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Dispositivos interferem na qualidade e quantidade do sono e podem ser responsáveis por obesidade e depressão entre crianças e adolescentes

A combinação sono e celular pode ser prejudicial à saúde. Um estudo divulgado pelo King’s College London comprovou que os efeitos são ainda mais nocivos em crianças e adolescentes entre 6 e 19 anos de idade. O uso dos aparelhos eletrônicos na hora de dormir interfere na qualidade e quantidade do sono e no funcionamento durante o dia.

“O uso de smartphones e tablets no período da noite afeta diretamente a quantidade e a qualidade do sono, bem como piora o funcionamento da criança ou adolescente durante o dia, por aumentar a sonolência diurna”, explica a dra. Leticia Maria Santoro Franco Azevedo Soster, neurologista infantil e neurofisiologista clínica da Medicina do Sono Einstein.

Vale a pena ressaltar que esses efeitos negativos não ocorrem apenas com o uso de aparelhos eletrônicos na cama, mas também no período noturno ou mesmo quando os dispositivos são deixados no quarto no momento de dormir.

Como os eletrônicos interferem?
De acordo com a especialista, os aparelhos podem interferir de maneira direta e indireta. Quanto mais tempo os aparelhos são usados, menos tempo o indivíduo dormirá ou descansará. Além disso, o conteúdo visualizado, principalmente nas redes sociais, pode ser psicologicamente estimulante – fazendo com que a pessoa tenha dificuldade de se “desligar”.

Ainda há uma terceira forma de interferência, que é na produção e liberação de melatonina. “O hormônio que sinaliza ao nosso cérebro que precisamos iniciar o sono”, afirma a dra. Leticia. “Este hormônio é bloqueado pelo feixe de luz azul contida em todos os aparelhos eletrônicos – o que leva atraso do início do sono.”

Impactos à saúde
Durante o sono ocorre o processo de memória (consolidação de itens aprendidos), a liberação de hormônios, como a melatonina, leptina (hormônio da saciedade), Gh (hormônio do crescimento) e cortisol. “Assim, os processos de memória, a saciedade, o crescimento e processos inflamatórios estão comprometidos, caso ocorra interrupções frequentes no sono”, afirma a especialista. “Além disso, o sono não reparador pode levar a consequências diurnas, sonolência excessiva, dificuldade regular o humor, principalmente.”

Noite tranquila 
Evite o uso de eletrônicos no período da noite ou pelo menos 30 minutos antes de deitar-se e também não mantenha celular e tablet no quarto. “Por ser uma fase de crescimento (para crianças e adolescentes), é importante manter a integridade para promover o adequado crescimento somático e funcionamento cerebral. Os hábitos influenciam no restante da vida da criança”, alerta a dra. Leticia.
Dispositivos interferem na qualidade e quantidade do sono e podem ser responsáveis por obesidade e depressão entre crianças e adolescentes

Fonte:Hospital Albert Einstein

Alimentos industrializados na infância

Porque evitar os alimentos industrializados na infância

Apesar da elevada disponibilidade de alimentos industrializados para a criança, seu uso diário e indiscriminado não é recomendado, pois interfere na formação do hábito alimentar saudável.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, crianças até dois anos de idade não devem consumir alimentos industrializados. Nesta fase, o indicado é consumir alimentos naturais, que oferecem uma maior quantidade de nutrientes sem aditivos químicos, como, conservantes, aromatizantes, corantes e espessantes, pois essas substâncias podem dar inícios às alergias, e em longo prazo, efeito tóxico no fígado, por exemplo.

Além dos aspectos nutricionais, em muitas situações, os alimentos industrializados podem apresentar custo mais elevado que o natural, o que pode comprometer o orçamento da família.

Outro cuidado importante em relação aos alimentos processados está relacionado à quantidade excessiva de açúcar, gordura e sódio. Essas substâncias em excesso podem aumentar o risco de doenças crônicas no futuro, como obesidade, colesterol elevado no sangue e diabetes.

Você pode achar que estamos exagerando, mas não. Vários estudos já encontraram acúmulo de gordura na artéria de crianças, e isso configura risco para doença cardiovascular.

