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A mastigação correta beneficia o tônus muscular da boca e da língua, a saúde dos dentes e o bom funcionamento do sistema digestivo

Movimentos verticais e de rotação de mandíbula são recomendados; mastigação incorreta pode ausar problemas no tônus muscular

Você já parou para analisar a maneira como você mastiga os alimentos? A mastigação é o primeiro processo da digestão e, se feita de maneira errada, pode causar diversos problemas.

O padrão ideal de mastigação, segundo a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, é a bilateral. Ela pode ser simultânea ou alternada, com movimentos verticais e de rotação de mandíbula. A mastigação correta beneficia o tônus muscular da boca e da língua, a saúde dos dentes e o bom funcionamento do sistema digestivo.

Além disso, previne as alterações nas arcadas dentárias, os distúrbios da Articulação Temporomandibular (ATM) que podem causar dores crônicas de cabeça, fragmenta os alimentos de maneira correta, o que ajuda na digestão e aumenta a sensação de saciedade.

Existem vários motivos que levam a uma mastigação incorreta: correria do dia-a-dia, estresse, problemas odontológicos (má oclusão, mordida cruzada, sensibilidade, obturação desgastada), distúrbios na Articulação Temporomandibular (ATM), fraqueza dos músculos responsáveis pela mastigação, alterações morfológicas como cicatrizes nos lábios entre outros.

Além disso, alterações respiratórias como rinite e desvio de septo, que causam obstrução da respiração nasal e exigem a respiração pela boca, também podem provocar a má mastigação.

Assunto difundido
O assunto – bastante complexo, por sinal – foi tema do programa Bem Estar, exibido pelas manhãs da Rede Globo de Televisão. No programa, que foi ao ar no início do mês de março, a endocrinologista Cintia Cercato e a fonoaudióloga Adriana Bueno de Figueiredo explicaram e deram dicas para a mastigação correta.

Segundo elas, nas crianças, o desenvolvimento da mastigação começa desde o primeiro dia de vida com a amamentação. A força que o bebê faz para sugar o leite trabalha o tônus muscular e é um importante estímulo para o desenvolvimento ósseo e para uma futura mastigação.

Facilitar a alimentação da criança mantendo por tempo muito prolongado a dieta pastosa, por exemplo, pode levar a conseqüências graves no futuro porque desequilibra o tônus muscular das estruturas moles como o lábio, a língua e as bochechas.

Este desequilíbrio pode levar a uma deformação das arcadas dentárias (como a mordida aberta ou cruzada) e pode também colaborar para uma alteração na conformação da face no caso de uma predisposição genética, além de levar a criança a ter problemas de fala como a incapacidade de articular determinados fonemas.
Nos adultos, a mastigação incorreta também pode provocar esse desequilíbrio, com conseqüências diretas na ATM, da qual as funções dependem do equilíbrio e da relação de forças entre vários músculos.

Médico da Santa Casa ressalta a importância da mastigação
Ogastroenterologista Fernando Cardoso, 34 anos, do corpo clínico da Santa Casa de Ituverava, ressalta que, qualquer que seja o alimento, a mastigação sempre é importante no processo digestivo.

“Na mastigação ocorre a quebra e a trituração em pedaços menores dos alimentos ingeridos. As enzimas digestivas (presentes na saliva) ajudam produzir moléculas cada vez menores, que serão, por sua vez, mas facilmente aproveitadas pelo organismo”, disse o médico, que é formado em Catanduva, no ano de 2004, com especializa nas áreas de Cirurgia Geral e Gastroenterologia.

Cardoso explicou que a mastigação pode ocasionar transtornos muito freqüentes, como azia, má digestão, entre outros. “Portanto, é fundamental cuidarmos da função da mastigação. Se você é dos que come velozmente, uma dica é triturar os alimentos muito bem antes de engoli-los e isso só se consegue reservando um tempo mínimo para as refeições. Conquiste uma rotina de horário regular para suas refeições. No começo pode ser difícil, mas com o tempo você vai se acostumar”, completou.

