Adolescência do bebê: você sabe o que é a fase do “terrible twos”?

A psicopedagoga e psicóloga Melina Blanco Amarins esclarece as principais dúvidas sobre a “terrível crise dos dois anos” infantil

Manha ou birra. Qual mãe ou pai nunca passou por uma situação dessas com o/a filho/a?  Mas você sabia que em crianças entre um ano e meio até três anos de idade isso pode ter relação com a “adolescência do bebê”?  A psicóloga e psicopedagoga Melina Blanco Amarins, da Materno-Infantil do Einstein esclarece algumas dúvidas sobre o tema, também conhecido como terrible twos.

O que é a adolescência do bebê?
É quando a criança apresenta comportamento opositor às solicitações dos pais. A criança percebe que consegue ter alguma autonomia e desejos diferentes dos pais e pode apresentar comportamentos de birra diante de tarefas que não quer fazer. Chamamos também como terrible twos.
O termo terrible twos tem ligação com o período no qual a criança pode apresentar o “fenômeno” – perto dos dois anos?
Sim.  Este período pode ocorrer entre um ano e meio até 3 anos.
Qual a importância desta fase?
É uma fase em que há muitas mudanças na criança e faz parte do desenvolvimento.  Bebês são muito dependentes, porém nesta idade (terrible twos) já conseguem fazer algumas tarefas sozinhas.
É neste momento que a criança consegue ter uma percepção melhor de seus desejos e realizar escolhas que muitas vezes são diferentes dos pais. Neste momento que os conflitos aparecem com comportamentos de birras, como jogar objetos no chão, gritar e chorar. Podemos considerar importante esta fase, pois é uma fase inerente ao seu desenvolvimento global infantil.
Como os pais podem ajudar/ lidar?
Esta fase não é fácil para os pais, pois precisam ter muita paciência com a criança. Bater ou gritar são atitudes disfuncionais e pioram o comportamento.  É importante que os pais tenham calma e mostrem para a criança que esse tipo de comportamento não tem benefícios.
Conversar com a criança é importante, porém não no momento da birra. Aguarde o momento em que todos estiverem calmos e possam dialogar. É importante lembrar que o papel dos pais é educar e é nesta fase que este processo se intensifica – na qual ensinam o que é certo e o que é errado.
Outro ponto importante é tentar manter uma rotina com a criança, pois as chances são menores de ficarem estressados com mudanças.  A criança nessa idade não tem maturidade cognitiva e emocional para entender todo esse processo sozinha e precisa de um adulto para molda-la e orienta-la.
É possível evita-la?
Não. O importante é não pensar em evitar, mas saber manejar determinadas situações e ajudar a criança a passar por essa fase.
Toda criança passa por essa fase?
Toda criança passa por essa fase do desenvolvimento, porém cada uma pode reagir de forma diferente e com intensidade diferente. Não há uma regra para que todas as crianças com dois anos tenham comportamentos opositores.
Fonte: Hospital Albert Einstein

Como sair do sedentarismo?

Como sair do sedentarismo? Dicas simples que vão te ajudar a tomar essa iniciativa e movimentar-se
Treinar com amigos, relaxar ou se desafiar a cada nova conquista. Essas são algumas das experiências que a pratica da atividade física proporciona. Confira dicas para quem quer sair do sedentarismo. Saiba mais

​O sedentarismo está na lista dos principais fatores de risco que prejudicam a sua saúde. Um estudo recente (Lancet Glob Health. 2018, Sep 4), somando mais de 1,9 milhões de indivíduos entrevistados, mostrou que o Brasil tem o quinto pior índice de sedentarismo do mundo! Especialmente entre as mulheres. É normal que com a correria do dia a dia as pessoas sintam-se desmotivadas para começar a praticar uma atividade física. Entretanto, os benefícios do exercício físico vão além da disposição física. Melhor qualidade de sono, maior controle do estresse, redução do risco de doenças cardiovasculares, menor risco de câncer e melhor qualidade de vida são alguns dos muitos benefícios proporcionados pelo exercício.

Conversamos com o nosso especialista, o Dr. Gabriel Ferreira Rozin e preparamos uma lista com dicas para sair do sedentarismo.

