Um assunto sério : A escova de dentes do seu filho.

Um assunto sério :  A escova de dentes do seu filho.

A quantas anda a escova de dentes do seu filho? Se você não costuma reparar nela, faça isso já. Cerdas em mau estado comprometem a higiene bucal mais do que se pode imaginar, como sugere um novo estudo da Universidade de São Paulo.

Você é daqueles que nota se o seu filho segue à risca as recomendações do odontopediatra sobre os movimentos de uma escovação eficiente. E não o deixa sair da mesa para a sala de tevê sem fazer escala na pia, certo? Só que não dá tanta atenção ao tipo de escova e menos ainda ao tempo que ela tem de uso. Confirma? Se a resposta for sim, lamentamos informar: todo o seu esforço em prol do sorriso da sua criança pode estar indo por água abaixo.

Um estudo realizado na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto avaliou a escova de 60 crianças entre 3 e 12 anos. Na fase da entrevista com os pais, 53,13% deles afirmaram ter recebido orientação sobre isso e 79,68% achavam que a escova dental do filho estava em boas condições.

Foi então que os pesquisadores resolveram tirar a prova dos nove da maneira mais óbvia: pediram para ver as tais escovas. Analisaram vários aspectos — a rigidez das cerdas, a periodicidade de substituição, o tamanho da cabeça e os cuidados de higiene e armazenamento.

O resultado foi preocupante. Do total de escovas investigadas, 61,82% tinham cerdas deformadas pelo uso e 63,94%, estavam com resíduos (restos alimentares e outros) visíveis a olho nu. Além disso, menos da metade apresentava o tamanho adequado à boca da criança.

“Na hora da compra, o preço é decisivo”, lamentou o odontopediatra Paulo Nelson Filho, um dos autores da pesquisa. “A qualidade acaba ficando em segundo plano.” Seu colega Júlio Carlos Noronha, da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, afirma que dinheiro não deveria servir de desculpa. “Há modelos bem baratos, alguns custam até 3 reais e possuem as características essenciais para uma boa limpeza”, assegura. De onde se conclui que o problema pode não morar no bolso, mas na falta de informação, por mais que os pais digam o contrário.

Antes de escolher a escova, converse com um especialista. Ele vai examinar a boca do seu filho e indicar o tamanho e o tipo mais apropriados para a idade. Há no mercado modelos específicos para diferentes idades. Mesmo assim, não se deve dispensar a orientação profissional. “Além do tamanho, é bom analisar as cerdas e o formato”, completa Júlio Noronha.

A umidade e os restos de alimento são um prato cheio para a proliferação dos germes. Por isso a escova de dente acaba contaminada. Um estudo realizado na Universidade de Adelaide, na Austrália, revelou a presença de microorganismos, como as bactérias estafilococo e estreptococo, além do fungo cândida, em todas as escovas infantis que analisaram — e olha que elas só tinham três semanas de uso! “Felizmente essas bactérias não são numerosas o suficiente para provocar problemas gastrointestinais, embora sejam especialistas neles”, disse o autor da pesquisa, o microbiologista Antony Rogers.

O estudo, porém, serve para alertar para o problema da conservação inadequada do acessório.

Desde muito cedo

A limpeza propriamente dita é tão importante quanto os cuidados com a escova. “Má higiene favorece o acúmulo de placa bacteriana, o que provoca cáries e doenças da gengiva”, avisa o dentista Flávio Namur, gerente de Relações Profissionais da Colgate, em São Paulo. Até os bebês precisam dessa limpeza. “A mãe deve umedecer uma gaze com soro fisiológico ou água e passar suavemente na gengiva uma vez ao dia”, recomenda Paulo Nelson Filho. Isso ajuda a eliminar os resíduos de leite e também serve para que a criança se acostume com a manipulação da boca. Vale lembrar que apenas escovar os dentes não resolve. Para maiores de 6 anos, o fio dental é indispensável na remoção da placa bacteriana entre os dentes. “Apesar disso, de 100 famílias que sabem da importância do fio, apenas de 15 a 25 o utilizam”, conta Júlio Noronha.

Um bom início

Dicas valiosas para garantir uma boa higienização:

• Apresente a escova à criança assim que surgirem os primeiros dentinhos. Deixe-a brincar com ela, mas cabe a você fazer a limpeza correta — e isso até ela completar 9 anos!

• A higiene bucal deve ser feita no mínimo três vezes ao dia, após as refeições. Some as mamadas noturnas.

