Odontologia e a doença de Parkinson

A entrevista com o especialista em Odontogeriatria, Eduardo Hebling, apresenta um pouco mais sobre a doença de Parkinson e a sua relação com a saúde bucal.


 

O mal de Parkinson – doença degenerativa progressiva crônica do sistema nervoso central e com avanço lento – está presente em todas as regiões do globo, atingindo homens e mulheres de todas as raças e de todas as classes socioeconômicas. Dados estatísticos mostram que de 7 a 10 milhões de pessoas no mundo sofrem com a presença da doença. Por: Vanessa Navarro

Odonto Magazine – O que o cirurgião-dentista precisa saber sobre essa doença neurológica que causa a degeneração das células situadas na região do cérebro chamada substância negra?
Eduardo Hebling – A doença de Parkinson (DP) é uma patologia neurodegenerativa lenta, progressiva e irreversível, até o presente momento, do sistema nervoso central. Foi descrita, pela primeira vez, em 1817, por James Parkinson, que a denominou de paralisia templorosa e, posteriormente, a doença levaria o seu nome. Essa doença é idiopática, ou seja, sua etiologia é desconhecida.
A doença é caracterizada pela degeneração e morte progressivas dos neurônios situados na região do cérebro denominada de substância negra (base do mesencéfalo), resultando em uma diminuição do neurotransmissor Dopamina, envolvido na transmissão dos sinais nervosos, no controle de movimentos, no aprendizado, no humor, nas emoções, na cognição, no sono e na memória. Essa diminuição da Dopamina nos núcleos basais dos neurônios produz uma disfunção na regularização das principais estruturas cerebrais implicadas no controle dos movimentos.
Essas alterações motoras estão relacionadas com a diminuição da secreção da Dopamina pelos centros dopaminérgicos e por um aumento da atividade das vias da Acetilcolina, outro neurotransmissor, responsável, sobretudo, pela contração muscular.
A DP é caracterizada pela combinação de três sinais e sintomas clássicos: tremor de repouso, bradicinesia (lentidão anormal dos movimentos) e rigidez muscular.
Além desses sinais e sintomas, o paciente pode também apresentar: micrografia (redução do tamanho das letras na escrita), instabilidade postural (dificuldade em manter-se em pé), alterações na marcha (há dificuldade em iniciar e parar a marcha, e as mudanças de direção são custosas, com numerosos pequenos passos), postura encurvada para frente, deterioração da fluência da fala (gagueira), depressão e ansiedade, dificuldades de aprendizagem, insônias, perda do sentido do olfato (o que diminui o apetite, podendo levar a fragilidade).

Odonto Magazine – Após o aparecimento dos sintomas, quais são as expectativas em relação à progressão da doença?
Eduardo Hebling – Após o aparecimento dos sintomas, o curso da doença é progressivo ao longo de 10 a 25 anos. O agravamento da doença pode levar a alterações no humor, a depressão e, em cerca de 10% dos casos, a demência. As pessoas com DP não morrem por serem portadoras da doença, mas devido às consequências da evolução desta, pois o paciente fica fragilizado e predisposto a outras patologias, como a pneumonia de aspiração (o fraco controle dos músculos pode predispor à deglutição de restos alimentares para os pulmões) e outras infecções, devido à imobilidade.
O diagnóstico médico é realizado pelo exame clínico, com a detecção dos sinais característicos e testes musculares e de reflexos. Normalmente, não há alterações em exames, como a tomografia computadorizada cerebral, eletroencefalograma ou na composição do líquido cefalorraquidiano. Técnicas da Medicina Nuclear, como SPECTs e PETs podem ser úteis para avaliar o metabolismo dos neurónios dos núcleos basais.
Na DP, a degeneração neuronal afeta vários grupos de neurônios no sistema nervoso central, sobretudo, os neurônios dopaminérgicos da pars compacta da substância negra. A perda celular nesse núcleo é acentuada, chegando a uma redução de 60-80% do número normal de células nervosas, quando a doença se manifesta de maneira inequívoca. Essas células dopaminérgicas, especialmente susceptíveis, dão origem à via nigroestriatal. Os corpos celulares na substância negra projetam os seus axônios diretamente ao estriado, onde liberam dopamina, como neurotransmissor. Há uma correlação nítida entre a perda de dopamina no estriado e os sintomas motores da síndrome parkinsoniana, especialmente com a bradicinesia.
Além da degeneração acentuada da substância negra, a perda celular ocorre em vários outros núcleos subcorticais do sistema nervoso central e, inclusive, no sistema autonômico periférico. Nas fases avançadas da doença, há alterações no córtex cerebral. Essas anormalidades patológicas justificam a observação de que os pacientes com DP apresentam muitas outras manifestações clínicas não motoras, como: constipação intestinal, urgência miccional, impotência sexual, sudorese excessiva, hipersonolência diurna, insônia, outros distúrbios do sono (distúrbio comportamental do sono REM), depressão, ansiedade, perda cognitiva, demência, apatia, delírios e alucinações e dermatite seborreica. Assim, muitos outros problemas clínicos irão se apresentar durante o curso da doença. Nas fases avançadas, as alterações cognitivas assumem uma importância até maior que os próprios problemas motores.
A história familiar positiva é um fator que eleva o risco para o desenvolvimento da doença, indicando uma predisposição genética.

