Respirar pela Boca é Hábito que Traz Malefícios às Crianças

 

Baixo rendimento escolar, problemas de crescimento, dificuldades de mastigação e infecções respiratórias estão na lista de transtornos.

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Respirar pela boca na infância causa uma série de malefícios ao organismo e o problema, de acordo com os pediatras, é que o hábito nem sempre é notado pelos pais. Cerca de 30% das crianças em idade pré-escolar sofrem com a síndrome da respiração bucal (SRB), transtorno responsável não somente por noites mal-dormidas, como pelo baixo desempenho escolar, problemas de crescimento e de postura, dificuldade de deglutição, mastigação e oclusão, além de apresentarem maior chance de desenvolvimento de infecções respiratórias.

De acordo com o otorrinolaringologista Fabrizio Romano, do Hospital Infantil Sabará, quando os pequenos respiram pela boca, o cérebro recebe menor quantidade de oxigênio, o que prejudica a capacidade de atenção e consequentemente o rendimento escolar. “Além disso, o nariz funciona como um filtro de ar. Ao respirar pela boca, todas as impurezas, como vírus e bactérias, penetram mais facilmente no nosso organismo”, alerta o especialista.

“Em alguns casos, os pais podem notar a respiração bucal já nos primeiros dias de vida. Quando o diagnóstico e o tratamento acontecem precocemente, os riscos de seqüelas são menores. É importante enfatizar que o certo é sempre respirar pelo nariz”, destaca Romano.

Como é possível identificar a respiração pela boca?
Crianças com SRB, segundo o especialista, costumam ficar com a boca aberta por tempo prolongado e dormem com ela assim. Além disso, elas roncam com mais facilidade, babam durante o sono, têm dificuldade na hora de se alimentar, possuem respiração barulhenta, tendem a ter a arcada dentária superior para frente e a posterior para trás, apresentam boca ressecada, rosto alongado, cabeça, ombros e braços projetados para frente.

As causas por trás da SRB podem ser orgânicas, quando ocorre desvio de septo ou aumento da adenóide – tecido que reveste as cavidades nasais ou amígdalas – tecido linfóide situado à entrada da garganta. E também são funcionais, quando as alergias são responsáveis pela obstrução do nariz e fazem com que respiremos pela boca.

O tratamento para a SRB, segundo o médico, depende da causa, mas costuma ser feito por um time de especialistas: pediatra, otorrino, alergista, fonoaudiologista e ortodentista. Em alguns, pode ser necessário operar a adenóide. A solução ainda pode estar no uso do aparelho ortodôntico. O acompanhamento com a fonoaudióloga é outra opção para tratar o transtorno.

1. Há algum número mostrando a porcentagem das crianças que respiram pela boca?
A rinite alérgica chega a acometer cerca de 20 a 30% das crianças e quando os sintomas são persistentes, pode ocorrer a síndrome da respiração bucal. A SRB é um dos problemas mais comuns em crianças pré-escolares.

2. Quando é possível identificar o problema? Quando ainda são bebês? Quais os sintomas para que os pais possam identificar o distúrbio?
Existem casos em que a respiração bucal aparece desde o nascimento, às vezes nos primeiros anos de vida. Os sinais que os pais devem observar são: dormir de boca aberta, roncar. Dificuldade para se alimentar.

3. É verdade que é difícil e leva tempo para os pais perceberam que os filhos só respiram pela boca?
Às vezes o quadro se instala lentamente, e os pais acham aquilo normal. É importante enfatizar que o certo é sempre respirar pelo nariz.

4. Por que isso acontece? Quais as razões para que as pessoas respirem pela boca?
Nos recém nascidos, atresia de coanas. Nas crianças pré-escolares as principais razões são os quadros alérgicos, principalmente rinites e a hipertrofia de adenóides. Nos adultos, desvios de septo e pólipos no nariz.

5. É correto afirmar que crianças que respiram pela boca têm mais chances de desenvolver infecções respiratórias ou alergias (rinite, asma, sinusite)? Por quê?
Infecções sim, o nariz funciona como um filtro do ar que respiramos, quando se respira pela boca, todas as impurezas do ar, inclusive vírus e bactérias penetram mais facilmente no nosso organismo. Em relação às alergias é ao contrário, são elas que podem causar a SRB.

6. O fato de respirar pela boca pode ser uma das causas da alergia ou somente pode agravar o problema?
É ao contrário, as alergias causam obstrução do nariz e fazem a criança respirar pela boca.

