Arquivo da tag: Herpes

Lisina promete prevenir o vírus que causa o herpes labial

O contágio pelo HSV-1 – vírus que atinge cerca de 90% da população mundial e causa o herpes labial em 40% dos infectados – ocorre mais frequentemente na infância, mas pode acontecer em qualquer fase da vida, por meio do contato com a saliva ou outras secreções contaminadas. A transmissão pode ocorrer de forma direta, por meio de beijo, sexo oral e gotículas de saliva liberadas com a fala, ou de forma indireta, pelo uso compartilhado de objetos como copo, talheres e batom.

Estudos em que a lisina foi administrada durante seis meses em pacientes com a doença demonstraram que houve prevenção da recorrência ou diminuição da frequência em 84% dos casos. Além disso, a cicatrização das lesões ocorreu em cinco dias ou menos em 83% dos pacientes – o tempo médio regular é de 9 a 12 dias.

São resultados extremamente positivos para quem sofre com sintomas como vermelhidão, ardência, coceira, prurido e vesículas nos lábios de forma rotineira, o que afeta não só a saúde, como também a autoestima das pessoas, já que o rosto é o principal cartão de visitas e a parte mais exposta do corpo.

“O herpes labial é uma infecção cutânea extremamente comum e os surtos podem ser de longa duração, intensamente dolorosos e desfigurantes”, explica Dr. Walmar Roncalli Pereira de Oliveira, dermatologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFM/USP).

A lisina está presente em alguns alimentos, como as proteínas de origem animal, a soja e certos legumes, mas o corpo humano não consegue produzi-la, dependendo da sua ingestão. O seu papel fundamental é inibir a arginina, aminoácido que tem uma função contrária à da lisina no organismo – ou seja, ela ajuda na reprodução do vírus. Como elas competem dentro da célula, o aumento da lisina no organismo significa uma queda da arginina, e manter essa relação (mais lisina e menos arginina) é essencial para frear o herpes labial.

A prevenção do herpes labial, portanto, significa mais qualidade de vida e autoconfiança para uma parcela muito significativa da população, como mostra uma pesquisa realizada em junho de 2015 pela Aché. Feito em parceria com empresa especializada em pesquisas digitais, o estudo ouviu 100 pacientes com herpes no país, entre os quais 37% têm o problema e apresentam mais de duas crises por ano. Para 78% dos entrevistados que sofrem com a doença, o nível de incômodo vai de médio a muito alto e o tempo de convivência com as dolorosas crises é de 10 a 15 anos, considerando a idade atual dos pacientes e a que eles tinham quando a doença se manifestou pela primeira vez.

Ainda que a maioria da população tenha o vírus incubado no organismo, nem todos os indivíduos chegam a desenvolver a doença. Nos pacientes que apresentam os sintomas, a manifestação do vírus é geralmente desencadeada por fatores como exposição solar intensa, fadiga física e/ou mental, baixa imunidade do organismo, alterações hormonais durante a menstruação, febre, trauma local e ingestão de alguns alimentos ricos em arginina, aminoácido necessário para a replicação do vírus.

Entre as pessoas que desenvolvem o herpes labial, a frequência e a intensidade das crises podem variar. Em boa parte dos casos, a manifestação dos sintomas é discreta, mas uma parcela relevante da população está propensa a ter reincidência, com até seis episódios por ano. Quando o herpes labial é recorrente e mais severo, o tratamento é fundamental.

Como o vírus funciona

O herpes labial ocorre quando, depois de atravessar a pele, caminhar pelo nervo e ficar latente ou dormente por algum tempo, o vírus é estimulado e se dirige às terminações nervosas do corpo até alcançar a pele. Assim que ele atinge a epiderme, camada mais superficial do órgão, surgem as primeiras lesões. A sensação inicial é de coceira e ardência no local, seguida por vermelhidão e inchaço.

Em seguida, surgem pequenas vesículas que se agrupam e lembram o formato de um cacho de uvas ou de um buquê de flores. Quando rompidas, as bolhas se transformam em feridas que, depois de um tempo, secam e cicatrizam. O maior risco de transmissão do vírus ocorre durante o rompimento das lesões, que liberam um líquido contaminado.

A doença ainda é vista por grande parte da população como pouco importante. Porém, é descrito em literatura que uma em cada dez mil reativações do vírus do herpes simples no nervo pode atingir o sistema nervoso central, levando a uma doença chamada encefalite herpética, que apresenta alto índice de morbidade e letalidade.

O primeiro sinal de maior sensibilidade na região dos lábios, com o aparecimento de coceira, ardor, vermelhidão e/ou prurido, representa para muitas pessoas o início de dias conturbados. A longa convivência com a dor e o constrangimento causados pelas crises se agrava pelo fato de que, para 37% dos pacientes, os episódios ocorrem mais de duas vezes ao ano, podendo superar quatro crises anuais.

Segundo a pesquisa realizada em junho passado, a cada uma dessas crises representa um nível de incômodo descrito por 78% dos entrevistados com herpes labial como de médio a muito alto. Os pacientes têm que lidar, a cada novo episódio, com a dor no local das lesões, o abalo psicológico e o receio de potenciais desfigurações durante o processo de cicatrização das feridas. Os resultados da pesquisa mostram o comportamento dos portadores de herpes labial quanto ao tratamento e a prevenção das crises, sendo necessária maior orientação, uma vez que 80% dos entrevistados se automedicam durante as crises.

É preciso reforçar a importância do acompanhamento médico. Os pacientes que se automedicam durante as crises utilizam pomadas ou comprimidos, enquanto somente 13% procuram um médico. Além disso, 62% afirmam não adotar nenhuma medida de prevenção, como evitar o sol, usar protetor labial e equilibrar a alimentação – orientações básicas que são repassadas aos pacientes durante uma consulta com um especialista. Informações corretas sobre tratamentos e mudanças importantes de hábitos de vida são a chave para uma vida com menos recorrência do herpes labial.

“A lisina administrada durante o curso das infecções herpéticas recidivantes diminui os sintomas, o tempo da infecção e acelera o processo de cicatrização. Por apresentar mecanismo de ação supressivo da replicação viral, é empregada principalmente de forma profilática, diminuindo a frequência das recidivas”, explica Dr. Walmar Roncalli Pereira de Oliveira, dermatologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFM/USP).

