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Deve-Se Passar O Fio Dental Primeiro Ou Escovar Antes?

Uma pergunta comum que os pacientes fazem aos dentistas é “O que devo fazer primeiro: escovar ou passar o fio dental?”. A sequência não faz diferença, desde que você faça os procedimentos corretamente. Escovar e passar o fio são a melhor maneira de remover a placa bacteriana, causadora de cárie dentária nos dentes, e ajudar a manter uma ótima saúde bucal.

Escolha uma escova que seja confortável para as mãos e para a boca e use-a no mínimo duas vezes por dia. Coloque sua escova inclinada num ângulo de 45º em direção à gengiva. Faça movimentos curtos e delicados da escova para frente e para trás escovando as superfícies externas, internas e de mastigação dos dentes, bem como as superfícies internas dos dentes anteriores.

Embora a escovação dental remova a placa bacteriana das superfícies dos dentes, ela sozinha não remove toda a placa. A limpeza entre os dentes todos os dias com fio dental, remove restos alimentares da região entre os dentes onde sua escova não consegue alcançar. Pessoas com dificuldade de manusear o fio dental podem preferir usar outro tipo de limpador interdental. Se você usa limpadores interdentais, pergunte ao seu dentista como usá-los corretamente para evitar lesões nas gengivas.

Como saber se você está fazendo um bom trabalho? Seu dentista pode recomendar o uso de pastilhas evidenciadoras de placa, vendidas sem prescrição em farmácias e outras lojas que vendem produtos de higiene bucal. As pastilhas evidenciadoras de placa são mastigadas depois que você higieniza a boca. Um pigmento vermelho mancha a placa que não foi removida, mostrando os pontos que necessitam de limpeza adicional.

Fonte: Colgate e ADA

Guia de escovação dental

Escovação correta com escova manual

Informações gerais


Instruções detalhadas

As seguintes instruções foram preparadas para ajudar na limpeza correta dos dentes. Os pequenos movimentos circulares quase sem nenhuma força demoram algum tempo para serem assimilados. Isso vale também para outras atividades, como esquiar ou dançar, correr ou andar de patins: somente a prática leva à perfeição. Peça ao seu cirurgião-dentista para avaliar o seu progresso.

O sistema de limpeza
Siga sempre o mesmo padrão. Primeiramente, escove os dentes do lado de fora (faces vestibulares), então, do lado de dentro (faces palatinas/linguais). Comece pelos dentes inferiores e em seguida continue com os superiores.

Movimentos circulares pequenos sem pressão
Lembre-se, nossas escovas limpam os dentes mesmo se você não aplicar praticamente qualquer pressão.

Aprender a escovar os dentes corretamente
Nossas técnicas de limpeza são ensinadas em nossos seminários iTOP, que reúnem profissionais de saúde oral e pessoas interessadas. São seminários abertos a todos.


Dentes inferiores

Dentes inferiores

1.Posicionamento: comece com a parte externa dos dentes inferiores (mandibulares) de um dos lados (esquerdo ou direiro). Posicione a escova CS 5460 ultra soft no molar mais posterior, metade na gengiva, metade no dente. Incline a escova ligeiramente em direção das gengivas, num ângulo de aproximadamente 45 graus. É muito mais simples do que parece: a CS 5460 ultra macia possui um cabo oitavado, fazendo com que seja muito fácil segurar a escova no ângulo correto.


2. Escovando o lado externo dos dentes (faces vestibulares): agora mova a escova com pequenos movimentos circulares da parte posterior do último molar de um dos lados da boca, dente a dente até a parte posterior do último molar do lado oposto da mandíbula. Dedique um tempo e foco em cada dente individualmente, fazendo de 5 a 10 movimentos circulares por dente. Ao terminar, faça o contorno para o lado de dentro da boca. Escove ao redor dos molares posteriores (face distal) com pequenos movimentos da escova e continue do lado interno (faces linguais) da mesma forma descrita para o lado externo (veja item 3)


3. Escovando o lado interno dos dentes (faces linguais): trabalhe todos os dentes fazendo movimentos circulares curtos (ou pequenos), quase sem fazer força, até alcançar o último molar posterior do lado oposto ao que você começou (veja item 1).