Odonto Magazine – Como e em qual estágio a doença de Parkinson pode interferir na saúde bucal?
Eduardo Hebling – A DP pode ser classificada nos seguintes estágios (Escala de Hoehn & Yahr, 1967): 0= ausência de doença; 1= presença de sintomas motores apenas; 2= sintomas motores bilaterais; 3= sintomas bilaterais e moderada instabilidade postural, paciente é independente; 4= incapacidade funcional grave, ainda fica em pé e anda com ajuda; 5= restrito ao leito e à cadeira de rodas.
Até o estágio 3, o paciente pode ser atendido, normalmente, no ambiente ambulatorial do consultório. Nos estágios 4 e 5, por vezes, o paciente necessitará de atendimento domiciliário ou, em casos que exijam maiores intervenções, de atendimento hospitalar.
As consultas devem ser planejadas previamente, de forma a serem eficientes, eficazes e de curta duração. O melhor período de atendimento é pela manhã, cerca de 1,5 horas após o uso da medicação para a doença. O uso de mordedores ou pinças pode facilitar a abertura e o controle dos movimentos da boca.
O uso de isolamento absoluto com lençol de borracha pode prevenir a deglutição involuntária de restos de restaurações ou de água das canetas. O sugador de alta potência deve ser sempre utilizado, para prevenir engasgos, bem como o uso de dois sugadores, para o isolamento absoluto, sendo um posicionado de forma constante abaixo do lençol de borracha. O paciente deve ser sentado em posição semissupina, posicionado com o encosto da cadeira reclinado em torno de 450 em relação ao solo e com o conjunto da cadeira em posição mais baixa, de modo a prevenir a hipotensão postural e permitir uma postura de trabalho mais ergonômica da equipe de atendimento. O trabalho em equipe, com uso de técnicas de trabalho de quatro a seis mãos (uma a duas auxiliares), deve ser priorizado para que o atendimento seja realizado com eficiência e qualidade. Almofadas ou rolos de campos de tecido podem ser utilizados para apoiar os braços, pernas e pescoço do paciente com movimentos involuntários. Para pacientes idosos, o uso de mantas ou cobertores pode permitir um controle da temperatura corporal em salas climatizadas com uso de aparelhos de ar condicionado ou em regiões de temperatura fria.
O controle dos sinais vitais deve ser aferido antes, durante e depois de cada intervenção. Estando o paciente com sinais vitais controlados e com frequência respiratória adequada, todos os tipos de procedimentos odontológicos podem ser realizados.

Odonto Magazine – Como o dentista pode orientar o paciente e a família na questão da prevenção das doenças bucais?
Eduardo Hebling – O planejamento do atendimento odontológico desses pacientes deve considerar o estágio e a evolução da doença. Para cada paciente, medidas individualizadas podem ser propostas para cuidados de reabilitação (com escolha de procedimentos mais simples, de menor complexidade técnica), cuidados paliativos (para os casos avançados da doença) e cuidados preventivos. O envolvimento do paciente (enquanto se mantiver o domínio cognitivo), dos familiares e dos cuidadores é fundamental para o sucesso do tratamento, tanto das doenças bucais quanto da DP. Consultas rotineiras de avaliação da condição de saúde bucal devem ser realizadas, bem como a instituição de medidas preventivas para o controle e prevenção das principais doenças bucais, a doença cárie (sobretudo, a cárie radicular) e as doenças periodontais. O aprimoramento dos conhecimentos sobre cuidados bucais dos familiares e cuidadores é essencial nesse contexto.

Odonto Magazine – Qual é a relação da doença de Parkinson com uma possível disfagia, que pode ocorrer em até 50% dos casos?
Eduardo Hebling – A disfagia, ou seja, a alteração da deglutição que dificulta a formação e o transporte do bolo alimentar, bem como da saliva, da boca para o estômago, é um dos sinais de alterações neurológicas, como é o caso da Doença de Parkinson. O processo da deglutição requer a coordenação de seis nervos cranianos, do tronco cerebral, do córtex e de 26 músculos da boca, faringe e esôfago. Os nervos cranianos que participam da deglutição são o trigêmeo (V par), o facial (VII par), o glossofaríngeo (IX par), o vago (X par), o acessório (XI par) e o hipoglosso (XII par). Os nervos sensoriais levam o estímulo até o cérebro. Os músculos que participam da deglutição recebem os impulsos mandados pelo córtex. O tronco cerebral é responsável pela organização e decisão da deglutição. Ele decide se a deglutição é necessária ou não, inibe todos os movimentos desnecessários quando existe a decisão para deglutir e ativa os reflexos. Quando todos os processos para a deglutição forem elaborados, ela ocorre de forma automática, sem decisões voluntárias. Na DP, a disfagia está associada às desordens neuromusculares, com alterações na musculatura ou na sensibilidade do processo de deglutição. Mesmo ocorrendo a hipossalivação induzida pela medicação para a DP, a dificuldade de deglutição pode gerar o acúmulo de saliva na cavidade oral do paciente, fazendo com que ele babe pelos cantos da boca ou induza a movimentos de engasgos. Essa dificuldade de deglutição pode reduzir a adesão a uma dieta correta, podendo levar a uma fragilidade do paciente, ou pode, ainda, induzir a aspiração de alimentos, causando até a morte do paciente. A atuação conjunta com fonoaudiólogos, aplicando exercícios específicos para estimular a musculatura, e de nutricionistas, indicando uma dieta correta de alimentos fáceis de serem deglutidos e ricos em recursos energéticos, pode prevenir essas ocorrências.

