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Amálgama ainda tem lugar na odontologia ?

O amálgama dentário  (Foto: botazsolti/Shutterstock)

 

Muitos pacientes ainda tem dúvidas  se devem trocar suas restaurações em amálgama por restaurações em resina nos dentes posteriores ou por qual material optar em caso da necessidade de uma nova restauração.

   O amálgama foi por muito tempo o material de escolha para os dentes posteriores, devido a vários fatores :

  • custo mais baixo
  •  maior resistência
  • maior durabilidade

 Porém existem muitas desvantagens na sua escolha :

  •  estética ( cor prata)
  •  desgaste maior do dente devido ao  preparo necessário para reter a restauração.
  • mercúrio em sua composição, embora estudos clínicos apontem que o mercúrio não causa danos à saúde do paciente portador de restauração de amálgama .
  •  Danos ao meio ambiente, se descartado de maneira incorreta.

 O amálgama foi por muito tempo o material de escolha para os dentes posteriores, pois é mais barato, tem maior resistência, maior durabilidade e facilidade de execução de sua técnica, porém, sua estética não é bem aceita pelo paciente por ser da cor prata, além disso tem baixa resistência nas bordas e necessita de um desgaste maior do dente que deve ser preparado para receber a restauração, e ainda possui mercúrio em sua composição, embora estudos clínicos apontem que o mercúrio não causa danos à saúde do paciente portador de restauração de amálgama e os danos ao meio ambiente, quando a sua manipulação é feita de maneira correta, são mínimos.

 Já os materiais resinosos são esteticamente mais vantajosos, pois a sua cor se aproxima mais da cor dos dentes e hoje em dia existem kits de pintura que dão condições ao cirurgião-dentista de aproximar ainda mais a cor da restauração e a cor do dente, possui adesividade, ou seja, a estrutura do dente pode ser mais preservada, além de não apresentar mercúrio.

 O tempo de vida útil de cada material é diferente, o amálgama dura até 15 anos, enquanto a resina tem uma duração de 8 a 9 anos, e esta passa por um processo de aprimoramento. Com o passar do tempo a sua composição melhora elevando o resultado da relação durabilidade e resistência. O grau de dureza e resistência da resina está bem alto, e o processo de dilatação e contração que este material sofre por ocasião das variações térmicas está atualmente muito próximo do ocorrido nos dentes naturais.

 Pessoalmente acredito que um dentista  que pretenda atuar fazendo uso de uma odontologia pouco invasiva e mais estética  deva optar pelo uso de  resinas. 

Amálgama odontológico

Entrevista

A adoção da Convenção de Minamata no Japão recentemente abriu caminho para o banimento, em escala mundial, de produtos que contêm mercúrio. Um parágrafo também foi instituído para diminuição gradual do uso e comércio de amálgama odontológico. O Dental Tribune Internacional teve a oportunidade de falar com o diretor executivo da Associação Internacional para Pesquisa Dental (IADR – International Association for Dental Research), Christopher H. Fox, que participou de quatro reuniões do comitê internacional de negociação, representando os profissionais da odontologia, a respeito do impacto que isso causaria na odontologia e no futuro do amálgama odontológico como material de restauro.

Dental Tribune International: A medida recentemente adotada na Convenção de Minamata sobre mercúrio inclui parágrafos para diminuição gradual do amálgama odontológico em escala global. Que impacto o senhor acha que isso terá na comunidade odontológica e particularmente na restauração dental a longo prazo?
Christopher Fox: Acredito que primeiramente é importante apontar que a Convenção de Minamata é um amplo tratado feito para reduzir qualquer uso e comércio internacional de mercúrio, bem como a demanda por mercúrio em produtos e processos. Adicionalmente objetiva dar resposta à necessidade de redução e emissões atmosféricas de mercúrio, assim como de descarte de mercúrio no solo e na água.

O amálgama odontológico faz parte do tratado como produto aditivado de mercúrio contribuindo para a demanda global por mercúrio. Quanto a este aspecto é importante salientar que o tratado clama por uma diminuição gradual do amálgama odontológico, ao invés de simplesmente banir sua utilização. Isso dará tempo à indústria e profissionais para fazer a transição e preservar as opções de restauro de profissionais e pacientes.

Uma das disposições para diminuir gradualmente o amálgama é que países estabeleçam objetivos nacionais direcionados para a precaução de cáries e promoção de saúde, dessa forma minimizando a necessidade de qualquer reparo odontológico. Uma maior ênfase em prevenção e promoção de boa saúde é de fato bem-vinda e proverá o maior dos benefícios as populações.

Outra disposição promove pesquisa e desenvolvimento de materiais de restauro dental alternativos. Assim, em longo prazo, a odontologia e a ortodontia de restauro, em particular, vão aumentar o leque de materiais de restauro disponíveis para a escolha de pacientes.

