É possível sentir dor nos dentes da dentadura?

Dor associada aos dentes pode estar relacionada com outras áreas da boca, como gengivas e ossos ou com um desconforto psicológico

Os dentes da dentadura são artificiais, feitos de resina acrílica e não têm ligação direta com o sistema nervoso. Ainda assim, algumas pessoas juram sentir dor nos dentes da prótese.

 Foto: Stefan Delle / Shutterstock

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A dor nos dentes da dentadura, pode, na verdade, ser uma dor na gengiva ou consequência de fatores psicológicos
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No entanto, tendo em vista que a boca é o principal instrumento de adaptação, comunicação e sobrevivência dos indivíduos, a perda de dentes, total ou parcial, gera efeitos emocionais. “A utilização de próteses totais pode gerar certo desconforto psicológico, dificuldades de adaptação ou aceitação, bem como a vergonha de não se ter os dentes ou incômodos ao comer, que podem contribuir para um pior relato das condições de saúde bucal”, diz Valentim.

Tratamento multidisciplinar
Nestas situações, o profissional deverá ser cauteloso e minucioso durante à consulta do paciente. É importante que o cirurgião-dentista faça uma análise precisa para excluir qualquer possibilidade de outras doenças bucais que possam estar causando essa dor.

“Feito isso, ele deverá buscar por relatos, tensões e comprometimentos (emocionais, comportamentais, sociais e ambientais) do paciente que o levem à associação da sensação dolorosa com fatores psicológicos”, diz o especialista.

Para isso, um tratamento multidisciplinar pode e deve ser levado em consideração.
“Nos casos em que variáveis psicológicas podem estar relacionadas no processo de diagnóstico, tratamento e reabilitação, o tratamento do cirurgião-dentista associado ao psicólogo visará o atendimento integral do paciente a fim de garantir seu bem estar e saúde”, diz Valentim.

Remédios caseiros aliviam dor causada pela dentadura

Perder os dentes não é fácil e a adaptação com a dentadura pode não ajudar. É preciso ter paciência para a boca se acostumar com os novos dentes Foto: Shutterstock
Perder os dentes não é fácil e a adaptação com a dentadura pode não ajudar. É preciso ter paciência para a boca se acostumar com os novos dentes Nesse estágio, pode ser que a prótese fique um pouco solta e até cause feridas na gengiva. Se a prótese escorregar, a reposicione mordendo delicadamente e engolindo

 

Perder os dentes não é fácil e a adaptação com a dentadura pode não ajudar. É preciso ter paciência para a boca se acostumar com os novos dentes Foto: Shutterstock

Mesmo sem os dentes, a boca precisa ser higienizada, principalmente se há lesões. Assim, é possível se proteger contra infecções

Perder os dentes não é fácil e a adaptação com a dentadura pode não ajudar. É preciso ter paciência para a boca se acostumar com os novos dentes Foto: Shutterstock

Enxaguar a boca com água morna e sal ajuda a cuidar das feridas da boca. O sal tem características antibacterianas e cicatrizantes

Perder os dentes não é fácil e a adaptação com a dentadura pode não ajudar. É preciso ter paciência para a boca se acostumar com os novos dentes Foto: Shutterstock

Gel de aloe vera também atua para diminuir a dor na gengiva. Mas é imprescindível falar com um dentista antes de lançar mão de qualquer tratamento.

Perder os dentes não é fácil e a adaptação com a dentadura pode não ajudar. É preciso ter paciência para a boca se acostumar com os novos dentes
Perder os dentes não é fácil e a adaptação com a dentadura pode não ajudar. É preciso ter paciência para a boca se acostumar com os novos dentes
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Agência Beta

 

Gravidez: gengiva saudável evita parto prematuro

Fatores comuns durante a gravidez como alterações hormonais e dieta irregular podem agravar problemas gengivais e provocar um parto antes da hora

Problemas como a periodontite tendem a aumentar durante a gestação, tornando os cuidados com a saúde bucal imprescindíveis para evitar problemas mais sérios, como um parto prematuro.

As alterações hormonais estão entre as maiores “culpadas” do aumento da incidência de problemas bucais durante a gestação. Neste período os níveis dos hormônios progesterona e estrógeno aumentam muito, chegando a ficar cerca de 10 e 30 vezes maiores, respectivamente.

 Foto: maradonna 8888 / Shutterstock
Alterações hormonais e mesmo comportamentais tornam as inflamações nas gengivas mais comuns em gestantes, o que pode provocar até um parto prematuro

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“O alto nível de progesterona, por exemplo, aumenta a permeabilidade vascular, potencializa a inflamação e diminui a resistência dos tecidos gengivais aos desafios inflamatórios causados pelas bactérias que durante a gestação estão aumentadas e utilizam esses hormônios para sua nutrição”, diz Rosana Possobon, coordenadora do Cepae (Centro de Pesquisa e Atendimento Odontológico para Pacientes Especiais).

Porém, Rosana deixa bem claro que a gravidez não causa a doença periodontal e sim oferece condições para que quadros periodontais possam agravar-se. Isso também acontece por mudanças de hábitos. “Muitas gestantes diminuem a frequência de escovação nesta fase por causa de náuseas (algumas relatam que chegam a vomitar escovando os dentes) ou porque alegam que estão mais preocupadas com a saúde da criança do que com sua saúde oral”, diz Rosana.

Uma higienização inadequada associada ao fato de que mulheres grávidas costumam ter desejos alimentares malucos e uma certa impulsividade por comida faz com que o desenvolvimento de problemas gengivais fique ainda mais facilitado.

Risco de parto prematuro
Além do incômodo normal que uma inflamação severa na gengiva pode causar, como dores, sangramento e sensibilidade, esse problema bucal ainda pode prejudicar a formação do feto. “Há fortes evidências de que as mães com doença periodontal têm mais chances de ter filhos prematuros (abaixo de 37 semanas de gestação) e com baixo peso (inferiores a 2,5kg) e ainda desenvolver quadros de pré-eclâmpsia”, diz Rosana.

Segundo a especialista, a inflamação pode induzir a hiperirritabilidade da musculatura do útero, provocando contração e dilatação cervical, o que pode ser um gatilho para um parto prematuro.

Ir ao dentista não prejudica o bebê

 Existe uma crença de que alguns tipos de tratamentos bucais durante esse período podem prejudicar a criança. “A gestante pode se submeter a tratamentos odontológicos de forma segura desde que sejam tomados os devidos cuidados com o uso de anestésicos, que as radiografias sejam feitas com a proteção adequada e que, de preferência, tais tratamentos sejam feitos no segundo trimestre de gestação, por ser uma fase mais confortável para a gestante”, diz Rosana.

Para a especialista, as consultas ao dentista devem fazer parte da rotina de exames realizados normalmente no pré-natal. “O profissional irá orientar a futura mamãe quanto aos seus hábitos de higiene oral e dieta, além de indicar, caso necessário, alguns métodos curativos como aplicação de flúor”, diz a especialista.

Agência Beta