Com isso, vamos prestar atenção na alimentação das crianças. E quando falamos de alimentos industrializados, o leque é grande, portanto achamos importante dar alguns exemplos:

  • Chocolate
  • Balas, pirulitos e todas as guloseimas que levam açúcar
  • Bebidas com achocolatados
  • Café
  • Salgadinhos, biscoitos e bolachas
  • Embutidos
  • Refrigerantes
  • Bebidas lácteas
  • Leite fermentado
  • Bebidas à base de soja
  • Petit Suisse
  • Sucos industrializados
  • Macarrão instantâneo

Importante: Essas informações também valem para os tios, avós e amigos. Nunca ofereça nada às crianças sem o consentimento dos pais. Fica a dica!

 Fonte: Meu pratinho saudável

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Saiba a quantidade de açúcar nos alimentos mais consumidos

O açúcar está presente em vários alimentos, sendo utilizado principalmente para deixá-los mais saborosos. Pequenas quantidades de alimentos como achocolatado e ketchup fazem com que a dieta fique rica em açúcar, favorecendo o aumento do peso e a propensão para desenvolver diabetes.

A lista abaixo traz a quantidade de açúcar presente em alguns alimentos, sendo representado por pacotinhos de 5 g de açúcar.

1. Refrigerante

Os refrigerantes são bebidas ricas em açúcar, e o ideal é trocá-los por sucos naturais de fruta, que contêm apenas o açúcar já presente nas frutas e além disso, os sucos naturais são ricos em vitaminas importantes para o bom funcionamento do organismo. Veja dicas para fazer compras saudáveis no supermercado e manter a dieta.

Saiba a quantidade de açúcar nos alimentos mais consumidos

2. Chocolate

Os chocolates são ricos em açúcar, principalmente o chocolate branco. A melhor opção é escolher o chocolate amargo, com pelo menos 60% de cacau, ou o ‘chocolate’ de alfarroba, que não é preparado com cacau, mas com alfarroba.

Saiba a quantidade de açúcar nos alimentos mais consumidos

3. Leite condensado

O leite condensado é feito apenas com leite e açúcar, devendo ser evitado na alimentação. Quando necessário, em receitas, deve-se preferir o leite condensado light, lembrando que mesmo a versão light também é muito doce.

Saiba a quantidade de açúcar nos alimentos mais consumidos

4. Creme de avelã

O creme de avelã tem como principal ingrediente o açúcar, sendo preferível utilizar patês caseiros ou geleia de frutas para consumir com torradas ou passar no pão.

Saiba a quantidade de açúcar nos alimentos mais consumidos

5. Iogurte

Para produzir iogurtes mais saborosos, a indústria adiciona açúcar na receita desse alimento, sendo ideal consumir iogurtes light, que são feitos apenas a partir do leite simples ou o açúcar natural.

Saiba a quantidade de açúcar nos alimentos mais consumidos

6. Ketchup

O ketchup e molhos barbecue são ricos em açúcar, devendo ser substituídos por molho de tomate, que é rico em antioxidantes que ajudam na prevenção de doenças como câncer.

Saiba a quantidade de açúcar nos alimentos mais consumidos

7. Biscoito recheado

Além de muito açúcar, os biscoitos recheados também são ricos em gordura saturada, que aumenta o colesterol ruim. Assim, o ideal é consumir biscoitos simples sem recheio, de preferência integrais, ricos em fibras.

Saiba a quantidade de açúcar nos alimentos mais consumidos

8. Cereais do café da manhã

Os cereais utilizados no café da manhã são muito doces, principalmente os de chocolate ou com recheio por dentro. Por isso, deve-se preferir cereais de milho ou as versões light, que contêm menos açúcar adicionado.

Saiba a quantidade de açúcar nos alimentos mais consumidos

9. Achocolatado

Cada colher de achocolatado normal contém 10 g de açúcar, devendo preferir as versões light, que além de serem ricas em vitaminas e minerais, também são saborosas.

Saiba a quantidade de açúcar nos alimentos mais consumidos

10. Gelatina

O principal ingrediente da gelatina é o açúcar, e por ela ser de fácil digestão, aumenta rapidamente a glicemia, favorecendo o aparecimento de diabetes. Por isso, o ideal é consumir a gelatina diet ou zero, que são ricas em proteínas, nutriente ideal para fortalecer o corpo.

