Posso ter alergia a algum componente do creme dental ?

Difícil mas pode acontecer.

Sangramento, vermelhidão, coceira ou mesmo o surgimento de aftas nas mucosas da boca podem ser conseqüência de uma reação alérgica ao creme dental. São reações bastante raras e facilmente confundidas com sintomas advindos de problemas biológicos devido a infecções ou inflamações ou ainda reações causadas por diversos produtos. Afinal, muitas coisas passam pela boca durante o dia.

Mesmo assim é importante ficar alerta. Efeitos colaterais podem ocorrer se a pessoa tiver alergia a algum flavorizante (substância que dá o sabor ao creme dental). Outro componente do creme dental que pode contribuir para a sensibilização das mucosas são os abrasivos. A maioria dos cremes dentais tem abrasivos para aumentar o poder de limpeza. Os menos abrasivos são os infantis e os mais abrasivos são os com bicarbonato de sódio ou com efeito branqueador. Alguns cremes são tão abrasivos que provocam desgastes na estrutura dental.

Recentemente, foi possível estabelecer uma ligação entre o aparecimento de aftas em algumas pessoas e o uso de pastas de dentes contendo SLS (lauril sulfato de sódio). Ele é o responsável pela formação da espuma que se observa durante a lavagem dos dentes, atuando como uma espécie de detergente. Verifica-se uma melhoria rápida das aftas quando a pessoa deixa de utilizar pastas com esse componente.

O ideal, enfim, é que se tenha em casa dois ou três tipos de pastas diferentes e se faça um revezamento com elas para aproveitar as propriedades de cada uma e evitar sensibilizações pelo uso contínuo de um só tipo de produto. Mas para os que realmente são alérgicos ao creme dental convencional, existem produtos naturais que podem ser testados. Que não tem detergentes (tensoativos), espumantes, corantes sintéticos e mentol.

Necessário lembrar que a quantidade de creme dental utilizada em cada escovação, deve ser pequena, mais ou menos do tamanho de um grão de ervilha.

Entretanto, se apesar de todos os cuidados, ainda assim observar-se a alergia, é bom lembrar que, quem vai limpar os dentes é a escova dental e não a pasta.

Fonte:Alergohouse

Promoção e proteção do aleitamento materno

Aleitamento materno
A importância do aleitamento materno tem sido muito abordada no âmbito multiprofissional. O cirurgião-dentista, como profissional da área de saúde, está incluído neste contexto, e deve ser capaz de orientar a gestante, a puérpera e a família envolvida, haja vista a forte relação que existe entre a amamentação natural, o desenvolvimento do sistema estomatognático e a prevenção da cárie.

A amamentação tem benefícios substanciais para as mulheres e crianças de países ricos e pobres, e agora a evidência é mais forte do que nunca. Uma nova série sobre aleitamento materno, publicada na “The Lancet”, conclui que, apesar da forte saúde e benefícios econômicos da amamentação, algumas crianças são amamentadas exclusivamente até os seis meses, como recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Globalmente, estima-se que uma em cada três crianças com menos de seis meses é exclusivamente amamentada – uma taxa que não melhorou em duas décadas. Os números revelam que o aumento do aleitamento materno em nível universal poderia salvar mais de 800 mil vidas por ano, sendo a maioria crianças com menos de seis meses. Além disso, quase metade de todas as doenças diarreicas e um terço de todas as infecções respiratórias em crianças em países de baixa e média renda, poderia ser evitada com o aumento das taxas de aleitamento materno.

As crianças que são amamentadas apresentam melhor desempenho em testes de inteligência, são menos propensas a serem obesas, apresentarem sobrepeso e menos propensas a diabetes mais tarde na vida. As mães que amamentam também reduzem o seu risco de desenvolver câncer de mama e de ovário. Em taxas de aleitamento materno atuais, estima-se que 20 mil mortes por câncer de mama são impedidas e um adicional de 20 mil poderiam ser salvas se as taxas melhorassem.