7. Sei que crianças que respiram pela boca costumam apresentar feições específicas, quais são elas?
Crianças que passam anos respirando pela boca começam a ter alterações nos dentes, que se projetam para frente, o pálato (céu da boca) fica mais alto e o rosto se alonga. É a chamada face adenoideana.

8. Qual o tratamento para este tipo de problema? Com otorrino e fono?
O tratamento depende da causa do problema, mas normalmente envolve o otorrino, o alergista, a fono e o ortodontista.

9. A adenóide tem alguma relação com o problema?
É uma das causas mais comuns. Todas as crianças têm adenóides, que se localiza na parte posterior do nariz. Quando elas estão muito grandes, eles impedem a passagem de ar causando obstrução nasal, roncos, respiração bucal e infecções como sinusites e otites.

10. É verdade que o diagnóstico deve ser feito o quanto antes possível para evitar complicações? Quais são essas complicações?
Quanto antes o diagnóstico e o tratamento, menor o risco de sequelas como as alterações dos dentes e da face, problemas auditivos e dificuldades de aprendizagem e rendimento escolar.

Respirar pela boca é hábito que traz malefícios às crianças

Fonte: Hospital Infantil Sabará

PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE DOR OROFACIAL

1. O que é Dor Orofacial?

Dor Orofacial, por definição, é toda a dor associada a tecidos moles e mineralizados (pele, vasos sanguíneos, ossos, dentes, glândulas ou músculos) da cavidade oral e da face.

2. Quais as condições clínicas mais frequentemente associadas a Dor Orofacial?

Dores de dentes e de tecidos periodontais, disfunção temporomandibular (muscular ou articular), neuralgias, tumores, trauma, tecidual, doenças autoimunes, etc. Usualmente essa dor pode ser referida da região da cabeça e/ou pescoço ou mesmo estar associada à cervicalgias, cefaléias primárias e doenças reumáticas como fibromialgia e artrite reumatóide.

3. O que é ATM?


ATM é a sigla para Articulação TemporoMandibular, que, como o próprio nome diz, é localizada entre os ossos temporal e mandibular, bem a frente do ouvido. É a articulação que participa dos movimentos da mandíbula quando falamos, mastigamos, engolimos, etc. Para senti-la, basta colocar os dedos a frente do ouvido e abrir e fechar a boca. Mas CUIDADO, a ATM tem uma cápsula extremamente delicada. Então, não se deve usar uma pressão muito forte sobre ela, o que pode gerar dor, mesmo em pacientes sem problemas.

4. O que é DTM?

Disfunção Temporomandibular (DTM) é definida como um conjunto de distúrbios que envolvem os músculos mastigatórios, a Articulação Temporomandibular (ATM) e estruturas associadas.

5. O que pode sentir ou apresentar um paciente que tenha DTM?

1. Dor na região da face

2. Mudança na mordida de forma súbita

3. Piora da dor com o uso da ATM e/ou musculatura como mastigar

4. Limitação ou travamento de movimentação da mandíbula

5. Dor irradiada para cabeça, ouvido, dentes

Os pacientes podem ainda apresentar ruídos articulares, como estalos, estalidos ou barulho de “folha seca amassada”.

6. A DTM é uma condição comum na população?

Existem estudos que mostram que entre 37,5% e 68,6% das pessoas apresentam ao menos um sinal ou sintoma de DTM. Entretanto, verifica-se que a necessidade de tratamento na população adulta é estimada em 15%. Isso porque algumas pessoas apresentam sinais de DTM que podem ser considerados uma variação do estado normal.

7. Quais são as causas para DTM?

Não existe uma única causa isoladamente para DTM. Os pesquisadores costumam dizer que a causa é multifatorial. Isso porque envolvem fatores fisiológicos como anatomia; fatores sistêmicos como doenças reumatológicas, fatores genéticos, traumas, fatores psicossociais, etc. Todos estes fatores isoladamente ou em conjunto podem ser predisponentes, iniciantes ou perpetuadores de uma DTM. Um destes fatores é o bruxismo.

8. O que é bruxismo?

Bruxismo é o hábito de encostar, comprimir ou ranger os dentes. Então, quando alguém diz “Eu não tenho bruxismo, eu só aperto dentes”, na verdade apresenta um tipo de bruxismo, caracterizado por apertamento. A forma mais recente de se classificar o bruxismo é pelo período em que ele ocorre, se durante o sono ou quando estamos acordados (vigília).