O médico deixa algumas dicas. “Coma devagar e saboreie bem os alimentos. Deposite o talher à mesa entre cada garfada. Coloque pequena quantidade de alimentos no garfo a cada vez que for comer. Por fim, sirva alimentos em prato de tamanho normal e calcule sua porção”, finalizou.

Dentista dá recomendações importantes para quem mastiga mal
A dentista Ana Rosa Matos Galdiano Pilotto, proprietária da Clínica Radiologia Padrão, recomenda a “boa mastigação” a todos os seus pacientes.

“É muito importante, pois é na boca, através da mastigação, que é feita a trituração dos alimentos que seguirão para o estômago. A mastigação errada pode desencadear uma série de problemas, como dificuldade de digestão, má simetria facial, problemas na ATM, que causam desconforto muscular. O processo de mastigação feito de forma errada pode levar até a correções ortodônticas”, disse.

Ana Rosa afirmou que, infelizmente, as pessoas não mastigam como devem. “Geralmente, as pessoas mastigam e forma incorreta – fato que se agrava ainda mais pela pressa da vida moderna. É necessário investigar o motivo da má mastigação e, depois disso, ele mesmo deve se policiar”, concluiu.

Erros mais comuns na mastigação

•Não mastigar e engolir o alimento quase inteiro

•Fazer movimentos exclusivamente verticais com a mandíbula, o que significa que a mastigação é interrompida antes da fase de pulverização que exige os movimentos rotatórios

•Não fechar os lábios para mastigar (não é só uma questão de estética: boca fechada auxilia a língua na manutenção do bolo sobre os dentes que trituram os alimentos)

Dicas

– Coloque na boca uma quantidade de alimento que permita uma mastigação confortável
– Ao mastigar, preste atenção em qual lado está a comida. Após engolir, coloque a outra porção do alimento do outro lado
– É possível ter alimento dos dois lados da boca ao mesmo tempo. O mais importante é que a língua sempre deve direcionar o bolo alimentar para a superfície dos dentes correspondentes: pedaços maiores nos pré-molares e à medida que eles vão ficando menores são jogados para os molares
– A mastigação deve começar com movimentos verticais da mandíbula, que abre e fecha. A partir da metade do tempo da mastigação, os movimentos devem ser rotatórios para pulverizar o alimento.

FONTE: ABRAMO

Não engula, mastigue!

Ato aprendido naturalmente durante a infância, o mastigar ajuda a digestão e traz até benefícios cognitivos. Por outro lado, o “engolir” rapidamente a comida oferece riscos à saúde. A obesidade é um deles



A mastigação é fundamental para a boa digestão de qualquer tipo de alimento
Em sua próxima refeição tire a prova: quantas vezes você mastiga cada garfada? Se for algo inferior a vinte vezes saiba que está colocando sua saúde em risco. Embora pareça algo simples – automático até –, a mastigação é um ritual que precisa ser treinado. Pela mastigação, trituramos os alimentos na boca para que, quando chegarem ao estômago e ao intestino, eles possam ser digeridos e aproveitados facilmente. “A mastigação adequada ajuda na passagem do alimento pelo esôfago, que faz o transporte até o estômago”, afirma a gastroenterologista do Instituto do Aparelho Digestivo de Curitiba Sandra Beatriz Marion Valarini, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Ela explica que, quando se come rapidamente e se mastiga pouco, a digestão é mais lenta, há uma sensação de estufamento e de peso no estômago, se engole mais ar e a digestão se torna mais difícil. Além disso, quando a comida é mal mastigada, nem todos os nutrientes podem ser absorvidos pelo organismo e há perda de vitaminas, proteínas e sais minerais. Se essa situação se prolonga, a pessoa pode sofrer uma deficiência nutricional.