PRINCIPAIS NÚMEROS DA PESQUISA

Sexo:
59% homens
41% mulheres

Idade:
50% entre 31 e 40 anos
43% entre 25 e 30 anos
7% com mais de 41 anos

Nível de incômodo com o herpes labial:
46% muito alto
32% médio
22% baixo

Idade em que ocorreu o primeiro episódio:
72% antes dos 20 anos
25% entre 21 e 30 anos
3% entre 31 e 40 anos

Número de crises:
55% uma crise por ano
37% de duas a mais de quatro crises por ano
8% apenas uma crise na vida

Orientação para tratamento:
80% se tratam sozinhos
13% procuram um médico
7% procuram um farmacêutico

Tipos de tratamento:
90% usam comprimidos e pomadas
8% nenhum
2% outros

Prevenção do herpes labial:
62% não fazem nada
38% evitam sol, utilizam protetor labial e cuidam da alimentação

Fonte: Herpes recorrente não, Aché .

Andréa Guardabassi , Saúde Repórter

Pesquisa aponta mais de 76,7% de indivíduos infectados pelo herpes

O herpes simples (HSV 1 e 2), infecção viral que comumente resulta no surgimento de pequenas bolhas ao redor dos lábios ou nos genitais, afeta 76,7% dos indivíduos na cidade de São Paulo, sendo as mulheres as mais suscetíveis à doença. Os dados constam no levantamento estatístico realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas da rede de medicina diagnóstica SalomãoZoppi Diagnósticos.

Para esclarecer: O herpes simples (HSV 1 e 2) representa a doença viral mais comum no ser humano moderno, excluindo-se as infecções respiratórias. Em pacientes imunossuprimidos as infecções pelo vírus podem provocar severas complicações. O herpes simples também é classificado como doença sexualmente transmissível, sendo que afeta somente o ser humano e sem variação sazonal. Caracteriza-se pelo aparecimento de pequenas bolhas agrupadas especialmente nos lábios e nos genitais, mas que podem surgir em qualquer outra parte do corpo.

Para a realização do estudo foram analisados 13.441 exames de sorologias para herpes vírus dos dois tipos (tipo 1 e 2) simultaneamente, realizados no Centro de Diagnósticos no período de 2005 a 2015, cobrindo 9 anos de investigação. Foram incluídos pacientes de ambos os gêneros e todas as faixas etárias, que variam de 0 a 90 anos. Ao todo foram analisados 8.177 exames de pacientes do sexo feminino e 3.072 exames de pacientes do sexo masculino.

Segundo o estudo, quanto maior a faixa etária, independente do gênero, maior é a média de positividade dos exames de sorologia de herpes analisados. Na população acima dos 40 anos de idade, a prevalência ultrapassa a casa dos 85%, enquanto que na população acima dos 50 anos o indicador atinge o patamar de 90% de casos positivos. Nos indivíduos acima dessa idade pode se chegar a 98% dos casos, como é o caso dos pacientes de 81 a 90 anos.

“Essa é uma característica do vírus na sociedade, pois quanto maior tempo se tem de exposição a ele, maiores as chances de se carregá-lo no organismo. Além disso, a pessoa exposta pode nunca apresentar sintomas do herpes simples. O desenvolvimento de alguma alteração no organismo depende da imunidade de casa um”, afirma Campaner.

Entre as populações de 0 a 10 anos, a prevalência é de 30%, enquanto que entre a faixa etária que vai dos 11 aos 20 anos, 45%. Dos 21 aos 30 anos os casos positivos superam a marem de 70%.

Entre as mulheres, a prevalência de positividade para herpes ultrapassa os 50% dos casos, a partir da faixa etária que vai dos 21 aos 30 anos. Em pacientes mulheres dos 0 aos 10 anos, o número de casos positivos já supera os 35%. “Trata-se de um indicador que revela o cuidado com que a doença deve ser tratada pelos órgãos de saúde pública”, revela. Ao longo de todas as faixas etárias, a proporção de casos positivos entre as mulheres supera a de homens. A exceção fica nas faixas etárias que vão de 51 a 60 anos, além de 71 a 80 anos e acima dos 90 anos.

A prevalência de resultados positivos para exames realizados em mulheres foi de 76,4%. O percentual de exames positivos para os homens atingiu a marca de 69,6%. De acordo com a ginecologista e coordenadora do Centro de Estudos e responsável pelo levantamento, Adriana Campaner, a média geral de positividade nos exames, incluindo homens e mulheres é de 76,7%.

Fonte: Conteúdo Comunicação

Conheça doenças bucais que podem atrapalhar o seu namoro

Para garantir a integridade da saúde e do relacionamento, basta ficar atento a algumas dicas de prevenção de algumas doenças bucais e viver feliz para sempre.

Algumas doenças bucais, além de serem um risco para a saúde, podem comprometer relacionamentos amorosos. Afinal, não é todo mundo que aguenta passar a noite em claro por conta do ronco ou que toma coragem para conversar sobre mau hálito. Por outro lado, outros problemas orais começam justamente no ponto de partida das relações – o beijo.

A mononucleose infecciosa é conhecida como doença do beijo simplesmente pelo fato do vírus Epstein-Barr ser transmitido assim pelo beijo. Os sintomas são mal-estar, febre, dor de cabeça e de garganta, aumento de gânglios, ínguas no pescoço e inflamação leve e transitória do fígado (hepatite). A prevenção é feita fortalecendo o sistema imunológico. Foto: Shutterstock

Doença do beijo
A mononucleose infecciosa é conhecida como doença do beijo simplesmente pelo fato do vírus Epstein-Barr ser transmitido assim – pelo beijo. É a doença típica do Carnaval e basta ter contato direto da mucosa com a saliva contaminada que o vírus já se instala. Os sintomas são mal-estar, febre, dor de cabeça e de garganta, aumento de gânglios, ínguas no pescoço e inflamação leve e transitória do fígado (hepatite). “Esse beijo contaminado pode causar herpes de lábio, algumas formas de hepatite, gripes e resfriados”, explica dentista Rodrigo Bueno de Moraes, consultor científico da Associação Brasileira de Odontologia (ABO).

