Herpes não é o fim do mundo

Herpes não é o fim do mundo

Você já deve ter visto em algum filme: de uma hora para outra uma doença desconhecida começa a ameaçar a raça humana. Os maiores especialistas são chamados, a cúpula do governo passa a esticar o expediente, o Exército entra em campo. E a confusão não pára de crescer. Até que alguém descobre que o vilão da história é um vírus, um organismo do tamanho de alguns nanômetros. Mas mesmo assim altamente letal.

Uma epidemia de vírus como o Sars e o Ebola poderia ser mais ou menos como a descrita acima. Mas com eles, felizmente, você nunca topou. Com o herpes, porém, você já deve ter cruzado. Ele cuida da própria vida, infeccionando a raça humana com pouco ou nenhum alarde, principalmente porque não é propriamente um “serial killer”. Mas o que falta ao herpes em força letal sobra em mobilidade. No Brasil, os dados sobre a incidência do herpes simplex (a forma mais comum do vírus) apontam estatísticas impressionantes – embora seja difícil quantificar o número real de infectados, já que a doença pode não se manifestar durante anos. “Noventa por cento da população deve ter algum tipo de herpes”, atesta Paulo Olzon, chefe do Departamento da Clínica Médica da Unifesp. Segundo estimativas do Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde, 641 mil pessoas contraem herpes genital a cada ano. “Muitas delas são portadoras do vírus sem saber, porque ele não está em atividade”, conclui Luciane Scattone, dermatologista e consultora da Men´s Health.

Somos, portanto, uma espécie de portadores de herpes. E, o que é pior, de uma doença para a qual não há cura. (Se você já teve aquelas bolhas pequenas nos lábios, provavelmente está com a doença). Mas existe um plano. Ou melhor, estratégias que vão ajudar você a manter o herpes em hibernação, superar os surtos ou evitar transmiti-lo

Prevenindo o herpes
A palavra chave é “prevenção” e não “cura”. Isso porque o herpes brinca de esconde-esconde neurológico com qualquer droga que tomemos – e sempre vence. “O vírus fica escondido nas terminações nervosas”, explica o dr. Olzon, “só esperando uma situação favorável para se proliferar”. Segundo estudos, os três principais fatores que podem desencadear a proliferação do vírus do herpes são:

Luz solar. Pesquisa publicada pelo American Journal of Sports Medicine relacionou o surgimento de surtos de herpes labial entre esquiadores ao nível de exposição ao sol. Mais especificamente, aos raios ultravioleta B. Solução: cubra a boca. “Protetor solar é eficiente na redução do fator desencadeante UV nos lábios”, diz Rhoda Ashley Morrow, diretora da Seção de Virologia do Hospital Infantil de Seattle, nos Estados Unidos. Opte por protetores solares labiais à prova d’água.

Estresse. Qualquer situação tensa – de um primeiro dia no trabalho a uma noite em claro – enfraquece o sistema imunológico. Em outras palavras: o estresse mina suas defesas, permitindo que o herpes volte à cena. O mesmo vale para quando você está gripado ou com alguma outra doença. Solução: bateu aquele estresse? Deguste uma taça de vinho. Ele ajuda a diminuir a tensão e pode atuar preventivamente no ataque contra o herpes. É o que indica estudo publicado na revista Antiviral Research (EUA), que mostrou que o vinho tinto pode inibir o herpes labial graças a uma substância presente na uva, o resveratrol.

Tratando o surto
Mesmo que você atente para os fatores que desencadeiam a proliferação do vírus e procure o auxílio de medicamentos, ainda assim é possível que o herpes volte à tona. Nada de pânico. Seu organismo está munido de tudo o que precisa para dar conta sozinho de seu hóspede indesejado. Mas você pode montar um kit de emergência para combater o vírus.

Lata gelada. Ao primeiro sinal de bolhas na boca, pegue uma lata de refrigerante bem gelada. Pressione-a contra as bolhinhas por 15 segundos e então a retire por 15 segundos. Faça isso por cinco minutos. Espere 15 minutos e repita a operação (bem, já que a cerveja está na mão…). “O frio impede a formação da bolha”, conta Jerome Litt, professor de dermatologia da Universidade Case Western Reserve, EUA. Mas atenção: cuidado para não romper as bolhas, repletas de vírus.

Alho. Misture dentes de alho no molho de macarrão. Segundo o médico James Duke, autor do livro The Green Pharmacy (A Farmácia Verde), o alho combate os vírus. E o hálito? Bem, não se ganha sempre.

Equinácea. Pesquisadores da Universidade de Ottawa, no Canadá, descobriram que o extrato dessa planta, quando aplicado sobre as feridas do herpes labial, ajuda a destruir o vírus.

Matéria publicada na Revista Men’s Health .

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