Saiba a quantidade de açúcar nos alimentos mais consumidos

Fonte: Tua Saúde:dieta e nutrição

DEPRESSÃO INFANTIL NÃO DEVE SER ENCARADA COMO “MANHA”

 

Apesar de parecer pouco provável, a depressão pode ocorrer na infância. Muitas vezes ela é subestimada e negligenciada pelos adultos, e encarada como “manha” ou “frescura”. Outros transtornos psiquiátricos que também podem afetar crianças são muito mais discutidos, como o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e as fobias. No entanto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2020 a depressão se tornará a doença mais incapacitante no mundo. Para mudar esse quadro, uma das medidas é tirar a depressão infantil da invisibilidade.

Dra. Ana Kleinman, psiquiatra infantil e pesquisadora do Programa de Transtorno Bipolar do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, aponta que cerca de 2% das crianças em idade pré-escolar e escolar sofrem de depressão. Esse número sobe para 11,7% quando elas passam para a puberdade.

O desenvolvimento da depressão em uma criança geralmente envolve dois pontos: pré-disposição genética e problemas no entorno familiar e social (brigas entre os pais, bullying, dificuldades escolares, perda de um animal de estimação ou parente próximo, entre outros).

Atenção para os sintomas

É de extrema importância saber identificar os sintomas. Os primeiros sinais são físicos: dor de cabeça, dor de barriga, alteração no apetite e no sono. “Quando os pais começam a ligar muito para o pediatra, ou ir várias vezes ao pronto-socorro, é um sinal de alerta para a depressão”, afirma a médica. A criança pode ficar muito ansiosa ou irritada, apresentar dificuldades escolares e evitar socializar com família e amigos. Também podem surgir medo de ficar sozinhas e choro excessivo.

Mas é importante ressaltar que os sintomas nem sempre são aparentes, pois crianças tendem a ter mais dificuldade de falar sobre o que sentem, o que torna mais difícil o diagnóstico precoce. A partir dos 12 anos as crianças conseguem descrever melhor seus sentimentos, e é fundamental não ignorá-los. Para isso, pais, professores e pessoas próximas devem sempre observar e acompanhar as crianças.

Identificados os possíveis sintomas, os responsáveis devem procurar um psiquiatra infantil, que poderá definir o diagnóstico com precisão após descartar outras condições clínicas capazes de provocar sinais semelhantes.

A etapa seguinte é atestar o grau da doença. Segundo a médica, é preciso avaliar o prejuízo funcional, ou seja, o quanto a depressão está interferindo no desenvolvimento e socialização da criança. Nos casos de grau leve, o tratamento é focado em terapias e atividade física, mas a especialista reforça que é preciso enfrentar a raiz do problema. “Não adianta fazer terapia se as brigas familiares não cessarem, por exemplo. É necessário uma mudança nas causas da depressão.” Nos casos de depressão moderada ou grave, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos.

Fonte:Drauzio Varela

Fotos podem ter direitos autorais

BEBÊS NÃO DEVEM TOMAR SUCO DE FRUTAS ANTES DE 1 ANO

 

Academia Americana de Pediatria publicou em 2017 novas diretrizes em relação ao consumo de sucos por crianças que ainda não completaram um ano de vida.

Segundo a entidade, sucos de frutas in natura e industrializados não oferecem benefícios nutricionais para os bebês e devem ser evitados, por conta do alto índice de açúcar e calorias vazias que colaboram para aumentar as taxas de obesidade e problemas dentários.

A fruta em forma de suco acaba perdendo as fibras e alguns nutrientes no processo de preparo, o que, entre outros problemas, causa menos saciedade ao bebê. O leite materno ainda é o alimento mais recomendado para este período. A entrada de frutas in natura deve ser estimulada somente após os sexto mês de vida.

A ingestão dos sucos deve ocorrer de maneira gradual e limitada, e não deve ultrapassar os 120 ml diários para crianças de 1 a 3 anos de idade, 175 ml para crianças de 4 a 6 anos e a 250 ml para a faixa de 7 aos 18 anos, sempre dentro da ingestão diária recomendada de 2 a 2 ½ porções de frutas por dia.


