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rachel_machado_9_dicas_para_aprimorar_a_relação_com_seu_filho_na_hora_de_oferecer_refeições_13_04_2017A maneira como pais e cuidadores em geral se comportam na hora de oferecer refeições às crianças pode influenciar – e muito – na formação do hábito alimentar infantil. Na teoria, o ideal é que o adulto decida o que, quando e onde as refeições são oferecidas; cabendo às crianças a decisão de comer ou não, e do volume de alimentos consumidos. Esta divisão de responsabilidades faz parte do conceito de Cuidado Responsivo para alimentação, um conjunto de comportamentos que envolvem atenção e interesse pelo processo de alimentação da criança, com respeito aos seus sinais de fome e saciedade, às suas habilidades de comunicação e estímulo adequado para a alimentação independente.

A influência destes comportamentos sobre hábitos alimentares e saúde das crianças varia desde estímulo positivo para hábitos saudáveis de alimentação, desenvolvimento de habilidades sociais, aprendizado e autoestima; redução do consumo de doces, guloseimas e bebidas açucaradas; até prevenção de distúrbios psicossociais na adolescência. O cuidador responsivo participa mais dos momentos de refeições da família, estimula a autonomia e a independência da criança em todas as esferas de desenvolvimento, enquanto os cuidadores não responsivos preferem utilizar práticas como a restrição proibitiva ao consumo de alimentos, pressão para comer, recompensas, ameaças, castigos, e/ou distrações durante as refeições.

No fundo, todos apresentam um pouco de cada comportamento, o responsivo e o não responsivo. O importante é reconhecer aqueles comportamentos que dominam o seu dia a dia, e tentar revertê-los em estímulos positivos para o seu filho!

Na prática, entretanto, esta é uma rotina que muitas famílias têm dificuldade em cumprir, sobretudo aquelas cujas crianças têm dificuldades alimentares. Algumas dicas para refletir sobre os comportamentos da sua família:

  • Procure reconhecer e entender os sinais não verbais que seu filho emite às refeições e responda na forma de apoio: se ele recua com o corpo, vira a cabeça para o outro lado, não abre a boca, empurra os pratos e talheres, etc.; não ignore a recusa ou force a alimentação;
  • Ofereça alimentos no tamanho, formato e consistência que seu filho possa se alimentar sem o seu auxílio; dê a ele a oportunidade de exploração de sabores e texturas;
  • Sorria e utilize palavras de encorajamento durante as refeições; converse com a criança sobre alimentação de maneira informal e sem pressão;
  • Faça contato visual com seu filho durante toda a refeição;
  • Ofereça alimentos ao seu filho com disposição, paciência e sem pressa; evite demonstrar claramente seu desagrado;
  • Espere a criança terminar o processo de mastigação e deglutição, e demonstrar sinais de saciedade antes de oferecer nova porção;
  • Faça as refeições junto com seu filho e outros membros da família (se possível), preferencialmente comendo juntos e o mesmo cardápio;
  • Ofereça as refeições em local e postura adequados, sem distrações nem coerção;
  • Esteja totalmente envolvido na ação de oferecer a refeição ao seu filho, não se distraia com outras tarefas.

Como saber se está dando certo?

Tanto o cuidador como a criança perceberão que estão indo bem: a refeição transcorre no tempo adequado, com menos recusa e estresse, sem comportamentos coercitivos. Seu filho conseguirá exercitar sua independência para manusear e comer os alimentos, e controlar seu próprio apetite, interagindo com você de maneira agradável, com contato visual durante todo o processo, em posição relaxada e prazerosa.

Diversos estudos científicos mostram que famílias orientadas sobre como praticar o cuidado responsivo apresentam melhorias na qualidade da alimentação e comportamento das crianças frente à alimentação. Além, é claro, de reduzir o estresse dos pais e cuidadores e fortalecer o vínculo familiar.

Que tal testar na sua rotina? Conte com a nossa ajuda no Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto Pensi!

RACHAEL MACHADO
Pesquisadora do Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto PENSI. (CDA-PENSI). Nutricionista, formada pelo C. Univ. São Camilo, especialista em Nutrição clínica (HC-FMUSP) e pediatria (EPM/UNIFESP), Mestre em Ciências da Saúde e doutoranda em Pediatria (EPM/UNIFESP). Docente do curso de pós-graduação em Nutrição Materno-Infantil do INSIRA e coordenadora do curso de graduação em Nutrição da Universidade Uni Sant’Anna.