Odonto Magazine – A bradicinesia é um fator comum em pacientes que sofrem com a doença de Parkinson, e, frequentemente, envolve a musculatura orofacial. Quando o dentista deve perceber a interferência dessa hesitação do movimento e como definir o tratamento adequado?
Eduardo Hebling – Os testes de diagnóstico da bradicinesia, mencionados anteriormente, podem identificar esse sinal da doença.
O uso de medicação específica (principalmente a levodopa) minimiza esses efeitos. A terapia conjunta com fonoaudiólogos pode reduzir esses efeitos na musculatura facial do paciente.

Odonto Magazine – Existe algum tipo de capacitação e/ou treinamento para o cirurgião-dentista responsável pelo tratamento bucal de pessoas portadoras do mal Parkinson, segunda doença neurodegenerativa mais comum, depois da doença de Alzheimer?
Eduardo Hebling – Sim, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) do Brasil reconhece duas possíveis especialidades para o atendimento de pacientes portadores de DP: o especialista em Pacientes com Necessidades Especiais (principalmente para os casos precoces da doença, em pacientes com idade abaixo de 50 anos) e o especialista em Odontogeriatria (para a maioria dos pacientes portadores de doenças neurodegenerativas, com as doenças de Alzheimer e de Parkinson, com idade acima dos 60 anos). O Brasil é um dos países pioneiros no reconhecimento dessas especialidades. Muitos países desenvolvidos, com é o caso dos EUA, ainda não conseguiram o reconhecimento dessas especialidades. O reconhecimento de uma especialidade é importante para estimular a busca de conhecimentos específicos e para capacitar profissionais para o atendimento e prevenção das doenças bucais nessa população.

Odonto Magazine – Existe um protocolo de atendimento odontológico determinado por autoridades em saúde bucal para os pacientes portadores da doença de Parkinson?
Eduardo Hebling – Protocolos de atendimento odontológico para pacientes portadores de DP são estabelecidos na literatura científica, mas não ainda por órgãos e entidades representativas da Odontologia no Brasil. A Câmara Técnica de Odontogeriatria do Conselho Regional de Odontologia do Estado de São Paulo (CROSP), da qual faço parte, tem iniciado a elaboração de protocolos de atendimento para diversas morbidades que afetam os idosos e exigem manejos odontológicos específicos.
Contudo, a elaboração desses protocolos é abrangente e detalhista, o que faz com que esse processo seja moroso e demore a ser posto em prática. Por isso, o processo de educação continuada por parte de todos os profissionais que atuam com pacientes idosos é fundamental para se obter tais conhecimentos. A realização de uma anamnese bem elaborada e direcionada para detectar as várias alterações ou doenças sistêmicas que podem ocorrer em pacientes idosos, permite o diagnóstico e previne as possíveis dificuldades de tratamento desses pacientes. Não é incomum que o cirurgião-dentista seja o primeiro profissional a detectar os sinais da DP em pacientes, alertando-os ou a seus familiares sobre a presença da doença.

Odonto Magazine – Como o cirurgião-dentista pode auxiliar as questões psicológicas apresentadas pelos pacientes vítimas deste mal?
Eduardo Hebling – O tratamento multidisciplinar é fundamental para o controle da doença e manutenção da saúde e qualidade de vida do paciente. A ajuda de um psicólogo pode aliviar os sinais de depressão, quando necessário. O cirurgião-dentista, que atuará nessa equipe, pode trocar informações com os vários profissionais envolvidos sobre as condições de saúde do paciente, bem como orientar a família na busca de profissionais específicos e qualificados, sejam médicos, fonoaudiólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos. Como profissional de saúde, o cirurgião-dentista deve estimular o paciente, cuidadores e familiares na adesão aos tratamentos propostos.

Odonto Magazine – Quais são os passos a serem seguidos pelo cirurgião-dentista para realizar um atendimento de qualidade junto aos outros profissionais de saúde?
Eduardo Hebling – O cirurgião-dentista que atuará na equipe multidisciplinar de atendimento do paciente portador de DP deve interagir com os demais profissionais de saúde, trocando informações de saúde e estimulando o paciente e seus cuidadores ou familiares a aderirem às recomendações de cada profissional. Em relação aos médicos (neurologistas ou psiquiatras), o profissional de saúde bucal deve estar atento na identificação dos principais efeitos colaterais da medicação (hipossalivação, aumento da bradicinesia, hipotensão ortostática, entre outras) que afetam nos cuidados e manejo do paciente.
A comunicação entre esses profissionais pode permitir a troca de alguns fármacos, refletindo em menores efeitos colaterais, facilitando o tratamento e a manutenção da qualidade de vida do paciente.