Fonte :Drauzio Varela

 

👉🏻A Hipomineralização Molar-Incisivo (HMI) consiste em uma alteração no esmalte dos dentes mencionados, ainda quando estão intra-ósseos, através de defeitos QUALITATIVOS . .
🎨 Ela é caracterizada por opacidades (manchas) demarcadas no esmalte dental, independente da coloração (brancas, amarelas e/ou marrons), e mesmo que tenha fratura no esmalte, esta fratura acontece durante ou após a erupção (nascimento) do dente e NÃO como uma alteração ocorrida ainda na formação e forma do dente em quantidade de esmalte (hipoplasia). .
☝🏻Atualmente a HMI representa um dos maiores desafios da Odontologia devido à frequente associação com a cárie 👾, dificuldade de adesão dos materiais restauradores, sensibilidade dentária (inclusive durante a escovação e mastigação) e problemas estéticos graves envolvidos.
Desafio aceito  e entendido pelo Odontopediatra que tem conhecimentos e é o profissional mais indicado para traçar o melhor planejamento e cuidados da HMI em crianças.
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🔎Muitas causas estão sendo investigadas cientificamente 📑, porém até o momento, duas são as mais pertinentes:
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1⃣ Infecções constantes com elevação da temperatura corporal (febre) que acontecem durante a primeira infância (até 03 anos) alterando a qualidade do esmalte, e;
2⃣ O uso repetido e quase que “contínuo” por ano, de antibióticos para controle dessas infecções recorrentes que podem assim interferir na maturação do esmalte dental. .
O tratamento consiste em devolver QUALIDADE DE VIDA para o paciente, através de ATENDIMENTO ESPECÍFICO.
Fonte :Odontopediatria Brasil

Por que escovar com dentifrício a 1000 ppm F desde o irrompimento do 1º dente?

As bactérias que vivem naturalmente na boca de todos aderem às superfícies dentárias e nelas se acumulam, porque os dentes são as únicas superfícies do nosso organismo que não se descamam. O acúmulo de biofilmes é considerado o fator necessário para desenvolver cárie e biofilmes são comunidades bacterianas organizadas resistentes às defesas naturais do hospedeiro e à agentes antimicrobianos. Assim, a maneira mais eficaz de controlar biofilmes é sua remoção mecânica e no caso dos acumulados sobre os dentes isso tem sido feito pela escovação.

Entretanto, embora as pessoas escovem seus dentes, a eficácia da escovação feita habitualmente pela população para controlar cárie é muito pequena. Por outro lado quando os dentes são escovados com dentifrício fluoretado, o fluoreto disponibilizado pelo dentifrício compensa as limitações mecânicas da escovação com o efeito físico-químico do fluoreto interferindo com o processo de desenvolvimento de lesões de cárie. Logo, além do dentifrício usado para escovar os dentes precisar ser fluoretado ele necessita ter uma concentração mínima para ser eficaz e essa, de acordo com a melhor evidência cientifica disponível, deve ser de 1000 ppm F (mg F/kg). Outro fator importante é a frequência de escovação com dentifrício fluoretado, a qual deve ser no mínimo de 2x/dia, sendo que a escovação noturna parece ser a mais eficaz para o melhor controle de cárie.
Embora acúmulo de biofilme seja o fator necessário para o desenvolvimento de cárie, ele por si só não é suficiente, sendo determinante a exposição frequente á açucares da dieta, dos quais sacarose é o mais cariogênico. Logo, açúcar é o fator determinante negativo para o desenvolvimento de cárie e fluoreto é o fator determinante positivo tentando contrabalançar o efeito do açúcar. Assim, é altamente desejável, que além do dentes serem regularmente escovados com dentifrícios fluoretados, haja uma disciplina de consumo de produtos açucarados e esse equilíbrio é conseguido se açúcares não forem consumidos mais 7x/dia.
A escovação dos dentes com dentifrício fluoretado desde seu irrompimento tem sido pragmaticamente recomendada por Associações e Academias tanto da área Médica como Odontológica, porque:
1- Não é possível predizer se uma crianças terá ou não cárie no futuro;
2- Cárie continua sendo um problema na qualidade de vida das pessoas;
3- Fluorose dentária, o único risco do uso de dentifrício fluoretado na infância, não compromete a qualidade de vida dos acometidos;
4- A eficácia e segurança de dentifrício de concentração convencional (1000 a 1500 ppm F) está baseada em evidência.

