Como sair do sedentarismo?

Como sair do sedentarismo? Dicas simples que vão te ajudar a tomar essa iniciativa e movimentar-se
Treinar com amigos, relaxar ou se desafiar a cada nova conquista. Essas são algumas das experiências que a pratica da atividade física proporciona. Confira dicas para quem quer sair do sedentarismo. Saiba mais

​O sedentarismo está na lista dos principais fatores de risco que prejudicam a sua saúde. Um estudo recente (Lancet Glob Health. 2018, Sep 4), somando mais de 1,9 milhões de indivíduos entrevistados, mostrou que o Brasil tem o quinto pior índice de sedentarismo do mundo! Especialmente entre as mulheres. É normal que com a correria do dia a dia as pessoas sintam-se desmotivadas para começar a praticar uma atividade física. Entretanto, os benefícios do exercício físico vão além da disposição física. Melhor qualidade de sono, maior controle do estresse, redução do risco de doenças cardiovasculares, menor risco de câncer e melhor qualidade de vida são alguns dos muitos benefícios proporcionados pelo exercício.

Conversamos com o nosso especialista, o Dr. Gabriel Ferreira Rozin e preparamos uma lista com dicas para sair do sedentarismo.

1 – Decidi que quero sair do sedentarismo. Devo fazer um check-up para eu saber se realmente posso fazer atividade física?
Normalmente pessoas sadias, sem histórico de doenças cardiovasculares, não precisam de exames para iniciar a prática de atividades físicas. Para indivíduos com condições como hipertensão arterial, diabetes ou elevação do colesterol é prudente uma avaliação clínica para excluir a presença de doença cardiovascular assintomática que possa se manifestar subitamente no exercício.

2 – Quais as dicas para escolher a melhor atividade física para o meu objetivo?
A melhor atividade física é aquela que efetivamente é feita! Por isso a melhor atividade física é aquela que traz o benefício do exercício com algum nível de prazer e diversão, convidando assim a ser feita novamente. Para a saúde do coração tanto faz se você está dançando, caminhando, nadando ou pedalando. Mas se o objetivo não é apenas saúde e sim alguma meta estética ou desempenho esportivo, a orientação de um educador físico é fundamental para alcançar os objetivos.

Muitas pessoas procuram fazer atividade física para perder peso. Neste caso é importante saber que, especialmente para os sedentários que vão começar a prática esportiva, que o pequeno gasto calórico da atividade física pode ser facilmente anulado com excessos na alimentação. Isto é, não é efetivo “correr atrás do garfo”! Para perder peso a atividade física deve estar alinhada com um trabalho de reeducação alimentar.

3 – Posso fazer atividade física em casa?
Com certeza. O espaço livre de uma sala de estar, quarto ou varanda pode ser suficiente para muitos exercícios efetivos, como abdominais, flexões de braço, agachamentos ou até treinos com pesos. Alguns treinadores desenvolveram soluções criativas usando objetos presentes em casa para fazer exercícios, portanto a falta de uma academia não é um problema.

4 – Como administrar a falta de tempo com a prática de uma atividade física?
Se colocarmos a atividade física como um compromisso do nosso dia, com um grau de importância semelhante ao trabalho ou alimentação saudável, então mesmo um intervalo pequeno de tempo, pode ser usado para treinar. Existem estratégias de treinos curtos de alta intensidade chamados HIIT (High Intensity Interval Training – do inglês treino intervalado de alta intensidade) oferecidos por muitas academias. Este treino combina exercícios de alta intensidade em intervalos curtos, alguns segundos e são feitos em uma série curta. Em alguns programas de HIIT os treinos têm 15 minutos de duração. E muitas publicações científicas já demonstraram benefícios com treinos curtos, sem maior incidência de lesões.

5 – Fazer uma caminhada já é um bom começo?
Caminhar é um exercício acessível a praticamente todos. É o movimento natural de deslocamento do corpo humano e basta intensificar levemente o passo para se ter uma atividade física que é suficiente para aumentar o gasto energético diário. Uma dica fácil para avaliar a intensidade da caminhada é perceber o ritmo da respiração: se caminhando com alguém, a conversa estiver fluindo fácil, então, há espaço para intensificar o ritmo. A caminhada deve ser intensa o suficiente para permitir que você fale algumas palavras, mas não uma frase longa.