Local especial: Atrás da parte traseira do molar inferior (face distal)

Local especial: Atrás da parte traseira do molar inferior (face distal)

4. Escove ao redor deste molar com movimentos circulares pequenos e gentis. Fica mais fácil se você mantiver a CS 5460 ultra macia em um ângulo o mais vertical possível.


Local especial: Interior dos dentes anteriores inferiores(Face lingual)

Local especial: Interior dos dentes anteriores inferiores(Face lingual)

5. Posicionamento: mantenha a CS 5460 ultra macia o mais vertical possível para que a parte interior dos dentes, bem como a parte da gengiva sejam escovadas. Com esta inclinação, mova a escova fazendo pequenos movimentos, primeiro na parte interior de um dente e depois do outro. A razão do porque essa área precisa ser limpa desta maneira é porque é muito estreita para se manter a escova na horizontal. No entanto, esta região requer uma limpeza particularmente minuciosa, pois a glândula salivar localizada bem embaixo dos dentes inferiores resulta um volume de saliva considerável. Consequentemente, esta é a região em que se forma uma grande quantidade de placa bacteriana.


Dentes superiores

Dentes superiores

6. Escovando o lado externo dos dentes (faces vestibulares): aqui também, você começa na parte posterior do molar mais recuado. Posicione a escova CS 5460 ultra macia de forma angulada e passe a escovar da mesma forma descrita nos itens 1, 2 e 3. Mantenha a cabeça em um ângulo de 45 graus em relação às gengivas e dentes; trabalhe a escova em pequenos movimentos circulares da parte traseira do molar mais posterior de um dos lados (esquerdo ou direito), dente a dente, passando pelos dentes incisivos até o último molar do outro lado da mandíbula. Escove ao redor do molar mais posteriror com pequenos movimentos e continue pelo lado interno dos dentes superiores (faces palatinas). Novamente, prossiga com movimentos circulares sem quase nenhuma força, até você chegar novamente ao molar posterior onde começou a escovação na maxila.


Local especial: Atrás dos molares superiores

Local especial: Atrás dos molares superiores

7. Da mesma forma descrita para os dentes inferiores, escove ao redor de cada um desses molares com pequenos movimentos circulares. Fica mais fácil se a escova CS 5460 ultra macia for mantida o mais vertical possível.


Local especial: Interior dos dentes anteriores superiores (face palatina)

Local especial: Interior dos dentes anteriores superiores (face palatina)

8. Escova inclinada na vertical e movimentos circulares: escove a parte interna dos dentes anteriores superiores da mesma forma como procedido com os dentes inferiores, veja itens 4 e 5. Segure a CS 5460 ultra macia em um ângulo aguda de modo que a escova toque o dente e a gengiva ao mesmo tempo. Depois, escove com pequenos movimentos circulares, um dente de cada vez.


Superfícies de mastigação (faces oclusais)

Superfícies de mastigação (faces oclusais)

9. As crianças em particular precisam de uma atenção especial com relação à limpeza das superfícies de mastigação. Comece na parte posterior e avance devagar com movimentos curtos pra frente e para trás. Quanto mais velho, pode ser que a necessidade de se limpar as superfícies de mastigação diminuam. Porém, somente um cirurgião-dentista pode tomar essa decisão com base em uma avaliação individualizada.


Cada pessoa é diferente

Cada boca, cada dente e cada espaçamento nunca são iguais. Isto significa que a limpeza ideal deve respeitar a anatomia, a idade e as habilidades de cada pessoa. Peça ao seu dentista orientações e dicas. A escovação perfeita, eficaz e ao mesmo tempo suave não se aprende apenas ao ler sobre o assunto. A perfeição nasce com a prática.


Ajuda profissional

Avalie a sua técnica de limpeza regularmente com um profissional da área odontológica. Ele será capaz de dizer exatamente em quais espaços interdentais deve-se utilizar o fio dental e onde as escovas interdentais são a melhor opção.

