Nova pesquisa confirma relação entre desgaste dos dentes e dieta em fósseis

 

O Dr. Peter Ungar da Universidade do Arkansas desenvolveu um novo modelo de análise do desgaste dos dentes relacionado a dieta de nossos antigos ancestrais. (Fotografias: Universidade do Arkansas, para a esquerda; Derek R. Audette/Shutterstock, à direita)
by Dental Tribune International

FAYETTEVILLE, Ark. , EUA: Uma equipe internacional de pesquisadores desenvolveu um novo modelo que permite que paleontólogos rastreiem a dieta dos nossos antigos antepassados e animais, analisando-se o desgaste de seus dentes. Além disso, os cientistas foram capazes de verificar que o desgaste dos dentes em fósseis reflete tanto a dieta quanto o habitat, validando décadas de pesquisa.

Desgaste dental está entre as principais técnicas que os cientistas usam para reconstruir e analisar padrões alimentares em ancestrais do homem e animais. No entanto, os pesquisadores recentemente questionaram a validade da análise do desgaste dos dentes, afirmando que elementos ambientais, como, por exemplo, gãos nos alimentos, provavelmente foram responsáveis pelo desgaste.

“Este desafio levou paleontólogos a questionarem décadas de resultados”, disse o Dr. Peter Ungar, ilustre professor e presidente do Departamento de Antropologia da Universidade de Arkansas. “Nossos achados validam o uso do desgaste dos dentes para a compreensão da dieta de fósseis de animais. O que é que isto nos diz sobre a dieta? O habitat não distorce necessariamente os dados do desgaste dental”.

Ungar trabalhou em conjunto com o Dr. Ryan Tian, professor de química da Universidade de Arkansas, e com os pesquisadores do Instituto de Pesquisas em Tribologia na Southwest Jiaotong University na China, a fim de verificar a relação entre desgaste dos dentes e dieta.

“Verificamos que os materiais mais macios que o esmalte podem causar desgaste dos dentes”, Ungar disse. “Isso nos permitiu desenvolver toda uma nova forma de modelo do desgaste dos dentes”. Esmalte consiste em partículas aglutinadas por uma cola de proteína, Ungar explicou. Ele e sua equipe constataram através de experiências que essa aglutinação quebra durante a mastigação e pequenas partículas do esmalte se separam dos dentes.

Este achado confirma a premissa de longa data de que desgaste dos dentes pode estar relacionado a tipos específicos de dietas e ambientes. Por exemplo, arranhões nos dentes fossilizados indicam um movimento mastigatório de cisalhamento usado com carnes mais duras e dietas a base de vegetais. Buracos nos dentes indicam uma dieta natural dura e quebradiça, como ossos de animais ou frutos de casca rija.

“Determinamos que o micro desgaste não é apenas sobre grãos no meio ambiente,” Ungar declarou. “Certamente pode ter um componente da dieta para isso”.

A descoberta da equipe abre as portas para estudar as propriedades de outros materiais. “O que a Mãe Natureza faz no esmalte do dente incentiva-nos a revisitar teorias conhecidas em ciência de nanocristal, polímeros, compósitos, a biomineralização, auto-montagem e ciência da superfície”, Tian concluiu.

O estudo, intitulado “Novo Modelo para Explicar Desgaste dos Dentes com Implicações para Formação de Micro Desgastes e Reconstrução da Dieta”, foi publicado on-line antes da impressão no Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America em 3 de agosto.