Bruxismo e stress

Bruxismo do sono e criança estressada. Essa dobradinha está sempre presente?

FONTE: Dra Adriana Lira Ortega

Será que a associação causal entre estresse e bruxismo do sono (BS) é direta e sempre frequente? É muuuitooooo comum ouvir mães e colegas sempre justificando a presença do BS porque a criança tem ou está com algum foco de estresse: trocou de escola, os pais brigaram, nasceu um irmãozinho, o peixinho morreu e por aí vai… Mas sem dúvidas, é muito fácil achar um foco de ansiedade em qualquer pessoa, inclusive em crianças! Procura que acha.

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Bem, apesar da associação estar bem descrita na literatura, algumas considerações podem ser feitas. Vamos lá:

1.   A Associação é causal ?

Poderíamos encontrar uma justificativa biológica no movimento mandibular durante o sono frente a presença de um fator estressante ou ainda, uma personalidade ansiosa? Não vejo “motivo”… :/

O Bruxismo do Sono pode ser justificado na presença de refluxo ou na diminuição do fluxo de ar, porque nesses casos o movimento mandibular tem função. No caso de ansiedade e estresse não existe função para o movimento. A pessoa tensa contraí músculos e aperta os dentes, não range…

2.       Nem toda pesquisa encontra a associação… Ou seja, não existe “consistência”, que é um dos critérios de Hill para identificar associação causal. Leia sobre associação causal!!

Recentemente a Nélia Medeiros Sampaio, uma profissional comprometida e competente,  que tive o prazer de orientar no Doutorado, publicou o resultado de uma pesquisa onde investigamos estresse e BS em 246 indivíduos: crianças e suas mães. A avaliação psicológica foi feita por um psicólogo, especialista e professor universitário na área.

Resumidamente, o que encontramos?

  • Aumento na chance de ocorrência de BS nas crianças foi observado quando as mães também apresentavam (olha a genética aí!!!! 🙂 )
  • Stress psicológico não estabeleceu associação significante com BS, nem nas crianças nem nas mães, mesmo quando o instrumento de diagnóstico identificou níveis aumentados de stress.
  • Estresse materno, como um possível fator ambiental, não influenciou na ocorrência de BS na criança.
  • criança cobrindo rosto

Assim, os achados desse estudo dão uma dica…  É necessário procurarmos também causas orgânicas ao invés de focarmos a atenção apenas no aspecto psicológico. Obviamente é extremamente importante prestar atenção nos aspectos psicológicos. Mas não fazendo a associação imediata e sem investigar outros fatores etiológicos presentes!

Quer ler o artigo completo? Ele está disponível na íntegra no site da Sleep ScienceSampaio NM, Oliveira MC, Andrade AC, Santos LB, Sampaio M, Ortega AL. Relationship between stress and sleep bruxism in children and their mothers: A case control study . Sleep Sci. 2018;11(4):239-244.

Como identificar Bruxismo Infantil?

Como identificar Bruxismo Infantil?

Bruxismo é definido como “a atividade muscular mandibular repetitiva caracterizada por apertar, ranger forçar ou empurrar a mandíbula, o que pode ocorrer durante a vigília e/ou sono”.

Pode ser classificado de duas formas:

Bruxismo primário

O bruxismo primário é um distúrbio crônico, persistente que aparece na infância e na adolescência.

Bruxismo secundário

É associado a algumas condições, ou após a exposição do paciente a fatores ambientais.

Cada vez mais as evidencias mostram que o bruxismo tem origem central e não periférica e suas possíveis causas baseadas em conhecimentos científicos são:

  1. Genética (21% a 50%);
  2. Estresse;
  3. Obstrução de vias aéreas superiores;
  4. Síndrome da apneia obstrutiva do sono;
  5. Hábitos para dormir;
  6. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade;
  7. Doenças neurológicas.

O diagnóstico pode ser feito através do auto relato do paciente, observando clinicamente o desgaste da estrutura dental e com exames de polissonografia, que também monitoram a atividade muscular do paciente durante o sono – este é considerado o diagnóstico mais confiável hoje em dia, porém, apresenta limitações como: o alto custo, disponibilidade do paciente e cooperação da criança durante o exame.

No caso do bruxismo infantil, é sempre mais difícil ser feito o diagnóstico, pois vai depender do auto relato da criança, que nem sempre percebe a mudança na sua postura mandibular, e as características físicas que auxiliam no diagnóstico, como: língua adentada e linha alba (hiperqueratose da mucosa da bochecha) que aparecem com mais frequência em adultos e adolescentes.

O tratamento se dá em controlar os fatores associados e proteger as estruturas dentais, que basicamente são feitas com o uso de placas de acrílico que recobrem as superfícies oclusais que estiverem em contato, sempre levando em consideração o crescimento dos arcos dentais da criança.

É importante lembrar que o tratamento deve ser realizado com um profissional capacitado, e que para cada caso será realizado um tratamento especifico.

E no seu consultório, já atendeu muitos casos de bruxismo infantil? Conte aqui nos comentários pra gente como foi o processo de diagnóstico!

Referências:

Seu filho range os dentes quando dorme? Saiba o que fazer

Ranger os dentes não é um problema exclusivo de adultos. Muitas crianças sofrem com o bruxismo, ou seja, apertam os dentes, principalmente enquanto dormem.

Problema está associado a múltiplos fatores que também devem ser tratados

Esse tipo de bruxismo é chamado de bruxismo do sono e parece estar associado com algumas condições. A primeira é a genética, uma vez que pesquisas apontam ocorrência da condição em determinadas famílias, além de indícios laboratoriais nesse sentido. Outras condições são ambientais e aparecem como fatores iniciadores ou exacerbadores, como obstrução de vias aéreas (casos de rinite e asma por exemplo), apneia obstrutiva do sono, qualidade do sono ruim, refluxo gastroesofágico, alguns medicamentos com ação no sistema nervoso central, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), alterações neurológicas (paralisia cerebral, síndrome de Down).