Prof Jaime A Cury – FOP-UNICAMP Jaime Aparecido Cury – Professor titular de Bioquímica e Cariologia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP/Unicamp), Piracicaba, SP, Brasil
Prof. Jaime A Cury
Av. Limeira, 901 (CP 52)
Areião – Piracicaba – SP
13414-903
Brasil
jcury@unicamp.br

O papel da Odontopediatria na saúde bucal do adolescente

1) Qual é a especialidade odontológica que cuida da saúde bucal dos adolescentes?
A Odontopediatria é a especialidade que visa cuidar da saúde bucal dos adolescentes, enfatizando a prevenção e a promoção de saúde, de modo direcionado em um programa educativo-preventivo e curativo, se necessário, enfocando o aspecto estético e cosmético, tão valorizados nessa fase. A hebiatria ou odontohebiatria tem o papel ou a responsabilidade de atendimento ao público adolescente e sabe-se, nesse contexto, que ela figura como parte integrante da Odontopediatria. O odontopediatra está apto para realizar o atendimento voltado para a saúde bucal dos bebês, da criança e do adolescente. Este profissional está habilitado a entender como os determinantes de saúde interferem nos adolescentes e tem conhecimento para utilizar recursos clínicos no auxílio do diagnóstico de comportamentos nocivos à saúde típicos da adolescência, como distúrbios alimentares, uso de drogas e a utilização do piercing bucal. O Cirurgião-Dentista deve se adequar para atender bem às necessidades dos jovens e deles obterem melhor retorno. É muito importante que o profissional não tenha preconceitos ou estereótipos durante suas intervenções, procurando entender o universo que compreende a adolescência, bem como as suas alterações. O papel desempenhado pelo Cirurgião-Dentista nessa fase como educador e motivador é fundamental para introduzir nos hábitos e na rotina do paciente, cuidados com a boca.1,2

2) Como pode ser definido o período da adolescência?
A Organização Mundial de Saúde considera a adolescência como o período compreendido entre a faixa etária dos 10 aos 19 anos. Corresponde a um período de transição entre a infância e a vida adulta, que é iniciado com as mudanças corporais da puberdade.1,3,4

3) Quais as principais mudanças a serem analisadas nesse período?
Caracteriza-se como um período de intensas transformações físicas e psicossociais que requerem atenção e ações de saúde, visando à saúde integral. Nesse período de vida, considerado de transição, os adolescentes passam por dificuldades relativas ao seu crescimento físico e amadurecimento psicológico, sexualidade, relacionamento familiar e social com os pares, violência, inserção no mercado de trabalho e outras.
Os adolescentes, pela própria condição psicológica de serem mais abertos a assumirem riscos, podem estar mais vulneráveis ao uso e/ou abuso de substâncias lícitas e ilícitas, exploração sexual, DST/Aids, gravidez precoce não planejada, problemas escolares, evasão escolar, depressão, suicídio, acidentes, entre outras situações.
As modificações hormonais, a irregularidade da dieta e a predileção, muitas vezes, por lanches substituindo refeições, podem levar a alterações digestivas, hábitos intestinais inadequados, bem como a alguns fatores que modificam o meio interno e o ambiente externo dos adolescentes, inserindo-os em um grupo de risco para a saúde geral e oral. Devido a isso, alguns cuidados específicos devem ser orientados.1,3,4

4) Quais problemas odontológicos podem afligir os adolescentes?
As principais doenças ou os principais problemas bucais nessa fase incluem: doenças periodontais, cárie dentária, maloclusão, fluorose, mau hálito, erosão, traumatismo dentário e a disfunção temporomandibular, que é outra alteração que pode iniciar sua manifestação nessa fase, especialmente nas mulheres. Dentre os problemas periodontais, têm-se aumento da prevalência de gengivite. Gengivite crônica é uma infecção gengival encontrada comumente, podendo ser causada pelo acúmulo de biofilme bacteriano. Essa forma de gengivite pode instalar-se em decorrência de alteração hormonal proporcionada pela ação do hormônio esteroidal (que aumenta a resposta inflamatória), podendo ainda manifestar-se proveniente de outros fatores desencadeantes. Problemas bucais podem causar dor, infecção, dificuldade em falar ou mastigar, bem como ausência na escola. Esses problemas podem influenciar na saúde geral, nos estudos, no trabalho e na vida social e autoestima dos adolescentes. Existem ainda, alguns comportamentos que podem agir, influenciando na saúde bucal, tais como: morder objetos, respirar pela boca e ranger os dentes, concomitantemente causando maloclusão ou quebra e desgaste dos dentes; etilismo e tabagismo podem ser os causadores de mau hálito, câncer bucal, manchas nos dentes e doença periodontal, além disso, esses maus hábitos podem repercutir desfavoravelmente na saúde geral desses indivíduos; uso de piercing na boca, que pode causar complicações como infecção, inchaço da língua, sangramento, dificuldade para mastigar, falar ou para engolir, entre outros.5-9