6 – Qual a frequência que uma pessoa pode dizer que não é sedentária? Qual a frequência ideal para quem esta começando?
Para ser considerado fisicamente ativo a recomendação é de pelo menos 150 minutos semanais (por exemplo, 30 minutos , 5 vezes por semana) de atividade física leve a moderada. Por atividade leve a moderada, podemos citar a caminhada num ritmo que torne a respiração mais ofegante, ou uma pedalada leve. Se for possível uma atividade mais intensa, como correr ou nadar, a recomendação é metade disso, pelo menos 75 minutos semanais.

Geralmente um intervalo de 2 a 4 dias entre sessões de treino são ideais para induzir ganho de condicionamento e melhor qualidade muscular e cardiovascular. Ou seja, duas ou três sessões por semana são ideais para começar a desenvolver o condicionamento. Treinar apenas uma vez por semana também pode trazer benefício, mas o ganho em termos de condicionamento provavelmente será menor.

7 – Jogar futebol com os amigos no final de semana é uma prática saudável?
Certamente! Muitos estudos reforçam a importância de sair do sedentarismo, mesmo que somente aos finais de semana, demonstrando benefícios em relação a quem não pratica nada. Entretanto quem se exercita apenas aos finais de semana (especialmente futebol, que é um esporte de impacto) corre maior risco de lesões, como estiramentos musculares, lesões articulares ou ligamentares.

8 – Podemos dizer que fazer atividade física é uma obrigação?
Assim como alimentação saudável, atividade física não deve ser uma obrigação, atribuindo a ela um caráter impositivo. Como já foi demonstrado em alguns estudos sobre alimentação, a proibição de certos alimentos como uma prescrição médica pode ter o efeito reverso, de aumentar o seu consumo! Sendo assim a obrigatoriedade da atividade física pode aumentar a frustração de quem tem dificuldades em praticar. Devemos estimular conhecimento sobre os benefícios da atividade física e seu potencial em promover bem estar, prevenção e tratamento de doenças. Neste sentido a prática regular de atividade física faz parte de uma rotina saudável, e a motivação para o exercício virá naturalmente uma vez que o indivíduo sente os benefícios da sua prática.

9 – Fazer atividade física ajuda na saúde mental?
Uma lição aprendida das disciplinas orientais: atividade física pode ser uma forma de meditação! Yoga, Tai-Chi e outras formas de exercícios são usadas para treinar o corpo e o tornar mais apto para atingir estados elevados de concentração e desenvolvimento espiritual. Mesmo que não façamos exercício para este fim, inúmeros estudos científicos já demonstraram o benefício de atividade física para o manejo de condições como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, insônia, transtornos de hiperatividade e inatenção.

Além disso, exercícios físicos são atualmente considerados a medida de estilo de vida mais efetiva, mais até do que muitas medicações, para reduzir a progressão de demências, como a doença de Alzheimer.

Encontre algo que você goste de fazer e aproveite as mudanças positivas que um exercício físico pode trazer para a sua vida.

Fonte: dr. Gabriel Ferreira Rozin​, médico especialista do Hospital Israelita Albert Einstein

BRUXISMO DO SONO-SAIBA MAIS

Bruxismo do sono na criança merece atenção! Não é “fisiológico” e não tem origem nos dentes!

Vamos conversar sobre alguns conceitos que ainda são falados quando ao assunto é bruxismo do sono?  Minha lista de crenças sobre o assunto é enorme! Mas hoje vamos focar em apenas alguns tópicos para entender um pouco sobre a crença (ainda vigente!!) de que dentes desempenham papel importante na origem do bruxismo…

Bruxismo do sono está relacionado com troca de dentes? Não!  

– Isso é uma crença que se perpetuou e por isso fica a impressão para muitos que o bruxismo ocorre nessa fase.
– Não existe nenhum embasamento para isso!
– O bruxismo do sono se inicia por um comando de sistema nervoso central e os dentes não participam em nenhum momento da fisiopatologia!
Que tal ler esse artigo aqui => clique aqui e aqui nessa revisão do Prof Lavigne e cols.

