Evite seis erros e promova escovação eficaz . Uma boa escovação dental não acontece em menos de dois minutos

Evite seis erros e promova escovação eficaz Uma boa escovação dental não acontece em menos de dois minutos

Quando o assunto é saúde bucal, a premissa ‘qualidade é melhor que quantidade’, vale muito. Por mais que o discurso mais conhecido seja escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia depois das refeições, o mais importante é a qualidade da escovação. “Mesmo quem escova os dentes no mínimo duas vezes por dia não está livre de doenças se essa tarefa não é realizada de maneira adequada”, diz Artur Cerri, coordenador da Escola de Aperfeiçoamento Profissional da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas).

Momento certo
Escovar os dentes imediatamente depois de comer não é o mais indicado pelos profissionais. O ideal é, primeiramente, fazer um bochecho com água para reduzir a acidez e só depois realizar a escovação. “Dessa forma, a acidez bucal diminui e a correta higienização é facilitada – protegendo o esmalte dos dentes”, diz Cerri.

Reserve tempo
Uma boa escovação dental não acontece em menos de dois minutos. “As pessoas ficariam surpresas ao saber quanto um minuto a mais de escovação pode fazer pela saúde bucal”, afirma o especialista.

Todos os lados
É comum pessoas começarem a escovar os dentes com vontade e ir perdendo interesse aos poucos, limpando muito mal algumas partes. “Tem gente, inclusive, que só usa fio dental nos dentes da frente, isso está completamente errado”, diz Artur. Ele explica que, dividindo a boca em quatro partes (lados direito e esquerdo, em cima e embaixo), deve-se escovar cada parte por pelo menos trinta segundos – sem se esquecer de escovar também a língua.

Cuidado com a força
Ao aplicar muita pressão na escovação, quem acaba saindo no prejuízo é o esmalte dental, que tem justamente a função de proteger os dentes das bactérias. O ideal é fazer movimentos circulares, tendo em vista que escovar não significa esfregar com força. “Para os que têm dificuldade em controlar a força, uma solução é adotar escovas elétricas com sensores de pressão”, recomenda.

Enxague
“Depois de uma correta escovação, enxaguar a boca é um passo muito importante e que muitas pessoas, por pressa, não dão a devida atenção”, afirma Cerri. Ao lavar bem a boca, o indivíduo se livra de várias partículas, como restos de comida, que poderiam contribuir para a formação do biofilme bucal, também conhecida como placa bacteriana. Isso também previne que a escova fique com restos de comida. “Enxágue bem a boca antes e depois da escovação, com bastante água limpa e fria”.

Escova precisa de cuidados
A escova de dente deve ser devidamente limpa logo após a escovação para não acumular restos de alimento e se transformar numa colônia de bactérias. Ela também deve ser substituída ao menos três vezes ao ano ou depois de alguma infecção oral. “Existem modelos de escovas que indicam quando sua vida útil está chegando ao fim. O custo-benefício vale muito a pena, já que manter a saúde bucal é fundamental para ter boa saúde geral”.

Entrevista do Dr Drauzio Varella com Dra Cristina Abdalla sobre herpes labial

Entrevista do Dr Drauzio Varella com Dra Cristina Abdalla sobre herpes labial

Entrevista
Herpes simples
Dra. Cristina Abdalla é médica dermatologista e faz parte do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo

A principal manifestação do herpes simples, uma infecção causada por vírus, é a presença de pequenas vesículas agrupadas que podem aparecer em qualquer parte do corpo, mas que em geral surgem nos lábios e nos genitais . Nos lábios, elas se localizam preferencialmente na área de transição entre a mucosa e a pele e de um lado só da boca, embora na primeira infecção possam ocorrer quadros mais extensos .

A irrupção das lesões cutâneas é precedida por alguns sintomas locais como coceira, ardor, agulhadas, formigamento, mas em torno de uma semana o problema desaparece.

Entretanto, a primeira infecção pelo herpes vírus costuma ser mais grave e o restabelecimento completo, mais demorado. As lesões podem espalhar-se pelos dois lados da face ou dentro da boca com aspecto semelhante ao das aftas. Na fase final da evolução da doença, é comum o aparecimento de crostas .