5) Qual deve ser a postura adotada pelos adolescentes, por seus familiares e pelo Cirurgião-Dentista?
Cabe ao adolescente primar por obter efetividade no autocuidado com sua higiene bucal, fazendo uso de técnica de escovação e de uso de fio dental ou fita dental corretamente. Convém ainda, diminuir o consumo de bebidas ácidas e evitar-se o uso do fumo, do álcool e de outras substâncias que possam afetar a saúde geral. Quanto aos pais e/ou responsáveis, cabe a eles tentar orientar os adolescentes a realizar as refeições principais ao longo do dia, sempre enfatizando acerca da importância que tem para eles a prática dos cuidados com sua higiene bucal. Convém lembrar, que o hábito diário e frequente da escovação e do uso de fio dental, pode ser prejudicado pelo fato de que o adolescente não se encontra sob controle dos pais, como na infância em relação ao monitoramento dessas medidas de higiene bucal. Uma forma de se contrapor a isso é, por meio da orientação adequada do próprio adolescente, responsabilizando-o por sua saúde. A adolescência é um período em que surgem mudanças de hábitos que podem levar ao aumento de algumas doenças bucais. Medidas preventivas de autocuidado podem ser realizadas diariamente pelos pacientes e devem ser recomendadas pelo Cirurgião-Dentista. Nesse sentido, além de serem promovidas orientações aos adolescentes acerca da manutenção da sua saúde bucal, deve-se procurar mantê-los constantemente motivados. O papel dos Cirurgiões-Dentistas nesse contexto engloba a aplicação de flúor, a profilaxia, o monitoramento de doenças gengivais, a instrumentação periodontal (raspagem coronariorradicular e alisamento radicular), bem como as orientações sobre os cuidados essenciais com a saúde oral, aconselhando-se conjuntamente a eles, evitar o uso de fumo e álcool, devido aos malefícios para a saúde que esses hábitos podem trazer consigo. Outro fator a ser considerado são os horários irregulares empregados por esses adolescentes para a realização da sua higienização, dificultando a obtenção de resultados adequados no controle do biofilme dentário. Nessas situações, o Cirurgião-Dentista deve mostrar a importância da regularidade dos horários, orientando esses pacientes. Relacionado aos procedimentos odontológicos a serem executados, o tratamento empregado consiste na remoção de cálculos e controle mecânico da placa bacteriana com técnicas de higiene adequadas. A utilização do fio dental pode fazer parte conjuntamente da rotina diária de higiene a ser executada pelos adolescentes para remover a placa dos espaços interdentários.2,9,10

6) Por que a prevenção em Odontologia é tão importante nesse período?
O controle periódico e os programas preventivos tem importância extremada neste período pelo fato de existirem na cavidade bucal dentes recém-erupcionados e os pacientes apresentarem diversas situações de risco que relacionamos acima acerca do seu comportamento, dieta, cooperação e entendimento, dentre outras. As ações de prevenção e de promoção de saúde têm por objetivo estimular o potencial criativo e resolutivo dos adolescentes, estimulando a participação e o protagonismo juvenil. O autocuidado em se tratando da prevenção em saúde bucal é muito importante e o adolescente tem condições de exercer esse autocuidado com o seu corpo em geral e com a sua boca em particular, e ao realizar essas atividades estará dando um passo significativo na manutenção de sua saúde bucal.9,10