Odonto Magazine – Como o cirurgião-dentista deve proceder, caso surja à necessidade de uma intervenção odontológica mais invasiva?
Eduardo Hebling – Para os casos avançados da doença que exijam intervenções odontológicas mais invasivas, o atendimento hospitalar deve ser realizado. Para tanto, os profissionais que não estiverem inseridos em um quadro clínico de hospital, podem atuar em conjunto com a equipe de Odontologia Hospitalar ou de especialistas em Bucomaxilofacial. Esses profissionais, em conjunto com a equipe médica de anestesistas do hospital, poderão intervir na melhor logística para o atendimento do paciente.

Odonto Magazine – Como o profissional de saúde bucal deve agir para auxiliar na qualidade de vida do paciente portador da doença de Parkinson?
Eduardo Hebling – A qualidade de vida do paciente portador de DP é prejudicada pela perda dentária ou impossibilidade de uso de próteses removíveis. Na prevenção da perda dentária, é fundamental o controle rotineiro dos agentes etiológicos e dos fatores predisponentes para as principais doenças bucais, a doença cárie e as doenças periodontais. A redução e controle do biofilme bacteriano pelo paciente ou seus cuidadores pode ser realizada com uso de escovas elétricas, de escovas com os cabos modificados (para facilitar a apreensão da mesma pelo paciente), de furquilhas (para o uso do fio dental) e de aplicações de antissépticos bucais na forma de spray. O uso de bochechos e de aparelhos de irrigação pode ser contraindicado em casos mais avançados da doença, devido à dificuldade de controle da deglutição, podendo levar a complicações de aspiração involuntária dos produtos. A profilaxia profissional e o uso de substâncias fluoretadas, na forma de gel ou verniz, por parte do profissional, e de dentifrício com alta concentração de flúor (5.000 ppm, confeccionado em farmácia de manipulação), por parte do paciente, são medidas a serem realizadas de forma rotineira ou periódica, dependendo do risco apresentado pelo paciente. Em casos avançados da doença, onde a incapacidade de locomoção a um consultório dentário pode ocorrer, o atendimento domiciliário pode ser realizado pelos profissionais capacitados. Em casos de intervenções odontológicas maiores, o atendimento hospitalar deve ser escolhido.
A hipossalivação induzida pela terapia medicamentosa da doença, a qual pode predispor às doenças bucais e à falta de retenção de próteses removíveis, pode ser controlada pelo uso de substitutos salivares em spray e pelo estímulo da ingestão de água. A falta de retenção de próteses removíveis pode ser prevenida com uso de adesivos ou pela inserção de implantes osseointegrados e de sistemas de retenção de próteses, nos estágios iniciais da doença. Nos portadores dessas próteses (parciais ou totais) sem sistemas de retenção, com o avanço da doença, é frequente a recomendação de não uso das mesmas, para evitar possíveis acidentes nos pacientes, gerando dificuldades mastigatórias, fonatórias e sociais, prejudicando a qualidade de vida e podendo levar a quadros de fragilidade.

Odonto Magazine – Por se tratar de uma doença hereditária, engana-se o profissional de saúde bucal que pensa que o Parkinson acomete apenas os idosos. Os jovens também podem apresentar os sintomas negativos trazidos pela enfermidade. Os cirurgiões-dentistas brasileiros, independentemente da especialidade, estão preparados para o iminente crescimento do número de casos de pessoas portadoras de tal mal?
Eduardo Hebling – A história familiar positiva é um fator que eleva o risco para o desenvolvimento da doença, indicando uma predisposição genética. Embora existam famílias com grande concentração de casos de parkinsonismo, a grande maioria não apresenta história familiar positiva ou o número de parentes afetados é muito pequeno. Os avanços recentes nas técnicas de genética molecular permitiram a busca por genes associados com a doença. Em 1997, foi identificado em uma família greco-italiana o primeiro gene responsável pelo aparecimento de um de tipo de parkinsonismo familiar com herança autossômica dominante que foi designado PARK1.
Pouco tempo depois, foi identificado o PARK2, responsável pelo aparecimento de um parkinsonismo juvenil ou precoce (antes dos 21 anos de idade) com herança autossômica recessiva. Até o presente momento, a lista de genes associados aos casos de parkinsonismo familiar chegou ao PARK15.
Entretanto, apenas as mutações nos genes da PARK5, PARK7 e PARK8 já foram identificadas. Essas formas de parkinsonismo genético são chamadas de monogênicas, porque dependem de anormalidades em apenas um gene. Análises realizadas em população de pacientes com doença de Parkinson demonstraram que uma pequena porcentagem de pessoas era portadora dessas mutações. Atualmente, os achados genéticos indicam uma teoria que a maioria dos pacientes tenha uma causa poligênica para a sua doença.
Os cirurgiões-dentistas devem apresentar conhecimento da doença, seus sinais e sintomas, sua evolução e sua interação com a saúde bucal do paciente, desenvolvendo as técnicas de manejo adequadas na prevenção e tratamento das doenças bucais e interagindo com os demais profissionais de saúde, familiares e cuidadores, que suportam a rede de saúde e social na terapia e controle da doença. Para tanto, a educação continuada é fundamental, com a participação de cursos e palestras sobre o assunto e/ou no desenvolvimento de capacitação ampliada, em cursos de especialização em Odontogeriatria, por exemplo.