1 – Decidi que quero sair do sedentarismo. Devo fazer um check-up para eu saber se realmente posso fazer atividade física?
Normalmente pessoas sadias, sem histórico de doenças cardiovasculares, não precisam de exames para iniciar a prática de atividades físicas. Para indivíduos com condições como hipertensão arterial, diabetes ou elevação do colesterol é prudente uma avaliação clínica para excluir a presença de doença cardiovascular assintomática que possa se manifestar subitamente no exercício.

2 – Quais as dicas para escolher a melhor atividade física para o meu objetivo?
A melhor atividade física é aquela que efetivamente é feita! Por isso a melhor atividade física é aquela que traz o benefício do exercício com algum nível de prazer e diversão, convidando assim a ser feita novamente. Para a saúde do coração tanto faz se você está dançando, caminhando, nadando ou pedalando. Mas se o objetivo não é apenas saúde e sim alguma meta estética ou desempenho esportivo, a orientação de um educador físico é fundamental para alcançar os objetivos.

Muitas pessoas procuram fazer atividade física para perder peso. Neste caso é importante saber que, especialmente para os sedentários que vão começar a prática esportiva, que o pequeno gasto calórico da atividade física pode ser facilmente anulado com excessos na alimentação. Isto é, não é efetivo “correr atrás do garfo”! Para perder peso a atividade física deve estar alinhada com um trabalho de reeducação alimentar.

3 – Posso fazer atividade física em casa?
Com certeza. O espaço livre de uma sala de estar, quarto ou varanda pode ser suficiente para muitos exercícios efetivos, como abdominais, flexões de braço, agachamentos ou até treinos com pesos. Alguns treinadores desenvolveram soluções criativas usando objetos presentes em casa para fazer exercícios, portanto a falta de uma academia não é um problema.

4 – Como administrar a falta de tempo com a prática de uma atividade física?
Se colocarmos a atividade física como um compromisso do nosso dia, com um grau de importância semelhante ao trabalho ou alimentação saudável, então mesmo um intervalo pequeno de tempo, pode ser usado para treinar. Existem estratégias de treinos curtos de alta intensidade chamados HIIT (High Intensity Interval Training – do inglês treino intervalado de alta intensidade) oferecidos por muitas academias. Este treino combina exercícios de alta intensidade em intervalos curtos, alguns segundos e são feitos em uma série curta. Em alguns programas de HIIT os treinos têm 15 minutos de duração. E muitas publicações científicas já demonstraram benefícios com treinos curtos, sem maior incidência de lesões.

5 – Fazer uma caminhada já é um bom começo?
Caminhar é um exercício acessível a praticamente todos. É o movimento natural de deslocamento do corpo humano e basta intensificar levemente o passo para se ter uma atividade física que é suficiente para aumentar o gasto energético diário. Uma dica fácil para avaliar a intensidade da caminhada é perceber o ritmo da respiração: se caminhando com alguém, a conversa estiver fluindo fácil, então, há espaço para intensificar o ritmo. A caminhada deve ser intensa o suficiente para permitir que você fale algumas palavras, mas não uma frase longa.

6 – Qual a frequência que uma pessoa pode dizer que não é sedentária? Qual a frequência ideal para quem esta começando?
Para ser considerado fisicamente ativo a recomendação é de pelo menos 150 minutos semanais (por exemplo, 30 minutos , 5 vezes por semana) de atividade física leve a moderada. Por atividade leve a moderada, podemos citar a caminhada num ritmo que torne a respiração mais ofegante, ou uma pedalada leve. Se for possível uma atividade mais intensa, como correr ou nadar, a recomendação é metade disso, pelo menos 75 minutos semanais.

Geralmente um intervalo de 2 a 4 dias entre sessões de treino são ideais para induzir ganho de condicionamento e melhor qualidade muscular e cardiovascular. Ou seja, duas ou três sessões por semana são ideais para começar a desenvolver o condicionamento. Treinar apenas uma vez por semana também pode trazer benefício, mas o ganho em termos de condicionamento provavelmente será menor.

7 – Jogar futebol com os amigos no final de semana é uma prática saudável?
Certamente! Muitos estudos reforçam a importância de sair do sedentarismo, mesmo que somente aos finais de semana, demonstrando benefícios em relação a quem não pratica nada. Entretanto quem se exercita apenas aos finais de semana (especialmente futebol, que é um esporte de impacto) corre maior risco de lesões, como estiramentos musculares, lesões articulares ou ligamentares.

8 – Podemos dizer que fazer atividade física é uma obrigação?
Assim como alimentação saudável, atividade física não deve ser uma obrigação, atribuindo a ela um caráter impositivo. Como já foi demonstrado em alguns estudos sobre alimentação, a proibição de certos alimentos como uma prescrição médica pode ter o efeito reverso, de aumentar o seu consumo! Sendo assim a obrigatoriedade da atividade física pode aumentar a frustração de quem tem dificuldades em praticar. Devemos estimular conhecimento sobre os benefícios da atividade física e seu potencial em promover bem estar, prevenção e tratamento de doenças. Neste sentido a prática regular de atividade física faz parte de uma rotina saudável, e a motivação para o exercício virá naturalmente uma vez que o indivíduo sente os benefícios da sua prática.

9 – Fazer atividade física ajuda na saúde mental?
Uma lição aprendida das disciplinas orientais: atividade física pode ser uma forma de meditação! Yoga, Tai-Chi e outras formas de exercícios são usadas para treinar o corpo e o tornar mais apto para atingir estados elevados de concentração e desenvolvimento espiritual. Mesmo que não façamos exercício para este fim, inúmeros estudos científicos já demonstraram o benefício de atividade física para o manejo de condições como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, insônia, transtornos de hiperatividade e inatenção.

Além disso, exercícios físicos são atualmente considerados a medida de estilo de vida mais efetiva, mais até do que muitas medicações, para reduzir a progressão de demências, como a doença de Alzheimer.

Encontre algo que você goste de fazer e aproveite as mudanças positivas que um exercício físico pode trazer para a sua vida.

Fonte: dr. Gabriel Ferreira Rozin​, médico especialista do Hospital Israelita Albert Einstein

Primeiro Molar Permanente

✨Até que todos os dentes permanentes estejam presentes em nossa boca, uma série de mudanças acontecem e nem sempre é necessário que um dentinho de leite caia para dar lugar a um dente permanente. A exemplo disto temos

OS PRIMEIROS MOLARES PERMANENTES.
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🦷 Os primeiros molares permanentes são, geralmente, um dos primeiros dentes permanentes a aparecerem na cavidade oral. Este conjunto de quatro dentes (um superior direito, um inferior direito, um superior esquerdo e um inferior esquerdo), aparecem lá atrás, no fundo da boca👄, e talvez pela sua localização posterior e por não induzirem a queda de nenhum dente de leite, seu aparecimento 👀 acaba passando desapercebido pelos pais e/ou responsáveis. .
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👉🏻Estes dentes, por possuírem características únicas no que diz respeito a sua anatomia (forma) estão mais propensos ao acúmulo de biofilme (sujeira) e ao desenvolvimento de lesão de cárie👾, principalmente nos dois primeiros anos após a sua erupção . .
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⚠Neste período, o acompanhamento com o Odontopediatra é fundamental e deve ser ainda mais rigoroso para que se implementem medidas de prevenção a cárie dental, tal como mudanças na técnica de escovação e até mesmo aplicação de selantes quando estas se fizerem necessárias, portanto, estejam sempre atentos às consultas de revisão dos pequenos,

#odontopediatriabrasil 🇧🇷

BRUXISMO DO SONO-SAIBA MAIS

Bruxismo do sono na criança merece atenção! Não é “fisiológico” e não tem origem nos dentes!

Vamos conversar sobre alguns conceitos que ainda são falados quando ao assunto é bruxismo do sono?  Minha lista de crenças sobre o assunto é enorme! Mas hoje vamos focar em apenas alguns tópicos para entender um pouco sobre a crença (ainda vigente!!) de que dentes desempenham papel importante na origem do bruxismo…

Bruxismo do sono está relacionado com troca de dentes? Não!  

– Isso é uma crença que se perpetuou e por isso fica a impressão para muitos que o bruxismo ocorre nessa fase.
– Não existe nenhum embasamento para isso!
– O bruxismo do sono se inicia por um comando de sistema nervoso central e os dentes não participam em nenhum momento da fisiopatologia!
Que tal ler esse artigo aqui => clique aqui e aqui nessa revisão do Prof Lavigne e cols.

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Aparelhos ortopédicos, ortodônticos e/ou ajustes oclusais são condutas válidas para bruxismo? Não!
Vamos seguir o raciocínio da fisiopatologia?
– A origem é… Central!!! OK! Isso está bem sedimentado por pesquisas sérias!
Então, porque utilizar técnicas de alteração da oclusão (ortodontia e/ou ortopedia) nesses casos? Não faz o menor sentido. :/
– O contato dentário é o final de toda cadeia do processo de bruxismo do sono.
Vamos ler mais sobre o assunto? clique aqui  e aqui também 😉

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Atenção para os outros fatores causais!
– Outros fatores têm sido mais estudados e entendidos como causal no caso de bruxismo do sono.
Precisamos avaliar cada paciente.  Para sabermos como tratar uma criança com bruxismo é necessária uma investigação complexa.Não podemos subestimar a importância dessa condição tão complexa !!

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Bruxismo e stress

Bruxismo do sono e criança estressada. Essa dobradinha está sempre presente?

FONTE: Dra Adriana Lira Ortega

Será que a associação causal entre estresse e bruxismo do sono (BS) é direta e sempre frequente? É muuuitooooo comum ouvir mães e colegas sempre justificando a presença do BS porque a criança tem ou está com algum foco de estresse: trocou de escola, os pais brigaram, nasceu um irmãozinho, o peixinho morreu e por aí vai… Mas sem dúvidas, é muito fácil achar um foco de ansiedade em qualquer pessoa, inclusive em crianças! Procura que acha.

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Bem, apesar da associação estar bem descrita na literatura, algumas considerações podem ser feitas. Vamos lá:

1.   A Associação é causal ?

Poderíamos encontrar uma justificativa biológica no movimento mandibular durante o sono frente a presença de um fator estressante ou ainda, uma personalidade ansiosa? Não vejo “motivo”… :/

O Bruxismo do Sono pode ser justificado na presença de refluxo ou na diminuição do fluxo de ar, porque nesses casos o movimento mandibular tem função. No caso de ansiedade e estresse não existe função para o movimento. A pessoa tensa contraí músculos e aperta os dentes, não range…

2.       Nem toda pesquisa encontra a associação… Ou seja, não existe “consistência”, que é um dos critérios de Hill para identificar associação causal. Leia sobre associação causal!!

Recentemente a Nélia Medeiros Sampaio, uma profissional comprometida e competente,  que tive o prazer de orientar no Doutorado, publicou o resultado de uma pesquisa onde investigamos estresse e BS em 246 indivíduos: crianças e suas mães. A avaliação psicológica foi feita por um psicólogo, especialista e professor universitário na área.

Resumidamente, o que encontramos?

  • Aumento na chance de ocorrência de BS nas crianças foi observado quando as mães também apresentavam (olha a genética aí!!!! 🙂 )
  • Stress psicológico não estabeleceu associação significante com BS, nem nas crianças nem nas mães, mesmo quando o instrumento de diagnóstico identificou níveis aumentados de stress.
  • Estresse materno, como um possível fator ambiental, não influenciou na ocorrência de BS na criança.
  • criança cobrindo rosto

Assim, os achados desse estudo dão uma dica…  É necessário procurarmos também causas orgânicas ao invés de focarmos a atenção apenas no aspecto psicológico. Obviamente é extremamente importante prestar atenção nos aspectos psicológicos. Mas não fazendo a associação imediata e sem investigar outros fatores etiológicos presentes!

Quer ler o artigo completo? Ele está disponível na íntegra no site da Sleep ScienceSampaio NM, Oliveira MC, Andrade AC, Santos LB, Sampaio M, Ortega AL. Relationship between stress and sleep bruxism in children and their mothers: A case control study . Sleep Sci. 2018;11(4):239-244.