foram usados por diversos povos, por motivos culturais, sociais ou religiosos. Atualmente são mais utilizados pelo público adolescente.

2. Como é realizada a colocação na cavidade bucal?

É necessária a perfuração dos tecidos para sua instalação, normalmente sem anestesia local. Infelizmente, a colocação dos piercings é uma prática realizada por “técnicos”, que são proibidos por lei de administrar anestesia local e, normalmente, desconhecem sobre anatomia, fisiologia e patologia da cavidade bucal.

3. Quais são os locais freqüentes de aplicação na cavidade bucal?

Podem ser aplicados na língua, lábios e bochechas, sendo raramente colocados nos freios labiais

4. Quais são as complicações e riscos decorrentes dessa prática?

Infelizmente, há várias complicações que podem ocorrer pela colocação do piercing na cavidade bucal, dentre elas a retração gengival , fratura e desgaste dos dentes (quando em contato com a gengiva e o dente), inflamação e infecção da mucosa, dor, formação de cálculos salivares (tártaros), mau hálito, excesso de salivação, dificuldade na deglutição (ato de engolir) e fonação (ato de falar), risco de hemorragia, formação de corrente galvânica quando em contato com outros metais das restaurações dentárias (espécie de “choque” produzido pela criação de corrente elétrica), alergia aos materiais utilizados aspiração da peça. Na literatura médica e odontológica, há relatos de colapso hipotensivo por hemorragia (crise de pressão baixa) e angina de Ludwig (inchaço provocado por infecção aguda na região da garganta, que pode conduzir ao óbito).

5. Quais são os cuidados necessários com o piercing na cavidade bucal?

É necessário fazer a remoção do piercing para a limpeza manual diária com detergente e álcool (após dois meses da colocação). Em casos de dor, inflamação ou infecção é recomendada a consulta ao cirurgião-dentista. Quando houver necessidade, por alterações durante a fonação, a visita ao profissional fonoaudiólogo pode auxiliar.

6. Caso o paciente não aceite a remoção do piercing…

Em vista de muitas possíveis complicações e riscos causados pela utilização do piercing, o cirurgião-dentista desempenha um papel preventivo, conduzindo à remoção do adorno. Caso o paciente relute na remoção, ele deve ser orientado com relação aos cuidados necessários com a manutenção, como foi esclarecido na questão anterior.

Fonte APCD