Como é possível perceber que isso está acontecendo?
O responsável pela criança (normalmente a mãe) relata escutar o barulho provocado pelo atrito entre os dentes. Essa informação é fundamental e pode ser complementada pela investigação clínica, feita pelo cirurgião-dentista, que pode perceber desgastes nos dentes. No entanto, o diagnóstico mais confiável é feito por um exame chamado polissonografia, que monitora o sono do paciente.

Tem cura?
Só se pode falar em “cura” a partir do momento em que se identifica a causa adversa causadora do bruxismo e ela possa ser sanada.  Vale ressaltar que é muito difícil para o profissional garantir essa remissão (cura) do bruxismo, visto que vários fatores podem estar presentes e nem sempre são fatores controláveis.

A maior complicação do bruxismo é a perda do tecido dentário
A maior complicação do bruxismo é a perda do tecido dentário

Foto: Julija Sapic / Shutterstock

Qual o tratamento?
O tratamento consiste em identificar e controlar fatores associados e proteger as estruturas dentárias com dispositivo bucal que deve ser usado durante o sono.

Quem range os dentes na infância vai rangê-los quando adulto?
Muito difícil fazer essa previsão (prognóstico), mas sabe-se que se o bruxismo for do tipo “primário”, possivelmente a causa é genética e pode persistir durante a fase adulta.

Quais as complicações que a criança pode ter por ranger os dentes?
A maior complicação é a perda do tecido dentário. O dente uma vez desgastado não se recupera e a reabilitação (restauração) é muito difícil e inviável na maioria das vezes.

Tem como prevenir?
Não se conhece um protocolo preventivo para bruxismo, entretanto, se o cirurgião-dentista conhecer bem os fatores associados, pode fazer as orientações no sentido de evitá-los para que não ocorra o bruxismo secundário.

Bruxismo Infantil – Causas e Soluções

Bruxismo Infantil - Causas e Soluções

BRUXISMO INFANTIL
Esse hábito tem gerado uma grande preocupação para os pais pois atualmente tem sido cada vez mais frequente nas crianças.

Afinal o que é o bruxismo?
O bruxismo é o ato de apertar ou ranger os dentes. Pode acontecer de dia ou durante o sono e ser de forma consciente ou inconsciente

E por que acontece?
Alguns profissionais chegam a comentar que é comum observar o ranger dos dentes em crianças até os 6 anos por uma necessidade natural do organismo de acomoda-los e se preparar para a troca da dentição. Até esta idade a criança através dos movimentos de lateralidade pode apresentar uma abrasão das pontas dos caninos, e esta atividade muscular ativa o crescimento e desenvolvimento fisiológico das bases ósseas. Esse é o bruxismo considerado “fisiológico”.
Precisamos no entanto ficar atento para o bruxismo “patológico”, onde o desgaste dental é mais importante e a criança pode apresentar dores musculares, dores de cabeça ou dores na ATM (articulação temporo mandibular). Nesse caso, o diagnóstico preciso é bastante difícil por se tratar de um problema com causas multifatoriais.

Dentre as possíveis causas podemos citar :
– fatores oclusais: quando existem interferências dentais que impedem que a mordida tenha um bom encaixe;
– fatores de ordem sistêmica: respiração bucal, deficiências nutricionais, disturbios neurológicos (p. ex. autismo);
– fatores emocionais : stress, agenda lotada de atividades, a chegada de um irmão, divórcio na família, escola nova, hiperatividade , entre outros;
– fatores hereditários;
– hábitos alimentares inadequados. Crianças que não mastigam alimentos consistentes e não usam a sua função mastigatória podem procurar suprir esta necessidade através do ranger dos dentes.

Como tratar?
A literatura sobre o bruxismo infantil é escassa e não existem certezas sobre as causas, nem fórmulas mágicas para eliminar rapidamente o hábito. Assim, cada paciente deve ser analisado e tratado individualmente pelo dentista.
Se a causa for uma interferência dental, um ajuste oclusal ou o uso de aparelho ortodôntico será necessário a fim de proporcionar maior conforto e equilíbrio para essa mordida. O uso de placas de mordida para crianças é um tanto controverso pelo fato de interferir no crescimento natural da arcada dentária. A idade para se começar algum tratamento depende da gravidade do caso e da colaboração da criança.
Algumas vezes pode ser necessária a ação de outros profissionais da saúde, como: pediatras, psicólogos, otorrinolaringologistas e fonoaudiólogas. Enfim, cada caso é único e deverá ser tratado o mais cedo possível.

Podemos prevenir o bruxismo?
É possível minimizar as chances da criança ter bruxismo através do acompanhamento periódico do odontopediatra, que estará atento aos possíveis sinais e sintomas

Dicas para os pais:
– Estimular alimentos fibrosos e em pedaços desde pequenos, para que possam desenvolver uma mastigação vigorosa e eficiente.
– Ter cuidados com hábitos prolongados de chupeta e mamadeira. Eles alteram a mordida da criança podendo criar interferências dentais e alterações musculares e ósseas.
– Procurar propiciar um ambiente tranquilo que anteceda o sono. Evite deixar luzes acesas, assistir televisão ou usar o computador ou videogame antes de ir para a cama
– Atenção na hora de programar a rotina de atividades de seu filho. Lembre que crianças precisam de tempo para brincar.

Fonte:Pediatria em Foco