Sobre compreensão , experiência,reconhecimento e mudança …

Autor: Dr. Mauro Moore Madureira

Pesquisa clínica e a importância da Plataforma Brasil“- Sequência interessante! Quer dizer que para realmente mudar de jeito, eu precisocompreender a postura inadequada, ser então capaz de perceber e evitar a repetição, para ter a liberdade de experimentar posturas novas, até substituir antigos padrões automáticos por outros, novos, estes agora realmente escolhidos por mim, pelo meu adulto!”.

Sim, este é o esquema básico do longo processo de amadurecimento da personalidade. Veja: o ambiente de criação, em que os estilos básicos se estabelecem, é representado especialmente pelos pais, irmãos e avós e, logo mais, pela escola, com professores e colegas, mais os amigos, a TV, a Web, os filmes e os livros. Esse conjunto de experiências e de exemplos vai sendo automatizado e forma a base da personalidade, com seu estilo de pensar e avaliar a realidade, as pessoas e a si próprio e, ainda, de estabelecer seus valores e sua base ética.

“- Eu estava achando isto tudo muito denso, mas é que o tema é muito vasto, não dá para resumir em algumas linhas. Cada assunto abre campo para vários outros! Por exemplo: na adolescência há uma grande quebra de padrões, o garoto fica muito desobediente aos pais e obediente às normas da sua Turma.”

Sim, parece, mas os padrões básicos permanecem: o menino obediente da Mamãe tende a ficar o mesmo menino, mas agora dependente e obediente da Mamãe-Turma. Se for para pintar o cabelo de verde, ele obedece; se o professor do cursinho diz que isto é ruim e aquilo é bom, ele acredita, obedece e repete todos os slogans, como uma rês do rebanho. Ainda não é um cowboy. De fato, não mudou nada – ele continua um menino obediente, passivo, sem ter criado uma individualidade própria.

“- Ele leva para a vida adulta os seus padrões de adolescente. Depois ele a encontra, e ela tem os seus outros padrões automáticos. E aí se casam! Por isso é que a taxa de divórcios é tão alta? Porque são duas crianças, dois adolescentes!”.

Adolescentes, sim, mas com caras e idades de adultos. Até que profissionalmente comportam-se de modo mais adequado, pelo menos na aparência. Mas quando aparecem competições, rivalidades, despertando emoções fortes, eles voltam a avaliar, a sentir e, portanto, a agir de acordo com os seus velhos padrões infanto-juvenis. Ninguém precisa ir muito longe para observar – as equipes aparecem bem nas fotos, mas vão mal nos filmes.

“- E a maneira de desenvolver, de mudar?”.

As coisas estão ficando mais claras, agora. É a sequência que você citou: compreender, reconhecer, experimentar mudanças e então, gradativamente, perceber que está renovando seus padrões, agora mais livre, mais independente.
Fonte: Dr. Mauro Moore Madureira , psiquiatra do Einstein