Cuidados bucais aos portadores da síndrome de Down

Hoje, no Brasil, mais de 300 mil pessoas são portadoras da síndrome de Down. A entrevista com a cirurgiã-dentista Dra. Jane Sanchez apresenta um pouco mais do universo destes pacientes tão especiais.
entrevista 1024

Por: Vanessa Navarro

Odonto Magazine – A síndrome de Down é, dentre as anomalias genéticas, a de maior ocorrência. Existe um protocolo de atendimento definido pelas autoridades odontológicas para pacientes portadores de tal síndrome?
Jane Sanchez – A síndrome de Down foi descrita em 1866, pelo médico britânico John Haydon Down, que atribuiu à síndrome o termo mongolismo, devido à semelhança física com pessoas que habitavam a Mongólia. Entre tais semelhanças, estavam: a pequena prega no canto interno das pálpebras, a inclinação para cima das fendas palpebrais e o achatamento dos molares.
Em 1959, o cientista francês Jerome Lejeune demonstrou que a síndrome de Down era causada pela presença de um cromossomo extra do par 21, o que permitiu a sua denominação também como síndrome da trissomia do cromossomo 21.
As alterações sistêmicas e anatômicas da síndrome, incluem: hi-potonia muscular, desenvolvimento neuropsicomotor retardado, cardiopatia congênita, atresia duodenal, leucemia, entre outras.
Dentre as características faciais e orais, temos: menor crescimento crânio facial; menor número de cáries dentárias; e uma maior susceptibilidade à doença periodontal; possuem uma macroglossia relativa, devido ao pequeno espaço encontrado para o posicionamento da língua.
A incidência da síndrome de Down é de 1:800 nascimentos. Segundo dados do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), o número de casos no país supera os 300 mil.
Encontramos várias publicações de propostas de protocolo para atendimento aos pacientes com necessidades especiais.
Em 2010, o Conselho Regional DE Odontologia do DF e a Secretaria de Estado de Saúde criaram uma Comissão para Atendimento Odontológico ao Paciente com Necessidades Especiais e elaboraram um protocolo de atendimento, que pode ser encontrado em http://www.stdweb.com.br/stdweb/imagensCRO-DF/protocolo_final.pdf.
Este manual é muito interessante, pois auxilia o cirurgião-dentista na questão do atendimento, além de informar sobre a documentação do paciente.
Em 2012, um grupo de especialistas elaborou as Diretrizes para a Atenção à Pessoa com Síndrome de Down. Pela primeira vez, o Ministério da Saúde se mobilizou para estabelecer condutas para atendimento desse grupo populacional. Tais condutas estão disponíveis em: http://pt.scribd.com/doc/137474123/Diretrizes-Cuidados-Sindrome-Down.

Odonto Magazine – Algumas manifestações sistêmicas, como o funcionamento da glândula da tireoide, podem causar modificações no quadro de saúde bucal dos pacientes com síndrome de Down. Quais são as principais alterações sistêmicas? Como tais manifestações podem interferir na saúde bucal?
Jane Sanchez – O hipotireoidismo, o diabetes mellitus, a hepatite crônica ativa são alguns exemplos de patologias autoimunes, cuja incidência está aumentada nesses pacientes.
A prevalência de doenças da glândula tireoide em pacientes com síndrome de Down é alta. O hipotireoidismo é mais comum nestes pacientes. Os sinais e sintomas do hipotireoidismo, são: diminuição dos reflexos, pele seca, retardo no desenvolvimento intelectual e músculo esquelético, queda de cabelo, sonolência, aumento de peso, colesterol elevado, etc. Tais alterações podem interferir na saúde bucal, visto que interferem na saúde geral do paciente.
O diabetes mellitus, também frequente nestes pacientes, requer todos os cuidados inerentes aos pacientes com a patologia.

Odonto Magazine – Quais são as manifestações orais mais apre-sentadas pelos pacientes portadores da síndrome de Down?
Jane Sanchez – As manifestações orais na síndrome de Down incluem: mandíbula e cavidade bucal pequena, palato estreito alto e ogival, macroglossia relativa e língua geográfica. É comum a postura da língua aberta, devido a uma nasofaringe estreita, tonsilas e adenoide hipertrofiada. A protrusão da língua e a respiração bucal frequente resultam em secura e fissura dos lábios.
Na região das comissuras labiais, podemos observar a presença de queilite angular, devido à dificuldade do indivíduo em fechar a boca. A dentição apresenta anomalias características, e a doença periodontal é prevalente. Dentre as anomalias dentais, as mais frequentes referem-se à oligodontia, microdontia, hipodontia, fusão e taurodontia.
A hipodontia ocorre nas duas dentições e a microdontia é a mais prevalecente das alterações observadas. As anomalias dentárias de desenvolvimento, como as malformações coronárias e radiculares, também são comuns. Desarmonias oclusais, mordidas cruzadas posteriores, apertognatia e apinhamento pronunciado dos dentes são habituais nestes pacientes.

Odonto Magazine – Os pacientes com síndrome de Down, nor-malmente, apresentam algum tipo de alteração na composição salivar. Como esta modificação pode influenciar na saúde bucal geral?
Jane Sanchez – O fluxo salivar de pacientes com síndrome de Down é, em média, 50% menor do que em crianças normais. Esta redução está vinculada, preferencialmente, ao metabolismo da glândula parótida. Além disso, o pH salivar é mais alto, assim como os níveis de sódio, cálcio e bicarbonato. Consequentemente, a capacidade tampão também é elevada, o que acarreta uma baixa incidência de cárie.

 

Odonto Magazine – Qual é a importância da abordagem no atendimento do bebê com síndrome de Down nos primeiros seis meses?
Jane Sanchez – É muito importante examinar a cavidade bucal e detectar, precocemente, alguns problemas de saúde, propiciar a identificação e a intervenção prematura acerca de problemas, tais como: o desmame precoce, a anquiloglossia e as doenças bucais da primeira infância. Alertar quanto à erupção tardia dos dentes decíduos e a higiene, que deve começar antes da erupção, na cavidade bucal.
Uma alimentação adequada – do ponto de vista de consistência e qualidade – e o fracionamento das refeições têm influência direta na saúde oral.
A adoção de hábitos alimentares saudáveis na infância contribui para o bom crescimento, desenvolvimento e prevenção de doenças, portanto, é de fundamental importância detectar, precocemente, os erros alimentares, devido à repercussão na saúde oral e no estado nutricional.

Odonto Magazine – Alguns estudos apontam os benefícios do uso da toxina botulínica em determinados tratamentos odontológicos. Como a prática pode ser aplicada no caso de pacientes portadores da síndrome de Down?
Jane Sanchez – O uso da toxina botulínica para o controle do bruxismo nos pacientes que inviabilizam a utilização da placa miorrelaxante pode ser muito interessante, pois deve minimizar os efeitos do hábito de ranger os dentes neste grupo de pacientes.
Ao aplicar a toxina no masseter, a tensão diminui. Assim, o tecido não tem força suficiente para promover o atrito entre os dentes, capaz de causar desgaste.
A toxina bloqueia a liberação de acetilcolina, neurotransmissor que transporta mensagens entre o cérebro e as fibras musculares. Sem ordens para se movimentar, o tecido relaxa e, quando sua tensão está por trás de tormentos, eles vão embora por, pelo menos, seis meses.
A toxina botulínica começa a atuar quatro dias depois da aplicação, e sua ação diminui com o passar do tempo.
A vantagem desse recurso terapêutico é apresentar um resultado eficaz e rápido, sem quase nenhuma contraindicação. Somente os intolerantes à lactose precisam evitá-lo, pois o açúcar do leite serve como uma espécie de veículo para a droga.

Odonto Magazine – Qual é a importância do bom relacionamento do cirurgião-dentista com a equipe multidisciplinar envolvida no cuidado ao paciente com síndrome de Down?
Jane Sanchez – Alguns serviços de cuidado e estimulação voltados para pessoas com síndrome de Down oferecem atendimento de uma equipe terapêutica essencial, constituída por: fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, educador físico, nutricionista, pedagogo, além de uma equipe de apoio, composta por: médico, enfermeiro, dentista e assistente social. A equipe terapêutica deve atuar, semanalmente, junto ao paciente e sua família; e a equipe de apoio com periodicidade mensal, bimestral ou semestral.
É muito importante que estes profissionais estejam afinados e em constante contato, para que possam contribuir para a qualidade de vida do paciente com síndrome de Down e de seus familiares.

Odonto Magazine – Quais são os cuidados que devem ser tomados quando existe a necessidade de contenção física?
Jane Sanchez – É necessária a investigação da presença de frouxidão ligamentar atlanto-axial, previamente ao uso de con-tenção física. Quando presente, esta alteração contraindica o uso da técnica de contenção, devido ao risco de ocasionar lesões à coluna vertebral.
A analgesia inalatória é obtida por meio do óxido nitroso (O2 / N2 O) e foi descoberta, em 1844, por um cirurgião-dentista norte americano chamado Horace Wells.
No início era aplicada apenas com óxido (N2 O), para o controle da dor com a finalidade de anestesia, porém, foi identificado que, se utilizada em maior dose de gás puro, pode causar um grande risco ao paciente, deixando-o em um estado de inconsciência. Devido a este fator, esta técnica foi aprimorada e, atualmente, está empregada associada ao oxigênio (O2), com a finalidade principal de efeito relaxante e não com objetivo de anestésico. É utilizada em associação do anestésico local, a fim de obter o efeito desejado, tornando-se um excelente coadjuvante das técnicas de condicionamento psicológico.
A sedação inalatória consciente com a mistura de N2O/O2 (óxido nitroso/ oxigênio) apresenta significativas vantagens em relação a outras vias de administração, sendo, atualmente, a técnica de sedação consciente mais segura para controle do medo e ansiedade. O fato se deve a ação rápida e, consequentemente, eliminação. Este procedimento é utilizado após o condicionamento psicológico.
É indispensável o conhecimento de toda a patologia que envolve o paciente com síndrome de Down, para que seja feita a medicação consciente e eficaz nos momentos que requerem a intervenção do profissional da Odontologia.
Faz-se necessário, o perfeito entrosamento entre o médico e o dentista, para garantirmos a saúde e a qualidade de vida de nosso paciente.
Os pacientes portadores da síndrome de Down podem ser cardiopatas, diabéticos, hipertensos ou podem não apresentar nenhuma destas patologias. Cabe aos profissionais envolvidos, partilharem informações importantes para o cuidado necessário.