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Aparelhos ortopédicos, ortodônticos e/ou ajustes oclusais são condutas válidas para bruxismo? Não!
Vamos seguir o raciocínio da fisiopatologia?
– A origem é… Central!!! OK! Isso está bem sedimentado por pesquisas sérias!
Então, porque utilizar técnicas de alteração da oclusão (ortodontia e/ou ortopedia) nesses casos? Não faz o menor sentido. :/
– O contato dentário é o final de toda cadeia do processo de bruxismo do sono.
Vamos ler mais sobre o assunto? clique aqui  e aqui também 😉

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Atenção para os outros fatores causais!
– Outros fatores têm sido mais estudados e entendidos como causal no caso de bruxismo do sono.
Precisamos avaliar cada paciente.  Para sabermos como tratar uma criança com bruxismo é necessária uma investigação complexa.Não podemos subestimar a importância dessa condição tão complexa !!

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Bruxismo e stress

Bruxismo do sono e criança estressada. Essa dobradinha está sempre presente?

FONTE: Dra Adriana Lira Ortega

Será que a associação causal entre estresse e bruxismo do sono (BS) é direta e sempre frequente? É muuuitooooo comum ouvir mães e colegas sempre justificando a presença do BS porque a criança tem ou está com algum foco de estresse: trocou de escola, os pais brigaram, nasceu um irmãozinho, o peixinho morreu e por aí vai… Mas sem dúvidas, é muito fácil achar um foco de ansiedade em qualquer pessoa, inclusive em crianças! Procura que acha.

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Bem, apesar da associação estar bem descrita na literatura, algumas considerações podem ser feitas. Vamos lá:

1.   A Associação é causal ?

Poderíamos encontrar uma justificativa biológica no movimento mandibular durante o sono frente a presença de um fator estressante ou ainda, uma personalidade ansiosa? Não vejo “motivo”… :/

O Bruxismo do Sono pode ser justificado na presença de refluxo ou na diminuição do fluxo de ar, porque nesses casos o movimento mandibular tem função. No caso de ansiedade e estresse não existe função para o movimento. A pessoa tensa contraí músculos e aperta os dentes, não range…

2.       Nem toda pesquisa encontra a associação… Ou seja, não existe “consistência”, que é um dos critérios de Hill para identificar associação causal. Leia sobre associação causal!!

Recentemente a Nélia Medeiros Sampaio, uma profissional comprometida e competente,  que tive o prazer de orientar no Doutorado, publicou o resultado de uma pesquisa onde investigamos estresse e BS em 246 indivíduos: crianças e suas mães. A avaliação psicológica foi feita por um psicólogo, especialista e professor universitário na área.

Resumidamente, o que encontramos?

  • Aumento na chance de ocorrência de BS nas crianças foi observado quando as mães também apresentavam (olha a genética aí!!!! 🙂 )
  • Stress psicológico não estabeleceu associação significante com BS, nem nas crianças nem nas mães, mesmo quando o instrumento de diagnóstico identificou níveis aumentados de stress.
  • Estresse materno, como um possível fator ambiental, não influenciou na ocorrência de BS na criança.
  • criança cobrindo rosto

Assim, os achados desse estudo dão uma dica…  É necessário procurarmos também causas orgânicas ao invés de focarmos a atenção apenas no aspecto psicológico. Obviamente é extremamente importante prestar atenção nos aspectos psicológicos. Mas não fazendo a associação imediata e sem investigar outros fatores etiológicos presentes!

Quer ler o artigo completo? Ele está disponível na íntegra no site da Sleep ScienceSampaio NM, Oliveira MC, Andrade AC, Santos LB, Sampaio M, Ortega AL. Relationship between stress and sleep bruxism in children and their mothers: A case control study . Sleep Sci. 2018;11(4):239-244.

o colesterol é sempre vilão?

Um índice alto de colesterol no corpo muitas vezes está ligado ao nosso estilo de vida

​A imagem é sempre de um vilão, mas o colesterol é um tipo de gordura importante para o funcionamento do organismo. Ele está presente em nosso sangue e em todos os tecidos, contribuindo para a produção de muitos hormônios, de vitamina D, de ácidos envolvidos na digestão e também tem papel na regeneração das células.

Produzido pelo nosso corpo diariamente, também obtemos colesterol ao ingerir alimentos como carne, leite integral e ovos. O problema está quando acumulamos em excesso no nosso corpo, o que pode gerar problemas graves de saúde como AVC, infartos e outros problemas cardiovasculares.