A prevenção é feita fortalecendo o sistema imunológico. “A melhor maneira de evitar a doença é ter bons cuidados bucais diários, evitar falhas na higiene bucal, observar a pré-existência de traumas ou feridas internas na boca, ao redor dos dentes ou no contorno dos lábios”, diz o especialista. Outra dica é passar no dentista e no otorrinolaringologista.

Herpes
O beijo também é o vilão transmissor do herpes. A transmissão ocorre quando uma pessoa com o herpes manifestado beija a boca da outra. O vírus atinge 90% da população mundial, mas nem todas manifestam a doença. As pessoas predispostas apresentam como sintoma um período inicial de dor e ardência local, com posterior aparecimento de vesículas (bolhas) agrupadas que se rompem e formam crostas. Geralmente essas lesões são dolorosas e podem durar de sete a 15 dias. “É melhor evitar contato direto com pessoas que apresentem infecção ativa, pois o vírus é altamente contagioso”, diz a dermatologista Ana Carolina Amaral, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

A mononucleose infecciosa é conhecida como doença do beijo simplesmente pelo fato do vírus Epstein-Barr ser transmitido assim pelo beijo. Os sintomas são mal-estar, febre, dor de cabeça e de garganta, aumento de gânglios, ínguas no pescoço e inflamação leve e transitória do fígado (hepatite). A prevenção é feita fortalecendo o sistema imunológico. Foto: Shutterstock

Para prevenir, Ana Carolina indica hidratação dos lábios e uso de filtro solar. Mas, como o herpes é uma doença crônica, por vezes, pode ser recorrente e reaparecer por alguns fatores desencadeantes, como exposição solar em excesso, alterações hormonais, infecções, baixa imunidade e estresse. “Já existem hidratantes labiais com filtro solar em sua composição, e é indicado o uso diário desse produto, principalmente para os pacientes que apresentam reativação da doença”, recomenda.

HPV e o câncer de boca

A mononucleose infecciosa é conhecida como doença do beijo simplesmente pelo fato do vírus Epstein-Barr ser transmitido assim pelo beijo. Os sintomas são mal-estar, febre, dor de cabeça e de garganta, aumento de gânglios, ínguas no pescoço e inflamação leve e transitória do fígado (hepatite). A prevenção é feita fortalecendo o sistema imunológico. Foto: Shutterstock
Cânceres de boca e orofaringe – doenças que atingiam homens com mais de 50 anos – estão cada vez mais recorrentes entre jovens (entre 30 e 45 anos) de ambos os sexos que não fumam nem bebem em excesso, mas praticam sexo oral desprotegido. Isso porque o HPV – papilomavírus humano –, que é transmitido sexualmente, está diretamente ligado a casos de câncer de cabeça e pescoço. Para o oncologista, Ricardo Caponero, da Clinonco, parte desse aumento pode ser atribuída a mudanças no comportamento sexual. “Ainda não se fala sobre esse assunto e por isso a conscientização é praticamente nula”, diz.

Existem duas vacinas contra o HPV. Uma delas, a bivalente, protege contra dois tipos de vírus, mais associados ao câncer de colo do útero – o 16 e o 18. A quadrivalente também previne contra os tipos 6 e 11, presentes em 90% dos casos de verrugas genitais. A vacina contra HPV foi aprovada para uso em mulheres de 9 a 26 anos, e, de preferência, deve ser administrada antes do início da vida sexual. A posologia recomendada é de três doses (com intervalo de dois meses entre elas)

Ronco

A mononucleose infecciosa é conhecida como doença do beijo simplesmente pelo fato do vírus Epstein-Barr ser transmitido assim pelo beijo. Os sintomas são mal-estar, febre, dor de cabeça e de garganta, aumento de gânglios, ínguas no pescoço e inflamação leve e transitória do fígado (hepatite). A prevenção é feita fortalecendo o sistema imunológico. Foto: Shutterstock
O ronco é um distúrbio respiratório que atinge entre 30% e 40% dos adultos, sendo mais frequente nos homens, além de aumentar com a idade. Estima-se que mais de 60% das pessoas, acima dos 55 anos, sofrem com o barulho noturno, que é resultado das vibrações dos tecidos da garganta quando o ar passa em direção aos pulmões. “O ronco causa sérios problemas sociais, pois, dependendo do grau, desgasta a relação do casal, levando-o muitas vezes a dormir em quartos separados”, diz a dentista Valéria Bordallo, especialista em ronco e apneia.

O mais indicado para tratar o ronco é procurar um dentista especializado, que pode indicar um aparelho intraoral, dependendo do caso. Com ele, a mandíbula é projetada para frente para liberar o ar durante o sono. Em alguns casos, uma consulta com o otorrinolaringologista também é recomendada.

Mau hálito

A mononucleose infecciosa é conhecida como doença do beijo simplesmente pelo fato do vírus Epstein-Barr ser transmitido assim pelo beijo. Os sintomas são mal-estar, febre, dor de cabeça e de garganta, aumento de gânglios, ínguas no pescoço e inflamação leve e transitória do fígado (hepatite). A prevenção é feita fortalecendo o sistema imunológico. Foto: Shutterstock
A maior causadora da halitose é a saburra lingual, uma placa bacteriana esbranquiçada que se forma na parte posterior da língua e surge quando há diminuição da salivação ou descamação. Ela que exala o odor desagradável, típico da halitose. O problema é que quem sofre de halitose normalmente tem fadiga olfatória, isso quer dizer que se acostuma com o cheiro e não sente o próprio hálito.

“Quando o hálito não é bom, o beijo passa a ser evitado e a intimidade é afetada, consequentemente, o sexo também passa a não ser tão bom, e também é evitado”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta de casal. Para não deixar o relacionamento chegar a uma crise, é preciso conversar sobre o problema. Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Halitose – ABHA -, 99% dos portadores de mau hálito disseram que queriam ter sido avisados antes.