Fonte:Curaprox

Você nunca mais vai escovar os dentes do mesmo jeito…

… Ou deixar de fazer a limpeza após as refeições por preguiça. Estudos mostram que bactérias da boca também podem provocar ou piorar problemas nos pulmões, cérebro e coração

por texto | Evanildo da Silveira | edição | Diogo Sponchiato | ilustração | Samuel Rodrigues

 Editora Globo

Melhor pensar duas vezes antes de postergar a escovação depois do almoço ad infinitum. E o motivo não é só o mau hálito ou a conservação de um sorriso bonito. Uma boca bem cuidada tem mais a ver com a saúde do resto do corpo do que você supõe. A cada ano surgem novas evidências ligando problemas dentais a diabete, infecções pulmonares, males cardíacos e até parto prematuro. Isso ocorre porque a cavidade bucal é um tremendo ninho de bactérias: são pelo menos 700 espécies que convivem entre a dentição, a gengiva e a língua. Enquanto você usa frequentemente a escova e o fio dental — e visita o dentista para uma limpeza mais pesada pelo menos uma vez por ano —, os micro-organismos moram lá numa boa sem causar transtornos. Agora, basta um cuidado mais relaxado ou uma predisposição mais forte (algo que não tem como prever) para que as bactérias se multipliquem — daí a placa bacteriana — e cárie e gengivite comecem a fazer parte de sua vida.

A inflamação da gengiva representa o principal perigo, inclusive porque é silenciosa. Vermelhidão e sangramento aparecem, mas raramente há dor. “O problema é que ela pode evoluir para um estágio que chamamos de periodontite, quando as bactérias atingem o tecido ao qual se prendem os dentes. Isso cria, com um tempo, uma bolsa entre a gengiva e o dente com uma carga bacteriana enorme”, explica o periodontista Cláudio Pannuti, da Universidade de São Paulo. E é a partir daí que não só a boca, cujos dentes podem cair se o mal não for remediado, mas todo o corpo fica bastante ameaçado: as bactérias podem se valer de fissuras na gengiva para penetrar na corrente sanguínea e ganhar acesso ao organismo.

A relação entre encrencas na gengiva e no periodonto (esse tecido que dá suporte à dentição) e problemas a distância não é exatamente uma novidade para médicos e dentistas. De acordo com o periodontista Juliano Milanezi de Almeida, da Universidade Estadual Paulista, em Araçatuba, o pai da medicina Hipócrates já a mencionava no século 5 a.C. Mas o elo só entrou para a ciência moderna quando o cirurgião dentista americano Willoughby Dayton Miller publicou um artigo no final do século 19 intitulado A Boca Humana como Foco de Infecção. “O texto já propunha a ligação entre os micro-organismos orais e o desenvolvimento de abscessos cerebrais e complicações gástricas e pulmonares”, conta Almeida. Os seguidores de Miller passaram a defender a extração de dentes doentes como um meio de livrar o organismo de maiores danos sistêmicos. O movimento avançou até a década de 1950, quando acabou sendo revisto — nem sempre seria realmente necessário fazer essa retirada preventiva.

No entanto, na última década, especialistas voltaram a examinar o elo, encontrando muitos dados que legitimam um maior cuidado com os dentes e a gengiva a fim de evitar problemas remotos. No coração, por exemplo. Uma extensa revisão de estudos capitaneada pela Universidade de Ciências e Saúde do Oregon, nos Estados Unidos, atesta o papel dos transtornos bucais, especialmente a gengivite e a periodontite, em danos ao sistema circulatório. O artigo conclui que quem tem periodontite apresenta um risco 34% maior de sofrer de uma doença cardiovascular, como um infarto, comparando com pessoas de gengiva saudável. Outras pesquisas acusam uma relação íntima entre a perda de dentes — consequência de anos de periodontite — e derrames. “Há dados apontando que adultos com um número igual ou menor do que 24 dentes possuem um risco 57% maior de ter um acidente vascular cerebral”, relata Ricardo Neves, diretor da Unidade de Odontologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InCor. Geralmente, um adulto saudável dispõe de uma arcada dentária com 32 unidades.