9. Quais as principais diferenças entre bruxismo do sono e bruxismo em vigília?

bruxismo em vigília é considerado um hábito parafuncional, como roer de unhas, morder objetos, etc. Normalmente o paciente permanece por períodos longos apertando ou encostando os dentes, principalmente em momentos de tensão, estresse ou até mesmo quando está concentrada lendo um livro, estudando, usando o computador ou assistindo TV. Por manter a musculatura em uma mesma posição por muito tempo, este tipo de bruxismo parece estar mais relacionado às dores musculares. O bruxismo em vigília pode também aparecer como efeito colateral de algumas medicações, sobretudo medicações utilizadas no tratamento da ansiedade; mal de Parkinson e outros problemas motores, o que não é tão comum.

bruxismo do sono (BS) é considerado um distúrbio de movimento relacionado ao sono. Neste tipo de bruxismo é mais comum o ranger de dentes, o que não ocorre durante toda a noite, mas vem em crises, principalmente nas fases de sono mais leves.

O BS pode ser primário (não relacionado a nenhuma outra alteração) ou secundário a medicações como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (IRSS) (fluoxetina, paroxetina, venlafaxina, etc), mal de Parkinson, distúrbios respiratórios (ronco, apnéia), etc.

No BS primário parece haver uma desproporção de neurotransmissores no cérebro e pode ser que seja hereditário. Mas ainda estão se estudando o porquê de sua ocorrência. Os fatores emocionais não são causa de BS mas podem aumentar sua freqüência.

10. Eu tenho a mordida torta, seria esta a causa da minha DTM? E se eu não consertar minha mordida, o risco de eu ter DTM é maior?

Estas são as duas perguntas mais freqüentes no consultório! Quando se iniciaram os estudos de DTM, acreditava-se muito na associação entre a oclusão dentária (forma da mordida) e os sinais e sintomas de DTM. Mas, após pesquisas que acompanharam pacientes ao longo da vida, percebeu-se que a oclusão não é associada a DTM, ou seja, não é corrigindo a posição de seus dentes que você vai melhorar ou prevenir o aparecimento de uma DTM!!! Evite tratamentos que chamamos de irreversíveis que promovam esta mudança tais como desgaste dentário, aparelhos ortodônticos/ortopédicos e reabilitação oral para tratar DTM. Veja bem, eu escrevi PARA TRATAR DTM! Ou seja, claro que se estiver indicado algum tratamento deste tipo para melhorar a eficiência da sua mastigação, a posição de seus dentes e a sua estética, este deve ser indicado e executado para estes fins… Será que fui clara o suficiente?

11. Então, se eu apresentar sinais e sintomas de bruxismo ou DTM, qual profissional devo procurar??

O profissional mais apto a diagnosticar e tratar não só a DTM como todas as dores orofaciais é o cirurgião-dentista, especialista em Disfunção Têmporo-Mandibular e Dor Orofacial. No site do Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial (SBDOF) há um link onde você pode buscar os nomes dos especialistas em sua cidade. Existem faculdades e centros de ensino que oferecem também atendimento especializado.

12. Eu tenho dor de cabeça e me disseram que seria por causa da minha DTM… E aí?

A dor de cabeça pode ser sim um sintoma associado à DTM, normalmente a DTM muscular. A dor caminha para a cabeça ou pode ser nas têmporas, onde se localiza o músculo temporal. Tem características que lembram uma dor em pressão ou aperto.

MAS ATENÇÃO!!!!

Dor de cabeça é um sintoma que pode estar ligado a diversas condições. Um exemplo, dor de cabeça após ingerir álcool. São as chamadas dores de cabeça secundárias e aqui se insere a dor de cabeça por DTM.

MAS DE NOVO…

As dores de cabeça mais comuns e freqüentes são as primárias, ou seja, onde a própria dor de cabeça é a doença. As mais conhecidas são a enxaqueca, a dor de cabeça do tipo tensional e as cefaleias em salvas.

Vamos tomar como exemplo a enxaqueca. Ela geralmente se apresenta como uma dor pulsátil, de forte intensidade, na metade da cabeça, associada a enjôos e até mesmo vômitos, com piora com a luz, barulho, cheiros… É aquela dor de cabeça que te faz ficar quietinho em um quarto escuro. Aqui a dor de cabeça é a própria doença. A causa é genética!

 

Fonte: Dra Juliana S. Barbosa – Blog: Por dentro da dor orofacial