O herpes simples não deve ser confundido com o herpes zóster, provocado por um vírus da mesma família do herpes simples, mas com quadro clínico bastante diferente. As vesículas acometem um lado só de determinada região do corpo — nas imagens 4a e 4b apenas a face esquerda –, mas as lesões são muito mais extensas e estão associadas à dor intensa e persistente. Nesse caso, o tratamento precisa ser mais agressivo, porque a doença é mais grave.

INFECÇÃO PELO HERPES VÍRUS HUMANOS (HSV–1e2)

Drauzio – Como age o vírus do herpes simples?

Cristina Abdalla – O herpes vírus caminha pelas terminações nervosas e atinge a pele. Na epiderme (primeira camada da pele), produz alteração nas células e surgem pequenas vesículas agrupadas, que se assemelham a um cacho de uvas. Depois, essas bolhinhas ressecam, forma-se uma crosta e a lesão desaparece. Essas são as principais características da infecção herpética tanto labial quanto genital.

Drauzio – Quanto tempo dura a infecção e quais são os principais sintomas?

Cristina Abdalla – Geralmente, a crise de herpes dura de 7 a 10 dias. Horas ou um dia antes do aparecimento das vesículas na pele, algumas pessoas pressentem a crise pelos sintomas desagradáveis de ardor, queimação ou coceira no local afetado, porque o vírus está replicando e caminhando pelo nervo.

Drauzio – Nos casos de herpes genital, algumas pessoas se queixam de dor que corre pelas pernas como se fosse um choque.

Cristina Abdalla – O herpes vírus tem afinidade pelas terminações nervosas (tropismo), onde permanece silencioso. Quando a pessoa tem uma baixa de resistência, ele começa a multiplicar-se, o nervo inflama e surgem os sintomas citados acima, antes mesmo de o quadro clínico instalar-se.

Em certos casos, os sintomas somem quando as lesões cutâneas aparecem. Noutros, principalmente nos de herpes labial, eles podem persistir durante toda a crise.

Drauzio – O herpes simples pode aparecer em qualquer lugar do corpo (imagens 5a e 5b). O que explica essa predileção pelos lábios e pelos genitais?

Cristina Abdalla – Embora as lesões possam aparecer em qualquer parte do corpo, a transmissão do vírus do herpes labial geralmente se dá na boca. A pessoa tem uma feridinha, entra em contato direto com o vírus pelo beijo ou pela saliva, por exemplo, ele penetra e procura um nervo onde fica latente até provocar uma infecção. Já o herpes genital é transmitido por via sexual e pode aparecer também nas nádegas ou na região perineal.

A FORÇA DA IMUNIDADE

Drauzio – Um fato que desorienta os portadores de herpes é que, às vezes, as crises se repetem com muita frequência e, de repente, ocorrem longos períodos de remissão. Como se explica isso?

Cristina Abdalla – A ocorrência das crises está intimamente relacionada com a imunidade das pessoas. Se ela estiver baixa, o vírus replica, vence o exército de defesa do organismo e as crises se tornam mais frequentes. Se a imunidade estiver boa, os períodos de remissão podem ser longos.

Drauzio – Essa baixa de resistência pode estar associada a outras doenças, um quadro gripal, por exemplo, mas pode haver deficiência específica contra o vírus mesmo que não haja queda da imunidade de maneira geral?

Cristina Abdalla – Não é preciso ocorrer um quadro mais sério de deficiência da imunidade para as crises se manifestarem. Pequena queda de resistência pode causar a infecção herpética, também chamada popularmente de febre da pele ou febre intestinal. Ela pode ser desencadeada também pelo estresse físico ou psicológico, fadiga ou exposição solar.

A prática no consultório revela que alguns fatores estão associados às crises. O sol é um deles. No verão, o número de pessoas com crises de herpes aumenta. Estresse é outro fator importante e a mulher se queixa muito de que as crises estão associadas ao ciclo menstrual. Lábios rachados pelo clima seco também são mais susceptíveis à infecção.