Outra ameaça ao peito incitada pelas bactérias da boca é a chamada endocardite, uma grave e potencialmente fatal inflamação no tecido que reveste as válvulas cardíacas. Se um indivíduo já tem uma lesão aí, os micro-organismos que escapam da gengiva podem fazer a festa. “Uma das condições básicas para que haja essa doença é a presença de bactérias na circulação e a boca é uma das principais portas de entrada para elas”, diz o cardiologista Max Grinberg, do InCor. O que assusta é que tudo leva a crer que as condições da boca do brasileiro, inclusive aquele que mais precisaria de uma higiene adequada, deixam a desejar. “Fizemos um levantamento no InCor com 1.000 pacientes que estavam na fila para cirurgia de válvula cardíaca e observamos que 18,5% deles apresentavam uma saúde bucal satisfatória. Os outros 80,5% tinham focos infecciosos ali e tiveram de ser tratados antes da operação”, conta Neves.

ATAQUE INDIRETO
Daquela legião de espécies bacterianas que habitam a cavidade bucal humana, não são muitas as que aterrorizam o corpo ao chegar à corrente sanguínea — entre as mais estudadas, destacam-se a Streptococcus viridans, a Porphyromonas gingivallis e a Bacteroides forsythus. Além de se envolverem diretamente em infecções e placas nos vasos, tais bichinhos complicam a vida de outras regiões por desatarem um intenso processo inflamatório. Embora essa seja uma reação natural de defesa, a liberação constante de substâncias inflamatórias pode incendiar áreas já acometidas por uma doença, caso dos pulmões e das articulações. “A alta presença de substâncias inflamatórias ainda facilita a formação das placas nas artérias, favorecendo o infarto”, diz o periodontista Giuseppe Alexandre Romito, da Universidade de São Paulo.

Essas partículas incendiárias, por assim dizer, também atormentam pessoas com diabete, condição marcada pela incapacidade de o açúcar ser levado para dentro das células do organismo. Há indícios de que a inflamação crônica da doença periodontal contribua para que a glicose fique sobrando no sangue, motivo de diversas complicações, algumas delas fatais. Em se tratando de diabete, aliás, pesquisas mostram que a encrenca é de mão dupla: o excesso de açúcar, por sua vez, fomenta a ação das bactérias na gengiva. Já deu pra perceber que isso cria um círculo vicioso, capaz de resultar na queda dos dentes e em picos de glicose no sangue.

Mesmo quem não tem diabete precisa cuidar bem da boca se quiser ter um cérebro saudável com o avançar da idade. A inflamação detonada na zona bucal parece acentuar casos de déficit cognitivo na maturidade. Um trabalho da Universidade West Virginia, nos Estados Unidos, com dados de uma comunidade de pessoas acima de 60 anos, revela que quadros de deterioração dos dentes e da gengiva estão diretamente relacionados com piores índices de memória e raciocínio lógico nessa faixa etária.

Da mesma forma, o mau estado bucal também se torna um vilão para as grávidas. Tanto o processo inflamatório como as bactérias já são acusados por pesquisas de patrocinar o parto prematuro, quando o bebê nasce com menos de 37 semanas. “Os micro-organismos podem chegar à placenta e estimular que ela rompa antes do tempo, acelerando o nascimento da criança”, explica Romito. Gestantes, portanto, precisam levar à risca o conselho de dar atenção à sua boca — recado que, depois das evidências apresentadas por aqui, se estende para todo mundo, das crianças aos mais velhinhos. Lançar mão do fio dental e caprichar na escovação pelo menos três vezes ao dia são formas de não apenas deixar os dentes impecáveis, mas prevenir problemas e complicações que, só na aparência (e só na aparência mesmo), não parecem ter nada a ver com a sua cavidade bucal.

Editora Globo