Avaliação genética indica melhor tratamento para parar de fumar

Dois estudos conduzidos por pesquisadores do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP) mostraram que variações em dois genes estão associadas a uma maior resposta às duas drogas usadas para tratar o tabagismo. As pessoas que desejam parar de fumar passaram por uma avaliação genética que direcionou qual o melhor tratamento para cada uma.

Avaliação genética indica melhor tratamento para parar de fumar

Os pesquisadores do Incor avaliaram justamente a ligação entre a genética e a resposta a essas duas drogas. O primeiro estudo, que foi publicado em fevereiro deste ano no periódico cientifico “Frontiers in Genetics”, participaram 483 pacientes que haviam recebido aconselhamento psicológico e tratamentos medicamentosos, dos quais 167 eram tratados com vereniclina.

Os cientistas avaliaram em dois genes o polimorfismos, ou seja, variações das letras C (citosina), G(guanina), T(timina) e A (adenina).

O resultado foi: 67% dos pacientes que tinham as letras CT ou TT em uma determinada posição do gene CHRNA4, obtiveram mais chances de responder à vereniclina.

Outro estudo realizado pela equipe do Incor que está sendo avaliado para publicações em revistas cientifica, partiu da hipótese que o polimorfismos em outros dois genes estavam relacionados à resposta à bupropiona.

A hipótese se confirmou para o gene CYP2B6. Os pacientes que tinham as letras AA em uma certa posição do gene, aplicava uma taxa de sucesso maior (48%) com a droga do que os pacientes com as sequencias AG ou GG (35%).

Os estudos ainda são iniciais, mais já estão previstos outros trabalhos que indicarão o tratamento a partir da avaliação genética.

“Com isso, poderemos identificar antes do tratamento, quem vai responder melhor à droga X ou Y, o que popa tempo e dinheiro”, afirma Jaqueline Issa, diretora do programa de tratamento do tabagismo do Incor e coautora dos dois estudos citados a cima.

O Ministério da Saúde divulgou dados que mostraram que o número de fumantes caiu cerca de 30% no país nos últimos nove anos – hoje, 10,8% dos brasileiros são fumantes contra 15,6% em 2006, segundo a pesquisa Vigitel, que tem como intuito monitorar por telefone, os fatores de risco para a saúde.

Porém, parar de fumar não é tão fácil assim. Apenas de 4% a 7% dos fumantes, conseguem interromper o vício sem medicamentos ou tratamento formal, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

A pesquisa científica avança na relação entre a genética e o tabagismo. Já se sabia, por exemplo, que fatores genéticos influenciam a dependência da nicotina, ou seja, quem tem circuitos de prazer mais ativo e a metabolização hepática mais rápida tem mais risco de se viciar no cigarro.

Fonte: Folha de São Paulo