• Para as menores de 2 anos, use uma pasta sem flúor. A partir dessa idade, siga as recomendações do especialista. De qualquer maneira, como até os 3 anos ainda se engole muita pasta, só ponha o equivalente a meio grão de arroz.

• Aos 6 anos, quando a criança já desenvolveu boa coordenação motora, ensine-a a usar o fio dental.

Extermine os micróbios

Cuidados simples mantêm a escova limpa e livre de intrusos

• Ensine seu filho a sempre lavar as mãos antes de começar a escovar os dentes.

• Ah, ele também deve fazer um bochecho com água para eliminar resíduos maiores de comida. Parece bobagem, mas isso diminui as chances de eles se esconderem entre as cerdas depois.

• Após o seu filho ter usado a escova, lave-a bem em água corrente. E bata o cabo levemente na pia para eliminar o excesso de água.

• Borrife uma substância antimicrobiana, como a clorhexidina, que costuma estar na fórmula dos enxaguatórios bucais.

• Guarde a escova do seu filhote no armário. Acredite: se ela ficar exposta, poderá ser contaminada pelos coliformes fecais dispersos no ar do banheiro.

Fonte: Editora Abril

por Adriana Toledo | design e ilustrações Diego Sanches

Ronquei? Eu ?

Ronquei? Eu ?

Cerca de 30% dos paulistanos sofrem algum tipo de distúrbio do sono. Dentre eles, o ronco é bastante comum e faz com que tanto o roncador, quanto as outras pessoas que vivem com ele, tenham noites bem mal dormidas. Para se livrar do problema, é preciso conhecer as causas, tratamentos e mudanças na rotina que podem ajudar a amenizar o barulho noturno.

A médica Fatima Dumas Cintra, coordenadora do Centro de Arritmia Hospital Israelita Albert Einstein, tira as principais dúvidas sobre o assunto.

Quem está acima do peso ronca mais?
Sim, a obesidade facilita o aparecimento de ronco e distúrbios respiratórios durante o sono.

Quem ronco tem mais chance de ter problemas cardíacos?
Depende, se o ronco for associado à apneia obstrutiva do sono, existe a relação. Se o ronco for esporádico e sem pausas na respiração não há evidências consistentes que isso afete o sistema cardiovascular. A apneia é um fator de risco para várias condições cardiovasculares como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca congestiva, acidente vascular cerebral, doença arterial coronária, síndrome metabólica e arritmias cardíacas. Recentemente, a apneia foi associada ao aumento na mortalidade cardiovascular em pacientes com a forma severa da doença sem tratamento.

O ronco pode aumentar as chances de o homem ter disfunção erétil?
Depende, se o ronco for associado à apneia obstrutiva do sono a resposta é sim. Segundo estudos, quando o ronco estiver associado à SAOS (síndrome da apneia obstrutiva do sono) até 25% dos homens (dentro deste quadro de ronco e apneia) apresentam redução da libido e impotência.

Quem ronca deve evitar fazer exercícios físicos à noite?
Fazer exercícios físicos regulares compatíveis com sua idade e capacidade física é sempre bom.

Quando há exagero na bebida, é possível que a pessoa ronque mais?
Sim, é comum aparecer ou agravar o ronco após ingestão alcoólica. Um maior colapso das vias aéreas superiores durante o sono está associado a redução do fluxo aéreo e o aparecimento de ronco. O álcool favorece o colapso das vias aéreas. Quando a obstrução das vias aéreas é completa ocorre a apnéia.

Bebês também roncam?
Sim e precisam de avaliação para verificar o motivo do ronco.

Quem ronca tem apneia obstrutiva do sono?
A maioria dos pacientes com apneia ronca, mas nem todos os pacientes que roncam tem apneia, é necessário ter a pausa respiratória com consequente queda nos níveis de oxigênio do sangue para que ocorra a apneia.

É indicado fazer a polissonografia para quem ronca?
A indicação de polissonografia está associada a vários fatores que a equipe médica irá analisar durante a consulta (sono não reparador, sonolência excessiva diurna, ronco, presença de alterações cardiovasculares, etc)

Que profissional deve ser procurado para tratar o ronco?
Médicos com experiência em medicina do sono (OBS: atualmente medicina do sono ainda não é uma especialidade médica é uma área de atuação)

Muitas vezes o dentista pode melhorar o ronco?
Alguns casos podem ser tratados com o aparelho intraoral que minimiza o ronco.

Homens roncam mais?
Na verdade, os homens roncam antes (começam a roncar mais cedo), entretanto após a menopausa as mulheres começam a ter anormalidades respiratórias do sono e a presença de ronco e apnéia tende a se equiparar aos homens.
Via Terra