Arquivo da tag: flúor

Por que escovar com dentifrício a 1000 ppm F desde o irrompimento do 1º dente?

As bactérias que vivem naturalmente na boca de todos aderem às superfícies dentárias e nelas se acumulam, porque os dentes são as únicas superfícies do nosso organismo que não se descamam. O acúmulo de biofilmes é considerado o fator necessário para desenvolver cárie e biofilmes são comunidades bacterianas organizadas resistentes às defesas naturais do hospedeiro e à agentes antimicrobianos. Assim, a maneira mais eficaz de controlar biofilmes é sua remoção mecânica e no caso dos acumulados sobre os dentes isso tem sido feito pela escovação.

Entretanto, embora as pessoas escovem seus dentes, a eficácia da escovação feita habitualmente pela população para controlar cárie é muito pequena. Por outro lado quando os dentes são escovados com dentifrício fluoretado, o fluoreto disponibilizado pelo dentifrício compensa as limitações mecânicas da escovação com o efeito físico-químico do fluoreto interferindo com o processo de desenvolvimento de lesões de cárie. Logo, além do dentifrício usado para escovar os dentes precisar ser fluoretado ele necessita ter uma concentração mínima para ser eficaz e essa, de acordo com a melhor evidência cientifica disponível, deve ser de 1000 ppm F (mg F/kg). Outro fator importante é a frequência de escovação com dentifrício fluoretado, a qual deve ser no mínimo de 2x/dia, sendo que a escovação noturna parece ser a mais eficaz para o melhor controle de cárie.
Embora acúmulo de biofilme seja o fator necessário para o desenvolvimento de cárie, ele por si só não é suficiente, sendo determinante a exposição frequente á açucares da dieta, dos quais sacarose é o mais cariogênico. Logo, açúcar é o fator determinante negativo para o desenvolvimento de cárie e fluoreto é o fator determinante positivo tentando contrabalançar o efeito do açúcar. Assim, é altamente desejável, que além do dentes serem regularmente escovados com dentifrícios fluoretados, haja uma disciplina de consumo de produtos açucarados e esse equilíbrio é conseguido se açúcares não forem consumidos mais 7x/dia.
A escovação dos dentes com dentifrício fluoretado desde seu irrompimento tem sido pragmaticamente recomendada por Associações e Academias tanto da área Médica como Odontológica, porque:
1- Não é possível predizer se uma crianças terá ou não cárie no futuro;
2- Cárie continua sendo um problema na qualidade de vida das pessoas;
3- Fluorose dentária, o único risco do uso de dentifrício fluoretado na infância, não compromete a qualidade de vida dos acometidos;
4- A eficácia e segurança de dentifrício de concentração convencional (1000 a 1500 ppm F) está baseada em evidência.

Prof Jaime A Cury – FOP-UNICAMP Jaime Aparecido Cury – Professor titular de Bioquímica e Cariologia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP/Unicamp), Piracicaba, SP, Brasil
Prof. Jaime A Cury
Av. Limeira, 901 (CP 52)
Areião – Piracicaba – SP
13414-903
Brasil
jcury@unicamp.br

A importância do flúor nos cremes dentais

O prof. Jaime A Cury foi sabatinado pelo jornal da ABO e aqui compartilhamos as respostas às perguntas feitas:

P1: Podemos afirmar que o flúor é o agente mais efetivo na prevenção contra a cárie?
R1: Não só o mais efetivo como o único agente conhecido capaz de controlar o processo de cárie. Além do mais, é o único cujo efeito no controle de cárie está baseado em evidência, isto é em estudos clínicos randomizados e controlados e não na opinião de quem quer que seja.

P2: Como o flúor atua nos dentes para controlar a incidência da cárie?
R2: Cárie é provocada pelo acúmulo de bactérias sobre as superfícies dentárias na forma de biofilmes (placa) e da sua exposição frequente à açucares da dieta. Biofilme acumulado sobre os dentes é considerado o fator necessário para o desenvolvimento de lesões de cárie nos dentes, mas não suficiente. Entretanto toda vez que açúcar é ingerido, as bactérias do filme transformam o açúcar em ácido que dissolve os minerais dos dentes. Esse processo se repetindo “n” vezes dias por “n” dias provoca uma destruição progressiva (doença crônica) e silenciosa (a pessoa no início não percebe) culminando com o aparecimento de um “buraco” na superfície dental onde o biofilme permaneceu acumulado.
Como as bactérias aderem naturalmente aos dentes onde se acumulam porque o dente é a única superfície não descamativa (exfoliativa) do nosso organismo, ele precisam ser escovados (limpos) todos os dias, assim como a ingestão de açúcar deve ser controlada. Como o sucesso dessas duas medidas não é 100 % eficaz para evitar cárie, flúor tem sido também usado como medida complementar que tem se mostrado indispensável para o melhor controle de cárie. Flúor não evita cárie, mas eficientemente ele interfere com o processo de cárie, reduzindo a desmineralização dental toda vez que o pH cai e ativando a remineralização quando este volta ao normal. Para isso, ele precisa estar presente constantemente na boca e a medida mais racional de fazer isso é obviamente escovar os dentes com dentifrício fluoretado, uma solução para 2 problemas!

