O que o seu filho anda vendo na internet?

Diálogo é o caminho para orientar e prevenir crianças e adolescentes contra conteúdos e indivíduos maliciosos na rede

O conteúdo acessado por crianças e adolescentes na internet provavelmente é motivo de atenção para grande maioria dos pais. Oito em cada dez brasileiros com idade entre 9 e 17 anos têm acesso à rede, segundo pesquisa de 2017 do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Mas o que eles estão vendo, lendo, ouvindo, assistindo e compartilhando? A psicóloga Soraya Souza Cruz dá dicas sobre como orientá-los e protegê-los de conteúdos maliciosos.

Primeiro é necessário assumir e aceitar: proibi-los de acessar a internet é uma tarefa praticamente impossível. A solução, então, é o diálogo. “O grande desafio hoje é conseguir criar um ambiente familiar que permita trocas e fortaleça o diálogo. Quando os pais e mães conseguem estabelecer uma relação de troca, confiança e disponibilidade com os filhos fica mais fácil estabelecer os acordos e os limites que serão seguidos, não só na internet, mas na vida.”
O ideal, explica a especialista, é fazer acordos claros sobre o que é aceitável e interessante ser acessado. Além disso, o tempo em que isso pode ser feito também deve ser discutido.  “Um caminho interessante é fazer isso junto com a criança ou adolescente e deixar claro que haverá um controle sobre o que ele está acessando.”
Para que o diálogo aconteça é preciso que os adultos também estejam disponíveis para acompanhar a rotina dos jovens,  presentes no cotidiano e apresentem um interesse genuíno pelas questões e dificuldades apontadas pelos filhos.
“Durante a adolescência é importante promover um espaço protegido para o exercício da liberdade e isso acontece quando combinamos democraticamente as regras domésticas e como vamos lidar com as consequências. Precisamos honrar esses acordos. O problema é que os adultos nem sempre conseguem seguir as próprias regras, pois estão tomados com a correria do dia a dia”, alerta Soraya.

Há algo estranho?

Todo excesso é um sinal de alerta e preocupa. Caso o adolescente passe a ter um único lazer, como jogar videogame, ou quando desiste de outras atividades para se dedicar exclusivamente ao computador, por exemplo, já é hora de uma conversa. “Mudanças significativas de comportamento também devem ser observadas.” A conversa, no entanto, não pode ser só uma discussão dos problemas ou bronca, afirma Soraya. “A relação familiar tem que ter espaço aberto para o diálogo.”
Por Soraya Souza Cruz, psicóloga do Einstein 

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