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Halitose infantil.Saiba mais.

Meu filho tem mau hálito: mães enfrentam halitose infantil

O mau hálito pode atrapalhar o relacionamento da criança com o grupo, uma vez que é desagradável conversar com alguém e sentir o odor da boca. Foto: Shutterstock

Mesmo com uma higiene bucal impecável, algumas crianças podem continuar com mau cheiro na boca

 

A halitose não escolhe idade, havendo uma predisposição orgânica ela pode se manifestar como um sinal de alerta de que algo no organismo está em desordem. Nas crianças, é comum devido a problemas respiratórios, já que a oclusão (mordida) ainda não está formada. “Isso desencadeia processos como rinites, sinusites ou até a presença de carne esponjosa nas narinas, que, além de contribuir para uma maior formação de muco, leva a criança a ser respirador bucal”, diz Marcos Moura, diretor da Associação Brasileira de Halitose – Abha.

Problemas respiratórios podem ser causa de halitose infantil

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Halitose em crianças

Embora não haja estatísticas específicas sobre halitose em crianças, o problema é muito comum nesta faixa etária. De acordo com a Cirurgiã-Dentista, Daiane Rocha, que é diretora e membro da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), na maioria dos casos a halitose é mais de origem fisiológica, orgânica ou causada por hábitos que favorecem as alterações de hálito nessa faixa etária. “Não é comum existirem crianças portadores de halitose com origem em patologias, mas ocasionalmente esses casos podem aparecer”.

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A Odontopediatra Sandra Kalil Bussadori, que é professora da EAP APCD concorda que, apesar de existirem vários estudos sobre halitose, poucos são voltados para o público infantil. Até por esta razão, Sandra faz parte de um grupo de pesquisa que tem realizado alguns estudos aprofundados sobre prevalência e tratamento da halitose infantil e em jovens. “Buscamos soluções e alternativas para este problema que é uma queixa frequente dos pais e jovens”.

As principais causas de halitose em crianças, segundo a Odontopediatra, são as alterações bucais como presença de biofilme, lesões de cárie, saburra lingual, respiração bucal e inflamações como sinusite e amigdalite. “Contudo, esses dados ainda não são muito concretos, faltam estudos mais profundos, como já mencionei”, ressalta. Como a origem da maioria das halitoses é bucal, Sandra explica que, primeiramente, é necessário adequar a correta higienização dos dentes e da língua com o uso de fio dental. “O tratamento odontológico deve ser realizado caso existam doenças instaladas (lesões de cárie, gengivite, restaurações inadequadas). Se o problema persistir, problemas respiratórios e alergias deverão ser investigados”, alerta.

A diretora da ABHA também observa que as falhas na higiene bucal, especialmente na limpeza de língua, gerando acúmulo intenso de saburra lingual e, com isso, formação de enxofre, é o principal fator predisponente da halitose. “Isso, associado ao uso frequente de cremes dentais com laurilsulfato de sódio que causam descamação nas células da mucosa da boca, além de bochechos com álcool na composição é potencialmente danoso, pois gera ressecamento bucal intenso, aumenta a descamação das células (ricas em proteínas), acentuando a formação da saburra lingual, mais uma vez favorecendo a formação de enxofre”. Daiane acredita que esse problema poderia ser minimizado, se pais e responsáveis tivessem um controle rigoroso e auxiliassem, ou pelo menos fiscalizassem mais de perto, a higiene bucal de seus filhos. “Com o ritmo de trabalho atual esse cuidado muitas vezes fica ‘terceirizado’ para babás, auxiliares ou escola, não sendo efetuado ou sendo efetuado com muitas falhas. Em outros casos, a própria criança realiza sua escovação sozinha, sem nenhuma supervisão… Até os sete anos, pelo menos, essa higiene precisa ser auxiliada e/ou supervisionada por um adulto e as crianças devem, desde cedo, ser estimuladas a escovar os dentes, no mínimo, 3x/dia”, esclarece.

Do lado do profissional, a Odontopediatra, reforça que o Cirurgião-Dentista deve atuar como um educador em saúde. “Promovendo o controle do biofilme e a limpeza da língua, e também realizando o tratamento das doenças instaladas”, ressalta Sandra.

Pré-adolescência e adolescência

Segundo a diretora da ABHA, Daiane Rocha, na pré-adolescência e adolescência há outros fatores bastante relevantes e peculiares que podem favorecer a halitose:

Alterações hormonais – é comum antes e durante a puberdade haver alterações de odor, não só no hálito, mas também de chulé, suor, odor vaginal, por influência de desordem ou picos hormonais que aumentam a intensidade da produção de odores corporais;

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Uso de aparelho ortodôntico – os aparelhos ortodônticos também contribuem indiretamente para a ocorrência de halitose nessa faixa etária. A higiene bucal fica ainda mais precária, em especial pelo maior acúmulo de alimentos entre os dentes e os bráquetes ortodônticos. A dificuldade de uso do fio dental faz com que muito negligenciem a limpeza. Além disso, o contato constante dos bráquetes na mucosa bucal contribui mais uma vez para a descamação celular e aumento de saburra lingual.

Alimentação – o consumo excessivo de leite e seus derivados e, em alguns casos, também de carne vermelha, aliados à ausência de higiene satisfatória contribui novamente, de forma fisiológica, para formação de enxofre. O consumo insuficiente de água pelas crianças é outro problema que contribui.

Neste sentido, o tratamento consiste em eliminar as causas que levam à ocorrência da halitose. “Deve-se intensificar os cuidados de higiene, em especial em crianças e adolescentes usuários de aparelho ortodôntico, quanto à escovação com técnica adequada, uso de fio dental, limpeza lingual eficiente e cuidado na escolha de produtos próprios para sua idade, além da supervisão e auxilio, quando necessário, de um adulto. Os retornos periódicos ao Cirurgião-Dentista, no mínimo semestralmente, também devem ser cumpridos. A alimentação deve ser balanceada, com limpeza bucal realizada quando houver o consumo de alimentos que contribuem para o aumento da saburra lingual. Intervalos regulares a cada 3 a 4 horas também são importantes para que não haja a queima de gordura e, consequentemente, hálito cetônico. Esse controle nos horários de refeições já é difícil em adultos hoje em dia, nas crianças então vem sendo bastante negligenciado”, finaliza Daiane.

Via Jornal APCD