Para entender a sua importância e como ele está ligado a nossa rotina, conversamos com o dr. Gabriel Ferreira Rozin, especialista em Medicina do Estilo de Vida  do Einstein. Confira abaixo e tire suas dúvidas!

Existem tipos de colesterol?
Dentro do termo “colesterol”  estão compreendidas várias substâncias complexas, chamadas de lipoproteínas,  que são primariamente produzidas pelo fígado e circulam no nosso organismo. Existem vários tipos de lipoproteínas, mas as que têm maior relevância na prática clínica são a lipoproteína de baixa densidade (LDL) e a de alta densidade (HDL). Colesterol é um tipo de gordura presente nessas lipoproteínas, e que é vital para a saúde do organismo. Ele faz parte de todas as membranas celulares e é a base para a produção de muitos hormônios. No entanto o excesso de colesterol no organismo pode ser a causa de diversos problemas de saúde.

Quais problemas de saúde o colesterol pode causar? E quais comportamentos do dia a dia contribuem para esses problemas?
O excesso de colesterol, especificamente o excesso de LDL na sua forma oxidada, é a base do desenvolvimento da doença aterosclerótica, que é o acúmulo de placas gordurosas nas paredes das artérias. A obstrução das artérias leva a doenças como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, isquemia periférica (nos membros inferiores). Além disso, o excesso de gordura circulante está também relacionado à maior chance de desenvolver diabetes, por contribuir com a resistência à insulina.

Vale lembrar que o controle do colesterol é um dos componentes da prevenção da doença aterosclerótica. Outros fatores que também contribuem para a doença são hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, sedentarismo e obesidade, que devem ser igualmente abordados para reduzir a chance futura de doença.

Como o exercício físico e o estilo de vida saudável podem ajudar no controle do colesterol?
A principal modificação de estilo de vida para reduzir o colesterol LDL é reduzir a quantidade de gordura saturada presente na alimentação. Isso significa reduzir o consumo de:

  • Carnes (bovina, suína, frango, peixes);
  • Laticínios (leite integral, queijos, iogurte, manteiga);
  • Gema de ovo;
  • Frituras;
  • Outras gorduras industrializadas presentes em salgadinhos, doces, biscoitos, bolos, sorvetes e chocolates.
Independentemente da dieta, intervenções de estilo de vida que levem a perda de peso também reduzem o colesterol, especialmente atividade física aeróbica. Entretanto é difícil competir com a alimentação. Estudos demonstram que mesmo em atletas de alto rendimento, se a alimentação for muito rica em gordura o colesterol continua alto a despeito do alto gasto calórico.

Quais adaptações posso fazer na rotina para cuidar do meu colesterol?
Preferir alimentos de origem vegetal em relação aos animais é um bom começo. Nossa tradição alimentar põe com frequência a carne como principal elemento da refeição, e isso geralmente significa gorduras demais.

Trocar o excesso de carnes por proteínas de origem vegetal (por exemplo, mais feijões, grão de bico ou lentilhas, brócolis ou couve flor) é uma boa forma de reduzir o conteúdo de gordura da refeição sem perder no conteúdo proteico ou nutricional. Substituir sobremesas industrializadas por frutas é fundamental! Atividade física regular, mesmo que de intensidade leve a moderada, como caminhadas diárias, também podem ter um impacto positivo sobre o colesterol.

Dr. Gabriel Ferreira Rozin, médico da área de Revisão Continuada de Saúde do Einstein. 

​Qual a relação do sangramento nasal com o tempo seco?

Baixo teor de umidade no ar ambiente pode resultar em secura e irritação das mucosas. Este fator é comum nos meses de inverno, e nos locais com aquecimento central, sem umidificadores.

A vermelhidão da mucosa do nariz, que acompanha a rinite alérgica ou viral, pode propiciar pequenos traumas, levando ao sangramento.

​​O que fazer na h​ora do sangramento?

Sangramentos nasais são muito comuns, mas nem sempre graves. As principais causas são exposição ao ar seco e manipular o interior do nariz.

Se seu nariz ou de seu filho começar a sangrar, o principal é saber como proceder, a maioria dos casos cessa espontaneamente. E como saber se é sério ou não? Quando procurar o Hospital?

