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Como é o consumo alimentar de crianças nos primeiros anos de vida no Brasil?

Revisão realizada sobre a nutrição infantil brasileira mostra que é preciso manter a atenção ao consumo de vitaminas e minerais na primeira infância

Você sabia que a alimentação é um dos fatores que influenciam o crescimento saudável de seu filho? Anutrição adequada e balanceada é essencial principalmente nos 2 primeiros anos de vida, quando o bebê passa por um rápido e intenso desenvolvimento. Mas como está o consumo alimentar das crianças brasileiras?

Uma revisão realizada na Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, analisou 16 estudos publicados entre 2003 e 2013 sobre o consumo alimentar de crianças brasileiras entre 6 meses e 5 anos. O que os pesquisadores apontam é que a ingestão de micronutrientes é inadequada na dieta infantil, se apresentando como um problema de saúde pública no país.

Abaixo, veja alguns dos micronutrientes mais citados e entenda os papéis que exercem no desenvolvimento e no crescimento de seu filho:

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Ferro
Tem ação no crescimento físico adequado da criança. Além disso, esse micronutriente atua no desenvolvimento das habilidades cognitivas e no rendimento intelectual.

Zinco
O zinco desempenha uma importante função tanto no crescimento quanto no sistema imunológico

Vitamina A
Essa vitamina também desempenha uma função fundamental para a imunidade da criança. Ela auxilia na produção de células que atuam na defesa do corpo contra infecções. A vitamina A ainda age no desenvolvimento da visão de seu filho.

Segundo o artigo, a ingestão adequada desses micronutrientes é essencial para a saúde de seu filho, principalmente nessa fase em que ele está desenvolvendo seu sistema imunológico e suas habilidades físicas e cognitivas.

É importante lembrar também que a nutrição de seu filho começa ainda na barriga. Após o nascimento, a criança recebe os nutrientes necessários para seu desenvolvimento através do leite materno e, futuramente, dos alimentos oferecidos pelos pais. Por isso, é necessário procurar a orientação de um médico e/ou nutricionista para garantir uma dieta adequada e rica em micronutrientes para mãe e bebê.

Bibliografia: Carvalho CA. Consumo alimentar e adequação nutricional em crianças brasileiras: revisão sistemática. Rev. Paul. Pediatr. 2015; 33(2):211-221.

Primeiros 1000dias

rachel_machado_9_dicas_para_aprimorar_a_relação_com_seu_filho_na_hora_de_oferecer_refeições_13_04_2017A maneira como pais e cuidadores em geral se comportam na hora de oferecer refeições às crianças pode influenciar – e muito – na formação do hábito alimentar infantil. Na teoria, o ideal é que o adulto decida o que, quando e onde as refeições são oferecidas; cabendo às crianças a decisão de comer ou não, e do volume de alimentos consumidos. Esta divisão de responsabilidades faz parte do conceito de Cuidado Responsivo para alimentação, um conjunto de comportamentos que envolvem atenção e interesse pelo processo de alimentação da criança, com respeito aos seus sinais de fome e saciedade, às suas habilidades de comunicação e estímulo adequado para a alimentação independente.

A influência destes comportamentos sobre hábitos alimentares e saúde das crianças varia desde estímulo positivo para hábitos saudáveis de alimentação, desenvolvimento de habilidades sociais, aprendizado e autoestima; redução do consumo de doces, guloseimas e bebidas açucaradas; até prevenção de distúrbios psicossociais na adolescência. O cuidador responsivo participa mais dos momentos de refeições da família, estimula a autonomia e a independência da criança em todas as esferas de desenvolvimento, enquanto os cuidadores não responsivos preferem utilizar práticas como a restrição proibitiva ao consumo de alimentos, pressão para comer, recompensas, ameaças, castigos, e/ou distrações durante as refeições.

No fundo, todos apresentam um pouco de cada comportamento, o responsivo e o não responsivo. O importante é reconhecer aqueles comportamentos que dominam o seu dia a dia, e tentar revertê-los em estímulos positivos para o seu filho!

Na prática, entretanto, esta é uma rotina que muitas famílias têm dificuldade em cumprir, sobretudo aquelas cujas crianças têm dificuldades alimentares. Algumas dicas para refletir sobre os comportamentos da sua família:

  • Procure reconhecer e entender os sinais não verbais que seu filho emite às refeições e responda na forma de apoio: se ele recua com o corpo, vira a cabeça para o outro lado, não abre a boca, empurra os pratos e talheres, etc.; não ignore a recusa ou force a alimentação;
  • Ofereça alimentos no tamanho, formato e consistência que seu filho possa se alimentar sem o seu auxílio; dê a ele a oportunidade de exploração de sabores e texturas;
  • Sorria e utilize palavras de encorajamento durante as refeições; converse com a criança sobre alimentação de maneira informal e sem pressão;
  • Faça contato visual com seu filho durante toda a refeição;
  • Ofereça alimentos ao seu filho com disposição, paciência e sem pressa; evite demonstrar claramente seu desagrado;
  • Espere a criança terminar o processo de mastigação e deglutição, e demonstrar sinais de saciedade antes de oferecer nova porção;
  • Faça as refeições junto com seu filho e outros membros da família (se possível), preferencialmente comendo juntos e o mesmo cardápio;
  • Ofereça as refeições em local e postura adequados, sem distrações nem coerção;
  • Esteja totalmente envolvido na ação de oferecer a refeição ao seu filho, não se distraia com outras tarefas.

Como saber se está dando certo?

Tanto o cuidador como a criança perceberão que estão indo bem: a refeição transcorre no tempo adequado, com menos recusa e estresse, sem comportamentos coercitivos. Seu filho conseguirá exercitar sua independência para manusear e comer os alimentos, e controlar seu próprio apetite, interagindo com você de maneira agradável, com contato visual durante todo o processo, em posição relaxada e prazerosa.

Diversos estudos científicos mostram que famílias orientadas sobre como praticar o cuidado responsivo apresentam melhorias na qualidade da alimentação e comportamento das crianças frente à alimentação. Além, é claro, de reduzir o estresse dos pais e cuidadores e fortalecer o vínculo familiar.

Que tal testar na sua rotina? Conte com a nossa ajuda no Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto Pensi!

RACHAEL MACHADO
Pesquisadora do Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto PENSI. (CDA-PENSI). Nutricionista, formada pelo C. Univ. São Camilo, especialista em Nutrição clínica (HC-FMUSP) e pediatria (EPM/UNIFESP), Mestre em Ciências da Saúde e doutoranda em Pediatria (EPM/UNIFESP). Docente do curso de pós-graduação em Nutrição Materno-Infantil do INSIRA e coordenadora do curso de graduação em Nutrição da Universidade Uni Sant’Anna.