Odonto Magazine – Como a questão da qualidade de vida deve ser trabalhada pelos profissionais de saúde bucal junto aos pacientes portadores da síndrome?
Jane Sanchez – A discriminação contra as pessoas portadoras de síndrome de Down e as suas famílias, infelizmente, existe. Eles enfrentam, muitas vezes, o estigma, a segregação, a violência física e psicológica e a falta de igualdade de oportunidades.
O cirurgião-dentista deve garantir a saúde bucal aos pacientes por meio de ações preventivas e direcionadas aos cuidadores. Devem dar a oportunidade de cuidados estéticos, para que a autoestima seja sempre cultivada. Ela é essencial para este grupo de pacientes.
Os cuidadores e familiares dos pacientes com síndrome de Down perceberam que o melhor para todos é não escondê-los da sociedade, como muitos fizeram no passado, pois, quanto mais estes indivíduos forem vistos e conviverem com a população em geral, mais fácil será superar o preconceito.

Odonto Magazine – Como o profissional de saúde bucal deve agir para buscar capacitação e/ou treinamento no segmento de cuidados odontológicos aos pacientes portadores de síndrome de Down?
Jane Sanchez – Em todo o Brasil, temos cursos de especialização oferecidos aos cirurgiões-dentistas.
O curso de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais, reconhecido pelo Conselho Federal de Odontologia – CFO, tem por objetivo o diagnóstico, a preservação, o tratamento e o controle dos problemas de saúde bucal dos pacientes que apresentam uma complexidade no seu sistema biológico e/ou psicológico, e/ou social, bem como percepção e atuação dentro de uma estrutura interdisciplinar com outros profissionais de saúde e áreas correlatas com o paciente.

Entenda o que é saburra lingual

 

Saburra lingual

A saburra se forma quando ocorre um aumento de certa proteína na saliva, chamada mucina. O aumento de mucina na saliva pode ocorrer por “stress” excessivo ou por abaixamento da produção de saliva (fluxo salivar baixo). A redução do fluxo salivar pode acontecer por diversas causas, sendo as mais freqüentes o próprio “stress” e o uso de medicamentos controlados (tarja preta) e outros medicamentos que como efeito colateral que também diminui a produção de saliva.

Nesta situação, quanto maior a descamação das células da boca maior a produção de odor pelos microorganismos da saburra.

Um indivíduo com salivação normal não deve formar saburra.

Indivíduo Normal

IMG_5302

 

 

 

Língua sem Saburra

Salivação Normal de um Indivíduo sem Saburra

A aparência da saburra varia de indivíduo para indivíduo, podendo variar de esbranquiçada, gosmenta ou amarelada, podendo se localizar sobre a língua toda ou somente na parte de trás da língua.

Sempre que houver saburra sobre a língua, o primeiro passo será removê-la com um limpador lingual adequado. Existem vários modelos de limpador lingual, os melhores são os que permitem uma boa limpeza na parte de trás da língua, onde sempre se forma maior quantidade de saburra.

IMG_5299 IMG_5312

Língua Saburrosa Antes e Depois da Limpeza

 

 

Após a limpeza da língua com o limpador lingual estamos no melhor momento para a aplicação de um bom enxaguante, entendendo-se como bom enxaguante aqueles próprios para o tratamento de mau hálito.

Fonte:Cartilha do bom hálito

Dra Olinda Tárzia

Veja as perguntas mais frequentes sobre mau hálito

PERGUNTAS MAIS FREQUENTES SOBRE MAU HÁLITO

Como saber se tenho mau hálito e se preciso de tratamento de halitose?
A melhor forma é perguntar a um familiar ou um amigo de confiança se o seu hálito está alterado ou costuma ser forte. Caso você identifique o problema ou caso você se sinta constrangido a pedir a alguém que o avalie, pode procurar um dentista para que este possa ajudá-lo no diagnóstico e no tratamento da halitose.

Por que o quem tem halitose não sente o seu próprio mau hálito?
Como o odor passa a ser constante, o nariz entra em processo de fadiga olfatória. Isso faz com que a pessoa se acostume com o mau cheiro e passe a não senti-lo mais.

O mau hálito está relacionado a problemas no estomago?
Diversas pesquisas afirmam que apenas 1% das causas da Halitose está associada a problemas gástricos.

Por que longos períodos em jejum causa mau hálito?
Quando o nível de açúcar cai na corrente sanguínea, o organismo entra em hipoglicemia e começa a queimar gordura. Nesse processo é produzido um gás de cheiro desagradável, levando ao mau hálito.

É normal ter mau hálito de manhã?
Sim. Além da hipoglicemia ocasionada por horas sem comer, a pessoa fica com a boca fechada a noite toda, quadro que leva à descamação da boca, redução do fluxo salivar e consequente aumento da saburra lingual. A situação é ainda pior para quem sofre de apneia ou respira pela boca por outro motivo. Após a higiene dos dentes e da língua (com limpador lingual) e após a primeira refeição (café da manhã), a halitose matinal deve desaparecer. Caso isso não aconteça, podemos considerar que o indivíduo tem mau hálito.