A abordagem possa ser feita depois de um beijo. Pergunte, como quem não quer nada, o que ele comeu, pois sentiu um gosto estranho na boca. Caso ele não entenda a insinuação, em outro dia, faça o comentário novamente, e pergunte se não é melhor marcar um horário no dentista para saber se está tudo certo. “Um parceiro é a pessoa mais indicada pra falar sobre isso, com delicadeza e mostrando interesse em ajudá-lo”, avalia a psicóloga.

 Fotos: Shutterstock
Beta Terra

Entrevista do Dr Drauzio Varella com Dra Cristina Abdalla sobre herpes labial

Entrevista do Dr Drauzio Varella com Dra Cristina Abdalla sobre herpes labial

Entrevista
Herpes simples
Dra. Cristina Abdalla é médica dermatologista e faz parte do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo

A principal manifestação do herpes simples, uma infecção causada por vírus, é a presença de pequenas vesículas agrupadas que podem aparecer em qualquer parte do corpo, mas que em geral surgem nos lábios e nos genitais . Nos lábios, elas se localizam preferencialmente na área de transição entre a mucosa e a pele e de um lado só da boca, embora na primeira infecção possam ocorrer quadros mais extensos .

A irrupção das lesões cutâneas é precedida por alguns sintomas locais como coceira, ardor, agulhadas, formigamento, mas em torno de uma semana o problema desaparece.

Entretanto, a primeira infecção pelo herpes vírus costuma ser mais grave e o restabelecimento completo, mais demorado. As lesões podem espalhar-se pelos dois lados da face ou dentro da boca com aspecto semelhante ao das aftas. Na fase final da evolução da doença, é comum o aparecimento de crostas .

O herpes simples não deve ser confundido com o herpes zóster, provocado por um vírus da mesma família do herpes simples, mas com quadro clínico bastante diferente. As vesículas acometem um lado só de determinada região do corpo — nas imagens 4a e 4b apenas a face esquerda –, mas as lesões são muito mais extensas e estão associadas à dor intensa e persistente. Nesse caso, o tratamento precisa ser mais agressivo, porque a doença é mais grave.

INFECÇÃO PELO HERPES VÍRUS HUMANOS (HSV–1e2)

Drauzio – Como age o vírus do herpes simples?

Cristina Abdalla – O herpes vírus caminha pelas terminações nervosas e atinge a pele. Na epiderme (primeira camada da pele), produz alteração nas células e surgem pequenas vesículas agrupadas, que se assemelham a um cacho de uvas. Depois, essas bolhinhas ressecam, forma-se uma crosta e a lesão desaparece. Essas são as principais características da infecção herpética tanto labial quanto genital.

Drauzio – Quanto tempo dura a infecção e quais são os principais sintomas?

Cristina Abdalla – Geralmente, a crise de herpes dura de 7 a 10 dias. Horas ou um dia antes do aparecimento das vesículas na pele, algumas pessoas pressentem a crise pelos sintomas desagradáveis de ardor, queimação ou coceira no local afetado, porque o vírus está replicando e caminhando pelo nervo.

Drauzio – Nos casos de herpes genital, algumas pessoas se queixam de dor que corre pelas pernas como se fosse um choque.

Cristina Abdalla – O herpes vírus tem afinidade pelas terminações nervosas (tropismo), onde permanece silencioso. Quando a pessoa tem uma baixa de resistência, ele começa a multiplicar-se, o nervo inflama e surgem os sintomas citados acima, antes mesmo de o quadro clínico instalar-se.

Em certos casos, os sintomas somem quando as lesões cutâneas aparecem. Noutros, principalmente nos de herpes labial, eles podem persistir durante toda a crise.

Drauzio – O herpes simples pode aparecer em qualquer lugar do corpo (imagens 5a e 5b). O que explica essa predileção pelos lábios e pelos genitais?

Cristina Abdalla – Embora as lesões possam aparecer em qualquer parte do corpo, a transmissão do vírus do herpes labial geralmente se dá na boca. A pessoa tem uma feridinha, entra em contato direto com o vírus pelo beijo ou pela saliva, por exemplo, ele penetra e procura um nervo onde fica latente até provocar uma infecção. Já o herpes genital é transmitido por via sexual e pode aparecer também nas nádegas ou na região perineal.

A FORÇA DA IMUNIDADE

Drauzio – Um fato que desorienta os portadores de herpes é que, às vezes, as crises se repetem com muita frequência e, de repente, ocorrem longos períodos de remissão. Como se explica isso?

Cristina Abdalla – A ocorrência das crises está intimamente relacionada com a imunidade das pessoas. Se ela estiver baixa, o vírus replica, vence o exército de defesa do organismo e as crises se tornam mais frequentes. Se a imunidade estiver boa, os períodos de remissão podem ser longos.

Drauzio – Essa baixa de resistência pode estar associada a outras doenças, um quadro gripal, por exemplo, mas pode haver deficiência específica contra o vírus mesmo que não haja queda da imunidade de maneira geral?

Cristina Abdalla – Não é preciso ocorrer um quadro mais sério de deficiência da imunidade para as crises se manifestarem. Pequena queda de resistência pode causar a infecção herpética, também chamada popularmente de febre da pele ou febre intestinal. Ela pode ser desencadeada também pelo estresse físico ou psicológico, fadiga ou exposição solar.

A prática no consultório revela que alguns fatores estão associados às crises. O sol é um deles. No verão, o número de pessoas com crises de herpes aumenta. Estresse é outro fator importante e a mulher se queixa muito de que as crises estão associadas ao ciclo menstrual. Lábios rachados pelo clima seco também são mais susceptíveis à infecção.

Para proteger do sol, indica-se o uso de fotoprotetores labiais, que nem sempre conseguem evitar a crise.

Drauzio – Os fotoprotetores realmente funcionam?

Cristina Abdalla – Via de regra os pacientes se referem aos fotoprotetores como meio capaz de reduzir a frequência das crises. Não conheço, porém, nenhum estudo científico que comprove sua eficácia. O grande problema pode estar na utilização adequada do produto, uma vez que na praia ou na piscina as condições são diferentes daquelas obtidas em laboratório. A própria saliva ou algo que a pessoa beba podem removê-lo e nem sempre ele é reaplicado como deveria. De qualquer forma, teoricamente, fotoprotetores funcionam como fator de proteção e essa é razão de indicarmos seu uso.

