A saúde de uma maneira geral, em especial a saúde bucal, mudou muito nos últimos anos, e para melhor, principalmente no que diz respeito à prevenção, sendo esta prática comum a várias profissões.

Entende-se que a prevenção só ocorre quando se educa e, desse modo,se torna um instrumento de transformação social .

Em relação à odontologia, a cárie dentária, e particularmente a cárie precoce da infância, que tem uma etiologia e evolução conhecida, pode ser erradicada ou ter sua evolução controlada, ao se adotarem medidas educativas mais precocemente, através de um trabalho multidisciplinar e multiprofissional, envolvendo o odontopediatra, o pediatra e o enfermeiro materno-infantil.

Sabe-se que a orientação de hábitos de higiene, a dieta ideal e o uso racional do flúor podem contribuir para a melhor situação da saúde bucal da criança .A cárie dentária pode ser definida como um processo de dissolução do esmalte ou de dentina, causada por ação bacteriana na superfície do dente e mediado por um fluxo físico-químico de íons dissolvidos em água.

É produto direto da variação contínua do pH da cavidade bucal,sendo o resultado de sucessivos ciclos de desmineralização e de remineralização (DES x RE) de minerais presentes na saliva, como o cálcio e o fosfato , sobre a superfície dentária, sendo que a perda do equilíbrio DES X RE ocorre quando o pH fica abaixo de 5,5 ou 4,5 quando na presença de flúor .

A odontologia tradicional define a cárie como “cavidade no esmalte e/ou dentina”, considerando livres de cárie aqueles indivíduos que não apresentam esse tipo de lesão. Entretanto, existe um longo percurso entre a ocorrência de perdas minerais incipientes e não visíveis clinicamente até a instalação das manchas brancas e posterior aparecimento de cavitações.

A mancha branca ativa representa o primeiro sinal clínico da cárie, devido ao acúmulo do biofilme dental e tem aparência esbranquiçada com superfície opaca e rugosa; a mancha branca inativa apresenta-se brilhante e lisa .Esta mancha branca nada mais é do que uma ilusão de ótica produzida por perda de minerais, e pela subseqüente ocupação de seu espaço por água e matéria orgânica. Certamente, quanto mais precoce for o diagnóstico da doença, maiores serão as possibilidades de intervenção,causando o mínimo prejuízo ao paciente , além de possibilitar um melhor prognóstico para a doença e um tratamento mais rápido e eficaz, pois evitaria que a procura pela assistência odontológica ocorresse somente após a cavitação das lesões ou após o surgimento de sintomatologia dolorosa .Em decorrência da necessidade de se acompanhar o desenvolvimento e crescimento, as crianças são levadas ao pediatra muito antes de o serem ao odontopediatra , demonstrando a responsabilidade daquele profissional, que poderá vir a ser, quem sabe, o primeiro educador da saúde bucal de seus pacientes .Importante que adotemos a cultura de levarmos nossas crianças ao dentista em busca de prevenção e não apenas para tratamento curativo.

Fonte: Unifenas