O senhor esteve envolvido em algumas das sessões de negociação do comitê intergovernamental durante a convenção. Quais foram os assuntos mais discutidos ao formular o tratado, e o resultado final atingiu as expectativas dos envolvidos?
A questão mais discutida quanto ao amálgama odontológico foi entre banir ou gradualmente diminui-lo. Liderado pelo responsável oficial do WHO Global Oral Health Programme, Dr. Poul Erik Petersen, uma coalizão de organizações odontológicas engajadas conseguiu demonstrar aos negociadores de cada país que o banimento seria prejudicial à saúde bucal da população. O amálgama odontológico é seguro e eficaz no restauro dental e continua a ser a melhor opção de restauro para muitas situações clínicas ou para as situações dos sistemas de saúde. Como em qualquer negociação complexa, o resultado atendeu às expectativas de muitas pessoas, mas existem aqueles que prefeririam o banimento do amálgama odontológico e aqueles que prefeririam que não houvesse qualquer limitação quanto ao seu uso.

Outro tema de discussão foi a necessidade de práticas ambientais em instalações odontológicas para reduzir o descarte de mercúrio e resíduos de mercúrio na água e no solo. A odontologia deve ser uma boa manejadora do meio ambiente e implementar as melhores práticas de gestão ambiental do amálgama odontológico, bem como de todos os materiais odontológicos, lixo hospitalar e consumíveis.

O senhor mencionou que na comunidade odontológica o amálgama ainda é considerado eficiente e seguro. Então por que diminuir sua utilização?
O amálgama odontológico é um restauro seguro e efetivo. O Instituto Odontológico Nacional dos EUA e a Craniofacial Research fizeram dois estudos clínicos de larga escala quanto ao uso do amálgama odontológico em crianças e não obtiveram nenhum resultado adverso à saúde. A razão para se concordar com a diminuição gradual de seu uso é estritamente ambiental e aos efeitos de mercúrio no meio ambiente, não aos efeitos diretos à saúde na utilização do amálgama odontológico.

O envenenamento por mercúrio através do amálgama é mais comum em países em que a reciclagem do material é insuficiente. Não seria esse um assunto mais urgente para se debater globalmente?
O manejo correto do amálgama odontológico e seus dejetos devem ser adotados pelos profissionais da odontologia e instalações de saúde em que atuam. Além do tratado na Convenção de Minamata sobre melhores práticas ambientais existe um parágrafo que alerta para que o amálgama seja utilizado apenas na forma encapsulada. Apenas alguns países exigem a utilização de separadores de amálgama e muitas outras organizações odontológicas estão alertando para seu uso universal.

Mesmo que obtivéssemos sucesso em nossas promoções de programas de saúde oral e conseguíssemos interromper a utilização do amálgama amanhã através da introdução de materiais de última geração, instalações clínicas ainda precisariam de separadores de amálgama por no mínimo mais uma geração, pois o amálgama odontológico já aplicado chegaria ao fim de seu ciclo de vida e precisaria ser reposto.

De acordo com a convenção, um número de produtos contendo mercúrio será banido até 2020. O senhor acredita que o amálgama odontológico ainda terá um papel de destaque na odontologia até lá?
Sete anos é um período curto de tempo quando nós dependemos de investimentos em pesquisa e desenvolvimento para entregar melhores materiais de restauro dental. Sem ser muito pessimista, o período usual de pesquisa e desenvolvimento, da descoberta ao uso clínico, na indústria farmacêutica é de 17 anos. Portanto, acredito que o amálgama odontológico ainda será utilizado em 2020, mas estou otimista de que já terá um papel muito reduzido na indústria do restauro dental.

Alternativas aos materiais que contêm mercúrio foram discutidas no ano passado em um workshop da IADR–FDI sobre materiais odontológicos. Existe alguma alternativa viável, e o que precisa ser feito para implementar e sustentar seu uso no futuro?
O simpósio no recente Congresso anual da FDI em Istambul foi, na verdade, um sumário bem condensado de um workshop de dois dias que aconteceu em dezembro de 2012 no King’s College de Londres. Abreviando, sim, nós podemos ter materiais inovadores muito melhores para restauro dental, mas isso exigirá o comprometimento de significativos fundos do governo, academia e indústria. Tenha em mente que mesmo que um novo material possa ser desenvolvido em um ou dois anos, testes clínicos de segurança e eficácia e as aprovações regulatórias levarão um tempo significativamente maior. Dentistas praticantes têm um papel importante aqui também, pois eles podem participar em redes de pesquisa avaliando novos materiais e identificando questionamentos para a pesquisa, sem mencionar negociar o financiamento e recursos com políticos de seus países.

Para uma resposta mais completa a sua pergunta eu indicaria as seguintes leituras, que acabam de ser publicadas em novembro na edição de Advances in Dental Research um suplemento virtual do Journal of Dental Research.

Com o advento da odontologia de prevenção, pesquisas com célula-tronco e a sofisticação das próteses dentárias, os materiais de restauro ficarão obsoletos algum dia?
Materiais de reparos dentais já estão obsoletos ou quase obsoletos para a geração pós-flúor, socialmente privilegiada. Nosso maior desafio é lidar com as necessidades de saúde bucal de populações menos privilegiadas ou vulneráveis. A IADR tem compromisso com a redução dessas desigualdades na saúde bucal entre as populações e esperamos atingir um ponto em que materiais de restauro dental sejam raros para todos.

Muito obrigado pela entrevista. |Imagem