Fonte :Sérgio Spezzia – Cirurgião-Dentista – Mestrando em Pediatria e Ciências Aplicadas à Pediatria pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo   /Katia Maria Scigliano Miquel Lamelo – Cirurgiã-Dentista – Especialista em Odontopediatria /Ricardo Schmitutz Jahn – Cirurgião-Dentista – Doutor em Ciências, professor titular da disciplina de Periodontia e Implantodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade Santo Amaro (Unisa) /Maria Rosângela Jahn – Cirurgiã-Dentista – Especialista em Odontopediatria e Periodontia

Sua Saúde

Combate à obesidade infantil começa em casa com ajuda da família

Fonte: Dra. Claudia Cozer, endocrinologista e coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio-Libanês

O Dia da Conscientização contra a Obesidade Mórbida Infantil é comemorado em 3 de junho. Você sabe o que é obesidade mórbida? Nos adultos, esse tipo de obesidade refere-se às pessoas que têm o índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 40 kg/m² — ou seja, quando estão muito acima do peso (obesidade grau III) e passam a correr risco de desenvolver doenças. Na infância e na adolescência, porém, a classificação da obesidade mórbida é um pouco diferente. Caracteriza-se, geralmente, quando elas estão com um peso 15% a mais que o correspondente a sua altura e idade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade infantil é um dos problemas de saúde pública mais graves do século XXI em todo o mundo. No Brasil, dados nacionais indicam que uma em cada três crianças estão acima do peso.

Para a endocrinologista e coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio-Libanês, a dra. Claudia Cozer, o aumento da obesidade infantil se deve à falta de campanhas preventivas, leis específicas e educação para que as crianças se alimentem melhor e façam mais atividade física. “Este dia 3 de maio é uma ótima oportunidade para nos lembramos do problema da obesidade infantil, discutirmos o assunto e ficarmos atentos à alimentação de nossos filhos, netos, sobrinhos ou qualquer outra criança de nosso convívio”, comenta.

A obesidade infantil eleva nas crianças os riscos de hipertensão, diabetes, dislipidemia (gordura no sangue), esteatose hepática, aumento de ácido úrico, problemas ortopédicos, depressão, entre outros problemas de saúde.

Como prevenir a obesidade infantil?

A família é peça fundamental na educação alimentar das crianças. Até os 10 anos de idade, principalmente, são os pais que coordenam as escolhas das comidas e os modos de preparo. “A obesidade muitas vezes começa nos primeiros anos de vida e quanto mais tempo persistir esse excesso de peso, mais difícil será de voltar ao peso normal depois”, observa a dra. Claudia.

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) lista dez erros que não devemos cometer na educação alimentar das crianças. São eles:

  • Dizer sempre sim: A criança que come tudo que pede vai abusar das calorias e das guloseimas. Devemos ter um dia por semana e situações em que podemos ser mais liberais na alimentação.
  • Lanches fora de hora: O ideal é que toda criança tenha seis refeições diárias e evite as beliscadas fora desses horários.
  • Oferecer comida como recompensa: “Coma toda a sopa para ganhar a sobremesa”. Passa a ideia de que tomar sopa não é bom e que a sobremesa é que é o máximo.
  • Ameaçar castigos para quem não cumpre o combinado: “Se não comer a salada, não vai ganhar presente”. Isso somente vai aumentar a aversão que a criança sente em relação às saladas.
  • Brincadeiras na mesa: Hora de comer é hora de seriedade, evitar fazer aviãozinho. Muito mimo é sinônimo de muita manha.
  • Ceder ao primeiro “não gosto disso”: a criança tem uma tendência a dizer que não gosta de uma comida que ainda não provou. Cada um pode comer o que quiser, mas experimentar não custa nada.
  • Substituir refeições: Não quer arroz e feijão, então toma uma mamadeira. Esse erro é muito comum, e se a criança conseguir uma vez, vai repetir essa estratégia sempre.
  • Tornar a ida a uma lanchonete “um programão”: A comida de casa fica meio sem graça.
  • Servir sempre a mesma comida: A criança só toma iogurte, então passa o dia todo tomando iogurte. Vai enjoar, vão faltar nutrientes e fibras.
  • Dar o exemplo: Não adianta mandar tomar sucos e só beber refrigerante.

Fonte: Hospital Sírio Libanês