Os mitos e verdades sobre o flúor

Há mais de meio século, o Brasil começou a programar a estratégia de maior sucesso usada em saúde publica no mundo para o controle da cárie dentária: a adição  de flúor ao tratamento da água de abastecimento público. Os professores-doutores Jaime Aparecido Cury e Livia Maria Andaló Tenuta, ambos da Faculdade de Odontologia da Unicamp, esclarecem algumas dúvidas sobre o assunto, na palestra Flúor: mitos e realidade de seu uso coletivo, pessoal, profissional e das suas combinações. Abaixo, algumas questões ligadas ao flúor, que geram perguntas entre profissionais e leigos.

O que é – O flúor é uma substância natural encontrada largamente na natureza na forma de gás, de ácidos e de minerais, e que tem sido usada mundialmente na prevenção de cárie dentária.

Atuação – A cárie é provocada por dois fatores: a organização de bactérias bucais na superfície dos dentes (formando a chamada placa bacteriana) e a exposição frequente à açúcares da dieta. O açúcar é transformado em ácidos que dissolvem os minerais dos dentes por um processo chamado de desmineralização. Se o flúor estiver presente na boca ele reduz essa condição e ativa a remineralização dos dentes reduzindo o efeito final do processo de desenvolvimento de cárie.

Aplicação de flúor – Existem meios coletivos, individuais, profissionais e suas combinações. A fluoretação das águas de abastecimento público é um meio de uso coletivo do flúor no Brasil. Uma lei federal determina que as cidades com estação de tratamento devam fluoretar a água. Os meios individuais incluem dentifrícios e soluções para bochecho diário. Há produtos para a aplicação profissional e materiais restauradores liberadores de flúor. A aplicação de flúor pelo cirurgião-dentista é recomendada para pacientes que não fazem auto-uso de flúor, quer seja por questão de comportamento ou deficiência física ou mental.

Concentração – A concentração de flúor a ser adicionada na água é feita segundo cálculo matemático que considera a temperatura média anual da localidade. Se as pessoas bebem mais água porque está mais calor, a concentração do flúor na água deve ser menor. No Brasil, por ser um país tropical, a concentração “ideal” de flúor na água da maioria das cidades é de 0,7 ppm (mg/L).

Aumentar ou diminuir? – Em locais com alta prevalência de cárie, uma maior concentração de flúor não é indicada porque irá aumentar a fluorose dentária – único efeito colateral da água fluoretada, que ocorre durante a formação dos dentes. A fluorose é percebida pelo aparecimento de linhas brancas transversais nos dentes. Já uma menor concentração reduz o efeito anticárie do flúor.

Benefícios – Mesmo quem não consome água de abastecimento público fluoretada é beneficiada, porque geralmente cozinha com essa água. Assim, refeições com arroz-feijão cozidos, por exemplo, com água fluoretada chegam a ser responsáveis por 50% da quantidade de flúor ingerido por dia.

Crianças – O flúor em creme dental é essencial para controlar a cárie. A criança que não usa dentifrício fluoretado estará sendo privada do benefício anticárie do flúor. Para diminuir o risco de fluorose, deve-se se usar uma pequena quantidade (igual a um grão de arroz cozido) de dentifrício de concentração convencional (1000-1100 ppm de flúor) e a escovação deve ser supervisionada pelos responsáveis pelas crianças até que elas dominem esses cuidados, um processo educativo como qualquer outro.

Fonte: Paraná online

Flúor nas águas nos municípios de São Paulo

Um mapa completo da situação da fluoretação das águas nos municípios de São Paulo, apelidado de censo do flúor, deverá estar disponível para a sociedade a partir de maio. Resultados parciais da pesquisa, apresentados pelo CRO-SP durante o Congresso de Odontologia, indicam inadequação do teor de flúor na água em 25% dos municípios. Os riscos à saúde da população, como o surgimento de cáries entre crianças de 0 a 12 anos e a fluorose são considerados efetivos pelos analistas.

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Fonte: Jornal Odonto (goo.gl/ErgMWa)

Pesquisa mostra que falta flúor na água que abastece metade dos municípios de São Paulo

http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-brasil/t/edicoes/v/pesquisa-mostra-que-falta-fluor-na-agua-que-abastece-metade-dos-municipios-de-sao-paulo/2813892/

Uma pesquisa feita pelo Conselho de Odontologia de São Paulo mostra que falta flúor na água que abastece metade dos municípios avaliados. A adição da substância no tratamento da água é lei federal.