Drauzio – Normalmente, os episódios de herpes são benignos. Uma coceira ou queimação no local, vesículas que surgem e desaparecem numa semana são os sintomas mais comuns. No entanto, em alguns casos a doença complica e provoca alterações bastante sérias. Você poderia explicá-las?

Cristina Abdalla – Algumas alterações são mais sérias (imagem 6). As lesões podem manifestar-se fora e dentro da boca, na pele ao redor do nariz e virem acompanhadas de uma infecção secundária por bactérias com febre, dor e mal-estar. Às vezes, são tão intensas que acometem a face toda, especialmente se o paciente apresentar outras doenças como dermatite atópica, estiver tomando corticoides ou estiver imunossuprimido. Se considerarmos a vida mais ativa que as pessoas levam hoje, a crise de herpes pode representar um problema bastante sério.

Drauzio – E a associação do vírus do herpes humano com o da encefalite é frequente?

Cristina Abdalla – O vírus do herpes é neurotrópico, tem afinidade pelo sistema nervoso. Sua associação com o vírus da encefalite ocorre mais em indivíduos com imunossupressão, portadores de câncer, do vírus da Aids com a doença ativa e nos que tomam corticoides. Portanto, o quadro pode ser muito mais grave, se a imunidade estiver deprimida, e exigirá internação hospitalar e tratamento com antivirais por via endovenosa.

Drauzio – Episódios clássicos mais frequentes de herpes nem sempre querem dizer que o portador esteja debilitado imunologicamente?

Cristina Abdalla – Os episódios de herpes podem ser mais frequentes porque o indivíduo apresenta debilidade para reconhecer e combater o vírus e não porque existe uma alteração importante da imunidade.

TRATAMENTO DO HERPES

Drauzio – Existem vacinas para impedir que as lesões voltem?

Cristina Abdalla – Infelizmente, elas ainda não existem. Foram criadas algumas vacinas do tipo recombinante que não funcionaram a contento. Atualmente, uma vacina está na fase de teste em humanos. Conforme os resultados, talvez se possa proporcionar algum alívio para os indivíduos com crises frequentes.

Drauzio – Como deve ser conduzido o tratamento para herpes simples?

Cristina Abdalla – Via de regra, o tratamento deve ser indicado para todos os pacientes, porque assim se diminui a possibilidade de contágio. O herpes vírus é altamente infectante. A primeira orientação que se dá aos pacientes sempre diz respeito aos cuidados locais de higiene. Lavar bem as mãos, evitar contato direto com outras pessoas e não furar as bolhas sob nenhum pretexto são outras recomendações importantes. É indispensável prevenir uma infecção secundária por bactéria o que iria piorar muito o quadro.

Estudos demonstram que algumas pomadas de uso tópico ajudam a diminuir o período de evolução da crise herpética, mas o efeito é muito discreto se comparado com o dos casos em que elas não foram aplicadas. Por isso, os medicamentos antivirais por via oral são os mais indicados para o tratamento da doença.

Drauzio – Como esses medicamentos devem ser utilizados? Quando é ideal começar o tratamento?

Cristina Abdalla – O ideal é começar o tratamento o mais depressa possível. Assim que o indivíduo perceber a instalação dos sintomas ou pressentir a chegada da crise, deve começar a tomar antivirais. Dependendo da droga, o tratamento pode começar 72 horas antes das primeiras lesões aparecerem e deve ser mantido durante cinco ou sete dias.

Pacientes bem treinados no reconhecimento precoce desses sinais dizem que conseguem até “abortar” a crise, se tomarem logo a medicação. Mesmo que isso não aconteça, esses remédios encurtam a duração da doença e diminuem o número de lesões e a intensidade dos sintomas.

Drauzio – O problema é que esses medicamentos custam muito caro. A relação custo-benefício justifica sua indicação?

Cristina Abdalla – Os antivirais são drogas modernas que atuam na replicação dos vírus e realmente custam caro. Acredito, porém, que representam um benefício principalmente para os indivíduos que têm de quatro a seis crises por ano, com lesões que levam pelo menos uma semana para cicatrizar e causam constrangimento nas atividades do dia a dia.

Reduzir esse prazo é sempre um ganho para os pacientes. Entretanto, se a crise for branda, sem a formação de vesículas e só aparecer uma plaquinha vermelha que desaparece em dois ou três dias, talvez não seja necessário indicar o tratamento com antivirais.

HERPES GENITAL

Drauzio – O impacto do herpes genital nas pessoas com vida sexual ativa é sempre constrangedor. Tive um paciente que dizia que o herpes genital não lhe causava problemas a não ser que tivesse relações.

Cristina Abdalla – O trauma físico das relações pode desencadear as crises. De qualquer forma, o herpes genital traz sempre um constrangimento para o portador e quanto mais rapidamente a crise for debelada, maior será o conforto do paciente.

Drauzio – Nos homens as lesões são mais visíveis, embora algumas possam localizar-se na uretra. Nas mulheres, pela posição anatômica dos genitais, o diagnóstico é mais complicado.

Cristina Abdalla – As lesões podem aparecer nos genitais femininos externos. O diagnóstico complica quando aparecem nos órgãos internos, às vezes, no colo do útero e o ginecologista só consegue identificá-las durante a vigência das crises.

Drauzio – Você citou mulheres, por exemplo, que têm herpes em todos os períodos pré-menstruais. O que se pode fazer para evitar essa repetição desagradável das crises.

Cristina Abdalla – Existe uma terapia que chamamos de supressora e que consiste em usar o antiviral por períodos prolongados que vão de seis a doze meses. Estudos mostram que, enquanto a medicação está sendo administrada, as crises praticamente desaparecem ou se tornam bem mais esparsas. Infelizmente, elas retornam tão logo a medicação seja suspensa.

Drauzio – A experiência mostra que se trata de medicamentos bastante seguros. Nos tratamentos de câncer, às vezes, é preciso usá-los por longos períodos e os doentes os suportam bem.