Para proteger do sol, indica-se o uso de fotoprotetores labiais, que nem sempre conseguem evitar a crise.

Drauzio – Os fotoprotetores realmente funcionam?

Cristina Abdalla – Via de regra os pacientes se referem aos fotoprotetores como meio capaz de reduzir a frequência das crises. Não conheço, porém, nenhum estudo científico que comprove sua eficácia. O grande problema pode estar na utilização adequada do produto, uma vez que na praia ou na piscina as condições são diferentes daquelas obtidas em laboratório. A própria saliva ou algo que a pessoa beba podem removê-lo e nem sempre ele é reaplicado como deveria. De qualquer forma, teoricamente, fotoprotetores funcionam como fator de proteção e essa é razão de indicarmos seu uso.

Drauzio – Normalmente, os episódios de herpes são benignos. Uma coceira ou queimação no local, vesículas que surgem e desaparecem numa semana são os sintomas mais comuns. No entanto, em alguns casos a doença complica e provoca alterações bastante sérias. Você poderia explicá-las?

Cristina Abdalla – Algumas alterações são mais sérias (imagem 6). As lesões podem manifestar-se fora e dentro da boca, na pele ao redor do nariz e virem acompanhadas de uma infecção secundária por bactérias com febre, dor e mal-estar. Às vezes, são tão intensas que acometem a face toda, especialmente se o paciente apresentar outras doenças como dermatite atópica, estiver tomando corticoides ou estiver imunossuprimido. Se considerarmos a vida mais ativa que as pessoas levam hoje, a crise de herpes pode representar um problema bastante sério.

Drauzio – E a associação do vírus do herpes humano com o da encefalite é frequente?

Cristina Abdalla – O vírus do herpes é neurotrópico, tem afinidade pelo sistema nervoso. Sua associação com o vírus da encefalite ocorre mais em indivíduos com imunossupressão, portadores de câncer, do vírus da Aids com a doença ativa e nos que tomam corticoides. Portanto, o quadro pode ser muito mais grave, se a imunidade estiver deprimida, e exigirá internação hospitalar e tratamento com antivirais por via endovenosa.

Drauzio – Episódios clássicos mais frequentes de herpes nem sempre querem dizer que o portador esteja debilitado imunologicamente?

Cristina Abdalla – Os episódios de herpes podem ser mais frequentes porque o indivíduo apresenta debilidade para reconhecer e combater o vírus e não porque existe uma alteração importante da imunidade.

TRATAMENTO DO HERPES

Drauzio – Existem vacinas para impedir que as lesões voltem?

Cristina Abdalla – Infelizmente, elas ainda não existem. Foram criadas algumas vacinas do tipo recombinante que não funcionaram a contento. Atualmente, uma vacina está na fase de teste em humanos. Conforme os resultados, talvez se possa proporcionar algum alívio para os indivíduos com crises frequentes.

Drauzio – Como deve ser conduzido o tratamento para herpes simples?

Cristina Abdalla – Via de regra, o tratamento deve ser indicado para todos os pacientes, porque assim se diminui a possibilidade de contágio. O herpes vírus é altamente infectante. A primeira orientação que se dá aos pacientes sempre diz respeito aos cuidados locais de higiene. Lavar bem as mãos, evitar contato direto com outras pessoas e não furar as bolhas sob nenhum pretexto são outras recomendações importantes. É indispensável prevenir uma infecção secundária por bactéria o que iria piorar muito o quadro.

Estudos demonstram que algumas pomadas de uso tópico ajudam a diminuir o período de evolução da crise herpética, mas o efeito é muito discreto se comparado com o dos casos em que elas não foram aplicadas. Por isso, os medicamentos antivirais por via oral são os mais indicados para o tratamento da doença.

Drauzio – Como esses medicamentos devem ser utilizados? Quando é ideal começar o tratamento?

Cristina Abdalla – O ideal é começar o tratamento o mais depressa possível. Assim que o indivíduo perceber a instalação dos sintomas ou pressentir a chegada da crise, deve começar a tomar antivirais. Dependendo da droga, o tratamento pode começar 72 horas antes das primeiras lesões aparecerem e deve ser mantido durante cinco ou sete dias.

