Pesquisadores da odontologia criam nova tecnologia para detectar câncer

Dentistas desenvolvem teste de saliva para o câncer de pulmão

by Dental Tribune International

LOS ANGELES. EUA: Pesquisadores da odontologia desenvolveram uma nova tecnologia que pode detectar, através da saliva, mutações características do câncer de pulmão. Em uma série de teste os pesquisadores conseguiram demonstrar que detectar tais mutações na saliva utilizando o novo método é tão eficaz quando o teste de plasma. Eles acreditam que esta pode ser uma alternativa não invasiva, com bom custo-benefício e rápida,   em relação aos testes convencionais.

Câncer de pulmão é a causa relacionada aos cânceres que mais mata no mundo. Todos os anos cerca de 1.6 milhões de pessoas morrem devido ao câncer de pulmão. (Foto: Dario Lo Presti/ Shutterstock)

A nova tecnologia, chamada de EFIRM (electric field-induced release and measurement), ou em português: Liberação e medição induzida por campo elétrico, foi desenvolvida na Universidade da Califórnia em Los Angeles. De acordo com os pesquisadores, ela permite testes rápidos da saliva para mutações do fator de crescimento da epiderme, um indicador do câncer de pulmão.

Ao contrário dos métodos convencionais de detecção, que dependem de biópsia do tecido e são invasivos, caros e demorados, o EFIRM utiliza um sensor de multiplexibilidade eletroquímica que pode detectar essas mutações genéticas diretamente nos fluidos corporais.

Em uma aplicação clínica, por exemplo, o EFIRM detectou as mutações dos genes do fator de crescimento epidérmico na saliva e plasma de 22 pacientes com câncer de pulmão indiferenciado de células não pequenas. Em um teste cego de saliva com 40 pacientes com câncer de pulmão indiferenciado de células não pequenas, os pesquisadores conseguiram praticamente os mesmos resultados que a detecção por broncoscopia.

Os resultados podem ter implicações importantes pro desenvolvimento de métodos efetivos e não invasivos para detecção prematura de câncer de pulmão. A detecção prematura aumenta consideravelmente a taxa de sobrevivência dos pacientes. O novo método poderia ser combinado com teste genético de tecido ou usado para complementar a biópsia em casos em que o tamanho do tumor é insuficiente para a extração de material genético.

O estudo intitulado “Detecção não invasiva de mutações do gene EGFR pela saliva em pacientes com câncer de pulmão” (Noninvasive Saliva-Based EGFR Gene Mutation Detection in Patients with Lung Cancer) , foi publicado na edição de novembro do Journal of Respiratory and Critical Care Medicine.