Hábitos Alimentares Saudáveis – Faça as Melhores escolhas

Como você pode garantir que seu filho está bem nutrido?
Aqui estão alguns princípios orientadores para manter em mente ao planejar e preparar refeições para a família, com base nas recomendações de estudos nutricionais para hábitos alimentares saudáveis.

Variedade
Seu filho deve consumir uma variedade de alimentos dos cinco principais grupos de alimentos que compõem a “Pirâmide Alimentar”. Cada grupo de alimentos fornece nutrientes importantes, incluindo vitaminas e minerais. Estes cinco grupos e porções típicas mínimos são:

Legumes: 3-5 porções por dia. Uma porção pode consistir em 1 xícara de vegetais folhosos crus, 3/4 de xícara de suco de vegetais, ou 1/2 xícara de outros vegetais, picados crus ou cozidos

Frutas: 2-4 porções por dia. Uma porção pode consistir em 1/2 xícara de frutas em fatias, 3/4 de xícara de suco de fruta, ou uma fruta de tamanho médio todo, como uma maçã, banana ou pêra.

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Pão, cereais, massas ou: 6-11 porções por dia. Cada dose deve ser igual 1 fatia de pão, meia xícara de arroz ou macarrão, ou uma onça de cereal.

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Alimentos ricos em proteínas: 2-3 porções de 60 a 90 gramas de carne magra cozida, frango ou peixe por dia. Uma porção deste grupo também pode ser composto de 1/2 xícara de feijões secos cozinhados, um ovo, ou 2 colheres de sopa de manteiga de amendoim para cada onça de carne magra.

Produtos lácteos: 2-3 porções por dia de 1 xícara de leite desnatado ou iogurte, ou 30 a 50 gramas de queijo natural.

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Fibras
A fibra é um componente de alimentos vegetais que normalmente é não-digeríveis. É encontrada em alimentos como frutas, legumes, pães integrais, cereais, arroz integral, feijão, sementes e nozes. Em adultos, a fibra tem sido associada com uma redução de problemas gastrointestinais crônicos, incluindo câncer de cólon, síndrome do intestino irritável, e diverticulite. Em crianças, no entanto, o beneficio imediato e comprovado das fibras é a sua capacidade para aliviar a constipação fornecendo massa fecal, que pode promover a regularização de evacuações. No entanto, uma vez que as preferências alimentares e hábitos alimentares podem ser estabelecidos no início da vida, e uma vez que alimentos ricos em fibras contêm outros nutrientes, os pais devem incluir esses alimentos na dieta das crianças diariamente.

Proteínas
O seu filho necessita de proteína para o crescimento e funcionamento do seu corpo, incluindo a construção de novos tecidos e produzir anticorpos que ajudam a combater as infecções. Sem aminoácidos essenciais (os blocos de construção das proteínas), as crianças seriam muito mais suscetíveis a doenças graves.

Entre os alimentos ricos em proteínas estão os vegetais, como feijão e ervilhas (leguminosas), grãos, sementes, nozes e pode ser usado como valiosas fontes de proteína. Outros alimentos ricos em proteínas incluem carnes, peixes, leite, iogurte, queijo e ovos. Estes produtos de origem animal contêm proteína de alta qualidade e uma gama completa de aminoácidos.

Tenha em mente, contudo, que a carne vermelha e frutos do mar não são apenas ricos em proteínas e uma importante fonte de ferro, mas são ricos em gordura e colesterol também. Assim, a criança deve consumi-los apenas em quantidades moderadas. Selecione cortes de carne magra e retirar a gordura antes de cozinhar. Da mesma forma, remover a pele de aves e excesso de gordura do peixe, antes de servir.

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Os seres humanos não podem viver sem gorduras. Elas são uma fonte concentrada de energia, fornecendo ácidos graxos essenciais que são necessários para uma variedade de processos corporais (sangue, metabolismo de coagulação, e absorção de vitamina).

No entanto, a ingestão de gordura, particularmente uma dieta rica em gorduras saturadas, pode causar problemas. As gorduras saturadas são normalmente sólidas em temperatura ambiente e são encontradas em carnes gordurosas (presunto de porco, vitela e cordeiro) e muitos produtos lácteos (leite integral, queijo e sorvete). Eles podem contribuir para o acúmulo de placas ateroscleróticas e levar a doença arterial coronariana posteriormente na vida adulta. Uma dieta rica em gorduras saturadas também pode aumentar o colesterol sanguíneo, particularmente em pessoas que herdaram uma tendência para níveis elevados de colesterol.

Por essa razão, após dois anos de idade, as crianças devem ser servidas com alimentos que possuam baixos teores de gorduras e de gorduras saturadas. As chances maiores são de que os alimentos favoritos do seu filho contenham níveis mais elevados em gordura do que é desejável.

Comer prudentemente significa escolher alimentos com níveis mais baixos de teor de gordura, baixo colesterol alimentos como peixe, aves e carne magra (grelhada, cozida, ou assada, não frita), margarina (em vez de manteiga), produtos de baixo teor de gordura, óleos de vegetais, e limitar o consumo de ovos.

Como orientação geral, as gorduras devem compor menos de 30 por cento das calorias na dieta de seu filho, com não mais que cerca de um terço ou menos das calorias de gordura provenientes de gordura saturada, e o restante de gorduras insaturados (isto é, poliinsaturadas ou monoinsaturadas), que são líquidos à temperatura ambiente e incluem óleos vegetais como o milho, girassol, soja e oliva. O mais simples para começar é simplesmente reduzir a quantidade de alimentos gordurosos de todos os tipos na dieta da sua família.

Açúcar
Manter o consumo do seu filho de açúcar em níveis moderados. Açúcar tem abundância de calorias, mas muitas vezes nutricionistas chamam de calorias vazias, porque eles têm muito pouco valor adicional nutricional. Mesmo assim, muitas crianças consomem açúcar em grandes quantidades, normalmente à custa dos alimentos mais saudáveis, isto é, quando os jovens bebem refrigerantes, eles são geralmente deixando o leite na geladeira, quando comem um bolo que está sobre a mesa, deixa de lado as frutas que estão na fruteira.

Sal
Sal de cozinha melhora o sabor de determinados alimentos. No entanto, os pesquisadores descobriram uma relação entre a quantidade de sal e pressão arterial elevada em grupos populacionais. Pressão alta atinge cerca de 25 por cento dos adultos e contribui para ataques cardíacos e derrames.

