Quais as implicações e riscos do uso combinado de álcool e medicamentos?

 Quais as implicações e riscos do uso combinado de álcool e medicamentos?

O álcool é uma substância que causa dependência química e psíquica, chamada popularmente de alcoolismo. No mundo, a doença causada pelo álcool preocupa os sistemas de saúde. Estima-se que o número de dependentes está entre 10 e 15% da população mundial. No Estado de São Paulo, por exemplo, pelo menos 1 milhão de pessoas sofrem desse mal. Dados do Ministério da Saúde, de fevereiro de 2013, mostram que 21% dos acidentes no trânsito estão relacionados ao uso de álcool e 49% das pessoas que sofreram algum tipo de agressão consumiram bebida alcoólica.

O álcool é um depressor do sistema nervoso central que reduz a atividade dos neurônios no cérebro e pode potencializar a ação de certas substâncias, elevando o risco de perda da coordenação motora e mental.

O uso crônico pode causar algumas complicações, como: arritmias, pneumonias, hipertensão, úlceras gástricas, pancreatite, cirrose, infiltração gordurosa no fígado, hepatite alcoólica, delírios por abstinência alcoólica, demência alcoólica e impotência.

A grande maioria dos medicamentos é metabolizada por enzimas do fígado (citocromo P450) que também têm a função de processar o etanol, por isso a combinação é contraindicada.

Abaixo, algumas classes de medicamentos e as alterações do uso em conjunto com álcool:

Antibióticos

Metronidazol, tinidazol, cetoconazol, nitrofurantoina, rifampicina e isoniazida, por exemplo, são utilizados para tratar infecções. O álcool pode comprometer sua ação, inibindo o efeito. A interação dessas substâncias com o álcool pode provocar dor de cabeça, palpitação, vômito, queda da pressão e até desmaios.

Antidepressivos

São utilizados no tratamento da depressão, dos transtornos obsessivo-compulsivos (TOC) e do pânico. A interação dessas substâncias com álcool pode inibir o efeito do remédio e aumentar o efeito sedativo.

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Analgésicos e anti-inflamatórios

Utilizados no tratamento da dor e inflamações. A interação dessas substâncias com o álcool pode potencializar o efeito da bebida, provocar irritação, sangramento e desconforto estomacal e danos ao fígado.

Ansiolíticos

Utilizados no tratamento da ansiedade e da insônia. A combinação entre álcool e benzodiazepínicos é a mais explosiva de todas, pois desencadeia sedação, falta de coordenação e prejuízo da memória. Pode também causar insuficiência respiratória, aumentar o efeito sedativo e o risco de coma, com risco grave de acidentes.

Anticonvulsivantes

Utilizados no tratamento de convulsões. A interação dessas substâncias com álcool pode ocasionar dificuldade respiratória, tontura e intoxicação.

Antihipertensivos

Empregados no tratamento da hipertensão arterial (pressão alta). A interação dessas substâncias com o álcool pode ocasionar tontura, desmaio e arritmia cardíaca.

Anti-histamínicos

Usados para tratamento de alergias, muitas vezes provocam sonolência. A combinação com o álcool pode agravar esse efeito colateral, deixando o paciente ainda mais sonolento e afetando sua coordenação motora.

Existe tratamento medicamentoso para dependência do álcool, que deve ser utilizado com prescrição e acompanhamento médico.

Autora: Andrea Mendes Rodrigues Pereira, farmacêutica clínica do Einstein