Você deve procurar um médico se o sangramento:

  • em grande quantidade, causando dificuldade de respirar
  • lhe deixar muito pálido, cansado ou com confusão mental
  • não cessar, mesmo com as auto- medidas realizadas em casa
  • acontecer logo após uma cirurgia do nariz, ou se você tem, sabidamente, alguma lesão intra-nasal
  • vier acompanhado de outros sintomas, como dor no peito
  • acontecer após algum trauma, como ser atingido na face
  • não parar, e você fizer uso de algum anticoagulante ou anti agregante plaquetário

Como evitar?

  • use um umidificador no quarto
  • deixe sempre a mucosa nasal úmida, através de sprays nasais/soro fisiológico
  • tome cuidado ao manipular seu nariz, para evitar pequenos traumas, que podem levar a um sangramento.

Qual o tratamento?

Algumas medidas podem ser auto- realizadas em casa, no momento do sangramento:

  1. Assoe o nariz. Isso pode aumentar o sangramento num primeiro momento, não se assuste!
  2. Fique sentado ou em pé com a cabeça inclinada para frente. NÃO deite ou coloque a cabeça para trás!
  3. Aperte suas narinas por alguns segundos (na ponta do nariz)
  4. Fique pressionando seu nariz, com papel descartável, por alguns minutos (respire pela boca)
  5. Se o sangramento persistir, repita os passos. Se mesmo assim não parar de sangrar, procure o pronto atendimento.
Fonte: Hospital A.Einstein
fernanda domingos giglio petreche
e Juliana aparecida soares

Cárie pega pelo beijo ?

Então, cárie é doença transmissível? Não.

Cárie pega pelo beijo? Não.

E será que devemos continuar nos referindo à cárie como “doença infecciosa”? No sentido convencional, provavelmente não.

Em um instigante artigo científico publicado este ano Simón-Soro e Mira explicam porque a cárie dentária deve ser considerada uma disbiose e não uma doença infecciosa.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25435135 

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Fonte:Crescer Sorrindo UERJ

Doenças autoimunes

Como surgem as doenças autoimunes? Estudo avança compreensão sobre o tema

Pesquisadores da USP usam sistema CRISPR/Cas9 para manipular o gene Aire e, dessa forma, entender melhor como ele atua no controle de doenças autoimunes

O sistema imunológico humano às vezes falha em sua função de reconhecer tecidos e órgãos como elementos próprios do corpo e passa a atacá-los como se fossem estranhos. Esse erro de identificação é denominado autoimunidade agressiva e desencadeia doenças como a síndrome poliglandular autoimune tipo 1 (APS-1) e o diabetes mellitus do tipo 1.Nos últimos anos descobriu-se que dois genes, que atuam nas células da medula do timo (células mTEC), controlam a autoimunidade agressiva: o Fezf2 (sigla em inglês de forebrain-expressed zinc finger 2) e, principalmente, o Aire (sigla em inglês de autoimmune regulator).

Um grupo de pesquisadores das faculdades de Medicina (FMRP) e de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da Universidade de São Paulo (USP) usou o sistema CRISPR/Cas9 – uma ferramenta de edição do DNA – para manipular o gene Aire e, dessa forma, entender melhor como ele atua no controle de doenças autoimunes.

O estudo, resultado de um projeto de pesquisa apoiado pela Fapesp e do trabalho de mestrado de Cesar Augusto Speck-Hernandez feito na FMRP-USP, foi publicado na revista Frontiers in Immunology. “Usamos, pela primeira vez, o CRISPR/Cas9 para ‘anular’ o Aire em células mTEC de camundongos cultivadas in vitro [fora do corpo dos animais] e estudar o efeito da perda de função desse gene”, disse Geraldo Aleixo Passos, professor da FMRP e da FORP-USP e coordenador do projeto.

Passos explica que as doenças autoimunes são desencadeadas por autoanticorpos (que reagem contra o próprio corpo) ou pelos linfócitos T autoagressivos. Essas células, provenientes dos “timócitos”, são “educadas” na glândula do timo (um órgão torácico, situado logo à frente do coração) para não atacar os elementos próprios do corpo. Quando essa educação falha, o timo deixa escapar para o resto do corpo linfócitos T autoagressivos que podem agredir órgãos, como a glândula suprarrenal (causando a síndrome APS-1) ou o pâncreas, onde destroem as células produtoras de insulina e provocam o surgimento do diabetes mellitus do tipo 1.