O hábito desal usar sal extra é um hábito adquirido. Assim, tanto quanto possível, servir alimentos para sua criança com pouco sal. Na cozinha, minimizar a quantidade de sal que você adiciona aos alimentos durante sua preparação, usando ervas, especiarias, ou suco de limão em vez. Além disso, não levar o saleiro para a mesa de jantar, ou pelo menos limitar o seu uso por sua família.

Por causa das propriedades conservantes de sal, alimentos processados, muitas vezes contêm grandes quantidades do mesmo. Alimentos ricos em sal podem incluir queijos processados, sobremesas instantâneas, vegetais enlatados, sopas enlatadas, cachorros quentes, queijo cottage, molhos para saladas, picles e batatas fritas e outros petiscos. Cabe lembrar que bebidas diet e light também possuem grandes quantidades sódio (refrigerantes e sucos).

Sal
Autor: Dr. José Luiz Setúbal julho de 2011.
Fonte: Adaptado de : “Caring for your School-Age Child: Ages 5 to 12”
(Copyright © 2004 American Academy of Pediatrics)hores Escolhas

Obesidade infantil

Obesidade em criança

Obesidade em criança

Os números são alarmantes quando se fala em obesidade infantil. As dobrinhas que antes agradavam à família, hoje preocupam as autoridades mundiais em saúde. A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) estima que o número de crianças obesas do Brasil cresceu 240% nas últimas duas décadas. O problema já é considerado epidemia mundial. A OMS calcula que, no mundo, uma em cada dez crianças está acima do peso.
Obesidade em criança Toda essa preocupação tem sentido. A obesidade acarreta uma série de problemas graves de saúde. Entre a lista de consequências dos quilos a mais estão o diabetes tipo II – até então encontrado só nos adultos -, a hipertensão, os altos índices de colesterol e a síndrome metabólica, que resulta de uma associação de fatores de risco que aumenta as chances de doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio.

As crianças são os reflexos dos pais e vão comer o que eles põem no prato
“A chance de uma criança obesa ser um adulto com o mesmo problema é enorme”, alerta a dra. Léa Diamant, endocrinologista da Clínica de Especialidades Pediátricas do Hospital Israelita Albert Einstein.

Segundo a médica, são raros os casos de problemas endocrinológicos nas crianças. “O aumento de peso na maioria das vezes vem da alimentação inadequada e da falta de atividade física”, afirma.

Bons exemplos em casa

O cardápio básico do brasileiro – composto de arroz, feijão, bife e salada – está ficando para trás. Hoje as opções são os pratos rápidos, comida congelada e, para quem tem ainda mais pressa, o chamado fast food.

Para Silvia Piovacari, coordenadora da Nutrição Clínica do Einstein, o bom exemplo de hábitos alimentares tem que vir de casa. As crianças são os reflexos dos pais e vão comer o que eles põem no prato. A recomendação é de que haja no prato, diariamente: verduras, frutas e legumes, no almoço e no jantar.

Não é preciso ser radical e abolir todas as guloseimas de que os pequenos tanto gostam. Os especialistas indicam o bom senso como a melhor alternativa. Doces, lanches e refrigerantes podem ser consumidos, mas com pouca freqüência e em quantidades limitadas.

A chance de uma criança obesa ser um adulto com o mesmo problema é enorme
“Os pais precisam fazer opções inteligentes quando o assunto é a alimentação dos pequenos e saber negociar com eles as guloseimas para ocasiões especiais. O importante é que elas não façam parte da rotina da criança”, explica a nutricionista.

Brincadeira saudável

Outro hábito que ajuda os pequenos a manter os ponteiros da balança lá em cima é a falta de atividade física. E engana-se quem acredita que uma aula de judô ou balé por semana pode ajudá-los a queimar toda a energia. Bom mesmo é brincadeira de criança.

“Eles precisam correr, pular, andar de bicicleta, patins e passar tardes brincando com outras crianças”, afirma a dra. Léa.

A ‘geração videogame’ é a grande candidata a formar uma legião de pessoas obesas – que preferem o computador a uma bola de futebol – e com uma série de problemas tanto de saúde física, quanto de mental. E as estatísticas comprovam: 80% dos adultos obesos foram crianças obesas.

De olho na balança

As crianças ganham por volta de dois quilos e meio por ano, o que corresponde a 200 gramas por mês. Na fase do estirão, que precede a puberdade, o aumento de peso é maior, mas compensado pelo crescimento. Quando o pequeno ganha um quilo por mês, é preciso estar atento.

“Recomendo que os pais fiquem atentos ao peso dos filhos, principalmente se tiverem casos de obesidade na família. Se você vê uma criança engordar três quilos em seis meses é preciso procurar ajuda de um especialista”, comenta a médica.

Para cada idade há um peso adequado, medido pelo IMC, utilizado tanto em adultos quanto em crianças. Entretanto, os pequenos têm uma tabela específica que leva em conta a idade e o sexo. “Se a criança estiver com sobrepeso, é um sinal de alerta”, adverte a dra. Léa.

Tratamento persistente

No caso das crianças, a melhor alternativa para a perda de peso é a união de dois fatores: reeducação alimentar e atividade física. Quanto maior a criança, mais difícil o tratamento porque os hábitos alimentares inadequados já a acompanham há tempos.

A nova dieta não deve ser restritiva nem radical. Não adianta cortar todas as guloseimas e oferecer um prato de salada. “Partimos dos hábitos que ela já tem e diminuímos os excessos gradativamente, enquanto oferecemos alimentos mais saudáveis”, explica a nutricionista.

Partimos dos hábitos que ela já tem e diminuímos os excessos gradativamente, enquanto oferecemos alimentos mais saudáveis
O apoio da família é fundamental nessa hora, afinal quem resiste a um pedaço de bolo de chocolate enquanto come uma fatia de pão integral com ricota? Pais, irmãos, avós e babás precisam mostrar à criança que também se alimentam de forma saudável.

Os exercícios devem fazer parte do cardápio saudável. Deixar de lado o videogame e a TV para ir a um parque, brincar na área de lazer do prédio ou até mesmo participar de atividades nas escolas são fundamentais para a criança, seja ela obesa ou não.

O tratamento exige persistência, isso porque apenas 20% das crianças conseguem atingir o peso adequado. O restante pode ter o que os especialistas chamam de efeito sanfona, ou seja, engordam e emagrecem repetidamente. Portanto, o melhor sempre é prevenir.

Não deixe de assistir

 

Obesidade, a maior epidemia infantil da história

Muito Além do Peso

 ”Um filme obrigatório para qualquer pessoa que se importe com a saúde das nossas crianças” – Jamie Oliver, chef britânico e apresentador de TV

O documentário Muito Além do Peso foi lançado em novembro de 2012, em um contexto de amplo debate sobre a qualidade da alimentação das nossas crianças e os efeitos da comunicação mercadológica de alimentos dirigida a elas. O filme é fruto de uma longa trajetória da Maria Farinha e do Instituto Alana na sensibilização e mobilização da sociedade sobre os problemas decorrentes do consumismo na infância.

Em 2008, o documentário Criança, a alma do negócio alertou para o resultado devastador dos apelos de mercado voltados ao público infantil e propôs uma reflexão sobre questões como ética e responsabilidade de cada ator social na proteção da criança frente às relações de consumo. Muito Além do Peso mergulha no tema da obesidade infantil ao discutir por que 33% das crianças brasileiras pesam mais do que deviam. As respostas envolvem a indústria, a publicidade, o governo e a sociedade de modo geral. Com histórias reais e alarmantes, o filme promove uma discussão sobre a obesidade infantil no Brasil e no mundo.

Muito Além do Peso 84 min, cor, censura livre.

www.muitoalemdopeso.com.br

Com Jamie Oliver, Amit Goswami, Frei Betto, Ann Cooper, William Dietz, Walmir Coutinho, entre outros. Direção: Estela Renner Produção Executiva: Marcos Nisti Direção de Produção: Juliana Borges Fotografia: Renata Ursaia Montagem: Jordana Berg Projeto Gráfico: Birdo Trilha Sonora: Luiz Macedo Produção: Maria Farinha Filmes Patrocínio: Instituto Alana

 Nutrição Infantil

 

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Em uma nova declaração sobre a política alimentar em crianças, a Academia Americana de Pediatria convocou as escolas e as famílias a ter uma abordagem mais ampla para a nutrição, considerando todo padrão de dieta para crianças – e não a quantidade de açúcar, gordura ou nutrientes específicos em alimentos individuais.

 

Uma boa dieta é constituída a partir de alimentos altamente nutritivos de cada um dos principais grupos de alimentos, como proteínas, gorduras e carboidratos. Nenhum ingrediente deve ser proibido.

 

Desde 1995, melhorias contínuas foram feitas em programas de alimentação escolar. As escolas estão servindo refeições com carnes mais magras, leites com menos gorduras, e mais frutas, legumes e grãos integrais. Os padrões nacionais americanos agora limitam o tipo de alimentos e bebidas que são vendidos nas escolas dos EUA.

 

Resta uma oportunidade, no entanto, para melhorar a qualidade nutricional dos alimentos trazidos de casa, o que é muitas vezes menos nutritivo e mais elevados em calorias, de acordo com a declaração da política alimentar. A AAP recomenda que os pais e as escolas tenham uma abordagem de cinco etapas na escolha de alimentos para refeições pré-embaladas e eventos sociais:

  • Selecione um mix de alimentos dos cinco grupos: legumes, frutas, grãos, laticínios de baixo teor de gordura e fontes de proteína de qualidade, incluindo carnes magras, peixes, nozes, sementes e ovos.
  • Ofereça uma variedade de experiências de alimentos.
  • Evite alimentos altamente processados.
  • Use pequenas quantidades de açúcar, sal, gorduras e óleos com alimentos altamente nutritivos para aumentar o prazer e consumo.
  • Ofereça porções adequadas.

 

As crianças, como os adultos, muitas vezes optam por seus alimentos preferidos e texturas mais ageadaveis nas refeições e lanches. Não é nenhum segredo que o açúcar mascavo, aveia integral, ou molho de salada com vegetais cortados, podem fazer dos alimentos mais saudáveis, ​​mas serão menos palatáveis para as crianças. Esta não é uma licença para dar às crianças o que quiserem. Só precisamos usar o açúcar, gordura e sódio estrategicamente.

 

Autor: Dr. José Luiz Setúbal

Fonte: From the American Academy of Pediatrics Policys – Pediatrics march 2015

“Snacks, Sweetened Beverages, Added Sugars, and Schools”

Veja as dicas de uma nutricionista bastante conceituada

Adoro Sorrir entrevista uma das grandes nutricionistas do Brasil.

Por Maria Helena Leite

Dra Gisela Savioli fala sobre nutrição e saúde – tema de interesse aos dentistas e pacientes.

Saber transformar alimentação em prazer imediato parece fácil. Transformar o hábito alimentar em uma rotina prazerosa e saudável é algo mais importante. As pessoas começam a entender que uma rotina alimentar saudável exige bom senso e orientação.

Mango sweet, spicy, 107 calories in a cup, good for vitamins C, A, and others

Preocupado com essa questão, o ADORO SORRIR foi conhecer as opiniões e sugestões dessa grande e experiente nutricionista – Dra Gisela Palumbo Comarovschi Savioli, que é integrante da Association Médicale Internationale de Lourdes e que já respondeu pelo cardápio de gente muito importante – como o do Papa Bento XVI – em sua passagem pelas terras brasileiras.

A clareza de suas idéias e dos seus ensinamentos atinge uma grande audiência, nas suas entrevistas e bate – papos pelo rádio. 

ADORO SORRIR: Dra Gisela, na sua opinião é possível conciliar a alimentação saudável com o prazer em comer bem?

Dra Gisela:Não tenho dúvidas que sim. Especialmente se não nos tornarmos reféns das armadilhas de alguns alimentos e padrões inadequados. O alimento deve ser fonte de energia, conforto e bem  estar .Esse é o seu verdadeiro benefício.

ADORO SORRIR: A Odontologia vem unindo esforços com o segmento da nutrição e avaliando os efeitos benéficos de alguns ingredientes e alimentos para a saúde bucal e geral. Neste sentido o leite tornou-se uma grande dúvida para os profissionais do segmento. Apesar de parecer uma fonte vital à reposição de cálcio, nesta forma pasteurizada, ele funciona como um alimento adequado?Quais seriam as outras alternativas?

Dra Gisela: como nutricionista funcional, não sou a favor do consumo de leite de vaca pelos seres humanos, afinal somos os únicos mamíferos que continuam mamando depois de ter dentes… E ainda por cima, consumimos leite de outra espécie. O leite que devemos consumir é apenas o materno e mesmo assim por um período determinado. O cálcio que tanto preocupa a população, principalmente feminina, pode vir de várias outras fontes, pois não basta ingerir cálcio. Precisamos consumi-lo junto com magnésio na proporção de 2:1, vitamina D e mais 23 nutrientes para que ele seja adequadamente utilizado no nosso corpo. Outro dado importante é não criar situações de perda desse cálcio como uso abusivo de cafeína e refrigerantes ou também consumo excessivo de proteínas de origem animal. Uma excelente forma de consumir cálcio e magnésio na proporção adequada é o utilizando folhas verdes escuras. Afinal de onde a vaca consegue o cálcio que ela depois disponibiliza no leite?

ADORO SORRIR: Alguns alimentos ricos em antioxidantes estão fazendo sucesso no nosso segmento. Um estudo publicado pelo Journal of Periodontology (Link para acesso: http://www.joponline.org/doi/abs/10.1902/jop.2009.080510 ), sugere que o chá – verde pode atuar como um agente de apoio a prevenção das doenças periodontais (ou das gengivas e do osso que reveste a nossa dentição). Qual a sua opinião sobre este alimento?

Dra Gisela: As catequinas presentes no chá verde (Camelia Sinensis) e que lhe conferem o gosto caracteristicos são execelentes antioxidantes e de fato tem vários trabalhos mostrando os benefícios para saúde bucal. Isso me faz lembrar o velho hábito oriental de bochechar o chá verde logo após as refeições. Único detalhe que devemos observar é que o chá verde acaba tingindo os dentes.

Uma solução é o consumo dele em temperatura ambiente usando um canudinho. Ou então, fazer uso do chá branco que possui até mais antioxidantes que o chá verde, mas é mais caro.

ADORO SORRIR: Um dos graves problemas na orientação odontológica ocorre quando nos deparamos com pacientes submetidos a uma situação de “secura bucal”. Atualmente mais de 1800 medicamentos (listados pela ANVISA) podem provocar este sintoma e, ao mesmo tempo, serem indispensáveis a rotina de vida de alguns pacientes. Quais as orientações nutricionais que podem auxiliar este quadro e cooperar para o bem estar destes pacientes?

Dra Gisela: De uma forma geral as pessoas se hidratam de forma inadequada.Cheguei a conclusão nesses anos de prática clínica que o melhor é o próprio paciente monitorar a cor da sua urina, ao invés de insistir para que ele tome mais água. A secura bucal prejudica muito as papilas gustativas que são responsáveis pelo reconhecimento dos sabores. Muitas vezes os pacientes que fazem uso de medicamentos são hipertensos ou diabéticos e essa secura bucal prejudica ainda mais o paciente que precisa fazer restrição de sal e açúcar. Uma das recomendações é fazer bochechos para aqueles que tem restrição hídrica, ou chupar gelo que peço para fazer com folhas de hortelã, pois a menta ajuda bastante.

ADORO SORRIR: Em seu livro Tudo Posso, mas nem tudo me convém – da Edições Loyola- a Dra. aborda, entre outros temas, a questão da nutrição subclínica. Gostariamos que explicasse melhor, aos nossos seguidores, o que isso significa e que reflexos pode trazer a saúde do corpo. Existe algum relato ou sintoma bucal perceptível nestes casos – que permita ao dentista colaborar com o encaminhamento desses pacientes?

Dra Gisela: Excelente pergunta. Na anamnese de uma consulta os sinais e sintomas são muito importantes, pois são através deles que notamos as carências nutricionais, ou até os excessos, pois em ambos os casos são prejudiciais para saúde. Hoje as pessoas não estão mais se alimentando de forma adequada. Comem alimentos que parecem comida, tem gosto de comida, mas na realidade são alimentos industrializados praticamente isentos de nutrientes, porém lotados de corantes, conservantes e inúmeras substâncias que para serem eliminadas do organismo vão depletar ainda mais nutrientes. Hoje ninguém mais janta. Toma-se lanche! Resultado de tudo isso são pessoas mal nutridas apresentando sobrepeso e obesidade. Gengivas que sangram, mal hálito e o aspecto da língua podem ser grandes indícios de falta de nutrientes importantes.

ADORO SORRIR: Quantas vezes ao dia as pessoas devem usufruir da alimentação? Qual a sua opinião sobre o açúcar refinado? Como entende as alternativas a ele? Gostaríamos de saber se “os adoçantes são nossos amigos”?

Dra Gisela: O ideal é não ficar mais de duas horas e meia, máximo três horas sem comer. Mais tempo em jejum faz nosso organismo entrar em estresse e produzir cortisol que vai resultar em perda de massa muscular para manter seu organismo funcionando adequadamente. O açúcar é o grande vilão da nossa civilização. Qualquer tipo de açúcar. Atualmente o único adoçante que recomendo é a base de estevia. Mas temos que lembrar que não enganamos nosso corpo. Hoje sabemos que nossa lingua tem receptores sofisticadissimos que se comunicam não apenas com o cérebro mas com o intestino também. Toda vez que você sente o gosto doce, seu corpo fica esperando a glicose para ser absorvida no intestino e se ela não aparece, pois você consumiu refrigerante lotado de adoçante, não se preocupe, pois seu intestino vai dar um jeito de abrir mais comportas para absorver mais glicose. Por isso que há algum tempo apareceu o comentário na mídia que adoçante engordava. Lembra?

Stevia Adoçante Natural

ADORO SORRIR: Quais as dicas para despertarmos hábitos alimentares saudáveis nas crianças? Quais os alimentos que nunca podem faltar a nossa mesa?

Dra Gisela: As crianças tem como modelo seus pais. De nada adianta falar para criança comer frutas e verduras se os pais não comem. O exemplo é a melhor referência. E a grande dica é voltarmos a comer como no tempo da vovó… Muito legume, frutas e verduras, ovos, arroz, feijão, enfim COMIDA de verdade. E não trocar refeição por lanches.

ADORO SORRIR: Para finalizar quando devemos recorrer ao profissional da nutrição?

Dra Gisela: Sempre! Se doente, para uma melhor recuperação e restauração. Se saudável para continuar com saúde e qualidade de vida. Gosto de lembrar que somos credores ou devedores de nós mesmos no futuro e a alimentação é uma grande oportunidade para colocar saúde ou não, pelo menos três vezes ao dia no seu corpo. Lembre-se que genética conta 20% e que estilo de vida 80%. E aqui você é quem comanda. É o famoso livre-arbítrio.