Cristina Abdalla – Esses medicamentos praticamente não apresentam efeitos colaterais nem interação com outras drogas. Nem todas as drogas quimioterápicas, por exemplo, combinam entre si e é preciso tomar cuidado com sua indicação. Com os antivirais empregados para o tratamento de herpes, isso é raro de acontecer. Eles constituem uma medicação fácil de administrar e sem efeitos adversos.

Drauzio – Quando vale a pena indicar o uso contínuo por um período para prevenir a recidiva das crises?

Cristina Abdalla – O critério para indicar o uso desses medicamentos por período prolongado é o número e a intensidade das crises que a pessoa tem num ano. Há casos em que o herpes pode aparecer também no olho, um órgão nobre que exige tratamento prolongado com antivirais.

HERPES VÍRUS TIPO I e II

Drauzio – Há diferença entre os vírus que provocam herpes labial e herpes genital?

Cristina Abdalla – Ambos pertencem à mesma família, mas são subtipos diferentes. O tipo I provoca herpes labial e o tipo II, herpes genital. Acima da cintura, geralmente a maior incidência é de herpes tipo I e abaixo da cintura, de herpes tipo II, mas isso não é uma regra absoluta.

Drauzio – Quem tem herpes labial pode transmitir o vírus por sexo oral?

Cristina Abdalla – Pode transmitir e o mesmo indivíduo pode ter vírus dos dois tipos. Não há imunidade cruzada, isto é, desenvolver imunidade contra um vírus não assegura imunidade contra o outro. No entanto, o indivíduo com herpes labial que adquire herpes genital geralmente desenvolve uma infecção mais branda.

Drauzio – O tratamento é o mesmo para os dois tipos de vírus?

Cristina Abdalla – A droga age no DNA do vírus e é a mesma para os dois casos, assim como é igual o tempo de tratamento. Alguns médicos preferem mudar um pouco a dosagem, mas a medicação é basicamente a mesma.

Drauzio – Num casal em que o marido tenha herpes genital, com que frequência a mulher se infecta?

Cristina Abdalla – A transmissão ocorre mais durante as crises, mas também acontece fora delas porque o indivíduo pode apresentar infecções subclínicas, sem lesões visíveis. A literatura médica registra que em torno de 20% dos parceiros sexuais se infectam quando têm vesículas aparentes. Se elas não se manifestam, é difícil avaliar a via de transmissão.

O uso de preservativos ou até mesmo a abstinência sexual são condutas importantes durante a crise. O ideal seria usar preservativos sempre, mas a prática médica mostrou que isso é inviável. A situação é delicada e talvez só a vacina consiga resolvê-la. De qualquer modo, as pessoas precisam encontrar uma maneira de se proteger para evitar o contágio.

PREVALÊNCIA DA INFECÇÃO

Drauzio – A prevalência do herpes labial nas pessoas é altíssima. Qual é a prevalência geral do herpes genital?

Cristina Abdalla – Se aplicarmos o teste na população, através do exame de sangue, verificaremos que 90% entraram em contato com o vírus do herpes simples do tipo I, mas que só de 20% a 40% apresentaram crises. Em relação ao herpes genital, um estudo americano demonstrou que a partir dos 12 anos, portanto a partir do início da vida sexual, 40% das pessoas analisadas têm sorologia positiva e de 12% a 20% têm crises.

Drauzio – Quer dizer que a relação entre número de infectados e de pacientes que desenvolvem crises é mais ou menos a mesma no herpes labial e no genital?

Cristina Abdalla – Parece que é, embora os dermatologistas diagnostiquem mais casos de herpes labial e os ginecologistas, certamente, de herpes genital.

Drauzio – Você acredita que surgirão medicamentos mais eficazes do que os atuais para o tratamento de herpes?

Cristina Abdalla – Sempre há esperança. Há estudos em andamento a respeito do assunto e a indústria farmacêutica está aí, empenhada em produzir novas drogas. Não se tem notícia, porém, de que isso irá tornar-se realidade num futuro próximo.

Drauzio – Como 90% da população têm anticorpos contra o vírus, é praticamente impossível criar uma criança que não seja infectada por ele.

Cristina Abdalla – Mais cedo ou mais tarde, ela vai entrar em contato com esse vírus. Trata-se de uma infecção muito prevalente. Fala-se que depois do vírus da gripe, o herpes vírus é o de maior incidência.

PRIMEIRA INFECÇÃO

Drauzio – Em geral, a primeira crise é mais grave do que as demais?

Cristina Abdalla – Em geral, é mais grave. O sistema de defesa não reconhece o vírus e o indivíduo tem uma crise mais intensa. Uma deficiência parcial da imunidade é causa das crises posteriores que, todavia, podem ser mais brandas.

Drauzio – Algumas crises passam totalmente despercebidas. A criança se enche de aftas (gengivoestomatite herpética) e os leigos atribuem o problema a algum distúrbio do aparelho digestivo.

Cristina Abdalla – Isso acontece também com muitas outras viroses. A pessoa faz um exame de sangue e descobre que entrou em contato com o vírus da varicela, por exemplo, embora não se lembre de ter manifestado a doença. Com o herpes é a mesma coisa. Uma lesão nos lábios, uma bolinha avermelhada pode aparecer e sumir sem a pessoa dar-se conta do problema.

Drauzio – Mesmo a pessoa que não tenha lesões pode transmitir herpes?

Cristina Abdalla – A documentação a respeito do assunto revela que as vesículas são ricas em vírus e que na fase subclínica, quando não são aparentes, eles podem ser transmitidos por relações sexuais, pelo beijo ou pela saliva contaminada.

Saiba mais sobre Herpes oral, Herpes genital e Herpes Zoster

Saiba mais sobre Herpes oral, Herpes genital e Herpes Zoster

Por Dra. Vivian Iida Avelino-Silva, médica infectologista do Hospital Sírio-Libanês

Existem oito diferentes vírus da família Herpes que podem causar doença em humanos. Dentre eles, os Herpes tipo 1, 2 e 3 provocam quadros semelhantes de lesões de pele que podem reaparecer após um período variável de ausência de sintomas.