Pesquisadores da área de imunologia sempre associaram a função do gene Aire com a eliminação dos timócitos autoagressivos, pois os pacientes com a síndrome APS-1, por exemplo, apresentam mutações na sequência do DNA desse gene. Mas ainda não havia uma demonstração cabal que validasse essa associação. “Decidimos testar a hipótese de que o gene Aire estaria envolvido na eliminação dos timócitos autoagressivos ao controlar a adesão física ou contato deles com as células mTEC. Sem o contato físico com as células mTEC os timócitos autoagressivos não são eliminados”, disse Passos.

Edição do gene

Os pesquisadores intuíram que, se os pacientes com doenças autoimunes apresentam mutações no Aire, o gene perderia a função de controlar a adesão entre as células mTEC e os timócitos autoagressivos.

A fim de testar essa hipótese, eles usaram o CRISPR/Cas9 para romper o DNA do gene Aire de células mTEC de camundongos e provocar mutações nele, a fim de possibilitar a perda de sua função original.

Para funcionar, um gene tem que estar íntegro, ou seja, não pode ter mutações deletérias. Quando o DNA dele é rompido por meio do CRISPR/Cas9, a célula dispara um sistema emergencial de “reparo” para reunir novamente a dupla fita antes que ela morra. Como esse sistema de reparo não é muito eficiente, a própria célula gera erros na sequência do gene-alvo, que resultam em mutação, explicou Passos. “O gene-alvo mutante geralmente perde a sua função original e isso ocasiona algum problema na célula mutante”, disse.

Os pesquisadores da USP observaram que as células mTEC Aire mutantes se mostraram menos capazes de aderir aos timócitos quando comparadas com as células normais, chamadas Aire selvagens.

Ao fazer o sequenciamento do transcriptoma, ou seja, do conjunto completo dos RNAs mensageiros (mRNAs, codificadores de proteínas) das células mTEC Aire mutantes e das selvagens, eles observaram que o gene Aire também controla mRNAs codificadores de proteínas envolvidas com a adesão célula-célula.

Em um estudo anterior, feito durante o trabalho de mestrado de Nicole Pezzi, sob orientação de Passos, os pesquisadores demonstraram por meio de uma técnica de silenciamento gênico, chamada RNA interferente, que o gene Aire realmente controla a adesão entre as células mTEC e os timócitos. “Essas novas constatações reforçam a tese de que o gene Aire está implicado na adesão mTECs-timócitos, que é um processo essencial para eliminação das células autoagressivas e prevenção das doenças autoimunes”, disse Passos, pesquisador associado ao Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela Fapesp.

Na avaliação dele, a utilização da técnica CRISPR/Cas9 abre perspectivas importantes de pesquisa no sentido de “editar” o genoma das células mTEC de camundongos de laboratório de modo a “mimetizar” as mutações do gene Aire encontradas nos pacientes com doenças autoimunes. “Isso facilitará muito as pesquisas sobre o efeito das mutações patogênicas do gene Aire. Como os genomas do homem e do camundongo são muito parecidos em termos de sequências de DNA [mais de 80% de identidade], poderemos continuar a utilizar o CRISPR/Cas9 nas células desse animal para estudar os mecanismos da autoimunidade agressiva que acontece em humanos e quem sabe, no futuro, tentar corrigi-los”, finaliza Passos.