Quem são os pacientes com maior tendência a halitose?
Respiradores bucais, pacientes com sangramento gengival (doença periodontal), saburra lingual, alterações sistêmicas (por exemplo diabetes, doenças hepáticas, etc), em dieta ou ainda aqueles que apresentam baixo fluxo salivar.

Como é feito o diagnóstico da halitose?
Chega-se ao diagnóstico através de uma série de perguntas, envolvendo o histórico médico e odontológico, hábitos alimentares, estado emocional, etc. Existem alguns exames como a halimetria (medida dos CSV, através de aparelhos específicos como o Halimeter ou o Oralchroma), sialometria (medida do fluxo e avaliação da qualidade da saliva).

O que é a saburra lingual?
A saburra é uma placa bacteriana que se instala sobre a língua,quando as condições da pessoa favorecem a aderência de microorganismos, muitos dos quais são patogênicos e também produtores de odores desagradáveis. É uma película composta de células descamadas, bactérias e detritos alimentares que aderem à superfície da língua. Ela é responsável por grande parte das halitoses. O grande desafio é saber por que ela está se formando, pois mesmo realizando limpeza correta da língua, alguns pacientes poderão continuar apresentando formação acentuada.

Via Sobrehali

Dúvidas? procure-nos  odontoshbutanta@uol.com.br

Somos credenciados CETH – Dra Renata Ramos

 

Mau Hálito – Saiba mais sobre este assunto

Halitose

Mais conhecida por mau hálito, a halitose é muito comum na população. As causas são diversas, mas sabe-se que 80-90% dos casos têm origem bucal.

Causas de origem bucal

As bactérias presentes na boca são capazes de produzir compostos com odor desagradável. Se a higiene oral for feita de forma incorreta, essas bactérias se proliferam descontroladamente e produzem grandes quantidades desses compostos, gerando o mau hálito. Esses compostos têm em comum a presença do enxofre, que é o componente responsável pelo odor desagradável. A língua também merece destaque, pois quando não a higienizamos corretamente ocorre o acúmulo de resíduos e células mortas, isso resulta em uma placa branca-amarelada no dorso da língua. Essa placa é conhecida como saburra lingual, que é um meio ideal para a proliferação bacteriana capazes de produzir compostos sulfurados. As doenças das gengivas (gengivite e periodontite) também são associadas à higiene deficiente e, portanto, geram o mau hálito. Produtos corretos e higienização adequada podem ser grandes aliados na prevenção da halitose.

Causas com origem nas vias aéreas

As amídalas, por ter uma superfície com reentrâncias, favorecem o acúmulo de cáseos amigdalianos, que são acúmulos de restos mal cheirosos. Os cáseos amigdalianos podem ser expelidos durante a fala, tosse ou espirros.

Outras causas

Existem outras origens da halitose como diabetes, problemas no pulmão, intestino ou rins, fumo, deficiência de vitamina A e D e pouca produção de saliva. Alguns medicamentos para depressão, emagrecimento e pressão alta, podem levar a alterações na saliva que favorecem o aparecimento da halitose.

Sabe-se, contudo, que a halitose não tem como causa problemas no estômago, o que muitos profissionais erroneamente ainda acreditam.

Halitose temporária

Pacientes com inflamação das amídalas e sinusopatias podem ter halitose temporária que não deve persistir após a cura da inflamação. A halitose também pode aparecer em pacientes respiradores bucais, pois a boca fica constantemente seca devido à passagem excessiva de ar e a saliva fica mais grossa o que favorece o aparecimento de odor desagradável.

Halitose matinal

É importante salientar que é absolutamente normal o mau hálito matinal. Durante a noite nosso metabolismo muda e há uma diminuição drástica da produção de saliva e da motricidade lingual. Esses dois fatores favorecem a proliferação bacteriana, já que a língua e a saliva têm também como função a auto-limpeza da cavidade oral. Além disso, nosso corpo entra em hipoglicemia, o que gera odor cetônico na boca. Todos esses fatores resultam no característico odor desagradável pela manhã, que deverá desaparecer com a correta higienização, isso é, escovação adequada e uso do fio dental. Caso isso não ocorra, o paciente deve procurar um profissional credenciado CETH.

Pacientes hospitalizados

Normalmente a halitose não traz nenhum prejuízo para a saúde das pessoas saudáveis, porém em pacientes pós-cirúrgicos ou internados em Unidades Intensivas ou Semi Intensivas normalmente ocorre maior acúmulo de bactérias na cavidade bucal uma vez que a higienização se torna dificultada. O quadro de higiene oral precária e a debilidade da saúde do paciente favorecem as infecções pulmonares e hospitalares causadas por bactérias de origem bucal, o que pode prolongar ainda mais o tempo de internação. O uso de enxaguante específico especialmente desenvolvido para esta situação pode diminuir a quantidade de bactérias patogênicas e tornar a recuperação do paciente mais rápida.
Dúvidas?Procure-nos
Somos cadastrados pela CETH -Centro de excelência no tratamento da halitose.
Dra Renata Ramos – Odontoshop Butantã