Laser ajuda na prevenção de cárie

 Laser ajuda na prevenção de cárie

Estudo feito pela USP foi testado em 40 crianças e os resultados mostraram que, além de não alterar a superfície do dente, o laser também inibe o processo de formação de nova cárie

A caneta de alta rotação usada em tratamentos dentários pode estar com os dias contados. Pelo menos é o que aponta uma pesquisa da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP), que substitui o equipamento e as tradicionais resinas pelo uso contínuo de laser para tratar e prevenir a cárie. Os testes clínicos foram realizados em 40 crianças e os resultados iniciais mostram que, além de não alterar a superfície do dente, o laser ainda inibe o processo de formação de nova cárie.

Segundo a pesquisadora Regina Dibb, o estudo acompanhou pacientes que tiveram aplicações de laser em comparação com os que passaram pelo tratamento de restauração com resina. Os fragmentos de dentes de leite foram analisados em microscópio. “No tratamento convencional percebemos que, apesar de não haver cárie, ocorreram fraturas na resina. Em uma avaliação de dois anos, ocorreu mais uma cárie, ou seja, os fragmentos na resina favoreceram que a cárie se instalasse nessas regiões de rachadura”, explica Regina.

A avaliação dos pacientes que foram tratados com laser, entretanto, surpreendeu a pesquisadora: além de evitar a aplicação de um material sobre o dente, o laser diminuiu a lesão provocada pela cárie. “Observamos que não há alteração nenhuma da superfície do dente. O laser aplicado sobre a superfície do dente favorece uma progressão mais lenta do processo de cárie. Isso não acontece no caso do tratamento convencional”, diz.

Segunda etapa

O próximo passo da pesquisa é testar o mesmo tratamento em casos de cárie na raiz do dente. Os experimentos, por enquanto in vitro, têm mostrado resultados satisfatórios, segundo Regina. O próximo passo é aplicar a pesquisa em adultos e idosos, onde a incidência do problema na raiz do dente é maior. “O paciente idoso começa a ter mais dificuldade de higienização e é um processo natural expor a raiz do dente. O objetivo é aplicar o laser como uma forma de auxiliar na prevenção”, afirma a pesquisadora, destacando que o laser usado em laboratório ainda depende de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser implantado em consultórios.

Regina afirma ainda que o objetivo principal da pesquisa é mostrar que o tratamento preventivo pode evitar o desgaste gradual dos dentes. “O ideal seria que a aplicação de laser fosse feita a cada seis meses. A vantagem é que não gera nenhum desconforto ao paciente e você vai ter um resultado promissor no futuro, evitando o desconforto do motorzinho.”

Via Jornal Odonto