Meditação para crianças

Os benefícios da Meditação para Crianças

Confira as dicas desta equipe de especialistas e ensine essa nova atividade aos seus filhos

Escola, cursos, aulas esportivas, brincadeiras, celulares, tecnologia… A rotina de uma criança hoje em dia é agitada e muitas vezes sobrecarregada de informações. Mas como “desacelerar” as crianças e estimular a reflexão e o relaxamento​? A meditação pode ser uma opção!

Primeiros passos
De acordo com Ester Azevedo Massola, terapeuta corporal da equipe de Medicina Integrativa do Einstein, a prática de meditação pode proporcionar às crianças experiências de calma e relaxamento, melhorar a concentração, a percepção de bem-estar e de suas emoções.  “Para apresentar a atividade as crianças, comece primeiramente por você a experienciar práticas de meditação, para que assim possa compartilhar com as crianças suas experiências”.

O segundo passo é convidar a criança para a prática, de modo suave e alegre, sem precisar obrigá-las ou falar em tom autoritário nos momentos que estiverem juntos para praticar. É preciso criar momentos de calma juntos. Estimule a criança a prestar atenção aos detalhes da natureza, como uma flor, um bicho, as cores do céu, os aromas e os sons. Esse contato com a natureza busca estimular o relaxamento e controlar a ansiedade da criança com os afazeres e atividades da rotina.

Aproveite para olhar nos olhos da criança, não a interrompa enquanto estiver falando, procure deixar que ela também lhe ensine algo. “Essas atitudes demonstram que você está disponível para a criança. Incentive-as a falar sobre suas emoções e sensações, esteja presente ouvindo com atenção e acolhimento”, afirma Márcia Prieto, terapeuta corporal que também faz parte da equipe de Medicina Integrativa do Einstein.

Em toda prática meditativa, procure sentar-se ereto, relaxado e imóvel. Crianças pequenas preferem ficar deitadas. Procure manter a atenção num único foco, o “objeto de meditação” que pode ser a respiração, uma imagem, um som, uma palavra, um sentimento. O importante é manter-se concentrado no “objeto” escolhido durante um período de tempo, que pode variar de um a dez minutos para crianças. “Importante ressaltar que muitas vezes a mente se distrai e isto é normal” pontua a terapeuta Ester. Quando perceber que a atenção da criança foi para outro lugar, auxilie-a a retornar gentilmente ao objeto de meditação.

Como inserir a atividade na rotina
Encontre momentos mais tranquilos para praticar, um bom horário é antes de dormir. Leia ou conte uma pequena história que traga relaxamento. Convide a criança a respirar profundamente, fechando os olhos, a visualizar um lugar bonito que traga alegria e bem-estar.

A prática também pode ser feita antes das lições de casa. Criar um ritual de preparação para fazer as lições pode auxiliar as crianças mais dispersas.  Preparar o lugar e a postura corporal, respirar mais profundo algumas vezes.

Márcia Prieto orienta, “participar com a criança é importante, pois ela assimilará mais suas atitudes do que suas palavras. Se você parecer calmo, a criança se acalmará. Se estiver ansioso, a criança se agitará. Tenha paciência, respeite o ritmo e o tempo dela”. No início, o tempo de prática deve ser curto. Sugestão: 1 minuto, uma ou duas vezes ao dia e aumentar o tempo conforme a criança demonstrar interesse.

A afetividade está intimamente ligada com todo aprendizado. É a partir de uma identificação com o outro que criamos disposição para compartilhar ideias, experiências e saberes, como sujeitos no processo de aprendizagem. (1)

Para o educador Rubem Alves (2013), “A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades […] sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido”. (2) Educar as sensibilidades requer observação, atenção e reflexão e essas qualidades podem ser desenvolvidas por meios de práticas que, de alguma forma, registrem a experiência no ser (corpo e mente) de forma consciente. (3)

Benefícios
A prática da meditação pode aumentar a capacidade de atenção da criança, de percepção de si. Uma criança mais consciente de suas emoções e sentimentos tem maior possibilidade de identificar suas necessidades, potencialidades e limitações.

A habilidade de saber relaxar resulta no equilíbrio do sistema nervoso. Nestas práticas, o sistema nervoso parassimpático é ativado, o metabolismo corporal se acalma, baixando a frequência cardíaca e respiratória, aumentando a capacidade de aprender e se concentrar. Assim, práticas como o Yoga, relaxamento e a meditação, também podem auxiliar no desenvolvimento da aprendizagem ao longo da vida. (4)

Apesar dos efeitos significativos que envolvem os sintomas do TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) com práticas meditativas ou yoga, não há evidências suficientes para apoiar tais terapias para a prevenção do TDAH (5). Revisões que envolvem a prática da atenção plena, meditação ou yoga para crianças, sugerem que tais modalidades parecem ser eficazes para auxiliar as crianças a lidarem com o estresse e a ansiedade, porém é necessário estudos mais consistentes.

Que tal iniciar essa atividade com seus filhos ainda hoje? Aproveite as dicas , dê os primeiros passos e Boa meditação!

 
Fontes:
Márcia Prieto e Ester Azevedo Massola, terapeutas corporais da equipe de Medicina Integrativa do Einstein

 

Referências:
(1) La Taille, Yves de; Oliveira, Marta Kohl; Dantas, Heloísa Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo, p ed 15, Summus, 1992.
(2) Alves Rubem. Educação do olhar. Revista Pais e Filhos , São Paulo, 16, mar. 2010. Disponível em www.paisefilhos.pt/index.php/opiniao/rubemalves/2324-educaçao-do-olhar.
(3)Morin, E. A Cabeça Bem Feita – Repensar a reforma, reformar o pensamento. Rio de Janeiro, Bertrand, 8ª Ed., 121 págs., 2003 p. 74.
(4)Nanthakumar C.J Integr Med. 2018 Jan;16(1):14-19. doi: 10.1016/j.joim.2017.12.008. Epub 2017 Dec 14. Review.
(5) Zhang J, Díaz-Román A, Cortese SMeditation-based therapies for attention-deficit/hyperactivity disorder in children, adolescents and adults: a systematic review and meta-analysis
Evidence-Based Mental Health 2018;21:87-94