P3- Por que até pouco tempo (ou até hoje) acreditava-se que o flúor não devia fazer parte da composição dos dentifrícios para crianças?
R3: Pelo fato que crianças até a idade de aproximadamente 2 anos não possuem reflexo de cuspir e assim ao escovarem os dentes podem deglutir toda a pasta colocada na escova tendo um risco aumentado de fluorose dentária.
Entretanto, sem nenhuma evidência da relação entre idade de iniciar a escovação dental com dentifrício fluoretado e a fluorose decorrente, mas com base na autoridade, diferentes recomendações foram feitas como: a) Não usar dentifrício fluoretado até 2 anos; b) Não usar dentifrício fluoretado até 3 anos; c) Não usar dentifrício fluoretado até 4 anos, etc. Também, sem evidência outros recomendavam o uso de dentifrício com concentração reduzida de flúor (< que 600 ppm F) até 6 anos de idade. Algumas recomendações chegavam ao ridículo, como essa da Academia Europeia de Odontopediatria: (a) Se seu filho tem de 6 meses a 2 anos deve usar pasta com 500 ppm F; (b) Se de 2 a 6, com 1000, mas (c) Se tiver mais de 6 anos uma com 1450 ppm F!
Esse “achismo” começou a mudar a partir de 2003 quando estudos com base em evidência mostraram que um dentifrício deve ter flúor e sua concentração deve ser de no mínimo 1000 ppm F, tanto para controle de cárie na dentição decídua como na permanente. Com relação a fluorose essa não afeta a qualidade de vida das crianças porque é de grau muito leve.
Recomendação sábia tem sido essa: “Faça isso de forma simples e barata. Evite diferentes concentrações de pastas dentais. Para minimizar que crianças pequenas ingiram demais, reduza a quantidade da pasta dental usada ao invés da concentração”.

P4: Hoje já podemos afirmar que o flúor deve, sim, estar presente nos cremes e independente da idade que quem usa?
R4: Sim e isso está baseado em evidência e não é opinião de autoridade, porém deve haver responsabilidade. Assim, o problema quanto ao risco de fluorose está na quantidade de pasta usada pela criança para escovar os dentes. Escovar os dentes é uma medida educativa como qualquer outra na vida de uma criança, logo:
“Para maior segurança em termos do risco de fluorose e até que as crianças não tenham condições de se autocuidar, é responsabilidade dos cuidadores supervisionarem a escovação dental das crianças”

P5: A quantidade de flúor deve variar entre um dentifrício para adultos e outro para crianças? Como é isto?
R5: Como explicado na P3 um dentifrício deve ter no mínimo 1000 ppm F para controlar cárie de esmalte tanto em crianças como em adultos. Não há dentifrício de criança ou de adulto em termos de formulação, há sim propaganda para que crianças consumam (ou que os pais comprem!) determinada marca de dentifrício.
Por outro lado, há certa discussão que para o controle de cárie radicular de adultos e idosos, talvez seja necessário um dentifrício de maior concentração de flúor (5000 ppm F). Para crianças o máximo seria 1500.

P6: Quais podem ser as desvantagens do flúor ser apresentado às crianças desde cedo? No que poderia prejudicar a saúde bucal infantil?
R6: Nenhuma, desde que criança seja educada a usar pequena quantidade e seja estimulada a cuspir. Educar é provocar transformações que se traduz em “fazer com que as pessoas possam cuidar de si próprias no futuro”! Isso pode começar com o simples ato de escovar os dentes e pasta não é para ser comida e sim para escovar os dentes!!

P7: Pensando no flúor, qual é o tempo ideal durante as escovações?
R7: Não há um tempo ideal, há sim a importância de quantas vezes por dia os dentes devem ser escovados e de acordo com a melhor evidência científica disponível, essa deve ser de no mínimo 2x/dia, sendo a última de preferência à noite antes de dormir

Os mitos e verdades sobre o flúor

Há mais de meio século, o Brasil começou a programar a estratégia de maior sucesso usada em saúde publica no mundo para o controle da cárie dentária: a adição  de flúor ao tratamento da água de abastecimento público. Os professores-doutores Jaime Aparecido Cury e Livia Maria Andaló Tenuta, ambos da Faculdade de Odontologia da Unicamp, esclarecem algumas dúvidas sobre o assunto, na palestra Flúor: mitos e realidade de seu uso coletivo, pessoal, profissional e das suas combinações. Abaixo, algumas questões ligadas ao flúor, que geram perguntas entre profissionais e leigos.