Pacientes bem treinados no reconhecimento precoce desses sinais dizem que conseguem até “abortar” a crise, se tomarem logo a medicação. Mesmo que isso não aconteça, esses remédios encurtam a duração da doença e diminuem o número de lesões e a intensidade dos sintomas.

Drauzio – O problema é que esses medicamentos custam muito caro. A relação custo-benefício justifica sua indicação?

Cristina Abdalla – Os antivirais são drogas modernas que atuam na replicação dos vírus e realmente custam caro. Acredito, porém, que representam um benefício principalmente para os indivíduos que têm de quatro a seis crises por ano, com lesões que levam pelo menos uma semana para cicatrizar e causam constrangimento nas atividades do dia a dia.

Reduzir esse prazo é sempre um ganho para os pacientes. Entretanto, se a crise for branda, sem a formação de vesículas e só aparecer uma plaquinha vermelha que desaparece em dois ou três dias, talvez não seja necessário indicar o tratamento com antivirais.

HERPES GENITAL

Drauzio – O impacto do herpes genital nas pessoas com vida sexual ativa é sempre constrangedor. Tive um paciente que dizia que o herpes genital não lhe causava problemas a não ser que tivesse relações.

Cristina Abdalla – O trauma físico das relações pode desencadear as crises. De qualquer forma, o herpes genital traz sempre um constrangimento para o portador e quanto mais rapidamente a crise for debelada, maior será o conforto do paciente.

Drauzio – Nos homens as lesões são mais visíveis, embora algumas possam localizar-se na uretra. Nas mulheres, pela posição anatômica dos genitais, o diagnóstico é mais complicado.

Cristina Abdalla – As lesões podem aparecer nos genitais femininos externos. O diagnóstico complica quando aparecem nos órgãos internos, às vezes, no colo do útero e o ginecologista só consegue identificá-las durante a vigência das crises.

Drauzio – Você citou mulheres, por exemplo, que têm herpes em todos os períodos pré-menstruais. O que se pode fazer para evitar essa repetição desagradável das crises.

Cristina Abdalla – Existe uma terapia que chamamos de supressora e que consiste em usar o antiviral por períodos prolongados que vão de seis a doze meses. Estudos mostram que, enquanto a medicação está sendo administrada, as crises praticamente desaparecem ou se tornam bem mais esparsas. Infelizmente, elas retornam tão logo a medicação seja suspensa.

Drauzio – A experiência mostra que se trata de medicamentos bastante seguros. Nos tratamentos de câncer, às vezes, é preciso usá-los por longos períodos e os doentes os suportam bem.

Cristina Abdalla – Esses medicamentos praticamente não apresentam efeitos colaterais nem interação com outras drogas. Nem todas as drogas quimioterápicas, por exemplo, combinam entre si e é preciso tomar cuidado com sua indicação. Com os antivirais empregados para o tratamento de herpes, isso é raro de acontecer. Eles constituem uma medicação fácil de administrar e sem efeitos adversos.

Drauzio – Quando vale a pena indicar o uso contínuo por um período para prevenir a recidiva das crises?

Cristina Abdalla – O critério para indicar o uso desses medicamentos por período prolongado é o número e a intensidade das crises que a pessoa tem num ano. Há casos em que o herpes pode aparecer também no olho, um órgão nobre que exige tratamento prolongado com antivirais.

HERPES VÍRUS TIPO I e II

Drauzio – Há diferença entre os vírus que provocam herpes labial e herpes genital?

Cristina Abdalla – Ambos pertencem à mesma família, mas são subtipos diferentes. O tipo I provoca herpes labial e o tipo II, herpes genital. Acima da cintura, geralmente a maior incidência é de herpes tipo I e abaixo da cintura, de herpes tipo II, mas isso não é uma regra absoluta.

Drauzio – Quem tem herpes labial pode transmitir o vírus por sexo oral?

Cristina Abdalla – Pode transmitir e o mesmo indivíduo pode ter vírus dos dois tipos. Não há imunidade cruzada, isto é, desenvolver imunidade contra um vírus não assegura imunidade contra o outro. No entanto, o indivíduo com herpes labial que adquire herpes genital geralmente desenvolve uma infecção mais branda.