Veja aqui sobre alimentação e saúde das crianças

Com um carisma sem igual, Bela Gil recebeu a Pais&Filhos num dia de gravação do programa Bela Cozinha, em que o tema era comida de criança

A casa estava, literalmente, de pernas para o ar. Móveis afastados, papelão forrando o chão, cabos por toda a parte e seis crianças brincando de esconde-esconde enquanto aguardavam o retorno da gravação do último episódio da 2ª temporada. O programa Bela Cozinha, que vai ao ar em outubro pelo GNT, fala de alimentação infantil, e a convidada especial é sua filha, a Flor, de 5 anos. As duas se relacionam com extrema intimidade na cozinha, e foi uma delícia poder assistir, de tão pertinho, como ela conduz o programa, as receitas e o fogão.

Bela Gil fala com propriedade sobre alimentação e saúde. Não só no programa, que ela improvisa o texto na hora – não existe um pré-roteiro de falas, – como na nossa entrevista. Aos 18 anos, Bela mudou–se para Nova York, onde foi estudar nutrição e gastronomia por necessidade. “Queria aprender a cozinhar para comer bem”, diz ela. Formou-se em Culinária Natural pelo Natural Gourmet Institute e em Nutrição e Ciência dos Alimentos pela Hunter College. Ainda estudou Filosofia Macrobiótica e Ayurveda, onde descobriu que as escolhas alimentares afetam não só a nossa saúde, mas a de todo o planeta. Ela foi descobrindo como a comida mexe com nosso humor e nosso organismo.

A preocupação com uma alimentação saudável e equilibrada Bela aprendeu dentro de casa mesmo. Gil é macrobiótico, e na mesa as escolhas sempre priorizaram a saúde. De volta ao Brasil para tocar o programa, Bela não poderia deixar de levar as mesmas preocupações às mesas dos telespectadores em casa. A ideia central do programa é mostrar como é possível comer bem de forma saudável, sem trabalho e com sabor. É a desmistificação de que comida natural e orgânica é ruim e sem sabor. O programa fala da alimentação em sua essência: como saúde, bem‐estar e educação à mesa. No cardápio da gravação teve biscoito de arroz coberto com cacau, bolinho de arroz com pesto, um guacamole que as crianças ajudaram a terminar e uma vitamina de banana com amora. E, no cardápio da Pais&Filhos, Bela Gil deu receitas deliciosas de como melhorar a alimentação das nossas crianças, falou de preocupações e revelou seus temperos – além dos da Flor, sua filha de 5 anos que come tão bem quanto a mãe. Vale cada letrinha da leitura.

Como você fez a escolha do cardápio?
BG: Queria um cardápio de lanche que também fosse comida. Lanche não é hora de besteira. Um sorvete não pode ser lanche. Um sorvete é um lanche esporádico num dia de sol na praia. O lanche deve conter nutrientes que reponha as energias gastas pela criança. Então escolhi fazer comida para mostrar que é possível incluir vegetais e grãos integrais. Além disso, todos esses pratos têm alguma coisa importante para o sistema nervoso. Eu usei linhaça na vitamina, que é muito rica em ômega 3, que é o alimento do nosso cérebro. As nozes que usei na receita também são ricas em ômega 3. O abacate é rico em ácido. Tudo muito focado nesse desenvolvimento intelectual. Para as crianças ficarem muito inteligentes e não comerem besteira quando crescerem.

Nós sabemos que existe um problema de obesidade infantil no Brasil porque se come muita besteira. Ao seu ver, o que está errado?
BG: A gente perdeu o contato da vida urbana com a vida rural e o efeito colateral disso está na saúde da população, porque a gente está sofrendo com essa distância na mesa. As crianças estão comendo menos comida de verdade e mais industrializados. Acordam de manhã e tomam leite fermentado, no lanche é um pacote de biscoito ou uma barra de chocolate. No almoço é nuggets ou batata frita congelada. Tudo muito rico em sal e açúcar e que faz as crianças ficarem viciadas e obesas. O açúcar no sangue vira gordura, e daí nós temos criança com 10 anos com diabetes.

E por que esses alimentos atraem mais o paladar infantil?
BG: São ingredientes, muitas vezes, que viciam mesmo. É o trio viciante do fast food: sal, gordura e açúcar. Se fizermos uma ressonância no cérebro, veremos que o açúcar mexe com as mesmas área que uma droga. Ele dispara as mesmas substâncias e estímulos de uma droga viciante. Libera mais serotonina, e com o tempo vamos ficando mais tolerante e você perde a sensibilidade. Ou seja, você vai precisar de mais para satisfazer. Você começa com um biscoito e depois de um mês está comendo o pacote. É a compulsão. A gordura é uma forma de reserva do corpo, só que em alta quantidade ela faz mal, porque bloqueia as veias e toda a corrente sanguínea. E o sal aumenta a pressão entre outros males. As crianças ficam sensorialmente dependentes de alguns produtos, infelizmente.

Qual um caminho possível para trazer à mesa alimentos mais saudáveis?
BG: Com certeza é comprar o menos possível de alimentos em pacotes.Não aos pacotinhos! Quanto menos pacotinho na despensa melhor é. Levar a criança ao supermercado, à feira, fazer com que ela participe da escolha dos alimentos e também do preparo são coisas muito importantes. Quando você tira o pacotinho, ela vai abrir a despensa, não vai achar nada e volta para mesa e come. Oferecer comida de verdade é primordial numa boa alimentação. Depois comece, aos poucos, a trocar a qualidade dos alimentos e ingredientes. Troque o arroz branco pelo integral, que é rico em fibras e satisfaz mais. Os refinados devem ser trocados pelos integrais. Estabelecer rotina e refeições equilibradas é extremamente importante, porque você educa a criança a comer quando estiver com fome. Senão ela come por gula, e daí você tem essa epidemia de obesidade.

O que você considera uma comida saudável ou comida natural?
BG: É aquela comida mais fresca, local, sem agrotóxico, conservantes, venenos, aditivos químicos… Menos refinada e industrializada possível. Como muitos dizem, é a comida que a vovó comia. Comida é estilo de vida e quando você faz uma escolha, do que vai comer, faz também uma escolha da forma de conduzir sua vida. Uma boa comida começa com bons ingredientes, e é importante garantir cinco nutrientes: as folhas verdes, as raízes, os vegetais, o cereal e a proteína. É o que chamamos de macro plate.

Você poderia dar dicas para ajudar as mães a fazerem trocas saudáveis na alimentação de seus filhos?
BG: Bom, para a criança que está acostumada a tomar refrigerante, a dica é diluir o suco, na água com gás. Ela vai ter a mesma sensação do gás, só que com um suco que é mais saudável. E, aos poucos, você vai diminuindo a quantidade de água. Funciona para retirar o vício do refrigerante. A bolacha recheada você pode substituir por cookies integrais ou essa da nossa receita de hoje, que é um biscoito de arroz japonês com calda de chocolate. Claro que se você tem uma criança viciada em biscoito recheado e você simplesmente troca pelo de arroz ela não vai gostar, mas se você a traz para o processo e mostra como faz, leva para a cozinha, ela toma gosto e estabelece outra relação.