Fonte e foto: Agência Fapesp

Qual pasta de dente deve ser indicada para os primeiros dentes, COM ou SEM flúor? Qual a quantidade na escova? Quantas vezes por dia se deve utilizá-la?
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👉🏻 Estas são as principais, mas não as únicas dúvidas em relação ao início da higienização bucal dos bebês com dentes. Por isso, o ideal é que seja feita uma consulta presencial com um Odontopediatra 😷 em relação ao início da higiene bucal previamente à erupção (nascimento) dos dentes decíduos (de leite). Desta forma, ele poderá prescrever de maneira personalizada e específica para a necessidade de cada paciente, baseado na anamnese (histórico) e na realidade/rotina da família.
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☝🏻 Portanto, este post, embasado em comprovações científicas e nas diretrizes de saúde das principais associações que regem a saúde infantil, visa esclarecer de uma forma ampla e correta, o uso da pasta COM flúor ✅ já a partir do primeiro dente decíduo, independente da idade da criança e se ela engole ou não, desde que sejam seguidas as orientações de quantidade (descritas abaixo).
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👶🏻 Crianças até 2 anos devem usar o equivalente a “meio grão de arroz cru” duas vezes ao dia, 🧒🏻 dos 2 até os 4 “um grão de arroz cru” também duas vezes ao dia, 👦🏻 e acima de 4 anos, do tamanho de “uma ervilha brasileira” pelo menos nas três escovações básicas. .
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✅ A pasta de dente ideal COM FLÚOR deve ser a partir da concentração de 1000 ppm de flúor (essa informação você encontrará escrita 🔎 atrás das embalagens).
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⚠ Pasta de dente deve ser encarada como medicamento, e por isso quem deve colocá-la na escova da criança supervisionando a escovação é um adulto. Nunca 🚫 a própria criança! .
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♻ A pasta de dente quando usada na PRESCRIÇÃO CORRETA e de maneira consciente, não é tóxica e traz benefícios!
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#odontopediatriabrasil🇧🇷

Dispositivos interferem na qualidade e quantidade do sono e podem ser responsáveis por obesidade e depressão entre crianças e adolescentes

A combinação sono e celular pode ser prejudicial à saúde. Um estudo divulgado pelo King’s College London comprovou que os efeitos são ainda mais nocivos em crianças e adolescentes entre 6 e 19 anos de idade. O uso dos aparelhos eletrônicos na hora de dormir interfere na qualidade e quantidade do sono e no funcionamento durante o dia.

“O uso de smartphones e tablets no período da noite afeta diretamente a quantidade e a qualidade do sono, bem como piora o funcionamento da criança ou adolescente durante o dia, por aumentar a sonolência diurna”, explica a dra. Leticia Maria Santoro Franco Azevedo Soster, neurologista infantil e neurofisiologista clínica da Medicina do Sono Einstein.

Vale a pena ressaltar que esses efeitos negativos não ocorrem apenas com o uso de aparelhos eletrônicos na cama, mas também no período noturno ou mesmo quando os dispositivos são deixados no quarto no momento de dormir.

Como os eletrônicos interferem?
De acordo com a especialista, os aparelhos podem interferir de maneira direta e indireta. Quanto mais tempo os aparelhos são usados, menos tempo o indivíduo dormirá ou descansará. Além disso, o conteúdo visualizado, principalmente nas redes sociais, pode ser psicologicamente estimulante – fazendo com que a pessoa tenha dificuldade de se “desligar”.

Ainda há uma terceira forma de interferência, que é na produção e liberação de melatonina. “O hormônio que sinaliza ao nosso cérebro que precisamos iniciar o sono”, afirma a dra. Leticia. “Este hormônio é bloqueado pelo feixe de luz azul contida em todos os aparelhos eletrônicos – o que leva atraso do início do sono.”

Impactos à saúde
Durante o sono ocorre o processo de memória (consolidação de itens aprendidos), a liberação de hormônios, como a melatonina, leptina (hormônio da saciedade), Gh (hormônio do crescimento) e cortisol. “Assim, os processos de memória, a saciedade, o crescimento e processos inflamatórios estão comprometidos, caso ocorra interrupções frequentes no sono”, afirma a especialista. “Além disso, o sono não reparador pode levar a consequências diurnas, sonolência excessiva, dificuldade regular o humor, principalmente.”

Noite tranquila 
Evite o uso de eletrônicos no período da noite ou pelo menos 30 minutos antes de deitar-se e também não mantenha celular e tablet no quarto. “Por ser uma fase de crescimento (para crianças e adolescentes), é importante manter a integridade para promover o adequado crescimento somático e funcionamento cerebral. Os hábitos influenciam no restante da vida da criança”, alerta a dra. Leticia.
Dispositivos interferem na qualidade e quantidade do sono e podem ser responsáveis por obesidade e depressão entre crianças e adolescentes

Fonte:Hospital Albert Einstein