Além dos benefícios psicoemocionais e nutricionais, o aleitamento materno é responsável pelo correto crescimento e desenvolvimento facial do bebê, mantendo todas as funções em equilíbrio, como a respiração nasal, adequada postura de língua, vedamento labial, deglutição normal, bom desenvolvimento dos dentes, erupção dentária equilibrada na sua sequência e cronologia, correta articulação dentária, ambiente da cavidade bucal saudável com microrganismos vivendo em equilíbrio, além disso, associada ao mecanismo de sucção, desenvolve os órgãos fonoarticulatórios e a articulação dos sons das palavras, reduzindo a presença de maus hábitos orais e também de patologias fonoaudiológicas.

Amamentar fortalece a economia

Além da saúde, a nova série apresenta um caso econômico forte por investir na promoção e proteção do aleitamento materno em todo o mundo. As conclusões da OMS estimam que as perdas econômicas globais de menor cognição associadas à amamentação não chegaram a mais de US$300 bilhões em 2012, equivalente a 0,49% do rendimento nacional bruto do mundo.

Aumentar as taxas de aleitamento materno para crianças com menos de seis meses de idade para 90% no Brasil, na China e nos Estados Unidos da América e para 45% no Reino Unido iria cortar os custos do tratamento de doenças comuns da infância, tais como pneumonia, diarreia e asma. A iniciativa também faria uma economia nos sistemas de saúde, de pelo menos, US$ 2,45 bilhões nos Estados Unidos, US$ 29,5 milhões no Reino Unido, US$ 223,6 milhões na China, e US$ 6 milhões no Brasil.

No entanto, os níveis baixos mundiais de amamentação afetam os países de alta e baixa renda. Menos de uma em cinco crianças é amamentada durante 12 meses em países de alta renda. Apenas duas em cada três crianças entre seis meses e dois anos recebem qualquer leite materno em países de baixa e média renda.

No Brasil, por meio da Coordenação-Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno CGSCAM/DAPES/SAS/Ministério da Saúde, foi assinado no dia 3 de novembro de 2015 o decreto que regulamenta a comercialização de alimentos para crianças durante o período da amamentação e proíbe, entre outros pontos, que produtos que possam interferir na amamentação tenham propagandas veiculadas nos meios de comunicação, como no caso de leites artificiais, mamadeiras e chupetas. O decreto regulamenta a Lei 11.265, de 2006, firmada durante a cerimônia de abertura da 5ª edição da Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizada em Brasília (DF).

Proteger e promover o aleitamento materno

Embora o Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno tenha sido aprovado em 1981, com o objetivo de o público de estratégias de marketing inadequadas, o regulamento não foi fortemente aplicado pelos países. Como resultado, o marketing agressivo dos substitutos do leite materno está debilitando os esforços para melhorar as taxas de aleitamento, com vendas globais que devem chegar a US$ 70,6 bilhões até 2019.

Para abordar esta questão, a Iniciativa de Suporte Mundial à Amamentação, liderada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela OMS, em colaboração com os parceiros internacionais, fornecerá liderança para melhorar as taxas de aleitamento materno. Como o primeiro passo, a OMS e o UNICEF criaram uma rede de vigilância global e apoio à implementação do Código Internacional, com o objetivo de fortalecer a capacidade de monitoramento do código, a adesão e implementação.

Além de combater a comercialização de substitutos do leite materno, os países precisam investir em políticas e programas que apoiem o aleitamento materno das mulheres. Sistemas de apoio aos cuidados de saúde, licenças-maternidade adequadas, as intervenções no local de trabalho, aconselhamento e programas educacionais podem ajudar a melhorar as taxas de aleitamento materno.

A amamentação também tem sido identificada como uma intervenção de alto impacto para alcançar a Estratégia Global da Saúde da Mulher, Criança e Adolescente (2016-2030), que foi lançada juntamente com os objetivos de desenvolvimento sustentável como um roteiro para acabar com as mortes evitáveis em uma geração.

A amamentação é importante para a sobrevivência da criança em todos os ambientes, mas também para garantir que as crianças possam prosperar e alcançar seus potenciais cognitivos e de desenvolvimento completo ao longo de suas vidas.

helenice_biancalanaHelenice Biancalana

helenice_biancalana
Cirurgiã-dentista. Especialista em Odontopediatria e em Ortopedia Funcional dos Maxilares. Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente. Diretora do Departamento de Prevenção e Promoção de Saúde da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD-Central). Diretora da Associação Paulista de Odontopediatria – APO.