O que desperta na criança quando você a leva para a cozinha?
BG: Criança adora ajudar! E gosta de fazer tarefas de adulto, lavar louça, limpar o chão, cozinhar…elas se sentem úteis. E a cozinha gera uma supercuriosidade de querer saber o que aquilo vai virar. Cozinha é química, é transformação. E ela quer experimentar o resultado final daquele esforço que ela teve para fazer o prato. Mesmo que ela não goste vai experimentar, porque foi ela quem fez. É um orgulho para a criança. Uma conquista.

E como é você e a Flor na cozinha e na mesa? Ela come bem?
BG: Ah é supersaudável! Ela adora vir para a cozinha comigo, ajudar. É dessas que pegam o talo de coentro e come e leva brócolis de lanche na escola. Grita que quer brócolis no supermercado. E também fico tranquila por ela comer um bolo ou um brigadeiro quando vai numa festa, por exemplo. Eu era muito caxias, mas hoje em dia abri um pouco mais. Mas ela nunca comeu um cachorro‐quente na vida, nem um hambúrguer. Nunca pediu ou teve curiosidade, então acho bom. Por outro lado, ela é formiguinha e tem o paladar apurado para o doce. Mas ela sabe a quantidade certa que ela tolera, por isso a importância da criança conhecer os alimentos. Minha filha sabe que se ela comer mais que um brigadeiro vai ter dor de barriga e passar mal. E ela respeita isso. Então, de novo, levando uma criança para a cozinha, mostrando os benefícios dos alimentos, os efeitos dele no corpo e conversando você vai mostrar a importância de comer bem. Não é dizendo para ela “não coma isso que você vai morrer”.

O menu da Bela
Um ingrediente: arroz integral, sempre.
Uma fruta: seriguela
Um doce: chocolate
Uma combinação: constante na minha vida é arroz e feijão
Um tempero: coentro
Um cheiro de infância: tenho alguns! Tem o cheiro do acarajé e o cheiro do Coquitos, que é um biscoito de coco que eu comia muito em Salvador. Eu abro o pacote e me vejo no apartamento dos meus pais lá em Salvador comendo esse biscoito. É cheiro de férias. É meio trash, acho, mas é meu cheiro de infância.
Um prato de memória afetiva: o capelete da minha vó. Toda festa comemorativa ou toda vez que ela vinha para o Rio ela fazia. É a lembrança que eu tenho da minha vó. Minha vó para mim lembra capelete. E a gente fazia juntas.

Existe um saber popular que diz que alguns assuntos não se põem à mesa. O que é para você?
“Ah! Dinheiro. Não gosto de falar de dinheiro. É chato e só atrapalha”.

E o que se leva para a mesa?
“Muito amor, amor, amor, amor!!! Amor na comida, com a comida, com as pessoas. É amor”.

– See more at: http://www.paisefilhos.com.br/alimen…/bela-e-realmente-bela…

"Veja aqui sobre alimentação e saúde das crianças
Com um carisma sem igual, Bela Gil recebeu a Pais&Filhos num dia de gravação do programa Bela Cozinha, em que o tema era comida de criança

A casa estava, literalmente, de pernas para o ar. Móveis afastados, papelão forrando o chão, cabos por toda a parte e seis crianças brincando de esconde-esconde enquanto aguardavam o retorno da gravação do último episódio da 2ª temporada. O programa Bela Cozinha, que vai ao ar em outubro pelo GNT, fala de alimentação infantil, e a convidada especial é sua filha, a Flor, de 5 anos. As duas se relacionam com extrema intimidade na cozinha, e foi uma delícia poder assistir, de tão pertinho, como ela conduz o programa, as receitas e o fogão.

Bela Gil fala com propriedade sobre alimentação e saúde. Não só no programa, que ela improvisa o texto na hora – não existe um pré-roteiro de falas, – como na nossa entrevista. Aos 18 anos, Bela mudou–se para Nova York, onde foi estudar nutrição e gastronomia por necessidade. “Queria aprender a cozinhar para comer bem”, diz ela. Formou-se em Culinária Natural pelo Natural Gourmet Institute e em Nutrição e Ciência dos Alimentos pela Hunter College. Ainda estudou Filosofia Macrobiótica e Ayurveda, onde descobriu que as escolhas alimentares afetam não só a nossa saúde, mas a de todo o planeta. Ela foi descobrindo como a comida mexe com nosso humor e nosso organismo.

A preocupação com uma alimentação saudável e equilibrada Bela aprendeu dentro de casa mesmo. Gil é macrobiótico, e na mesa as escolhas sempre priorizaram a saúde. De volta ao Brasil para tocar o programa, Bela não poderia deixar de levar as mesmas preocupações às mesas dos telespectadores em casa. A ideia central do programa é mostrar como é possível comer bem de forma saudável, sem trabalho e com sabor. É a desmistificação de que comida natural e orgânica é ruim e sem sabor. O programa fala da alimentação em sua essência: como saúde, bem‐estar e educação à mesa. No cardápio da gravação teve biscoito de arroz coberto com cacau, bolinho de arroz com pesto, um guacamole que as crianças ajudaram a terminar e uma vitamina de banana com amora. E, no cardápio da Pais&Filhos, Bela Gil deu receitas deliciosas de como melhorar a alimentação das nossas crianças, falou de preocupações e revelou seus temperos – além dos da Flor, sua filha de 5 anos que come tão bem quanto a mãe. Vale cada letrinha da leitura.

Como você fez a escolha do cardápio?
BG: Queria um cardápio de lanche que também fosse comida. Lanche não é hora de besteira. Um sorvete não pode ser lanche. Um sorvete é um lanche esporádico num dia de sol na praia. O lanche deve conter nutrientes que reponha as energias gastas pela criança. Então escolhi fazer comida para mostrar que é possível incluir vegetais e grãos integrais. Além disso, todos esses pratos têm alguma coisa importante para o sistema nervoso. Eu usei linhaça na vitamina, que é muito rica em ômega 3, que é o alimento do nosso cérebro. As nozes que usei na receita também são ricas em ômega 3. O abacate é rico em ácido. Tudo muito focado nesse desenvolvimento intelectual. Para as crianças ficarem muito inteligentes e não comerem besteira quando crescerem.