Drauzio – O tratamento é o mesmo para os dois tipos de vírus?

Cristina Abdalla – A droga age no DNA do vírus e é a mesma para os dois casos, assim como é igual o tempo de tratamento. Alguns médicos preferem mudar um pouco a dosagem, mas a medicação é basicamente a mesma.

Drauzio – Num casal em que o marido tenha herpes genital, com que frequência a mulher se infecta?

Cristina Abdalla – A transmissão ocorre mais durante as crises, mas também acontece fora delas porque o indivíduo pode apresentar infecções subclínicas, sem lesões visíveis. A literatura médica registra que em torno de 20% dos parceiros sexuais se infectam quando têm vesículas aparentes. Se elas não se manifestam, é difícil avaliar a via de transmissão.

O uso de preservativos ou até mesmo a abstinência sexual são condutas importantes durante a crise. O ideal seria usar preservativos sempre, mas a prática médica mostrou que isso é inviável. A situação é delicada e talvez só a vacina consiga resolvê-la. De qualquer modo, as pessoas precisam encontrar uma maneira de se proteger para evitar o contágio.

PREVALÊNCIA DA INFECÇÃO

Drauzio – A prevalência do herpes labial nas pessoas é altíssima. Qual é a prevalência geral do herpes genital?

Cristina Abdalla – Se aplicarmos o teste na população, através do exame de sangue, verificaremos que 90% entraram em contato com o vírus do herpes simples do tipo I, mas que só de 20% a 40% apresentaram crises. Em relação ao herpes genital, um estudo americano demonstrou que a partir dos 12 anos, portanto a partir do início da vida sexual, 40% das pessoas analisadas têm sorologia positiva e de 12% a 20% têm crises.

Drauzio – Quer dizer que a relação entre número de infectados e de pacientes que desenvolvem crises é mais ou menos a mesma no herpes labial e no genital?

Cristina Abdalla – Parece que é, embora os dermatologistas diagnostiquem mais casos de herpes labial e os ginecologistas, certamente, de herpes genital.

Drauzio – Você acredita que surgirão medicamentos mais eficazes do que os atuais para o tratamento de herpes?

Cristina Abdalla – Sempre há esperança. Há estudos em andamento a respeito do assunto e a indústria farmacêutica está aí, empenhada em produzir novas drogas. Não se tem notícia, porém, de que isso irá tornar-se realidade num futuro próximo.

Drauzio – Como 90% da população têm anticorpos contra o vírus, é praticamente impossível criar uma criança que não seja infectada por ele.

Cristina Abdalla – Mais cedo ou mais tarde, ela vai entrar em contato com esse vírus. Trata-se de uma infecção muito prevalente. Fala-se que depois do vírus da gripe, o herpes vírus é o de maior incidência.

PRIMEIRA INFECÇÃO

Drauzio – Em geral, a primeira crise é mais grave do que as demais?

Cristina Abdalla – Em geral, é mais grave. O sistema de defesa não reconhece o vírus e o indivíduo tem uma crise mais intensa. Uma deficiência parcial da imunidade é causa das crises posteriores que, todavia, podem ser mais brandas.

Drauzio – Algumas crises passam totalmente despercebidas. A criança se enche de aftas (gengivoestomatite herpética) e os leigos atribuem o problema a algum distúrbio do aparelho digestivo.

Cristina Abdalla – Isso acontece também com muitas outras viroses. A pessoa faz um exame de sangue e descobre que entrou em contato com o vírus da varicela, por exemplo, embora não se lembre de ter manifestado a doença. Com o herpes é a mesma coisa. Uma lesão nos lábios, uma bolinha avermelhada pode aparecer e sumir sem a pessoa dar-se conta do problema.

Drauzio – Mesmo a pessoa que não tenha lesões pode transmitir herpes?

Cristina Abdalla – A documentação a respeito do assunto revela que as vesículas são ricas em vírus e que na fase subclínica, quando não são aparentes, eles podem ser transmitidos por relações sexuais, pelo beijo ou pela saliva contaminada.