O Herpes tipo 1 é responsável pelo quadro de herpes oral, que se caracteriza por vermelhidão, ardor e pequenas bolhas preenchidas com líquido claro, comumente na região do lábio ou na parte interna da boca. Geralmente, o primeiro contato com o vírus ocorre durante a infância, através de secreções orais. Em seguida, o vírus se aloja em um neurônio e lá pode permanecer durante toda a vida do indivíduo sem causar qualquer sintoma, em um estado que chamamos de latência.

O Herpes tipo 2, por outro lado, é o principal responsável pelo quadro de herpes genital. Observamos também vermelhidão, ardor e pequenas bolhas com líquido claro na região da vulva, pênis ou ânus, ou ainda em regiões como nádegas e virilha. Em geral, o primeiro contato com o vírus ocorre na adolescência ou início da vida adulta e as lesões podem ser intensas a ponto de provocar ardor para urinar e desconforto que impede as relações sexuais. Além disso, a presença de lesões pelo Herpes tipo 2 aumenta o risco de contágio por outras doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV.

Depois do primeiro contato, algumas pessoas apresentam repetidos quadros de herpes, o que caracteriza o herpes oral ou genital recorrente. Há inclusive quem relate desencadeantes bem identificados para essa manifestação, tais como exposição ao sol, estresse, período perimenstrual, etc.

Nesses casos, o que ocorre é uma reativação do vírus que se encontrava latente, sua multiplicação e transporte a partir do neurônio até a pele e o aparecimento de lesões.

Esse quadro é considerado benigno e pode resolver-se em cerca de 5-7 dias sem necessidade de tratamento específico. Entretanto, o uso de medicações que combatem o Herpes tipo 1 ou tipo 2 logo no início do quadro pode abreviar os sintomas, ou até bloquear o aparecimento das bolhas. Além disso, para pessoas que apresentam episódios de herpes muito frequentes, o uso diário e contínuo de medicações contra o vírus pode prevenir a recidiva da doença e reduzir sua transmissão.

O Herpes tipo 3 é mais conhecido como vírus da varicela, ou vírus da catapora. A infecção inicial ocorre frequentemente durante a infância, através do contato com secreções orais, e é seguida pelo quadro clássico da catapora, com lesões avermelhadas espalhadas pelo corpo e pequenas bolhas com líquido claro.

O vírus da varicela também estabelece latência em neurônios e pode reativar-se anos depois, dessa vez com vermelhidão, dor intensa e bolhas restritas ao território correspondente ao nervo acometido. A distribuição das lesões na pele é bastante característica dessa doença, popularmente conhecida como “cobreiro”, ou Herpes Zóster.

Nesse caso, o tratamento antiviral é prontamente indicado para acelerar a cicatrização e reduzir a dor. Entretanto, mesmo com tratamento, há pessoas que permanecem com dor de difícil controle vários meses ou anos depois da resolução das lesões de pele.

Existem vacinas para prevenir tanto a varicela quanto o Herpes Zóster. Infelizmente, elas ainda não estão disponíveis na rede pública de saúde do Brasil. Quanto ao Herpes tipo 1 e tipo 2, até o momento, não há vacinas que protejam contra a infecção
Via Dráuzio Varella

Herpes não é o fim do mundo

Herpes não é o fim do mundo

Você já deve ter visto em algum filme: de uma hora para outra uma doença desconhecida começa a ameaçar a raça humana. Os maiores especialistas são chamados, a cúpula do governo passa a esticar o expediente, o Exército entra em campo. E a confusão não pára de crescer. Até que alguém descobre que o vilão da história é um vírus, um organismo do tamanho de alguns nanômetros. Mas mesmo assim altamente letal.

Uma epidemia de vírus como o Sars e o Ebola poderia ser mais ou menos como a descrita acima. Mas com eles, felizmente, você nunca topou. Com o herpes, porém, você já deve ter cruzado. Ele cuida da própria vida, infeccionando a raça humana com pouco ou nenhum alarde, principalmente porque não é propriamente um “serial killer”. Mas o que falta ao herpes em força letal sobra em mobilidade. No Brasil, os dados sobre a incidência do herpes simplex (a forma mais comum do vírus) apontam estatísticas impressionantes – embora seja difícil quantificar o número real de infectados, já que a doença pode não se manifestar durante anos. “Noventa por cento da população deve ter algum tipo de herpes”, atesta Paulo Olzon, chefe do Departamento da Clínica Médica da Unifesp. Segundo estimativas do Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde, 641 mil pessoas contraem herpes genital a cada ano. “Muitas delas são portadoras do vírus sem saber, porque ele não está em atividade”, conclui Luciane Scattone, dermatologista e consultora da Men´s Health.

Somos, portanto, uma espécie de portadores de herpes. E, o que é pior, de uma doença para a qual não há cura. (Se você já teve aquelas bolhas pequenas nos lábios, provavelmente está com a doença). Mas existe um plano. Ou melhor, estratégias que vão ajudar você a manter o herpes em hibernação, superar os surtos ou evitar transmiti-lo

Prevenindo o herpes
A palavra chave é “prevenção” e não “cura”. Isso porque o herpes brinca de esconde-esconde neurológico com qualquer droga que tomemos – e sempre vence. “O vírus fica escondido nas terminações nervosas”, explica o dr. Olzon, “só esperando uma situação favorável para se proliferar”. Segundo estudos, os três principais fatores que podem desencadear a proliferação do vírus do herpes são:

Luz solar. Pesquisa publicada pelo American Journal of Sports Medicine relacionou o surgimento de surtos de herpes labial entre esquiadores ao nível de exposição ao sol. Mais especificamente, aos raios ultravioleta B. Solução: cubra a boca. “Protetor solar é eficiente na redução do fator desencadeante UV nos lábios”, diz Rhoda Ashley Morrow, diretora da Seção de Virologia do Hospital Infantil de Seattle, nos Estados Unidos. Opte por protetores solares labiais à prova d’água.

Estresse. Qualquer situação tensa – de um primeiro dia no trabalho a uma noite em claro – enfraquece o sistema imunológico. Em outras palavras: o estresse mina suas defesas, permitindo que o herpes volte à cena. O mesmo vale para quando você está gripado ou com alguma outra doença. Solução: bateu aquele estresse? Deguste uma taça de vinho. Ele ajuda a diminuir a tensão e pode atuar preventivamente no ataque contra o herpes. É o que indica estudo publicado na revista Antiviral Research (EUA), que mostrou que o vinho tinto pode inibir o herpes labial graças a uma substância presente na uva, o resveratrol.