Nós sabemos que existe um problema de obesidade infantil no Brasil porque se come muita besteira. Ao seu ver, o que está errado?
BG: A gente perdeu o contato da vida urbana com a vida rural e o efeito colateral disso está na saúde da população, porque a gente está sofrendo com essa distância na mesa. As crianças estão comendo menos comida de verdade e mais industrializados. Acordam de manhã e tomam leite fermentado, no lanche é um pacote de biscoito ou uma barra de chocolate. No almoço é nuggets ou batata frita congelada. Tudo muito rico em sal e açúcar e que faz as crianças ficarem viciadas e obesas. O açúcar no sangue vira gordura, e daí nós temos criança com 10 anos com diabetes. 

E por que esses alimentos atraem mais o paladar infantil?
BG: São ingredientes, muitas vezes, que viciam mesmo. É o trio viciante do fast food: sal, gordura e açúcar. Se fizermos uma ressonância no cérebro, veremos que o açúcar mexe com as mesmas área que uma droga. Ele dispara as mesmas substâncias e estímulos de uma droga viciante. Libera mais serotonina, e com o tempo vamos ficando mais tolerante e você perde a sensibilidade. Ou seja, você vai precisar de mais para satisfazer. Você começa com um biscoito e depois de um mês está comendo o pacote. É a compulsão. A gordura é uma forma de reserva do corpo, só que em alta quantidade ela faz mal, porque bloqueia as veias e toda a corrente sanguínea. E o sal aumenta a pressão entre outros males. As crianças ficam sensorialmente dependentes de alguns produtos, infelizmente.

Qual um caminho possível para trazer à mesa alimentos mais saudáveis?
BG: Com certeza é comprar o menos possível de alimentos em pacotes.Não aos pacotinhos! Quanto menos pacotinho na despensa melhor é. Levar a criança ao supermercado, à feira, fazer com que ela participe da escolha dos alimentos e também do preparo são coisas muito importantes. Quando você tira o pacotinho, ela vai abrir a despensa, não vai achar nada e volta para mesa e come. Oferecer comida de verdade é primordial numa boa alimentação. Depois comece, aos poucos, a trocar a qualidade dos alimentos e ingredientes. Troque o arroz branco pelo integral, que é rico em fibras e satisfaz mais. Os refinados devem ser trocados pelos integrais. Estabelecer rotina e refeições equilibradas é extremamente importante, porque você educa a criança a comer quando estiver com fome. Senão ela come por gula, e daí você tem essa epidemia de obesidade.

O que você considera uma comida saudável ou comida natural?
BG: É aquela comida mais fresca, local, sem agrotóxico, conservantes, venenos, aditivos químicos... Menos refinada e industrializada possível. Como muitos dizem, é a comida que a vovó comia. Comida é estilo de vida e quando você faz uma escolha, do que vai comer, faz também uma escolha da forma de conduzir sua vida. Uma boa comida começa com bons ingredientes, e é importante garantir cinco nutrientes: as folhas verdes, as raízes, os vegetais, o cereal e a proteína. É o que chamamos de macro plate.

Você poderia dar dicas para ajudar as mães a fazerem trocas saudáveis na alimentação de seus filhos?
BG: Bom, para a criança que está acostumada a tomar refrigerante, a dica é diluir o suco, na água com gás. Ela vai ter a mesma sensação do gás, só que com um suco que é mais saudável. E, aos poucos, você vai diminuindo a quantidade de água. Funciona para retirar o vício do refrigerante. A bolacha recheada você pode substituir por cookies integrais ou essa da nossa receita de hoje, que é um biscoito de arroz japonês com calda de chocolate. Claro que se você tem uma criança viciada em biscoito recheado e você simplesmente troca pelo de arroz ela não vai gostar, mas se você a traz para o processo e mostra como faz, leva para a cozinha, ela toma gosto e estabelece outra relação.

O que desperta na criança quando você a leva para a cozinha?
BG: Criança adora ajudar! E gosta de fazer tarefas de adulto, lavar louça, limpar o chão, cozinhar...elas se sentem úteis. E a cozinha gera uma supercuriosidade de querer saber o que aquilo vai virar. Cozinha é química, é transformação. E ela quer experimentar o resultado final daquele esforço que ela teve para fazer o prato. Mesmo que ela não goste vai experimentar, porque foi ela quem fez. É um orgulho para a criança. Uma conquista.

E como é você e a Flor na cozinha e na mesa? Ela come bem?
BG: Ah é supersaudável! Ela adora vir para a cozinha comigo, ajudar. É dessas que pegam o talo de coentro e come e leva brócolis de lanche na escola. Grita que quer brócolis no supermercado. E também fico tranquila por ela comer um bolo ou um brigadeiro quando vai numa festa, por exemplo.  Eu era muito caxias, mas hoje em dia abri um pouco mais. Mas ela nunca comeu um cachorro‐quente na vida, nem um hambúrguer. Nunca pediu ou teve curiosidade, então acho bom. Por outro lado, ela é formiguinha e tem o paladar apurado para o doce. Mas ela sabe a quantidade certa que ela tolera, por isso a importância da criança conhecer os alimentos. Minha filha sabe que se ela comer mais que um brigadeiro vai ter dor de barriga e passar mal. E ela respeita isso. Então, de novo, levando uma criança para a cozinha, mostrando os benefícios dos alimentos, os efeitos dele no corpo e conversando você vai mostrar a importância de comer bem. Não é dizendo para ela “não coma isso que você vai morrer”. 

O menu da Bela
Um ingrediente: arroz integral, sempre.
Uma fruta: seriguela
Um doce: chocolate
Uma combinação: constante na minha vida é arroz e feijão
Um tempero: coentro
Um cheiro de infância: tenho alguns! Tem o cheiro do acarajé e o cheiro do Coquitos, que é um biscoito de coco que eu comia muito em Salvador. Eu abro o pacote e me vejo no apartamento dos meus pais lá em Salvador comendo esse biscoito. É cheiro de férias. É meio trash, acho, mas é meu cheiro de infância.
Um prato de memória afetiva: o capelete da minha vó. Toda festa comemorativa ou toda vez que ela vinha para o Rio ela fazia. É a lembrança que eu tenho da minha vó. Minha vó para mim lembra capelete. E a gente fazia juntas.

Existe um saber popular que diz que alguns assuntos não se põem à mesa. O que é para você? 
“Ah! Dinheiro. Não gosto de falar de dinheiro. É chato e só atrapalha”.

E o que se leva para a mesa?
“Muito amor, amor, amor, amor!!! Amor na comida, com a comida, com as pessoas. É amor”.  

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