O que é – O flúor é uma substância natural encontrada largamente na natureza na forma de gás, de ácidos e de minerais, e que tem sido usada mundialmente na prevenção de cárie dentária.

Atuação – A cárie é provocada por dois fatores: a organização de bactérias bucais na superfície dos dentes (formando a chamada placa bacteriana) e a exposição frequente à açúcares da dieta. O açúcar é transformado em ácidos que dissolvem os minerais dos dentes por um processo chamado de desmineralização. Se o flúor estiver presente na boca ele reduz essa condição e ativa a remineralização dos dentes reduzindo o efeito final do processo de desenvolvimento de cárie.

Aplicação de flúor – Existem meios coletivos, individuais, profissionais e suas combinações. A fluoretação das águas de abastecimento público é um meio de uso coletivo do flúor no Brasil. Uma lei federal determina que as cidades com estação de tratamento devam fluoretar a água. Os meios individuais incluem dentifrícios e soluções para bochecho diário. Há produtos para a aplicação profissional e materiais restauradores liberadores de flúor. A aplicação de flúor pelo cirurgião-dentista é recomendada para pacientes que não fazem auto-uso de flúor, quer seja por questão de comportamento ou deficiência física ou mental.

Concentração – A concentração de flúor a ser adicionada na água é feita segundo cálculo matemático que considera a temperatura média anual da localidade. Se as pessoas bebem mais água porque está mais calor, a concentração do flúor na água deve ser menor. No Brasil, por ser um país tropical, a concentração “ideal” de flúor na água da maioria das cidades é de 0,7 ppm (mg/L).

Aumentar ou diminuir? – Em locais com alta prevalência de cárie, uma maior concentração de flúor não é indicada porque irá aumentar a fluorose dentária – único efeito colateral da água fluoretada, que ocorre durante a formação dos dentes. A fluorose é percebida pelo aparecimento de linhas brancas transversais nos dentes. Já uma menor concentração reduz o efeito anticárie do flúor.

Benefícios – Mesmo quem não consome água de abastecimento público fluoretada é beneficiada, porque geralmente cozinha com essa água. Assim, refeições com arroz-feijão cozidos, por exemplo, com água fluoretada chegam a ser responsáveis por 50% da quantidade de flúor ingerido por dia.

Crianças – O flúor em creme dental é essencial para controlar a cárie. A criança que não usa dentifrício fluoretado estará sendo privada do benefício anticárie do flúor. Para diminuir o risco de fluorose, deve-se se usar uma pequena quantidade (igual a um grão de arroz cozido) de dentifrício de concentração convencional (1000-1100 ppm de flúor) e a escovação deve ser supervisionada pelos responsáveis pelas crianças até que elas dominem esses cuidados, um processo educativo como qualquer outro.

Fonte: Paraná online

Água mineral ou de torneira? Você sabia que o tipo de água que você bebe pode influenciar na sua saúde bucal. Saiba mais aqui:

Água mineral ou de torneira? Você sabia que o tipo de água que você bebe pode influenciar na sua saúde bucal. Saiba mais aqui:

Água mineral e flúor

Se a água mineral for sua fonte principal de água de consumo, você poderá não estar obtendo flúor em quantidade suficiente. Enquanto o flúor é adicionado na água de abastecimento público em 60% dos municípios do Brasil para reduzir a cárie dental, a maioria das águas minerais disponíveis no mercado não contém níveis ideais de flúor.

Diversos fatores são importantes para saber se você está recebendo ou não flúor suficiente, entre eles:

O nível de flúor na sua água mineral, que pode variar muito entre as diferentes marcas. Se a quantidade de flúor não aparecer no rótulo, peça informações à empresa responsável.
A quantidade de água mineral que você bebe durante o dia.
Se você usa a água mineral para beber, cozinhar ou preparar sopas, sucos e outras bebidas.
Se você também bebe água fluoretada na escola, trabalho ou outros lugares.
Se você bebe principalmente água mineral, você deve conversar com seu dentista sobre a necessidade de tratamentos complementares com flúor -especialmente se tiver filhos. Seu dentista pode recomendar complementação de flúor se achar que seu filho não está recebendo níveis adequados de flúor.
Fonte:Colgate