Tratando o surto
Mesmo que você atente para os fatores que desencadeiam a proliferação do vírus e procure o auxílio de medicamentos, ainda assim é possível que o herpes volte à tona. Nada de pânico. Seu organismo está munido de tudo o que precisa para dar conta sozinho de seu hóspede indesejado. Mas você pode montar um kit de emergência para combater o vírus.

Lata gelada. Ao primeiro sinal de bolhas na boca, pegue uma lata de refrigerante bem gelada. Pressione-a contra as bolhinhas por 15 segundos e então a retire por 15 segundos. Faça isso por cinco minutos. Espere 15 minutos e repita a operação (bem, já que a cerveja está na mão…). “O frio impede a formação da bolha”, conta Jerome Litt, professor de dermatologia da Universidade Case Western Reserve, EUA. Mas atenção: cuidado para não romper as bolhas, repletas de vírus.

Alho. Misture dentes de alho no molho de macarrão. Segundo o médico James Duke, autor do livro The Green Pharmacy (A Farmácia Verde), o alho combate os vírus. E o hálito? Bem, não se ganha sempre.

Equinácea. Pesquisadores da Universidade de Ottawa, no Canadá, descobriram que o extrato dessa planta, quando aplicado sobre as feridas do herpes labial, ajuda a destruir o vírus.

Matéria publicada na Revista Men’s Health .

Tags: herpes, tratamento

Saiba mais sobre Herpes

Saiba mais sobre Herpes

Beijar transmite herpes? Beijar indivíduo com herpes pode transmite o vírus para quem nunca teve contato com ele. A transmissão geralmente ocorre na primeira infância.

O herpes é uma infecção que causa pequenas bolhas vermelhas e lesões que ardem e coçam, e podem afetar a pele e mucosas da garganta, nariz, boca, uretra, reto e órgãos sexuais.

O vírus que transmite a doença é o Herpes simplex e estima-se que 90% das pessoas já tiveram contato com o tipo que se manifesta nos lábios, o HSV1. Mas apenas 10% dos portadores manifestam o sintoma.

A doença não tem cura, e existem muitas crendices populares sobre seu tratamento. Duas dermatologistas, que são membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Marcia Monteiro e Flávia Guglielmino, vão desmistificar algumas delas.

Beijar transmite herpes?
Beijar indivíduo com herpes pode transmite o vírus para quem nunca teve contato com ele. A transmissão geralmente ocorre na primeira infância.

Riscar a borda do herpes com caneta impede que a ferida cresça?
O herpes é autolimitado e, assim, a ferida só cresce até certo ponto. Por tal razão há a impressão que, se riscar ao redor da ferida, ela para de crescer, mas não é verdade. A pessoa ainda corre o risco de infectar a ferida, que não deve ser manipulada, nem estourada com agulha pelo risco de infecção secundária.

Depois que a ferida este seca o vírus ainda pode ser transmitido?
Até hoje se acreditava que quando a lesão está cicatrizada completamente não há mais risco de transmissão, mas estudos demonstraram que mesmo sem a lesão, o portador pode transmitir o vírus.

Colocar gelo assim que sente a coceira e a ardência inibem o crescimento da ferida?
O gelo alivia os sintomas, mas deve ser usado com cuidado. Dê preferência a compressas geladas para não ter o risco de queimar a pele com o gelo. Mas o que inibe o crescimento é somente medicação oral.

Colocar azeite na ferida ajuda a aliviar a sensação de repuxar da pele?
Tudo que hidrata a pele diminui a sensação de repuxar, mas nesse caso o melhor é utilizar pomada com antibiótico que vai hidratar e prevenir infecção secundária da lesão, e não o azeite.

Uma vez que a pessoa teve herpes, ela terá para o resto da vida?
O vírus do herpes quando adquirido fica armazenado para toda vida no nosso organismo, mas a pessoa pode desenvolver novamente a lesão ou não.

Situações de estresse e nervoso podem fazer com que o herpes apareça?
Em alguns casos, ele nunca se manifesta. Em outras pessoas, situações de doença, stress emocional, mudanças bruscas de temperatura e exposição ao sol podem desencadear uma crise.

Quem tem herpes precisa ter toalha de rosto, copos exclusivos para seu uso mesmo quando a ferida não está aparente?
Durante o surto da doença, ou seja, quando o paciente está com as lesões, elas estão cheias de vírus, então nessa situação deve-se evitar o contato direto com outras pessoas e separar os objetos. Sem a lesão a transmissão por objetos é muito rara.

E se aparecer um herpes no dia do casamento, por exemplo? Existem pomadas ou alguma receita caseira para melhorar a aparência ou impedir a vermelhidão?
Se a lesão surgir no dia do casamento, o ideal é camuflar com uma boa maquiagem, já que o tratamento não surte efeito imediato. A única maneira de diminuir a evolução é com o medicamento oral. Estudos demonstraram que as pomadas antivirais não impedem o crescimento da ferida. O melhor é procurar um médico o mais rápido possível e usar corretivos.

Para se prevenir, é indicado usar protetor labial todos os dias ou apenas nos dias de sol?
O protetor labial é indicado todos os dias, pois irá prevenir também o câncer de pele nos lábios.

A ferida do herpes deixa cicatriz?
A ferida pode deixar cicatriz se for manipulada ou se for agravada por infecção secundaria por bactérias.

O herpes pode desencadear outros sintomas como febre?
A primo-infecção herpética, que acomete crianças, vem acompanhada de sintomas, como estomatite, febre e mal-estar. Mas as infecções recorrentes geralmente não causam sintomas sistêmicos.

Quais complicações o herpes pode ter?
No herpes simples, em pacientes saudáveis, a complicação mais frequente é a infecção secundária por bactérias, com o surgimento de pus no local. Complicações mais graves aparecem em pacientes imunosuprimidos, como portadores de HIV e pacientes em quimioterapia.

Terra