Diversos estudos comprovam a importância da mastigação para a saúde, com influência na arcada dentária, na fala e em funções cognitivas, como a memória, que recebe estímulos pelos movimentos do mastigar. O ortodontista Aguinaldo Coelho de Farias, professor de Odontologia da Universidade Federal do Paraná, lembra que a posição correta dos dentes é fundamental. “O perfeito engrenamento dos dentes permite uma mastigação próxima do ideal para a digestão. A mastigação normal é realizada nos dois lados da arcada dentária, com todos os dentes presentes ou, no mínimo, substituídos por próteses dentárias”, afirma.

Desde a infância

No início é só o leite materno, depois vem a mamadeira, as papinhas e os sucos até que a criança, com os primeiros dentinhos, esteja apta a receber alimentos sólidos. Nesse caminho, se a mastigação é deficiente, é comum a presença de assimetrias faciais, diminuição no crescimento da mandíbula, problemas estomacais e degenerações articulares, de acordo com Farias. Problemas que acompanham – e atrapalham – a pessoa por toda a vida. Apenas consultas regulares ao dentista podem ajudar no diagnóstico e no tratamento. “Quanto antes a reabilitação, menores serão os danos à mastigação e à estética do paciente”, completa.

Bebida x comida

Vá a qualquer restaurante e note quantas pessoas bebem enquanto comem. Apesar de comum, a prática não é nada recomendável. Como não mastigam e, consequentemente, não salivam direito, as pessoas tomam alguma coisa para “empurrar” a comida, que parece estar “seca”. “Ao beber, prejudica-se a digestão, aumentam as chances de refluxo e se engole mais ar, o que leva a ter mais gases no estômago. Esses gases precisam sair de alguma maneira, e o fazem ou por arrotos ou pela flatulência”, explica a gastroenterologista Sandra Beatriz Marion Valarini.

Perda de peso

Estudos norte-americanos, citados em matéria recente do jornal The New York Times, confirmaram que quanto mais rápido comemos, mais calorias são ingeridas. Um dos motivos seria o efeito da ingestão mais rápida sobre os hormônios. Um desses estudos avaliou um grupo que consumiu uma porção idêntica de sorvete, em ocasiões diferentes. Foi constatado que as pessoas liberavam mais hormônios que davam a sensação de saciedade quando tomavam o sorvete em 30 minutos, em vez de 15. Por outro estudo, três mil participantes mostraram que quem come rapidamente e até se sentir “cheio” tem o risco três vezes maior de estar acima do peso, comparando com quem come mais devagar.

O nutrólogo Cláudio Barbosa explica que a mastigação é peça importante no tratamento cognitivo comportamental da obesidade. “Se a pessoa quer perder peso, não bastam a dieta, os exercícios físicos ou a medicação prescrita. É preciso avaliar os comportamentos e as mudanças de pensamento, que podem estar agindo como gatilho que nos leva a comer de­­­­mais”, explica.

Maçã versus mousse

A própria gastronomia atual seria uma das culpadas pelo desfavorecimento da mastigação.

“Por milhares de anos nunca se comeu tão molinho, maciozinho e cremosinho. A culinária de hoje nos trouxe a delícia dos manjares, e temos uma comida mais sofisticada do que tínhamos na idade da pedra. Mas, por outro lado, para se ter um alimento cremoso, adicionamos açú­­­­car e gordura, o que aumenta a densidade calórica do alimento”, explica o nutrólogo. O fato de comermos “sem dificuldade”, eco­­­­nomi­­­­zan­­­­do as mastigadas, também é um fator que contribui para que se co­­­­­ma mais, mais rapidamente. E esse é um rápido ca­­­­minho para o excesso de peso.

Serviço

Instituto do Aparelho Digestivo de Curitiba, fone (41) 3263-4474. Nutrólogo Cláudio Barbosa, fone (41) 3622-0144.

Agradecimento

Modelo Luiz Rinaldi, da Agência DM Models, fone (41) 3243-0202 e site www.dmagency.com.br.

Fonte: